Primeiro país exportador de bauxita do mundo desde 2023, a Guiné procura agora avançar na transformação local do minério. Esta ambição, impulsionada pelo desenvolvimento de novas refinarias de alumina, é também fonte de tensões dentro da fileira.
Em 2025, as exportações de bauxita da Guiné atingiram 182,8 milhões de toneladas, um aumento de 25 % em relação às 145 milhões de toneladas registadas em 2024. Segundo notícia da agência Reuters na segunda-feira, 26 de janeiro, citando um documento oficial do Ministério das Minas, este resultado surge num contexto de crescentes tensões e reformas em curso na fileira.
No âmbito de uma vaga de revogação de licenças mineiras, o Estado guineense cessou, entre outros, os direitos mineiros da empresa emiradense Axis Minerals, acusando-a de incumprimento dos seus compromissos. Esta decisão, atualmente contestada no âmbito de um processo de arbitragem internacional, gera incerteza sobre as operações do grupo, que havia exportado 16 milhões de toneladas de bauxita entre janeiro e 14 de maio de 2025, data do anúncio da revogação da licença. Paralelamente, outra empresa emiradense, a Emirates Global Aluminium (EGA), encontra-se também no centro de uma disputa na Guiné.
Privada dos seus direitos mineiros devido a atrasos nos projetos de construção de uma refinaria destinada à transformação da bauxita em alumina, a empresa também ameaçou recorrer aos tribunais. Desde agosto de 2025, os direitos de exploração da sua mina foram, no entanto, transferidos para a Nimba Mining Company (NMC), uma nova empresa pública criada pelas autoridades guineenses ao longo do ano.
É neste contexto que a fileira guineense de bauxita evoluiu ao longo do exercício passado. Segundo informações disponíveis, mais de duas dezenas de empresas continuaram as suas exportações, incluindo a chinesa Chalco, a Compagnie des Bauxites de Guinée (joint venture envolvendo, entre outros, a Rio Tinto e a Alcoa) e a Société Minière de Boké (SMB). Até ao momento, nenhuma estimativa oficial das receitas geradas foi divulgada.
Com a abertura do exercício de 2026, os próximos meses serão determinantes para avaliar a evolução das exportações de bauxita do país, nomeadamente com a contribuição esperada da Nimba Mining Company. Paralelamente, a Guiné prossegue a sua estratégia de transformação local através do desenvolvimento de novas refinarias de alumina, com o objetivo de maximizar a médio prazo estas receitas mineiras. Recorde-se que, desde 2023, o país é o maior exportador mundial de bauxita.
Aurel Sèdjro Houenou
O cravinho-da-índia figura entre as principais especiarias comercializadas em todo o mundo, a par do gengibre, da pimenta e da canela. Já líder em África na fileira do gengibre, a Nigéria ambiciona agora tornar-se um ator dominante no cravinho-da-índia no continente.
Na Nigéria, a primeira campanha oficial de cultivo de cravinho-da-índia à escala nacional está prevista para ser lançada durante a época das chuvas de 2026, que tradicionalmente começa em abril. A informação foi revelada por Abdullahi Shuaibu, coordenador nacional da Associação dos Produtores, Transformadores e Distribuidores de Cravinho-da-Índia do país, no domingo, 25 de janeiro, em Zaria, no Estado de Kaduna.
Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, esta nova campanha agrícola mobilizará um total de 74 000 agricultores distribuídos pelos 36 Estados e pelo Território da Capital Federal (FCT). Está previsto que cada agricultor receba sementes melhoradas e insumos para cultivar 0,5 hectare.
Embora, por enquanto, as previsões de colheita ainda não sejam conhecidas, as ambições apresentadas pela associação de produtores através de um cultivo em larga escala são claras. Trata-se de responder à procura interna, substituindo as importações, e posicionar-se na exportação com o eventual excedente de produção. «A iniciativa foi concebida para fazer da Nigéria o segundo país africano, depois da Tanzânia, a produzir cravinho-da-índia à escala comercial», declarou o senhor Shuaibu.
Os dados compilados na plataforma Trade Map mostram, por exemplo, que a Nigéria importou, em média, 1 184 toneladas de cravinho-da-índia por ano entre 2020 e 2024, com um pico de 3 886 toneladas registado em 2021. Paralelamente, a fatura das suas importações ascendeu, em média, a 1 milhão de dólares por ano no mesmo período, com um pico de 2,4 milhões de dólares, igualmente em 2021.
Além disso, a ambição de se posicionar nas exportações sugere também a vontade da fileira nigeriana de conquistar quotas num mercado internacional cuja procura está em forte crescimento, impulsionada pelo setor do tabaco kretek da Indonésia e por uma adoção mais ampla na conservação alimentar, nos cuidados pessoais e na descoberta de medicamentos.
Segundo a consultora indiana Mordor Intelligence, o tamanho deste mercado é estimado em 5,7 mil milhões de dólares em 2025 e deverá crescer a uma taxa média anual de 5,3 %, atingindo 7,2 mil milhões de dólares até 2030. Os próximos desenvolvimentos dirão se a Nigéria conseguirá, à semelhança do gengibre, estruturar uma fileira de cravinho-da-índia robusta e competitiva.
Stéphanas Assocle
O Gabão dota-se de uma plataforma nacional de ligação entre empreendedores e financiadores, bem como de captação de financiamentos nacionais e internacionais. A iniciativa visa responder ao défice de financiamento das PME e start-up, reforçar a visibilidade dos projetos locais e abrir novas perspetivas de mobilização de capitais a nível internacional.
O Ministério do Comércio do Gabão lançou, na semana passada, a Proxigab, uma plataforma digital nacional destinada a colocar em contacto PME-PMI, jovens empreendedores e promotores de projetos com fontes de financiamento, tanto nacionais como internacionais.
A Proxigab tem como objetivo melhorar a visibilidade de projetos com elevado potencial, facilitar o acesso a financiamentos nacionais e internacionais, incentivar o mentorado, o acompanhamento e o desenvolvimento das PME-PMI gabonesas. Posiciona-se como uma ferramenta estratégica para estruturar o ecossistema empreendedor nacional, aumentar a visibilidade dos projetos e instaurar um clima de confiança duradouro entre investidores e empreendedores.
Uma resposta às limitações do financiamento das start-up gabonesas
A ministra do Comércio e das PME-PMI, Gninga Chaning Zenaba, apresentou a Proxigab como um instrumento destinado a estabelecer um quadro estruturado entre investidores e empreendedores. Segundo a governante, a plataforma permite aos promotores de projetos apresentar iniciativas devidamente documentadas, oferecendo simultaneamente aos financiadores uma melhor leitura das oportunidades disponíveis. «Trata-se de criar um espaço credível onde os promotores de projetos possam apresentar iniciativas sólidas, ao mesmo tempo que se oferece aos financiadores uma maior clareza sobre as oportunidades existentes», afirmou.
Do ponto de vista operacional, a Proxigab integra várias funcionalidades, nomeadamente mecanismos de seleção e acompanhamento de projetos, ferramentas de mentorado envolvendo grandes empresas, bem como instrumentos de mobilização de financiamentos adaptados às necessidades específicas das PME-PMI. Os responsáveis pelo projeto indicaram que a plataforma foi concebida como uma ferramenta evolutiva, cuja melhoria dependerá do feedback dos utilizadores e dos atores do ecossistema.
Desta forma, o Gabão reafirma a sua vontade de fazer do digital um instrumento ao serviço do desenvolvimento das PME-PMI. A iniciativa inscreve-se na estratégia nacional de promoção do empreendedorismo e de desenvolvimento das empresas tecnológicas. Para os poderes públicos, o desafio é duplo: assegurar a adoção efetiva da plataforma pelas empresas locais e reforçar o envolvimento das instituições financeiras. Neste sentido, a Proxigab poderá tornar-se um canal de deteção de projetos estruturados, num mercado ainda pouco visível para a tecnologia gabonesa.
As start-up do país ocupavam a 22.ª posição em África em termos de captação de fundos em capital próprio e dívida, com um montante total de 1 milhão de dólares, segundo o relatório anual de 2025 da Partech Partners. O Gabão mantém-se, contudo, na liderança dentro da zona CEMAC, à frente dos Camarões, classificados em 25.º lugar, com 0,4 milhões de dólares angariados.
Chamberline Moko
O Khomani Cultural Landscape é um sítio cultural localizado no norte da África do Sul, na província do Cabo Setentrional, próximo ao Parque Transfronteiriço de Kgalagadi. Ele corresponde a uma porção do deserto do Kalahari historicamente associada ao povo ǂKhomani San, um dos grupos indígenas da África Austral. A paisagem foi inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 2017, em reconhecimento à sua importância cultural e histórica.

O sítio não é definido por construções monumentais, mas por um território moldado por usos, deslocamentos e saberes transmitidos ao longo de várias gerações. Ele inclui áreas de caça e coleta, pontos de água, lugares associados a narrativas orais, assim como rotas sazonais. Esses elementos revelam um modo de vida baseado em um conhecimento detalhado do ambiente árido do Kalahari e em práticas adaptadas às suas restrições ecológicas.

Durante muito tempo, os ǂKhomani San foram marginalizados e deslocados de suas terras, especialmente durante o período colonial e sob o apartheid. No final da década de 1990, um processo de restituição fundiária permitiu que algumas comunidades ǂKhomani recuperassem direitos sobre partes de seus territórios ancestrais. O Khomani Cultural Landscape reflete tanto essa história de desapropriação quanto os esforços contemporâneos de reconhecimento jurídico, cultural e político dos povos indígenas na África do Sul.

A paisagem cultural também carrega dimensões imateriais. Línguas, histórias, práticas espirituais e conhecimentos relacionados à fauna e à flora fazem parte integrante do sítio, mesmo quando não deixam vestígios materiais visíveis. A gestão do território exige, portanto, a consideração das comunidades locais e de seu papel na preservação e transmissão desses saberes.

Atualmente, o Khomani Cultural Landscape é ao mesmo tempo um espaço de memória, um território de vida para algumas famílias ǂKhomani e uma área regulada por políticas de conservação. Ele ilustra os desafios envolvidos na proteção de paisagens culturais vivas, nas quais a preservação ambiental está intimamente ligada ao reconhecimento dos direitos, da história e das práticas das populações a elas associadas.
A Líbia multiplica os investimentos para modernizar e reforçar a sua infraestrutura digital nacional. Por exemplo, as autoridades anunciaram, no final de dezembro, a desativação das centrais telefónicas tradicionais utilizadas para a telefonia fixa, em favor de tecnologias mais recentes.
A Líbia prepara-se para o lançamento da tecnologia móvel de quinta geração (5G) "num futuro próximo". Na semana passada, a empresa pública Libyan Post, Telecommunications and Information Technology Holding Company (LPTIC) fez o anúncio.
Num comunicado publicado na quinta-feira, 22 de janeiro, a LPTIC indicou que esta etapa ocorre após a conclusão dos últimos preparativos técnicos e organizacionais da primeira fase do projeto 5G. O serviço será operado e lançado pela operadora Al‑Madar Al‑Jadeed, como primeiro operador nacional líbio responsável por fornecer a 5G, em conformidade com as normas técnicas em vigor e com plena disponibilidade operacional.
Na sexta-feira, 23 de janeiro, a LPTIC anunciou ainda a assinatura de um protocolo de entendimento com a empresa americana KBR, apresentada como um ator de destaque nas áreas de consultoria de engenharia, soluções tecnológicas e infraestruturas. O reforço das redes 5G na Líbia é um dos principais eixos da colaboração prevista entre as duas partes.
Um impulso para a transformação digital
Segundo a LPTIC, a implementação da 5G enquadra-se "na orientação nacional de desenvolvimento da infraestrutura do setor das telecomunicações, apoio à transição digital e melhoria da qualidade dos serviços prestados aos cidadãos".
As autoridades líbias apostam nas TIC para acelerar a reconstrução e o desenvolvimento socioeconómico do país. Desde 2021, a LPTIC, como braço operacional desta estratégia, tem multiplicado iniciativas e parcerias para transformar a Líbia num "país inteligente", onde cidadãos, empresas e cidades beneficiam de tecnologias avançadas ao serviço de um desenvolvimento integrado e sustentável. Em 2024, o país classificou-se em 124.º lugar entre 193 Estados no Índice de Desenvolvimento de Governo Eletrónico das Nações Unidas, com uma pontuação de 0,5466, abaixo da média mundial.
Neste contexto, os investimentos na infraestrutura digital nacional intensificaram-se. No final de dezembro, as autoridades lançaram um programa de desativação progressiva das centrais telefónicas tradicionais, em favor de tecnologias mais modernas. Outras prioridades da holding incluem a implementação e generalização da banda larga, a adoção de uma orientação clara em termos de infraestrutura de TI e cloud, a aceleração de projetos de fibra ótica e a expansão das redes de telecomunicações.
A 5G surge, assim, como um vetor tecnológico estruturante. Numa estudo publicado em 2021 pela Dell Technologies, salientou-se que a 5G permite velocidades de transmissão até 100 vezes superiores às da 4G, com latência significativamente reduzida e capacidades de rede inéditas. Esta tecnologia abre, portanto, caminho a aplicações avançadas e inovadoras, favorecendo uma conectividade em tempo real e facilitando a transformação digital de setores-chave.
Desafios financeiros e de adoção
O lançamento da 5G continua, contudo, a ser um empreendimento dispendioso. Segundo um estudo da Ericsson de 2022, o custo base para implementar a 5G num país situa-se entre 3 e 8 mil milhões de USD, acrescido de 20 a 35 % para expandir a cobertura nacional.
Em termos de cobertura, as redes móveis 2G e 3G cobrem atualmente 98 % da população, estimada em 7 milhões de habitantes, de acordo com o Mobile Connectivity Index 2025 da GSMA. A cobertura 4G atinge 83,7 %.
No uso, dados da DataReportal, citando a GSMA Intelligence, indicam que o número de subscrições móveis na Líbia era de 14,9 milhões no final de dezembro de 2025, correspondendo a uma taxa de penetração de 199 %. O número de utilizadores únicos é estimado em 6,62 milhões, ou seja, 88,5 % da população. Estes números devem, contudo, ser relativizados, já que alguns subscritores possuem múltiplos cartões SIM contabilizados separadamente.
Para além da infraestrutura, a adoção da 5G pela população líbia poderá enfrentar obstáculos já observados noutros mercados: o custo dos smartphones compatíveis, o acesso a pacotes de dados 5G, o nível de competências digitais, a perceção da relevância dos serviços disponíveis ou a qualidade da experiência do cliente.
Isaac K. Kassouwi
No Libéria, o projeto Dugbe poderá albergar uma mina capaz de produzir 2,27 milhões de onças de ouro ao longo de 14 anos. A sua implementação esteve retardada nos últimos anos devido a problemas financeiros, mas o desenvolvimento foi retomado em 2025, num contexto de mercado em alta para o ouro.
A Mansa Resources, subsidiária da Hummingbird Resources, assinou na segunda-feira, 26 de janeiro, um acordo para a aquisição de 100 % do capital da empresa mineira canadiana Pasofino Gold, operadora do projeto aurífero Dugbe no Libéria. A transação, avaliada em 141,6 milhões de dólares canadenses (aproximadamente 103 milhões USD), permitirá que a futura mina de ouro passe sob o controlo indireto da Nioko Resources, empresa do empresário burquinense Idrissa Nassa.
A Hummingbird Resources, agora propriedade exclusiva da Nioko Resources após a aquisição em 2024, já detinha cerca de 51 % da Pasofino através da sua filial Mansa Resources. Com esta operação, a empresa pretende adquirir as ações restantes para absorver totalmente a operadora canadiana e assumir o comando do projeto Dugbe. A transação será realizada integralmente em dinheiro e está sujeita às aprovações regulamentares necessárias, incluindo a anuência dos acionistas da Pasofino.
Qual o futuro do Dugbe?
Se a operação sobre a Pasofino se concretizar, a Nioko passará a gerir o Dugbe, uma mina capaz de produzir 2,27 milhões de onças de ouro ao longo de 14 anos, segundo o estudo de viabilidade de 2022, com um custo de construção estimado em 397 milhões USD. Em abril de 2025, o grupo de Idrissa Nassa já tinha assinado um acordo-quadro de cooperação e apoio com a Pasofino para relançar o projeto, que havia sido atrasado por limitações financeiras.
Essa iniciativa levou, em maio, à divulgação de um plano estratégico destinado a atualizar os parâmetros económicos do projeto, assegurar as licenças mineiras e avançar para a decisão final de investimento para iniciar a construção. Embora a opção de absorver a Pasofino tenha sido escolhida, nenhuma alteração concreta foi ainda anunciada no quadro do plano estratégico existente.
No entanto, esta operação implica para a Nioko assumir desafios estruturais significativos, incluindo um aviso de inadimplência emitido pelo governo libanês contra a Pasofino por não pagamento de taxas de concessão e contribuições sociais associadas ao projeto. Esta situação já tinha suscitado críticas severas à Pasofino no Libéria no ano passado.
Portanto, apesar do potencial do Dugbe, a Nioko ainda terá de demonstrar capacidade de gestão para levar o projeto até ao fim, num contexto favorável para o ouro, cujos preços continuam a bater recordes no mercado. O acordo anunciado ainda não é definitivo, pois a Pasofino reserva-se o direito de considerar outras propostas que possam ser financeiramente mais vantajosas. Uma assembleia especial está prevista para março, para que os acionistas se pronunciem sobre o negócio.
Aurel Sèdjro Houenou
Em Madagáscar, o setor mineiro representa 4,6 % do PIB e quase metade das exportações. Enquanto as autoridades pretendem aumentar esta contribuição económica, a exploração de terras raras surge como uma das alavancas consideradas, apesar das críticas quanto ao seu impacto ambiental.
A Harena Rare Earths planeia iniciar em 2027 a construção da sua mina de terras raras em Madagáscar. O anúncio, feito segunda-feira, 26 de janeiro, pela empresa britânica, ocorre poucos dias após a publicação de um estudo de viabilidade atualizado para outro projeto de terras raras na Grande Ilha. Apesar da resistência local suscitada por esta perspetiva, Madagáscar prepara, de forma lenta mas firme, a exploração dos seus depósitos de terras raras.
A Harena Rare Earths nasceu da fusão em 2023 entre a australiana Harena Resources, detentora de 75 % de interesses no projeto malgaxe de terras raras Ampasindava, e a britânica Citius Resources. Em agosto de 2025, esta nova entidade adquiriu os restantes 25 % de interesses. Segundo o estudo de pré-viabilidade publicado nesta segunda-feira, a Harena Rare Earths pretende construir uma mina capaz de produzir 71.000 toneladas de óxido de terras raras (TREO) ao longo de 20 anos. O investimento inicial necessário é estimado em 142 milhões de dólares, recuperável ao cabo de cinco anos.
No cenário base, Ampasindava apresenta um valor atual líquido após impostos de 464,3 milhões USD, com uma taxa interna de retorno de 27 %. Pode gerar fluxos de caixa após impostos de 2,6 mil milhões de dólares ao longo da sua vida útil de 20 anos. Espera-se uma otimização destes resultados no âmbito de um próximo estudo de viabilidade, enquanto outro projeto de destaque para exploração de terras raras em Madagáscar já ultrapassou esta fase.
Trata-se do projeto Vara Mada (anteriormente denominado Toliara), desenvolvido pela empresa americana Energy Fuels. Uma descoberta de monazite, minério contendo terras raras, foi anunciada em 2023 neste projeto, inicialmente conhecido pelas suas reservas de areias minerais (ilmenite, zircão e rutilo). Segundo um estudo de viabilidade publicado no início de janeiro de 2026, a futura mina Vara Mada poderá produzir anualmente 24.000 toneladas de monazite ao longo de 38 anos. Cerca de 27 % das receitas previstas do projeto provirão da venda desta produção de terras raras.
O impacto ambiental criticado
As terras raras constituem um grupo de 17 metais essenciais na transição energética e cuja procura está em crescimento. A China domina o fornecimento mundial e não hesita em usar esta posição como instrumento na sua guerra comercial com os Estados Unidos e a Europa. Enquanto os países ocidentais procuram alternativas a Pequim, os projetos anunciados em Madagáscar podem posicionar a Grande Ilha como uma nova fonte africana de abastecimento. Isto poderá também aumentar as receitas geradas pelo setor mineiro malgaxe, que representou 4,6 % do PIB e 49 % das exportações em 2023.
No entanto, os potenciais benefícios económicos destes dois projetos são contrariados pelo seu impacto ambiental. A extração de terras raras, chamada assim porque os metais presentes só existem em quantidades mínimas, é altamente poluente, com potenciais descargas de soluções químicas nos lençóis freáticos. No mineral, as terras raras coexistem também com tório e urânio, duas matérias-primas radioativas.
Na península de Ampasindava, habitantes, eleitos locais e organizações da sociedade civil denunciam os impactos deixados pelas fases de exploração anteriores e receiam uma exploração em maior escala. Numa reportagem do jornal francês Le Monde em 2023, referem terrenos agrícolas perturbados por perfurações, promessas sociais não cumpridas e a revisão do modelo de desenvolvimento baseado principalmente na agricultura e nos recursos marinhos. A exploração mineira poderá fragilizar de forma duradoura os meios de subsistência e a biodiversidade, sem benefícios proporcionais para as populações locais.
A Harena Rare Earths iniciou o processo de concessão de licença de exploração para o seu projeto de terras raras, enquanto a Energy Fuels discute as condições fiscais do seu projeto com as autoridades malgaxes. Os próximos meses determinarão como o governo terá em conta as preocupações das populações nas negociações.
Emiliano Tossou
As obras de construção da central térmica a gás de Mayumba foram oficialmente lançadas em julho de 2024, com o objetivo de responder aos desafios energéticos na região sudoeste do Gabão.
O Estado gabonês recebeu oficialmente a primeira fase da central térmica a gás de Mayumba, marcando a entrada em funcionamento de uma nova infraestrutura de produção de eletricidade no sul do país. A informação foi divulgada por vários meios de comunicação locais, na margem da cerimónia de inauguração realizada na sexta-feira, 23 de janeiro.
Concretamente, a instalação, situada na província da Nyanga, apresenta uma capacidade instalada de 8,5 megawatts nesta primeira fase operacional. Esta entrada em funcionamento vem responder, a curto prazo, às restrições de produção que há muito afetam o abastecimento elétrico da região.
O projeto é desenvolvido no âmbito de uma parceria público-privada, envolvendo o Estado gabonês, a empresa pública Gabon Power Company, filial do Fundo Gabonês de Investimentos Estratégicos, e o operador petrolífero Perenco Gabon, responsável pelo fornecimento do gás natural destinado a alimentar a central.
O gás é transportado a partir de campos offshore explorados pela Perenco até ao local de Mayumba, enquanto continuam os trabalhos nas infraestruturas de ligação, incluindo a linha elétrica que ligará Mayumba a Tchibanga, permitindo a evacuação da eletricidade produzida para a rede interligada.
Neste enquadramento, o plano de desenvolvimento do projeto prevê expansões sucessivas do site. A capacidade instalada deverá ser aumentada para cerca de 20 MW numa fase intermédia, antes de atingir até 50 MW a longo prazo, de acordo com a trajetória definida no âmbito do projeto.
Um projeto inicialmente previsto para 2025
O projeto da central térmica a gás de Mayumba resulta de um planeamento conduzido pelas autoridades gabonesas para responder aos déficits estruturais de eletricidade no sul do país, valorizando localmente o gás natural produzido na região.
Nesse sentido, em 2024, os parceiros do projeto procederam a uma atualização contratual destinada a acelerar o calendário de implementação. Esta revisão visava explicitamente a entrega dos primeiros megawatts já em 2025, com uma primeira fase em torno de 9 MW, antes de um aumento progressivo até aos 50 MW.
Em detalhe, a Perenco comprometeu-se a assegurar a instalação dos equipamentos de produção e o fornecimento de gás natural, enquanto a Gabon Power Company deveria liderar as obras de ligação elétrica, incluindo a construção de uma linha que ligasse Mayumba a Tchibanga e a eletrificação das localidades ao longo deste eixo.
A receção oficial pelo Estado marca a conclusão da primeira fase do projeto, em conformidade com os compromissos contratuais assumidos pelas partes envolvidas. Esta etapa abre agora caminho às fases subsequentes de desenvolvimento da central, na continuidade do plano definido para reforçar de forma sustentável a oferta elétrica no sul do Gabão.
Abdel-Latif Boureima
Na Libéria, o setor da pesca constitui um pilar dos meios de subsistência das comunidades costeiras, da segurança alimentar e da luta contra a pobreza. Emprega mais de 33.000 pessoas e representa cerca de 10 % do PIB.
A Libéria e a União Europeia (UE) assinaram um acordo de financiamento no valor de 25 milhões de euros (cerca de 29,7 milhões de dólares), destinado a reforçar a cadeia de valor da pesca artesanal, melhorar os meios de subsistência e consolidar a segurança alimentar nos nove condados costeiros deste país da África Ocidental.
O acordo, assinado na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, permitirá apoiar os pescadores artesanais e os comerciantes de peixe através da melhoria das instalações de armazenamento frigorífico, dos equipamentos de produção de gelo e das infraestruturas de manuseamento do pescado, promovendo simultaneamente a criação de empregos e a redução das perdas pós-captura. Segundo o Ministério das Finanças e do Planeamento do Desenvolvimento da Libéria, «estas intervenções deverão aumentar os rendimentos, reforçar a segurança alimentar e melhorar o bem-estar dos agregados familiares nas comunidades costeiras».
Na Libéria, a pesca desempenha um papel essencial nos meios de subsistência das populações costeiras, na segurança alimentar e na redução da pobreza. De acordo com o Fisheries Committee for the West Central Gulf of Guinea, o setor emprega mais de 33.000 pessoas e contribui com cerca de 10 % do PIB. No entanto, enfrenta obstáculos crescentes relacionados com a erosão costeira, a destruição dos mangais e a insegurança fundiária.
Foi estabelecido um quadro legislativo para regular o setor, nomeadamente a Lei de Gestão e Desenvolvimento das Pescas e da Aquicultura. Contudo, a sua aplicação é dificultada por capacidades de fiscalização limitadas, falta de recursos e de financiamento, bem como pela persistência da pesca ilegal, não declarada e não regulamentada.
Além disso, este país da África Ocidental permanece exposto aos efeitos das alterações climáticas, que se traduzem na degradação ambiental, no agravamento da insegurança alimentar e em impactos negativos sobre uma economia fortemente dependente dos recursos naturais. Segundo a UE, «as suas margens orçamentais são limitadas, as infraestruturas e serviços são inadequados e o seu desenvolvimento humano figura entre os mais baixos do mundo».
Refira-se que a União Europeia apoiará o projeto no período 2026-2032, através do programa Reforço da Cadeia de Valor da Pesca Artesanal.
Lydie Mobio
Esta iniciativa visa, nomeadamente, aumentar a taxa de bancarização no Gabão. Esta atingiu 25,06 % em 31 de dezembro de 2023, segundo um relatório recente publicado pelo BEAC.
Detida a 100 % por instituições e investidores privados gaboneses e dedicada ao financiamento das PME e microempresas (TPE), o Banco para o Comércio e o Empreendedorismo do Gabão (BCEG) celebrou um acordo de parceria com a Bamboo Microfinance, com o objetivo de facilitar o acesso aos serviços bancários, sobretudo no interior do país.
Oficializada pela assinatura de uma convenção entre as duas instituições, na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, esta colaboração visa aproximar o banco dos cidadãos gaboneses, apoiando-se na rede de agências da Bamboo Microfinance, uma instituição de segunda categoria no Gabão. O BCEG pretende, assim, reduzir as restrições relacionadas com as deslocações às grandes cidades, onde a atividade bancária permanece fortemente concentrada, nomeadamente em Libreville, Port-Gentil e Franceville.
«As duas instituições confirmam, deste modo, o seu compromisso comum com o reforço do acesso ao financiamento, o acompanhamento das empresas locais e o apoio sustentável ao desenvolvimento do tecido económico nacional», indicou a Bamboo Microfinance.
A iniciativa visa igualmente contribuir para o aumento da taxa de bancarização. De acordo com um relatório publicado em outubro de 2025 pelo Banco dos Estados da África Central (BEAC), esta taxa situava-se em 25,06 % em 31 de dezembro de 2023. Embora este nível permaneça relativamente baixo, é claramente superior à média regional da zona Cemac, estimada em 11,68 %.
O Gabão apresenta, assim, a taxa de bancarização mais elevada da sub-região, à frente da Guiné Equatorial (18,59 %), dos Camarões (15,35 %), do Congo (13,44 %), da República Centro-Africana (3,86 %) e do Chade (2,85 %).
Sandrine Gaingne