O Moçambique é atualmente o país mais afetado pela epidemia de cólera que atinge principalmente a África Austral desde o início de 2026. Perante esta situação, o governo pretende reforçar a resposta através de um vasto programa de investimento.
O governo moçambicano apresentou, a 22 de maio, em Genebra, o seu Plano Nacional de Eliminação da Cólera, à margem da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde organizada pela OMS. Avaliado em 500 milhões de dólares, este plano quinquenal visa eliminar a infeção como problema de saúde pública até 2030 e reduzir em cerca de 90 % a mortalidade associada à doença.
Segundo informações divulgadas pelo meio de comunicação local 360 Mozambique, a nova folha de rota prevê intervenções integradas em vários domínios, nomeadamente vacinação, vigilância epidemiológica, expansão do acesso à água potável, reforço das infraestruturas de saneamento, bem como melhoria das capacidades de resposta sanitária ao nível comunitário nas zonas mais expostas.
Importa recordar que a cólera é uma doença diarreica grave de origem bacteriana, provocada pelo consumo de alimentos ou água contaminados, podendo causar a morte em poucas horas na ausência de tratamento.
Maputo aposta no apoio dos seus parceiros internacionais e financeiros presentes na Assembleia Mundial da Saúde para mobilizar os recursos financeiros necessários. «Estamos aqui para apresentar o compromisso do governo em eliminar a cólera e também para mobilizar apoio de forma a acelerar a implementação deste plano», declarou Ussene Isse, ministro moçambicano da Saúde.
Moçambique no centro de um contexto sub-regional sob tensão
Este anúncio surge num contexto de recrudescimento da cólera na África Austral. Segundo a OMS, cinco países afetados por surtos epidémicos na sub-região registaram 4 320 casos e 56 mortes entre 1 de janeiro e 15 de fevereiro de 2026, contra 586 casos e 11 mortes no mesmo período do ano anterior. O Moçambique representa, sozinho, cerca de 90 % dos casos reportados na sub-região.
Neste contexto, Moçambique tornou-se, em fevereiro passado, o primeiro país a relançar uma campanha de vacinação preventiva contra a cólera após mais de três anos de suspensão devido à escassez mundial de vacinas orais contra a cólera. O país já recebeu uma primeira alocação de 3,6 milhões de doses no âmbito de um programa internacional apoiado pela OMS, UNICEF e pela Aliança Gavi em 2026.
A retoma destas campanhas preventivas ocorre numa altura em que o abastecimento mundial de vacinas contra a doença melhorou significativamente. Segundo os parceiros internacionais, a produção anual passou de cerca de 35 milhões de doses em 2022 para quase 70 milhões de doses em 2025, permitindo retomar progressivamente estratégias de prevenção em larga escala.
Para as organizações de saúde, a vacinação constitui apenas uma componente da resposta. A melhoria duradoura do acesso à água potável, do saneamento e da higiene continua a ser essencial para reduzir de forma sustentável os riscos de surtos epidémicos.
Em Moçambique, a rápida implementação do plano de eliminação da cólera revela-se ainda mais crucial tendo em conta a deterioração das perspetivas regionais na África Austral. Segundo projeções publicadas pela OMS em fevereiro passado, a região poderá registar entre 12 000 e 22 000 novos casos de cólera entre março e agosto de 2026, nos cenários mais prováveis.
«Muitos fatores contribuem para os surtos de cólera na África Austral, nomeadamente os ciclones tropicais, as inundações que afetaram a África do Sul, Malawi, Moçambique e Zâmbia, os conflitos e deslocamentos populacionais, bem como a insuficiência dos sistemas urbanos de abastecimento de água», indica a organização das Nações Unidas para explicar estas previsões pessimistas.
Stéphanas Assocle
O desembolso foi aprovado após a conclusão da quinta e sexta avaliações no âmbito da FEC e da FRD. Segundo o FMI, as Seychelles registaram progressos significativos em direção aos seus principais objetivos económicos.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu as consultas ao abrigo do Artigo IV com as Seychelles e finalizou a quinta e sexta avaliações no âmbito da Facilidade Alargada de Crédito (FEC) e da Facilidade para a Resiliência e Sustentabilidade (FRD).
A conclusão destas avaliações permite um desembolso imediato de cerca de 41 milhões de dólares.
Segundo o comunicado publicado na terça-feira, 26 de maio, pela instituição, este montante destina-se a reforçar a estabilidade macroeconómica, apoiar o crescimento e consolidar os quadros de política orçamental e monetária. Visa igualmente aumentar a resiliência face às alterações climáticas, reforçar a coordenação com outras fontes de financiamento oficial e impulsionar os investimentos relacionados com o clima.
De acordo com o Fundo, os resultados do programa FEC foram sólidos. «Todos os objetivos quantitativos da 5.ª e 6.ª avaliações, com exceção de um único, foram alcançados. A maioria dos critérios estruturais (SB) no âmbito da FEC foi cumprida. Apenas dois SB não foram atingidos, mas deverão sê-lo até ao final do programa.»
Além disso, a implementação do programa FRD registou bons progressos e manteve-se amplamente alinhada com as recomendações da assistência técnica do FMI.
Um crescimento que continua sólido
A economia das Seychelles manteve-se resiliente em 2025, sustentada por um número recorde de chegadas de turistas, uma inflação baixa e uma melhoria da situação orçamental e externa.
Além disso, a dívida pública diminuiu, fixando-se em 53,6 % do PIB em 2025, enquanto as reservas internacionais aumentaram para além dos objetivos estabelecidos. As condições monetárias continuam favoráveis, ao mesmo tempo que as principais reformas económicas em curso continuam a avançar.
Contudo, o FMI alerta para os desafios ligados ao conflito no Médio Oriente. O país continua vulnerável às perturbações do tráfego aéreo e da atividade turística. Cerca de 60 % dos visitantes que chegam às Seychelles transitam por Doha, Dubai ou Abu Dhabi. Além disso, o aumento dos preços das matérias-primas e dos custos do transporte marítimo poderá alimentar a inflação e enfraquecer a posição externa do país.
Para 2026, o FMI prevê um abrandamento do crescimento económico, com um produto interno bruto (PIB) estimado em 1,5 %, face aos 5,1 % registados em 2025. A inflação deverá atingir 3,1 % no final do ano, enquanto o excedente orçamental primário deverá recuar para cerca de 0,9 % do PIB.
Lydie Mobio
Após quase dois anos como ministra conselheira do Ensino Superior e da Investigação Científica, Sèdami Mèdégan Fagla junta-se ao primeiro governo de Romuald Wadagni com a missão de reforçar a ligação entre formação, investigação e emprego jovem.
O ensino superior no Benim entra numa nova fase. Nomeada no domingo, 24 de maio, Sèdami Mèdégan Fagla assume a liderança de um ministério alargado que reúne ensino superior, investigação científica e formação técnica. Sucede a Éléonore Yayi Ladékan, no cargo desde 2021.
Um percurso entre ciência, investigação e ação pública
O percurso da nova ministra é atípico. Professora assistente universitária do Conselho Africano e Malgaxe para o Ensino Superior (CAMES), leciona química orgânica e farmacêutica na Universidade de Abomey-Calavi, onde também dirige o Medicinal Organic Chemistry Laboratory, um laboratório especializado em substâncias naturais com fins medicinais.
Doutorada pela Universidade Paris-Sud XI e mestre em gestão da inovação pela Universidade Paris Dauphine, acumulou doze anos de experiência em consultoria tecnológica e gestão de portefólios farmacêuticos em França antes de regressar ao Benim, em 2014. É também autora de cerca de dez publicações científicas avaliadas por pares.
Eleita deputada em 2019 sob a bandeira da União Progressista, envolveu-se na defesa dos direitos das mulheres e na luta contra a violência baseada no género, antes de ser nomeada diretora do Instituto Parlamentar do Benim, em abril de 2023. Em dezembro de 2024, integrou o governo cessante como ministra conselheira do Ensino Superior, último passo antes desta promoção.
Um setor em transformação entre reformas e desafios estruturais
O setor que agora assume enfrenta fortes pressões. A Universidade de Abomey-Calavi (UAC), a maior do país, acolhe sozinha mais de 67 mil estudantes distribuídos por sete campus, com 62 mil inscrições validadas para o ano académico 2023-2024. A falta de docentes agrava a situação. Um concurso lançado em 2025 para preencher 250 vagas de assistentes universitários selecionou apenas 166 candidatos, apesar de um processo considerado rigoroso.
A desconexão entre diplomas e emprego continua a ser o desafio mais profundo. Embora a taxa oficial de desemprego seja inferior a 3%, os jovens diplomados ocupam sobretudo empregos abaixo das suas qualificações, num país onde o subemprego atinge 72% da população ativa e mais de 90% dos trabalhadores atuam no setor informal.
Vários programas tentam reduzir esta lacuna. O programa Azôli, apoiado pelo Banco Mundial, permitiu a integração profissional de mais de 48 mil jovens, com um financiamento adicional de 41,3 milhões de dólares aprovado em junho de 2025. Ao nível das infraestruturas, foi validado em setembro de 2025 um plano de 12,5 milhões de dólares para reabilitar várias universidades públicas, incluindo a UAC, a Faculdade de Ciências da Saúde e a Universidade Nacional de Agricultura.
Para Sèdami Fagla, o verdadeiro desafio será transformar estes investimentos em resultados concretos, num país onde cada nova geração de finalistas do ensino secundário aumenta a pressão sobre universidades ainda subfinanciadas.
Félicien Houindo Lokossou
Face aux limites do seu sistema educativo e à pressão demográfica, o Malawi acelera as suas reformas. O país aposta em parcerias internacionais para aproximar formação, competências e emprego, num contexto de transformação económica ainda frágil.
O Malawi deu um novo passo na reforma do seu sistema educativo. Na segunda-feira, 25 de maio, o ministro da Educação, Bright Msaka, recebeu uma delegação britânica em Lilongwe. No centro das discussões esteve a vontade de construir um sistema capaz de responder às realidades do mercado de trabalho. «Queremos formar mentes críticas, capazes de responder às transformações tecnológicas», afirmou o ministro, definindo desde logo a direção da reforma.
O ministério trabalha numa revisão estrutural destinada a identificar precocemente os pontos fortes e as dificuldades de cada aluno, para melhor orientar os percursos escolares desde os primeiros anos. Uma abordagem apoiada pelo Reino Unido através da Parceria Global para a Educação. O deputado Bambos Charalambous insistiu em prioridades como as aprendizagens fundamentais, as ferramentas digitais e a distribuição de tablets para modernizar os métodos de avaliação.
Entre as principais medidas previstas está a introdução do empreendedorismo como disciplina autónoma em todos os níveis de ensino. «Ensinar empreendedorismo desde cedo permitirá à nossa juventude criar as suas próprias oportunidades», defendeu o ministro, num país onde o fosso entre escola e emprego continua a ser um grande desafio.
Uma urgência bem documentada
Segundo a Divisão da População das Nações Unidas, mais de 60% da população do Malawi tem menos de 25 anos. O Banco Mundial estima que cerca de 270 mil jovens entram todos os anos num mercado de trabalho que oferece apenas 40 mil empregos formais, enquanto o Instituto Nacional de Estatística revela que o setor informal absorve mais de 90% da população ativa.
A economia malawiana continua igualmente vulnerável a choques climáticos, financeiros e macroeconómicos. Numa publicação de 2024, a UNESCO sublinha as persistentes desigualdades no acesso e na qualidade do ensino, enquanto a OIT destaca o desfasamento crescente entre as competências adquiridas e as expectativas dos empregadores.
Félicien Houindo Lokossou
O padrão de beleza africano está ligado, entre outros elementos, aos penteados, dos quais as tranças e os entrançados são alguns dos mais famosos. Estes estilos capilares continuam ainda hoje a ilustrar a diversidade e a riqueza criativa do continente.
As tranças e os entrançados são penteados que unem identidade e estética, com interpretações e significados que variam conforme as ocasiões e os contextos. Datam da Antiguidade, como demonstram certas esculturas e hieróglifos egípcios de 3 500 a.C., segundo a revista especializada Camille Albane.
Assim, estes penteados ancestrais, muito mais do que simples arranjos capilares, constituem uma verdadeira expressão artística profundamente enraizada nas tradições africanas. Representam uma linguagem visual única que permite a homens e mulheres afirmarem a sua pertença a uma comunidade.
Tranças e entrançados: uma confusão frequente
Os entrançados, símbolos de sobriedade, seduzem pela sua aparência intemporal. Feitos através do entrelaçamento de três mechas, adaptam-se a todas as texturas capilares e, quando são colados ao couro cabeludo, desenham padrões geométricos refinados. Práticos e protetores, preservam a saúde do cabelo e exigem pouca manutenção.
As tranças, por sua vez, abrem um campo infinito de criatividade. Quer se trate de “box braids” ou de estilos tradicionais, permitem acrescentar comprimento, volume e cor através de extensões. Mais complexas do que os entrançados, oferecem uma diversidade de formas e texturas, ao mesmo tempo que protegem o cabelo natural e mantêm a sua hidratação.
As tranças e os entrançados modernos inspiram-se em estilos mais antigos observados entre tribos e clãs espalhados pelo continente africano.
As tranças étnicas em África
Em África, existe uma grande variedade de tranças que variam conforme as regiões, os rituais tribais ou as organizações sociais. Em cada tribo, têm um significado particular e são adaptadas a determinadas circunstâncias.
Entre os Maasai do Quénia e da Tanzânia, os homens usam tranças finas cobertas de ocre, que indicam a idade e o estatuto social. As mulheres exibem tranças frequentemente adornadas com belas contas. Nas tribos Samburu do Quénia, os jovens deixam crescer longas tranças coloridas, enquanto as mulheres criam padrões complexos.
Nas tribos Himba da Namíbia, as mulheres aplicam uma mistura de manteiga nas tranças, refletindo a idade, a maternidade ou o estado civil. Entre os Zulus da África do Sul, os penteados esculpidos em formas geométricas servem como sinais distintivos durante cerimónias.
Além da função estética, as tranças representam um sinal de identidade e de memória coletiva. Oriundas de práticas ancestrais, perpetuam um saber transmitido de geração em geração dentro das comunidades. Estes estilos não permaneceram imóveis no tempo nem no espaço: evoluíram para dar origem a formas mais modernas.
As tranças modernas: cornrows, box braids, long long...
Os estilos de tranças africanas evoluem constantemente, mas mantêm-se fiéis a um saber-fazer ancestral.
As “cornrows”, caracterizadas pelas suas tranças finas e alinhadas junto ao couro cabeludo, oferecem uma infinidade de variações estéticas — linhas retas, curvas em espiral, traçados em ziguezague ou padrões elaborados — ilustrando toda a riqueza da coiffure cultural, onde uma mesma tradição capilar se reinventa através de expressões individuais e influências contemporâneas.
As “box braids” formam uma grande família de tranças de inspiração livre, que surgem do couro cabeludo para criar volume e movimento, permitindo alongar, colorir ou adornar o cabelo. Tornaram-se símbolos de moda nas passarelas e nos ecrãs graças a ícones culturais como Rihanna, Kim Kardashian ou Zendaya, segundo o meio digital de beleza Lessence Paris.
O estilo “Fulani”, com a sua divisão assimétrica, cria um visual decididamente moderno, enquanto o “long long” utiliza fios para criar texturas inéditas que envolvem a cabeça.
Evolução das tranças nas diásporas africanas
A arte capilar africana expressa memória e pertença. Os padrões desenhados nos cabelos contam histórias, transmitem símbolos e acompanham acontecimentos. Herdados dos antepassados, estes saberes perpetuam-se e transformam-se na diáspora, dando origem a formas contemporâneas que prolongam uma tradição dinâmica. O contacto com outros povos remodelou as tranças africanas, abrindo caminho a novas perspetivas.
Nas diásporas, as tranças evoluíram ao ritmo das experiências vividas pelas comunidades africanas instaladas nos quatro cantos do mundo. As influências das sociedades de acolhimento moldaram novas formas de entrançado, misturando inspirações locais com símbolos herdados das culturas ancestrais. Esta evolução manifesta-se também durante celebrações e encontros culturais, onde as tranças ocupam um lugar importante na valorização das identidades africanas.
Ubrick F. Quenum
O presidente da República do Congo apresentou esta medida como mais um passo em direção à integração continental e à livre circulação em África.
O presidente congolês Denis Sassou N’Guesso anunciou, na segunda-feira, 25 de maio, à margem das Assembleias Anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), em Brazzaville, a supressão dos vistos para os cidadãos africanos que entrem na República do Congo.
«A partir de 1 de janeiro de 2027, a entrada na República do Congo deixará definitivamente de estar sujeita a visto para todos os povos africanos», declarou. Segundo o chefe de Estado, esta decisão insere-se na concretização do seu «compromisso com uma África unida, soberana e próspera».
Um movimento continental de abertura progressiva
No plano económico, esta abertura aos cidadãos africanos deverá facilitar as trocas intra-africanas, sobretudo para empresários, investidores e operadores comerciais. A medida enquadra-se na dinâmica da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZLECAf), baseada na fluidez da mobilidade e na redução das barreiras não tarifárias.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INS), as trocas comerciais da República do Congo com os restantes países africanos continuam ainda modestas: África representou 9,28% das importações e 5,27% das exportações do país em 2025.
No setor do turismo, esta decisão deverá reforçar a atratividade do Congo, facilitando a chegada de visitantes africanos e estimulando atividades ligadas à hotelaria, restauração e transportes. O Plano Nacional de Desenvolvimento (PND 2022-2026) faz do turismo um eixo prioritário de diversificação económica fora do petróleo, com o objetivo de elevar a contribuição do setor para 10% do PIB, contra menos de 5% historicamente.
O anúncio do presidente congolês insere-se numa tendência mais ampla em África. Vários países africanos já adotaram políticas de flexibilização ou eliminação de vistos para cidadãos africanos, entre eles o Ruanda, as Seicheles, o Benim, o Gana e, mais recentemente, o Togo.
Charlène N’dimon
Os países africanos estão a intensificar os seus esforços de transformação digital. A inteligência artificial (IA) ocupa um lugar cada vez mais importante como motor de inovação, eficiência e produtividade.
O governo da Serra Leoa iniciou a elaboração de uma estratégia nacional de inteligência artificial (IA). Desenvolvida em parceria com o Grupo Banco Mundial, a iniciativa surge num momento em que o país já está empenhado num processo de transformação digital.
A iniciativa foi revelada na semana passada pelo Ministério da Comunicação, Tecnologia e Inovação. Na ocasião, o governo reuniu durante três dias organizações de media, representantes da sociedade civil, atores públicos e do setor privado para contribuir para as reflexões em torno da futura estratégia nacional de IA. Segundo o ministério, o objetivo é garantir que esta reflita «as realidades, prioridades e vozes da população da Serra Leoa, incluindo as línguas e culturas locais».
As autoridades consideram igualmente que, antes de definir uma estratégia nacional, era necessário avaliar o nível de preparação da Serra Leoa para a IA. Esta abordagem analisa a capacidade do país para adotar esta tecnologia de forma responsável, inclusiva e em benefício de toda a população. Identifica também os investimentos, políticas, competências, infraestruturas e mecanismos de proteção necessários para fazer da IA um instrumento de desenvolvimento nacional.
Aceleração da transformação digital
Esta iniciativa surge numa altura em que o governo pretende conectar digitalmente toda a população da Serra Leoa. O executivo aposta em tecnologias inovadoras para fornecer serviços públicos mais transparentes, acessíveis e centrados nas necessidades dos cidadãos, tanto a nível nacional como local.
É neste contexto que as autoridades se interessam pela blockchain, tecnologia que consideram capaz de «reforçar a transparência, a confiança e a inovação na prestação de serviços públicos». Esta tecnologia já foi utilizada, nomeadamente no sistema nacional de identidade digital lançado em agosto de 2019, e também foi testada durante as eleições presidenciais.
No final de 2025, o governo lançou ainda o “Big 5 AI & Blockchain Hackathon”, uma iniciativa destinada a formar, orientar e incentivar os participantes na criação de soluções inovadoras baseadas em inteligência artificial e blockchain, duas tecnologias consideradas «das mais transformadoras da nossa época».
Além disso, a Serra Leoa obteve uma subvenção de 50 milhões de dólares do Banco Mundial em janeiro de 2023 para implementar o seu projeto nacional de transformação digital. Paralelamente, o governo afirma ter investido mais de 400 milhões de dólares no setor das telecomunicações para apoiar a modernização das infraestruturas digitais. Também está a reforçar os esforços em matéria de cibersegurança.
IA: potencial e desafios
A visão das autoridades da Serra Leoa para a IA insere-se numa dinâmica apoiada pelas Nações Unidas. No relatório “E-Government Survey 2024”, o Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais (DAES) destaca que a inteligência artificial tem potencial para otimizar as operações do setor público. Graças à automatização de tarefas administrativas, pode melhorar a eficiência, reduzir atrasos e limitar redundâncias. Pode ainda contribuir para a deteção de anomalias, classificação de dados e formulação de recomendações.
Contudo, o DAES alerta para vários riscos, sendo o principal o viés dos dados, que pode conduzir a uma representação inadequada de determinados grupos. O organismo menciona também preocupações éticas, de segurança e sociais.
A organização chama igualmente a atenção para a fratura digital, que representa outro grande desafio para a implementação da IA no setor público, sobretudo nos países de baixo e médio rendimento e nos países menos desenvolvidos. Esta situação pode limitar o acesso das populações às infraestruturas, competências e serviços digitais necessários para tirar pleno proveito destas tecnologias. Por exemplo, segundo fontes oficiais, cerca de 60% da população ainda não utiliza serviços de telecomunicações.
Isaac K. Kassouwi
Num setor mineiro africano em busca de maior valor acrescentado, a transformação local dos recursos minerais impõe-se cada vez mais como uma condição essencial. A Guiné está a impulsionar esta dinâmica na sua fileira da bauxite, com o lançamento recente de novas refinarias de alumina.
A estratégia de desenvolvimento de novas fábricas de alumina estando agora em curso, a Guiné já equaciona avançar ainda mais na valorização da sua fileira da bauxite, com a construção de uma fábrica de alumínio. Para o efeito, o governo procura investidores para concretizar esta ambição, segundo noticiou a Bloomberg na segunda-feira, 25 de maio, citando o ministro das Minas, Bouna Sylla.
Maior produtor mundial de bauxite, a Guiné tem vindo a implementar, há vários anos, uma política de aceleração da transformação local neste setor. Esta orientação tem registado avanços nos últimos meses, com o anúncio de investimentos de empresas chinesas em três novas refinarias de alumina — um produto obtido a partir da transformação da bauxite e cujo refinamento permite produzir alumínio. O desenvolvimento de uma unidade de produção de alumínio traduz assim a vontade de Conacri de valorizar plenamente a sua bauxite a nível local.
“Para nós, a transição da alumina para o alumínio é inevitável”, declarou o responsável. Para além da intenção de acelerar a industrialização do setor, esta ambição também se explica pelo elevado valor acrescentado desta subida na cadeia de valor. Segundo o Shanghai Metals Market (SMM), o preço da bauxite situava-se em cerca de 67 USD por tonelada, contra 347 USD por tonelada para a alumina, enquanto o alumínio atingia aproximadamente 3 162 USD por tonelada.
Do ponto de vista económico, a produção local de alumínio poderá ser determinante para o país da África Ocidental, embora o caminho para a sua concretização ainda seja incerto. Para além de assegurar investidores interessados no projeto, será igualmente necessário realizar estudos de viabilidade que comprovem a sua sustentabilidade económica.
A questão do abastecimento energético continua a ser central, num contexto em que quase metade da população guineense ainda não tinha acesso à eletricidade em 2023, segundo o Banco Mundial. A produção de alumínio é altamente intensiva em energia, o que pode afetar a viabilidade do projeto. Em Moçambique, dificuldades semelhantes levaram a empresa australiana South32 a colocar a sua fundição Mozal em manutenção em março passado.
Aurel Sèdjro Houenou
A Costa do Marfim afirmou-se, nos últimos anos, como uma das jurisdições mineiras mais dinâmicas da África Ocidental, com a construção de várias minas de ouro. A Aurum Resources detém no país o projeto Boundiali, que alberga mais de 100 toneladas de ouro.
O Ministério ivoiriense do Ambiente e da Transição Ecológica concedeu três certificados de estudo de impacto ambiental e social (ESIA) à Aurum Resources. O anúncio foi feito na segunda-feira, 25 de maio, pela empresa júnior de mineração, que precisa que estes documentos validam os planos de gestão ambiental e social da futura mina de ouro de Boundiali.
Estes certificados abrangem os três pedidos de licença mineira submetidos para o projeto Boundiali e constituem uma etapa importante, uma vez que a aprovação ambiental é uma condição prévia para a concessão de uma licença de exploração mineira na Costa do Marfim. O projeto Boundiali contém atualmente 3,22 milhões de onças de ouro em recursos minerais. Esta base geológica aumentou significativamente desde janeiro de 2025, quando o projeto apresentava ainda 1,59 milhão de onças.
A emissão dos certificados ambientais não transforma ainda Boundiali numa mina, mas reduz um risco regulatório importante no caminho para uma futura decisão de construção. O processo de avaliação, confiado à empresa ivoiriense EnviTech em abril de 2025, durou 12 meses e incluiu consultas comunitárias, inquérito público e uma análise final por um comité técnico interministerial.
A empresa ainda terá várias etapas por cumprir antes de poder construir uma mina em Boundiali. O estudo de pré-viabilidade está previsto para o final do segundo trimestre de 2026, enquanto o estudo de viabilidade definitivo deverá ser concluído no quarto trimestre.
Emiliano Tossou
Do ouro ao cobre, passando pela prata e pelo zinco, o Egito afirma possuir um potencial mineiro diversificado, mas ainda largamente subexplorado. O setor contribui atualmente com menos de 1% do PIB, um nível que as autoridades pretendem aumentar através de novas reformas.
Na segunda-feira, 25 de maio, o governo egípcio anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com a empresa turca OZ Mining, com vista ao lançamento de uma campanha de exploração destinada a avaliar o potencial aurífero do deserto oriental. Trata-se da mais recente iniciativa no âmbito dos esforços do Cairo para elevar a contribuição do setor mineiro para 6% do PIB nacional, contra menos de 1% atualmente.
Acelerar a prospeção e reforçar a atratividade…
Poucas horas antes do programa envolvendo a OZ Mining, o Ministério egípcio do Petróleo e dos Recursos Minerais já tinha anunciado outro desenvolvimento semelhante. Trata-se da assinatura de um contrato de cooperação com a empresa Xcalibur Smart Mapping para a realização de um levantamento geofísico aéreo destinado a cartografar os recursos minerais do país.
Formalizada no domingo, 24 de maio, e realizada em colaboração com a empresa local Drone Tech, esta campanha é apresentada como a primeira operação deste tipo no Egito em mais de quatro décadas.
Os trabalhos abrangerão seis zonas do país, incluindo o sul e o norte do deserto oriental, o Sinai, bem como o norte e o sul do deserto ocidental. O objetivo é estabelecer uma base atualizada de dados geológicos do subsolo egípcio, de forma a melhorar o conhecimento do potencial mineiro e facilitar a exploração por investidores interessados.
O país não se limita, no entanto, a estas medidas para atrair investidores. Está também a reforçar o quadro regulatório do setor mineiro. No início do mês, o Estado aprovou alterações que reduzem a sua participação nos projetos mineiros para 10%, contra 25% anteriormente. Foram também introduzidas medidas de simplificação administrativa, com um prazo máximo de 30 dias para o processamento de pedidos de licença.
Estas reformas fazem parte da estratégia iniciada em 2020, que aboliu o sistema de partilha de produção e a obrigação de formar joint ventures com o Estado.
Valorizar um potencial mineiro diversificado
Com estas iniciativas, o Egito pretende valorizar plenamente o seu potencial mineiro diversificado, ainda largamente subexplorado. O inventário oficial inclui reservas de ouro, tântalo e carvão, bem como cobre, prata, zinco e platina.
No entanto, a atividade mineira continua concentrada num número reduzido de projetos, destacando-se a mina de ouro Sukari, operada pela AngloGold Ashanti, que desde 2010 é a principal referência do setor no país. Com uma produção de cerca de 500 000 onças no último ano, este ativo é também um dos maiores complexos auríferos do continente.
Outros intervenientes começam a surgir, como a canadiana Aton Resources, que prevê iniciar produção de ouro e prata no projeto Hamama West até 2027, ou a australiana Nex Metals Exploration, envolvida no projeto North Hennai.
Apesar destas iniciativas, o setor continua fortemente dependente do ouro, num contexto de subida dos preços do metal precioso. A concretização das ambições egípcias dependerá não só dos projetos anunciados, mas também da capacidade de atrair novos investimentos. Apesar das reformas recentes, o país ainda apresenta uma imagem pouco atrativa para investidores. No ranking 2025 do Fraser Institute, o Egito surge entre os últimos lugares entre os 14 países africanos avaliados, apenas à frente do Burkina Faso.
Aurel Sèdjro Houenou