Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin
Equipe Publication

Equipe Publication

Enquanto mais de 31% dos jovens malianos entre 15 e 24 anos estão sem emprego, estudo ou formação, segundo o Banco Mundial (2023), Bamaco aposta no setor mineiro para criar uma nova geração de empreendedores qualificados.

O Mali quer transformar seu subsolo em um elevador social. Esse foi o objetivo apresentado na 11.ª edição do Fórum Internacional de Empreendedorismo do Mali (FIDEM), realizada na semana passada em Bamaco.

O tema «Mineração e empreendedorismo: criar cadeias de valor locais sustentáveis» reflete, segundo as autoridades, «a firme vontade de transformar nossos recursos naturais em um motor poderoso de desenvolvimento económico, colocando o empreendedor maliano no centro desta dinâmica de criação de riqueza».

Durante a cerimónia de abertura, a ministra do Empreendedorismo Nacional, Emprego e Formação Profissional, Oumou Sall Seck, apresentou um plano baseado no «patriotismo económico», assente em quatro compromissos concretos: produção, transformação, consumo e investimento no país.

«Por que continuar a exportar nossos recursos em estado bruto? Por que deixar a criação de valor de nossas riquezas para outros?», questionou diante da assembleia.

Uma estratégia nacional para mudar de trajetória

Para concretizar esta ambição, o governo adotou uma Estratégia Nacional de Empreendedorismo, com o objetivo de transformar o país, até 2063, numa nação impulsionada pela criação de empresas. Bamaco estrutura esta visão em seis eixos prioritários, que vão desde a melhoria do ambiente de negócios até ao fortalecimento da cultura empreendedora, passando pelo acesso ao financiamento e promoção da inovação.

No Mali, o setor mineiro é uma fonte importante de receitas para o Estado. Segundo a Iniciativa para a Transparência nas Indústrias Extractivas (ITIE-Mali 2023), as receitas do setor atingiram 644 mil milhões de FCFA, cerca de 1,13 mil milhões de dólares. O ouro é o pilar, com 65.910 kg extraídos, valorizados em 1.926 mil milhões de FCFA, principalmente nas regiões de Kayes e Sikasso. Historicamente, representa 75% das exportações malianas e mais de 7% do PIB. No entanto, este peso económico não se traduz em empregos qualificados e duradouros para a população.

Uma juventude em busca de oportunidades

No Mali, o panorama social é preocupante. O Instituto Nacional de Estatística (INSTAT) estimava a taxa de desemprego em 3,5% em 2024, mas esse número oculta uma realidade muito mais severa. Como na maioria dos países africanos, a economia maliana é dominada pelo setor informal e pela agricultura de subsistência, que concentram grande parte da força de trabalho em condições muitas vezes precárias.

O Boletim de Indicadores do Mercado de Trabalho 2024, publicado pelo Ministério da Economia e Finanças em outubro do mesmo ano, indica que, no período de 2021-2022, o número de desempregados era de cerca de 163.777 pessoas, ou 2,4% da força de trabalho. A proporção de mulheres desempregadas era de 3,2%, contra 1,2% dos homens.

A situação dos jovens é ainda mais crítica. A taxa de desemprego dos 15-35 anos atingia 3,6%, o nível mais alto entre todas as faixas etárias. Segundo o Afrobarometer, um quarto dos malianos entre 18 e 35 anos está em situação de total precariedade, sem emprego, escola ou formação, afetando mais as mulheres (42 a 45%) do que os homens (11 a 17%).

Nessas condições, o FIDEM 2026 coloca uma questão central sobre a inserção profissional dos malianos, especialmente da juventude. A resposta dependerá da capacidade do Mali de formar rapidamente, de forma eficaz, e de cumprir seus compromissos.

Félicien Houindo Lokossou

 

 

RUBRIQUE :  SEçÕES

Sous rubrique: reflexão

Por Diaka Camara, jornalista, produtora e fundadora da agência CBC Worldwide Com & Prod, presidente da Fundação Diaka Camara.

Ainda me lembro daquele momento, em 2011, quando voltei à Guiné após anos nos Estados Unidos. Na minha bagagem: um diploma em jornalismo pela Universidade de Houston, referências e experiências acumuladas, e uma convicção um pouco ousada: a Guiné tinha histórias para contar ao mundo. Histórias que mereciam uma câmera, um roteiro e uma difusão internacional. Muitos me disseram que era cedo demais, que o mercado não estava pronto. Ainda assim, lancei a CBC Worldwide.

“Ainda assim, lancei a CBC Worldwide.”

E hoje, mais de dez anos depois, não digo isso para me elogiar. Digo porque o que construímos — programas de sucesso, a primeira reality show da África Ocidental francófona, documentários transmitidos na Africa 24, parcerias com UNICEF, Canal+ e UNESCO — não surgiu sozinho. Isso exigiu construir pedra por pedra, criando coletivamente uma infraestrutura sólida para a indústria cultural guineense. É exatamente disso que quero falar aqui.

Um país rico pelos seus criadores

A Guiné transborda talento. Seus músicos, cineastas emergentes, empreendedores criativos e uma juventude conectada e ambiciosa constituem um capital humano excepcional. Conacri vibra. As ideias florescem. A energia é palpável e contagiante. E é essa energia — que vi com meus próprios olhos desde que voltei — que me convence de que o país está pronto para a próxima etapa.

O que aprendi ao longo desses anos é que talento, por si só, não basta para construir uma indústria. Ele precisa de um quadro. Não para restringir, mas para amplificar. O talento guineense merece ser visto, distribuído e reconhecido, não apenas localmente, mas internacionalmente.

“A Guiné tem histórias para contar ao mundo. Agora, é preciso dar-lhes o palco que merecem.”

O que a África nos ensina

Em todo o continente, as indústrias criativas ocupam um lugar estratégico nas economias nacionais. Na Nigéria, Nollywood tornou-se hoje uma economia completa, geradora de divisas, empregos e influência diplomática. No Marrocos e em Ruanda, comissões nacionais de cinema atraem produções internacionais, injetando milhões de dólares nas economias locais.

Esses países entenderam algo essencial: a cultura não é um setor secundário. É um vetor de atração, imagem e investimento. A Guiné possui todos os ingredientes para escrever sua própria versão desse sucesso. Sua música brilha muito além das fronteiras. Sua diáspora está engajada. E sinais recentes — o crescente interesse de atores estrangeiros do cinema e da mídia por Conacri — confirmam que a curiosidade existe. Agora, é necessário transformar essa curiosidade em parcerias duradouras.

Simandou 2040: quando a visão nacional valoriza a cultura

Há um sinal político importante que quero destacar, que muda profundamente o jogo para nossa indústria criativa: o programa Simandou 2040, promovido por Sua Excelência o Presidente da República, Mamadi Doumbouya.

Se Simandou é naturalmente associado à exploração do maior depósito de minério de ferro não explorado do mundo, o que chama minha atenção como protagonista da indústria cultural é seu segundo pilar: o destaque da cultura guineense no cenário internacional.

É um sinal raro, e é preciso compreender toda a sua dimensão. Raramente na história recente da Guiné, uma visão de desenvolvimento nacional conferiu explicitamente à cultura o status de alavanca estratégica, ao mesmo nível das minas, infraestruturas ou governança.

Isso significa que o destaque da música guineense, do cinema emergente, do artesanato, do patrimônio imaterial e das indústrias criativas não é mais uma ambição de alguns empreendedores isolados. Agora é uma prioridade do Estado.

E esse reconhecimento muda tudo: abre portas para financiamentos públicos estruturados, parcerias diplomáticas baseadas na cultura e uma estratégia de soft power coerente e assumida.

M. Djiba Diakité, Ministro Diretor de Gabinete da Presidência da República da Guiné e Presidente do Comité Estratégico de Simandou. Diaka Camara, CEO da CBC Worldwide Com&Prod e Presidente da Fundação Diaka Camara

Para quem, como eu, passou anos a convencer investidores, parceiros e instituições de que a cultura guineense era um mercado sério, essa orientação do programa Simandou 2040 é uma validação. Mas é também uma responsabilidade coletiva.

Porque uma visão presidencial só produz efeito se os atores do setor — produtores, criadores, empreendedores e instituições — se mobilizarem para transformá-la em projetos concretos, parcerias duradouras e resultados visíveis.

“Quando o chefe de Estado faz da cultura um pilar do desenvolvimento nacional, cabe a nós, atores do setor, estar à altura dessa ambição.”

Próximas etapas

O que chamo de “estruturar” é concreto.

É um quadro regulatório claro para a produção audiovisual, que protege coproduções locais e internacionais.

São mecanismos de financiamento adaptados — fundos setoriais, incentivos fiscais e garantias — que permitem a um produtor guineense desenvolver projetos ambiciosos.

São parcerias público-privadas que se traduzem em infraestruturas reais: estúdios, formação técnica e plataformas de distribuição.

E é uma estratégia de atração para filmagens estrangeiras, pois cada equipe internacional que grava na Guiné traz visibilidade, formação e divisas.

Nesse contexto, o programa Simandou 2040 pode desempenhar um papel catalisador decisivo: direcionando parte dos retornos econômicos do projeto mineiro para o financiamento das indústrias criativas, apoiando a criação de um fundo nacional da cultura e associando os objetivos de projeção internacional a indicadores mensuráveis, como número de coproduções, presença em festivais internacionais e exportação de conteúdos guineenses em plataformas globais.

Esses projetos não são utópicos. São a próxima etapa lógica de um movimento já iniciado, conduzido por empreendedores, artistas e instituições que acreditam neste país, e agora apoiado por uma vontade política ao mais alto nível do Estado.

O soft power se constrói

Coloquei a minha imagem em campanhas contra a excisão, contra o Ebola, pelo empoderamento das mulheres, não por cálculo, mas porque acredito profundamente que os media e a cultura carregam uma responsabilidade social.

“Porque acredito profundamente que os media e a cultura carregam uma responsabilidade social.”

E, em troca, vi como um conteúdo bem elaborado pode mudar perceções, abrir debates e alterar normas. Essa é a força de uma indústria cultural viva.

O soft power de um país não se decreta. Constrói-se, com método e consistência.

Hoje, a Guiné tem uma janela aberta: uma geração criativa impaciente, instituições que querem falar de imagem e atratividade, investidores da diáspora e do continente que procuram terrenos sérios.

E hoje, tem algo a mais: uma visão nacional que coloca a cultura no coração do projeto de desenvolvimento.

Não podemos perder este momento. Não reinventando tudo, mas consolidando o que existe, profissionalizando o que ainda está em germinação e dando uma dimensão económica a uma energia criativa que já transborda.

O futuro cultural da Guiné é uma decisão estratégica. E esta decisão, se tomada em conjunto — empreendedores, criadores, Estado e parceiros —, pode tornar-se um verdadeiro motor de desenvolvimento sustentável.

Diaka Camara é jornalista, produtora e fundadora da CBC Worldwide, a primeira agência de produção audiovisual na Guiné. Fundadora da Fundação Diaka Camara para a Educação e Empoderamento das Mulheres. Outstanding Global Leader — Congresso dos Estados Unidos.

 

Nos últimos anos, a Finlândia tem apostado no setor digital para se aproximar dos países africanos. Após Nigéria, Etiópia e Gana, o país do Norte da Europa está a considerar uma colaboração com o Senegal.

Na quinta-feira, 26 de março, o ministro senegalês da Comunicação, Telecomunicações e Digital, Alioune Sall, recebeu uma delegação finlandesa liderada por Outi Holopainen, subsecretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, durante a segunda sessão de consultas políticas com a Finlândia.

As duas delegações analisaram projetos digitais, incluindo infraestruturas, a criação de um centro de dados compatível com inteligência artificial (IA), a conectividade dos serviços públicos, cabos submarinos, assim como dois temas cruciais: desinformação e educação mediática dos cidadãos.

Este estreitamento de relações com Helsínquia demonstra a vontade de Dakar de ampliar a sua rede de parceiros tecnológicos. Com o lançamento operacional do New Deal Tecnológico, o país precisa diversificar os seus parceiros para alcançar, dentro dos prazos definidos pelas autoridades, os objetivos de transformação digital.

Nos últimos meses, Dakar aproximou-se de várias empresas tecnológicas, como a americana Visa ou a chinesa Huawei, bem como de organizações internacionais, como a União Internacional de Telecomunicações ou o Banco Mundial, para apoiar os seus projetos digitais e tecnológicos.

A Finlândia, por seu lado, integra a estratégia europeia Global Gateway, lançada em 2021 pela União Europeia, que visa desenvolver ligações inteligentes, fiáveis e seguras com o resto do mundo em diversos setores, incluindo o digital. Esta iniciativa pretende mobilizar até 300 mil milhões de euros (345 mil milhões de dólares) de investimentos para atingir estes objetivos.

No entanto, Senegal e Finlândia ainda não assinaram um acordo oficial.

Adoni Conrad Quenum

 

A aceleração da transformação digital em África acompanha-se do surgimento de novos modos de consumo digital, exigentes em termos de largura de banda. As autoridades e os operadores apostam nas tecnologias de última geração para responder a esta procura crescente.

As autoridades ruandesas preparam o abandono gradual das tecnologias de telefonia móvel 2G e 3G. A iniciativa visa acelerar o desenvolvimento e a adoção da banda larga no Ruanda, no âmbito da transformação digital atualmente em curso.

Na quinta-feira, 26 de março, Paula Ingabire (foto, à direita), Ministra das TIC e da Inovação, reuniu-se com importadores de equipamentos e atores do setor privado. O objetivo foi discutir de forma inclusiva os métodos práticos desta transição e refletir sobre as formas de facilitar o acesso de todos os ruandeses a dispositivos compatíveis com as tecnologias 4G e 5G.

Uma transição planeada no quadro estratégico nacional

A migração para redes 4G e 5G integra-se no Plano Estratégico do Setor das TIC 2024–2029, que define o quadro para a transformação digital do país. Em novembro de 2024, o governo, em parceria com a Alemanha, lançou um convite à manifestação de interesse para realizar uma avaliação técnica do abandono progressivo das redes 2G e 3G. Este estudo visa principalmente medir o nível de preparação das infraestruturas e do ecossistema tecnológico.

Inclui também a análise das consequências de uma eventual não-transição, tais como o aumento dos custos relacionados com a manutenção das redes antigas, a retirada do suporte dos fabricantes e os riscos de segurança e conformidade. O estudo analisará o impacto na cobertura, nomeadamente nas áreas rurais, e a capacidade das redes 4G e 5G de fornecer conectividade de qualidade, inclusiva e acessível.

A avaliação contempla ainda os aspetos económicos: evolução do ARPU, risco de perda de receita para os operadores, condições de migração dos utilizadores para as novas tecnologias, limitações no acesso a dispositivos 4G e 5G, efeitos nos preços e na concorrência, bem como questões de regulação e eficiência energética.

Preparação dos operadores

Os operadores de telecomunicações ruandeses já começaram a preparar-se para esta transição. A Airtel Ruanda anunciou, em dezembro de 2024, a intenção de abandonar gradualmente a 3G até ao final de 2025 e a 2G até 2026, alinhando-se com as tendências globais e as ambições nacionais em matéria de banda larga. Segundo Emmanuel Hamez, então CEO da filial ruandesa da Airtel Africa, esta evolução é não só necessária como inevitável, sendo o operador responsável pela implementação de uma rede moderna capaz de responder às necessidades de uma sociedade conectada e digital.

Uma transição inevitável face ao crescimento do digital

A procura por conectividade de alta velocidade está a crescer rapidamente, e a 3G já é demasiado lenta para muitas aplicações, sobretudo com o aumento do número de utilizadores e das necessidades de largura de banda. As autoridades ruandesas consideram que esta transição é indispensável para acompanhar as tendências globais e o crescimento das aplicações baseadas em dados, reduzindo progressivamente a dependência dos serviços de voz tradicionais.

O Ruanda pretende aproveitar as novas tecnologias para reduzir a divisão digital, melhorar a qualidade da conectividade em todo o território e impulsionar uma economia digital sustentável e inclusiva. A Estratégia Nacional de Banda Larga sublinha que o acesso melhorado à banda larga pode ser um verdadeiro motor de produtividade, inovação, eficiência e criação de emprego.

Desafios persistentes de inclusão digital

Apesar das vantagens anunciadas, a transição para ultra banda larga levanta questões de inclusão digital. Segundo dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), a 2G e a 3G cobriam já 98,8% da população em 2024, nível comparável ao da 4G. Embora a diferença de cobertura seja limitada, poderá afetar algumas áreas rurais ou periféricas, onde a qualidade e disponibilidade das redes mais recentes ainda são desiguais.

Para além da cobertura, o uso constitui outro desafio. Segundo as autoridades ruandesas, as subscrições de banda larga móvel representavam 54% da população em 2024, sinal de uma adoção ainda incompleta. Um dos principais obstáculos continua a ser o acesso a dispositivos compatíveis. Os smartphones, essenciais para tirar pleno proveito das redes 4G e 5G, eram detidos apenas por 45% da população em 2024. A estes constrangimentos somam-se o custo dos pacotes de dados, o nível de competências digitais e a relevância dos conteúdos disponíveis.

Adicionalmente, a 2G e a 3G continuam a desempenhar um papel em certos usos profissionais, nomeadamente para comunicações máquina a máquina (M2M). São utilizadas por terminais de pagamento eletrónico, caixas automáticas, contadores inteligentes ou alguns equipamentos industriais e de transporte. Surge assim a questão da capacidade dos intervenientes em migrar para soluções alternativas fiáveis.

Isaac K. Kassouwi

 

À medida que os modelos preditivos ganham desempenho a nível global, a inteligência artificial (IA) está a afirmar-se gradualmente no setor mineiro africano. No Botswana, várias empresas já a utilizam para aprimorar a exploração de metais como cobre e cobalto.

No Botswana, a mineradora júnior Tsodilo Resources anunciou, no domingo, 29 de março, uma parceria com o americano Battelle Memorial Institute para integrar a IA na exploração do seu projeto de terras raras Gcwihaba. Esta iniciativa insere-se numa dinâmica já observada no país, marcada pelo uso desta tecnologia na pesquisa de depósitos de outros metais estratégicos.

Em detalhe, esta expansão da IA no setor mineiro botswanense tem sido impulsionada por empresas britânicas como Botswana Diamonds e Aterian, ativas no cobre, cobalto, níquel e zinco. Através do seu programa, a Tsodilo pretende integrar Gcwihaba nesta tendência, desenvolvendo com a Battelle um modelo preditivo de IA baseado em física e treinado com dados de exploração existentes.

Esta ferramenta permitirá priorizar as zonas com maior probabilidade de mineralização em terras raras nas áreas de prospeção do projeto. Uma vez implementado, o modelo será progressivamente otimizado à medida que novos resultados de perfuração enriquecerem a base de dados. Com esta abordagem, a Tsodilo pretende reduzir os riscos ligados à exploração e acelerar as descobertas no local.

«No setor mineiro em geral, a IA está a ser cada vez mais adotada para fornecer uma segmentação imparcial e baseada em dados, […] permitindo uma classificação, priorização e previsão mais confiáveis das áreas de perfuração de alta probabilidade, enquanto reduz os riscos de exploração. Esta parceria com a Battelle permite-nos aprofundar o nosso conhecimento sobre o nosso projeto atual de minerais críticos e terras raras e expandir potencialmente a mineralização conhecida», afirmou James Bruchs, presidente da Tsodilo Resources.

Esta evolução ocorre enquanto a empresa procura identificar os seus primeiros depósitos no projeto Gcwihaba. Para tal, foi anunciado um programa de perfuração de até 15.000 metros para este ano, visando não apenas terras raras, mas também cobre, cobalto, níquel e vanádio. Resta agora avaliar em que medida a IA irá otimizar estes trabalhos nos próximos meses.

Embora as implementações observadas no Botswana ainda não tenham resultado em descobertas significativas, existem exemplos de sucesso noutros locais do continente. O caso mais conhecido é a descoberta do depósito de cobre de Mingomba, na Zâmbia, pela KoBold Metals, empresa que fez da IA um pilar da sua estratégia de exploração.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Com a futura mina de zinco Tala Hamza, a Argélia pretende reforçar o papel do setor mineiro na diversificação de uma economia ainda largamente dependente dos hidrocarbonetos. O objetivo é acelerar os trabalhos para o início da construção em 2026.

A empresa mineira australiana Terramin reviu para 415 milhões USD o investimento necessário para desenvolver a mina de zinco Tala Hamza, na Argélia. Integrado numa atualização do estudo de viabilidade publicado na segunda-feira, 30 de março, este valor representa um aumento em relação aos 341 milhões USD estimados no estudo inicial de 2018.

Esta revisão ocorre num contexto de otimização do projeto, em resposta tanto às evoluções do mercado como aos ajustes técnicos realizados nos últimos anos. Embora o custo tenha aumentado, as perspetivas de produção também registam uma melhoria significativa. Tala Hamza deverá produzir, em média, cerca de 178.000 toneladas de concentrado de zinco por ano (em comparação com 129.300 toneladas previstas anteriormente), além de 33.000 toneladas de chumbo como subproduto.

O modelo baseia-se numa duração de vida de 20 anos, com o investimento a ser recuperado no quarto ano de exploração. O valor presente líquido (VPL) após impostos é de 640 milhões USD e a taxa interna de retorno (TIR) é de 24 %.

Esta atualização surge após o lançamento dos trabalhos preparatórios, depois de vários meses de atraso. A próxima etapa crucial será a mobilização do financiamento necessário para a construção. A Terramin indica contar com o apoio da Agência Argélia de Promoção de Investimentos (AAPI), enquanto decorrem negociações com um «grande banco público argelino» para o financiamento através de empréstimo.

O capital da futura mina será controlado maioritariamente pelo Estado argelino (51 %) contra 49 % da empresa australiana. Este projeto constitui um dos pilares da estratégia nacional de diversificação de uma economia ainda largamente dominada pelos hidrocarbonetos, sendo que a indústria mineira representa apenas cerca de 1 % do PIB argelino.

Tala Hamza insere-se também num contexto de mercado relativamente volátil para o zinco, afetado pela fraca procura persistente. Segundo a Trading Economics, os contratos futuros de zinco situam-se atualmente nos 3.150 USD por tonelada, próximos dos níveis mais baixos desde dezembro.

 

 

Início de janeiro, o governo congolês anunciou um plano de desenvolvimento para o projeto de minério de ferro MIFOR, com até 20 mil milhões de toneladas de recursos acumulados. Embora os indicadores financeiros anunciados pareçam promissores, poucos detalhes foram divulgados sobre os promotores do projeto.

Na República Democrática do Congo, o governo prevê a criação de um mecanismo de acompanhamento de projetos com a China, incluindo o apoio à futura mina de minério de ferro MIFOR. Esta iniciativa surge enquanto o desenvolvimento deste ativo, estimado em 28,9 mil milhões de USD, ainda se encontra em fase de estruturação, sem parceiro financeiro ou promotor oficialmente identificado até ao momento.

Revelado em janeiro, o MIFOR é descrito como um projeto mineiro integrado, abrangendo tanto infraestruturas de extração e transformação industrial como um corredor logístico dedicado ao transporte da futura produção. A mina anunciada deverá ter uma vida útil de 25 anos, com uma capacidade de produção inicial de 50 milhões de toneladas por ano, podendo chegar a 300 milhões de toneladas anuais.

Para orientar a estruturação do projeto, Kinshasa anunciou então a criação de uma comissão interministerial alargada. Alguns meses depois, a cooperação prevista com a China marca uma nova etapa. Anunciada no âmbito da assinatura de um memorando de entendimento entre os ministros das Minas dos dois países no final da semana passada, esta iniciativa visa nomeadamente apoiar a implementação do MIFOR.

Concretamente, o projeto beneficiará de um «apoio prioritário, com a mobilização de empresas membros da Câmara de Comércio chinesa e o desenvolvimento progressivo de unidades industriais de valorização em grande escala». Os contornos precisos desta abordagem ainda precisam de ser definidos. Os elementos divulgados são insuficientes para avaliar a dimensão do envolvimento chinês, enquanto as autoridades já mencionavam o interesse de vários investidores no MIFOR.

«O projeto despertou o interesse de investidores institucionais internacionais com capacidades reconhecidas de estruturação e financiamento de projetos macroeconómicos, constituindo um sinal favorável de bancabilidade e credibilidade internacional, sem prejulgar as decisões soberanas do Estado nem criar qualquer compromisso legal neste estágio», pode ler-se numa nota do governo datada de janeiro.

Rumo a uma presença consolidada de Pequim?

Para além do MIFOR, o memorando sugere a vontade do gigante asiático de consolidar a sua presença nas minas congolesas, face à entrada de outros atores como os Estados Unidos. O timing é ainda mais revelador com a estratégia de Kinshasa de diversificar os seus parceiros mineiros, reduzindo a dominação de Pequim no setor.

Já bem estabelecidas nos setores-chave do cobre e do cobalto, as empresas chinesas poderão assim contribuir para o desenvolvimento desta exploração de minério de ferro em gestação. Uma experiência na qual já se destacam no continente, como no megaprojeto de ferro Simandou na Guiné, conduzido com a participação de atores como a Chinalco e o China Baowu Steel Group.

No entanto, o MIFOR ainda está nos seus primeiros passos. O seu modelo de desenvolvimento não está associado a qualquer estudo de viabilidade técnica, condição essencial para avaliar a viabilidade económica de uma mina. Nenhum calendário foi ainda anunciado para o início da construção.

Na ausência de informações adicionais sobre estes pontos, o MIFOR perfila-se já como um vetor estratégico para a economia congolesa, dominada pela exploração do cobre. Com um volume de negócios projetado superior a 679 mil milhões de USD ao longo da sua vida útil, o projeto é apresentado como gerador de «impactos substanciais e diversificados» para o Estado.

Aurel Sèdjro Houenou

 

 

O Egito enfrenta um ambiente económico pressionado, marcado por tensões geopolíticas que afetam a oferta global nos mercados energéticos mundiais.

No Cairo, o governo egípcio decidiu desacelerar alguns projetos públicos de alto consumo de combustível por um período inicial de dois meses. O anúncio foi feito no sábado, 28 de março, pelo Primeiro-Ministro Moustafa Madbouly, durante uma conferência de imprensa no âmbito do Conselho de Ministros.

A medida visa prioritariamente os empreendimentos que exigem grandes quantidades de gasóleo, segundo declarações oficiais. Inclui também uma redução de 30% no consumo de combustível dos veículos públicos. Algumas administrações implementarão dias de teletrabalho para limitar deslocações.

Moustafa Madbouly explicou que estas medidas visam conter o consumo nas atividades públicas mais intensivas em energia. «O governo não tem outra escolha senão implementar esta decisão», afirmou o Primeiro-Ministro.

Este dispositivo faz parte de uma série de ajustes temporários, e até ao momento as autoridades não indicaram se as restrições poderão ser prolongadas para além do período anunciado.

As decisões ocorrem num contexto de fortes tensões nos mercados de energia devido à guerra no Médio Oriente. No relatório Oil Market Report de março de 2026, a Agência Internacional de Energia (AIE) indicou que o conflito «cria a maior perturbação da oferta de petróleo na história do mercado mundial», devido, entre outros fatores, aos bloqueios no abastecimento.

Um quadro macroeconómico ainda frágil

Esta restrição nos gastos públicos surge num ambiente económico já limitado. O Egito mantém um programa alargado de financiamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Num comunicado oficial de fevereiro de 2026, a instituição aprovou a continuação do acordo Extended Fund Facility, no valor de 8 mil milhões de dólares, aprovado em dezembro de 2022 e prolongado até 15 de dezembro de 2026.

A margem de manobra externa depende, no entanto, do nível das reservas cambiais. Num relatório de 4 de março de 2026, o Banco Central do Egito indicou que as reservas internacionais líquidas atingiram 52,75 mil milhões de dólares no final de fevereiro, um nível considerado excecional.

Em 25 de março de 2026, durante encontros oficiais citados pelo Ahram Online, o Presidente Abdel Fattah al-Sissi e o Primeiro-Ministro Moustafa Madbouly sublinharam a importância de proteger as reservas em moeda estrangeira face à evolução económica.

Esta situação ocorre num contexto em que o país enfrenta compromissos financeiros externos significativos. Numa análise de novembro de 2025, a Capital Economics indicou que o Egito terá de atender a um serviço da dívida externa estimado em 27 mil milhões de dólares em 2026.

Diversas instituições também apontam vulnerabilidades persistentes. Numa nota de 17 de março de 2026, o think tank Atlantic Council assinalou o risco de desequilíbrio da balança de pagamentos caso os preços do petróleo se mantenham elevados.

Abdel-Latif Boureima

 

Em muitos países africanos, o acesso à eletricidade continua limitado, sobretudo nas zonas frágeis afetadas por conflitos, onde residem 60% das pessoas não ligadas à rede elétrica. Este financiamento destina-se a ultrapassar os obstáculos ao lançamento de projetos fora da rede nessas regiões.

O Conselho de Administração do Banco Africano de Desenvolvimento aprovou, na quarta-feira, 25 de março, um financiamento de 5,65 milhões de USD para um projeto que visa eletrificar zonas pobres e isoladas com soluções solares descentralizadas. Segundo informações divulgadas no site oficial da instituição, trata-se de uma subvenção reembolsável através do Sustainable Energy Fund for Africa (SEFA).

No detalhe, a operação pretende lançar um novo mecanismo de financiamento climático destinado a apoiar a implementação de mini-redes em Estados frágeis da África subsaariana. O Nordic Development Fund aporta um cofinanciamento equivalente, elevando o montante total do dispositivo para 11,3 milhões de USD.

“ A falta de acesso a capital para a eletrificação rural continua a ser um obstáculo importante para o acesso universal à energia no continente africano, sobretudo nos países afetados por conflitos e fragilidade. Este é o tipo de estímulo de mercado necessário para avançar os objetivos da Missão 300 ”, afirmou João Duarte Cunha, diretor da Divisão de Fundos para Energias Renováveis e do Fundo SEFA, no BAD.

Aproveitar os P-REC para a eletrificação fora da rede

O mecanismo baseia-se nos certificados de energia renovável para a paz (P-REC), desenvolvidos pela organização americana Energy Peace Partners. Permite aos desenvolvedores de mini-redes operando em países frágeis ou afetados por conflitos — onde o acesso à eletricidade continua limitado — vender antecipadamente os certificados ligados à sua futura produção de energia renovável. Em contrapartida, beneficiam de financiamento antecipado, facilitando a implementação dos projetos.

O sistema agrega estes certificados para os revender a empresas internacionais comprometidas com objetivos de sustentabilidade. O modelo visa gerar receitas em divisas fortes nos mercados onde o acesso a financiamento é limitado.

O dispositivo será implementado pela Camco Clean Energy, um gestor de fundos especializado em clima e impacto ambiental. Abrangerá 14 países africanos, incluindo a República Democrática do Congo, o Níger e o Mali. Espera-se a instalação de 71 MW de capacidade renovável e a realização de cerca de 240 000 novas ligações, beneficiando 856 000 pessoas, segundo o BAD.

De acordo com a Energy Peace Partners, o mercado internacional de certificados de atributos energéticos representa cerca de 1 mil milhão de USD. Os P-REC visam orientar este mercado para projetos situados em zonas com elevada necessidade de eletricidade e difícil acesso a financiamento. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), 80% das pessoas sem acesso à eletricidade vivem na África subsaariana, sendo cerca de 60% dos agregados familiares afetados residentes em Estados frágeis ou sujeitos a conflitos.

Esta nova iniciativa integra-se ainda na Missão 300, liderada pelo BAD e pelo Banco Mundial, que visa conectar 300 milhões de pessoas à eletricidade em África até 2030.

Abdoullah Diop

 

 

As relações energéticas entre Argel e Abidjan baseavam-se até agora em iniciativas dispersas, sem um quadro global para coordenar as atividades petrolíferas e de gás.

A Argélia e a Costa do Marfim deram um passo importante na cooperação em hidrocarbonetos. No sábado, 28 de março, em Argel, os dois países assinaram um acordo destinado a abranger toda a cadeia de valor da indústria do petróleo e do gás natural.

Segundo informações da Algérie Presse Service (APS), o documento estabelece o enquadramento para a implementação de projetos conjuntos. O objetivo é «abrir amplas perspetivas» para cada segmento do setor petrolífero e gasífero, incluindo exploração, produção, transformação e comercialização.

O acordo prevê também mecanismos de transferência de competências, programas de formação e apoio técnico, não apenas nos setores de petróleo e gás, mas também em mineração, detalha o meio de comunicação público.

A assinatura decorreu durante a visita oficial do ministro marfinense das Minas, Petróleo e Energia, Mamadou Sangafowa-Coulibaly, ao país do Norte de África. Em conjunto com o seu homólogo argelino, Mohamed Arkab, definiram, através deste acordo, um quadro estruturante para as interações entre administrações e empresas dos dois países.

Esta iniciativa reflete a vontade de Argel de desenvolver parcerias energéticas com países africanos. Um precedente ocorreu com o Burkina Faso, que em meados de fevereiro de 2026 assinou com a Argélia um memorando de entendimento abrangendo hidrocarbonetos, energia, mineração e formação.

Este quadro prevê, entre outros pontos, o abastecimento do Burkina Faso com produtos petrolíferos, o desenvolvimento do comércio de gás liquefeito de petróleo, o reforço das capacidades de armazenamento e distribuição, assim como intercâmbios de experiência e know-how.

Mamadou Sangafowa-Coulibaly destacou o interesse de Abidjan em apoiar-se na experiência argelina para desenvolver a sua indústria de hidrocarbonetos. Este interesse surge num contexto em que a Costa do Marfim tem registado um aumento da atividade petrolífera desde 2021, impulsionado pelas descobertas dos campos offshore Baleine e Calao pelo grupo Eni.

Localizados em águas profundas, estes campos totalizam mais de 2,5 mil milhões de barris de crude e recursos gasíferos significativos, com uma produção nacional prevista para aumentar fortemente até 2027-2028.

A assinatura deste acordo ocorre num momento em que a Argélia intensifica iniciativas para aplicar a sua experiência energética internacionalmente. Conforme noticiado pela Agência Ecofin, o grupo público Sonelgaz criou recentemente uma subsidiária dedicada, Sonelgaz International, encarregada de expandir as atividades fora do território nacional e desenvolver parcerias em vários mercados.

Abdel-Latif Boureima

 

Page 8 sur 236

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.