No mês passado, a empresa italiana já tinha anunciado uma descoberta considerada importante ao largo do Egito, alimentando a esperança das autoridades de relançar uma produção de gás em declínio e reduzir a dependência do país das importações.
A Eni encontrou um novo importante jazigo de gás no Egito. A informação foi anunciada na quinta-feira, 21 de maio, pelo Ministério egípcio do Petróleo e dos Recursos Minerais, que refere tratar-se da mais importante descoberta energética da joint venture Agiba, formada pela Eni e pela empresa pública egípcia EGPC, nos últimos quinze anos.
A descoberta foi realizada no deserto ocidental, a sudoeste do Cairo, através do poço de exploração Bostan-1X, perfurado pela Egyptian Drilling Company. Segundo o ministério, o jazigo conteria cerca de 330 mil milhões de pés cúbicos de gás e 10 milhões de barris de condensados e petróleo. Localizado a apenas dez quilómetros de infraestruturas existentes, poderá ser rapidamente ligado à rede, sem custos adicionais. Uma fonte citada pela Upstream descreve, no entanto, o Bostan-1X como «uma grande descoberta para o deserto ocidental, mas não uma grande descoberta em si».
Um país que luta contra o declínio da produção
Esta descoberta surge num momento em que o Egito atravessa uma crise energética profunda, ligada ao declínio da sua produção de gás. O campo de Zohr, que fornecia sozinho 40% do gás nacional, viu a sua produção cair para metade em quatro anos. Em causa estão a infiltração de água no reservatório e a queda de pressão, dois fenómenos que obrigaram o operador a limitar a extração para evitar o colapso do campo.
Esta quebra afetou o abastecimento nacional. Depois de ter alcançado a autossuficiência em 2018, o Egito voltou a importar gás no verão de 2024. O país registava então um défice estimado em 2,5 mil milhões de pés cúbicos de gás por dia no verão de 2025, tornando-se o principal importador líquido da região.
Para inverter a tendência, o governo tem reforçado os esforços. Em agosto de 2025, o primeiro-ministro Mostafa Madbouly fixou o objetivo de atingir 6,6 mil milhões de pés cúbicos por dia até 2027, contra 4,1 mil milhões atualmente. O país prevê perfurar mais de 100 poços de exploração este ano.
A descoberta de Bostan-1X insere-se precisamente nesta estratégia, sendo vista pelo ministério como prova de que as medidas de incentivo aos parceiros estrangeiros para explorarem perto dos campos existentes estão a dar resultados.
A Eni está presente no Egito há vários anos e, em abril passado, o grupo já tinha anunciado uma descoberta importante no Mediterrâneo, estimada em 2000 mil milhões de pés cúbicos de gás e 130 milhões de barris de condensados.
Abdel-Latif Boureima
O presidente do Benim, Romuald Wadagni, foi empossado no domingo, 24 de maio. Na sequência, o chefe de Estado tornou pública a composição do seu governo, do qual faz parte Édouard Dahomé, que até então presidia a Autoridade Reguladora da Eletricidade (ARE).
Pelo decreto n.º 2026-314, assinado no domingo, 24 de maio, Romuald Wadagni, empossado presidente da República do Benim, oficializou a composição da sua primeira equipa governamental. Entre os nomeados está Édouard Dahomé (foto), que deixa a presidência do Conselho Nacional da ARE para assumir o Ministério da Energia, da Água e das Minas.
Dahomé trabalha na área da energia há mais de quarenta anos. Licenciado pela École Polytechnique em França em 1980, entrou no grupo EDF logo após a conclusão dos estudos. Aí progrediu na carreira até se tornar presidente da EDF África Services. Em 2016, deixou o grupo para fundar a DRH Énergie, uma empresa de consultoria em projetos energéticos africanos.
Iniciou funções como conselheiro técnico para a estratégia energética do ministro Dona Jean-Claude Houssou. Mais tarde, foi nomeado coordenador da célula estratégica do setor elétrico na presidência da República.
Em abril de 2023, o então presidente do Benim, Patrice Talon, nomeou-o secretário de Estado da Energia, o seu primeiro cargo governamental. Era, na altura, o único membro do governo com esse título. Menos de um ano depois, assumiu a presidência do Conselho Nacional da ARE, cargo que deixou para integrar o governo Wadagni.
No setor da eletricidade, o Benim comprometeu-se a ligar 257 000 famílias por ano no âmbito do Pacto Nacional da Energia. Um desafio num país onde, segundo dados oficiais de janeiro de 2025, a taxa de cobertura é de 69% nas zonas urbanas e 36% nas zonas rurais.
No setor dos hidrocarbonetos, o dossiê do campo petrolífero offshore de Sèmè continua em suspenso. Após 27 anos de inatividade, o operador Akrake Petroleum conseguiu perfurar o poço AK-2H em fevereiro de 2026. Está prevista uma produção inicial de 15 000 barris por dia. O arranque efetivo depende ainda da ligação final das instalações.
Abdel-Latif Boureima
O Níger procura colmatar os seus défices energéticos e estruturar as suas cadeias de distribuição. Neste contexto, a cooperação com a Argélia intensifica-se em torno dos hidrocarbonetos, da eletricidade e das infraestruturas.
A Naftal, filial da empresa pública argelina de hidrocarbonetos (Sonatrach) especializada na distribuição de produtos petrolíferos, planeia construir três centros de enchimento de garrafas de gás butano no Níger. O projeto foi abordado na semana passada durante uma reunião entre o diretor-geral da Naftal, Djamel Cherdoud, e o responsável da Sociedade Nigerina de Produtos Petrolíferos (SONIDEP), Ali Seibou Hassaen, na presença de responsáveis dos dois grupos e de uma representante da Sonatrach.
A reunião inscreveu-se no âmbito da visita a Argel de uma delegação ministerial nigerina, que analisou formas de reforçar a cooperação bilateral nos hidrocarbonetos e nos serviços petrolíferos.
Garantir o abastecimento do Níger em gás butano
O projeto visa reforçar as capacidades de armazenamento e distribuição de gás butano no Níger. As discussões centraram-se na melhoria do abastecimento do mercado nigerino em gás de cozinha (GPL), num país com necessidades energéticas crescentes e infraestruturas de distribuição ainda limitadas.
Para Niamey, o objetivo é garantir o acesso a uma energia doméstica utilizada pelos agregados familiares, ao mesmo tempo que se moderniza a cadeia logística do gás butano. Esta iniciativa marca também uma nova etapa na presença de grupos energéticos argelinos no Níger, onde Argel procura consolidar o seu papel como parceiro estratégico no setor energético.
Combustíveis, aviação e betume no centro das discussões
A cooperação em análise vai além do gás doméstico. A Naftal e a SONIDEP estudaram também a possibilidade de abastecer o Níger com gasolina sem chumbo e combustível de aviação Jet A1, para responder às necessidades do transporte terrestre e do setor aéreo. As trocas incluíram ainda o GPL carburante (comercializado na Argélia como Sirghaz) e betume destinado às infraestruturas rodoviárias.
Para além dos produtos, a Naftal propôs um acompanhamento técnico aos quadros e trabalhadores da SONIDEP, através de formações especializadas em armazenamento, distribuição e comercialização de produtos petrolíferos. Esta dimensão traduz uma cooperação orientada também para a transferência de competências e o reforço de capacidades locais.
Uma ofensiva energética argelina no Sahel
O projeto dos centros de enchimento insere-se numa estratégia mais ampla de expansão das empresas públicas argelinas no Sahel. Em fevereiro de 2025, a Sonelgaz anunciou a construção no Níger de uma central elétrica de 40 MW oferecida por Argel. O projeto inclui igualmente apoio em infraestruturas de transporte e distribuição de eletricidade, bem como formação técnica, num país onde o acesso à eletricidade era de 19,5% em 2022, segundo o Banco Mundial.
Paralelamente, a Sonatrach relançou em 2026 as operações de perfuração no bloco petrolífero de Kafra, no norte do Níger, junto à fronteira argelina. O projeto baseia-se num contrato de partilha de produção entre a filial SIPEX da Sonatrach e a SONIDEP.
Esta dinâmica estende-se a outros países. No Chade, a Sonatrach realizou em maio de 2026 a sua primeira entrega de GPL, enquanto a Sonelgaz prepara também um projeto de central elétrica de 40 MW. Através destas iniciativas, a Argélia procura reforçar a sua presença económica e energética no Sahel, apoiando-se nas suas empresas públicas. O GPL ocupa um lugar central nesta estratégia: a Sonatrach é atualmente o segundo maior exportador mundial, atrás dos Estados Unidos, tendo exportado 6,1 milhões de toneladas em 2024.
Num contexto de reorganização dos fluxos energéticos internacionais, Argel procura estabelecer ligações diretas com distribuidores africanos para consolidar os seus mercados regionais. Para o Níger, esta cooperação abre perspetivas de reforço progressivo das infraestruturas energéticas e das capacidades de abastecimento, embora a sua implementação e impacto real dependam da execução efetiva dos projetos.
Olivier de Souza
Em África, o Marrocos é um dos países mais afetados pelo défice hídrico. Com vários anos consecutivos de seca e os efeitos das alterações climáticas, o governo aposta na construção de novas barragens para reforçar o abastecimento do país em recursos hídricos.
O Marrocos está a reforçar a sua estratégia de adaptação ao stress hídrico com o lançamento de uma nova obra hidráulica no sudeste do país. Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais na segunda-feira, 25 de maio, o Ministério do Equipamento e da Água abriu um concurso internacional para a construção da barragem de Falit, na província de Figuig.
Com um custo total estimado em cerca de 428 milhões de dirhams (aproximadamente 46,5 milhões de dólares), as obras desta nova infraestrutura hidráulica deverão arrancar por volta de 2029/2030.
Uma barragem com vários usos
Prevista a norte de Bouarfa, no uádi Mouloudah, a futura barragem terá uma capacidade de armazenamento de 25 milhões de m³. Será construída em betão compactado com rolo (BCR), terá 59 metros de altura e estará equipada com um sistema de evacuação de cheias, bem como uma conduta de descarga capaz de libertar até 28 m³/s, permitindo esvaziar a albufeira em cerca de quinze dias, se necessário.
Segundo as autoridades, a infraestrutura terá três funções principais: abastecimento de água potável, irrigação agrícola e proteção contra cheias, frequentes em zonas áridas durante episódios de chuvas intensas.
A região de Figuig ilustra os paradoxos hidrológicos do leste marroquino, marcado por precipitações raras, mas por vezes violentas e concentradas, gerando períodos prolongados de seca e riscos de cheias súbitas. As estimativas hidrológicas apontam para uma afluência média anual de 10,3 milhões de m³ no local, com picos que podem atingir 40,8 milhões de m³. Neste contexto, a barragem visa captar e regular uma água altamente irregular, muitas vezes perdida por falta de infraestruturas de armazenamento.
Um investimento estratégico face ao stress hídrico
Para além da gestão da água, estes investimentos refletem uma estratégia mais ampla de segurança hídrica e de apoio ao desenvolvimento agrícola em zonas áridas. A agricultura irrigada representa cerca de 45% do valor acrescentado agrícola, 75% do volume das exportações agrícolas e 86% da produção das culturas industriais no país, segundo dados oficiais.
Reforço da capacidade de armazenamento de água
De forma mais ampla, a construção da barragem de Falit irá reforçar a capacidade de retenção de água no país. O Marrocos, que já explora mais de 150 grandes barragens com uma capacidade total de cerca de 20,8 mil milhões de m³, prepara a entrada em funcionamento de cerca de vinte novas infraestruturas até 2027.
Em abril, o ministro do Equipamento e da Água, Nizar Baraka, afirmou que 16 grandes barragens estão em construção em fases avançadas, enquanto outras sete estão programadas para os próximos anos. Esta política faz parte do Programa Nacional de Abastecimento de Água Potável e de Irrigação 2020-2027, que também prevê a dessalinização da água do mar e a reutilização de águas residuais tratadas.
Num país em stress hídrico estrutural, estas infraestruturas tornaram-se um pilar central das políticas públicas, na interseção entre clima, segurança alimentar e desenvolvimento territorial. Em 2020, o Marrocos dispunha de 620 m³ de água por habitante, contra 2 560 m³ em 1960, segundo o Banco Mundial. Este valor poderá cair abaixo dos 500 m³ por habitante até 2030, limiar de escassez absoluta.
Stéphanas Assocle
Principal produtor africano de milho, a África do Sul afirma-se igualmente como o principal exportador desta cultura no continente. Com o início da campanha de comercialização de 2026/2027, a fileira já estabelece novos objetivos de crescimento no mercado internacional.
A África do Sul poderá colocar cerca de 3 milhões de toneladas de milho no mercado internacional durante a campanha comercial de 2026/2027, que teve início em maio. É o que indica Wandile Sihlobo, economista-chefe da Câmara das Empresas Agrícolas, numa análise publicada na segunda-feira, 25 de maio.
Esta previsão, caso se concretize, representaria um aumento de 50% face ao volume total exportado na temporada anterior (2 milhões de toneladas). Segundo o responsável, esta perspetiva de crescimento assenta numa oferta abundante.
O país colheu 16,8 milhões de toneladas de milho em 2026, um volume recorde, com uma subida de 1% em relação ao ano anterior, ao qual se juntam stocks elevados provenientes da campanha anterior. Com um consumo interno estimado em cerca de 12 milhões de toneladas por ano, a África do Sul dispõe assim de um excedente significativo destinado aos mercados externos.
Pretória antecipa também um aumento da procura nos seus principais mercados da África Austral, uma região exposta a riscos de seca. «Uma procura sustentada poderá surgir na África Austral, sendo que alguns países poderão enfrentar episódios de seca ligados ao fenómeno El Niño, o que poderá reduzir as suas colheitas na próxima campanha agrícola», explica Sihlobo.
Importa notar que o Zimbabué se tornou o principal cliente do milho sul-africano em 2025/2026, concentrando cerca de 39% dos volumes exportados, ou aproximadamente 780 770 toneladas.
Uma situação delicada no mercado externo
Para além das perspetivas para 2026/2027, o aumento esperado poderá sobretudo sinalizar uma recuperação do setor após vários anos de quebra nas exportações.
Dados da Agbiz mostram que as exportações sul-africanas caíram de um pico histórico de 4,1 milhões de toneladas em 2021/2022 para apenas 2 milhões em 2025/2026, uma queda de 51% no período, refletindo igualmente uma redução da procura pelo milho sul-africano no mercado internacional.
Entre os fatores que explicam esta diminuição da procura em alguns mercados tradicionais, nomeadamente no Extremo Oriente, a Agbiz aponta a abundância de milho barato no mercado mundial como principal obstáculo. «Esta situação reduziu a necessidade de importar milho de um fornecedor tão distante como a África do Sul», explica Sihlobo.
Neste contexto, a Agbiz considera que a fileira do milho deve ser mais integrada nas políticas de promoção das exportações agrícolas. Para a África do Sul, o desafio passa agora por consolidar e diversificar os mercados externos de forma a escoar de forma sustentável volumes cada vez maiores. Em 2025, as exportações de milho geraram 760 milhões de dólares, representando 5% das receitas agrícolas de exportação do país.
Stéphanas Assocle
Enquanto África deverá concentrar a maior parte do crescimento demográfico mundial nas próximas décadas, os grandes exportadores de cereais estão a multiplicar iniciativas para assegurar os seus mercados no continente. Um dos pesos-pesados da América do Norte, o Canadá, já manifesta ambições claras.
O Canadá considera a África como um dos principais motores de crescimento para as exportações de trigo nos próximos anos. Foi o que afirmou Leif Carlson, vice-presidente responsável pelos mercados e pelo comércio da associação Cereals Canada, que representa os principais intervenientes da fileira cerealífera do país norte-americano, no dia 22 de maio, ao meio de comunicação Canada Cattleman.
«Consideramos a África como uma oportunidade. Já estamos presentes, mas acreditamos que é possível ir muito mais longe», afirmou. Segundo ele, o crescimento demográfico, a urbanização e o aumento dos rendimentos deverão continuar a impulsionar a procura de produtos à base de trigo no continente.
Uma procura em forte expansão
Segundo projeções demográficas das Nações Unidas, a população africana poderá atingir cerca de 2,5 mil milhões de habitantes em 2050, contra aproximadamente 1,5 mil milhões em 2025, enquanto o continente se afirma atualmente como a segunda região importadora de trigo, logo a seguir à Ásia.
Dados compilados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que o continente importou em média 52,8 milhões de toneladas de trigo por ano entre as campanhas de comercialização de 2021/2022 e 2023/2024, evidenciando o potencial de crescimento da procura.
Uma quota ainda limitada
Embora o Canadá já exporte trigo para vários mercados africanos importantes, sobretudo no Norte e na África Ocidental, a sua presença continua relativamente modesta à escala continental. Segundo dados da plataforma Trade Map, o país exportou cerca de 5 milhões de toneladas de trigo para África em 2025, um recorde dos últimos cinco anos.
A Argélia representa cerca de metade dessas compras, seguida por Marrocos, Nigéria, Gana e Moçambique. No total, o Canadá fornece cerca de 11% do trigo importado pelo continente africano. As importações africanas totais de trigo atingiram 45,9 milhões de toneladas em 2025, o que abre espaço para crescimento dos exportadores canadianos.
Neste contexto, a Cereals Canada identifica o Quénia, o Camarões e Moçambique como mercados com potencial de expansão. O Quénia importa mais de 2 milhões de toneladas por ano, o Camarões ultrapassa 1 milhão de toneladas e Moçambique importa mais de 700 mil toneladas anuais.
Intensificação da concorrência internacional
As ambições canadianas inserem-se num contexto de concorrência crescente entre grandes exportadores de cereais para aceder ao mercado africano em expansão. A Rússia, atualmente um dos principais fornecedores de trigo em vários países africanos, procura reforçar ainda mais a sua presença no continente.
Durante o quinto Fórum Russo dos Cereais, realizado em Sochi entre 20 e 23 de maio, Moscovo anunciou negociações com o Egito, maior importador mundial de trigo, para a criação de um hub regional de comércio e armazenamento de cereais nos portos do país.
Esta iniciativa reflete a estratégia russa de consolidar a sua posição no mercado egípcio, onde já é líder, e de reforçar a sua presença no Norte de África, principal região importadora do continente.
Mais cedo, em abril, a Ucrânia inaugurou no Gana o seu primeiro hub agrícola em África, com o objetivo de facilitar a ajuda humanitária e expandir a sua presença comercial na África Ocidental.
Além destes dois países da região do mar Negro, fornecedores tradicionais como a França, a Austrália e os Estados Unidos também procuram reforçar a sua posição no mercado africano. Neste contexto, a concorrência deverá intensificar-se à medida que a procura africana aumenta.
Stéphanas Assocle
Ao nomear Aristide Medenou — o homem que liderou a emissão de eurobonds ODS de 2021 — e ao rodeá-lo de quadros oriundos do seu próprio gabinete, Romuald Wadagni envia um sinal claro aos mercados: a doutrina financeira mantém-se inalterada, mas a execução torna-se mais controlada. A aposta: preservar o estatuto de aluno-modelo da UEMOA.
O presidente beninense Romuald Wadagni confiou, no domingo, 24 de maio, a pasta da Economia e das Finanças a Aristide Medenou (foto), um economista com passagem pela sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington. Ele sucede ao próprio chefe de Estado, que acumulava a função desde abril de 2016.
Pelo decreto n.º 2026-314 de 24 de maio de 2026, assinado no dia da tomada de posse, Medenou assume um ministério alargado, passando também a ser responsável pela Cooperação.
Um tecnocrata no centro da máquina económica beninense
O novo ministro não é um rosto desconhecido dentro da estrutura. Fez a maior parte da sua carreira no Ministério das Finanças do Benim, onde dirigiu os assuntos económicos entre 2014 e 2022. Mais tarde, juntou-se ao FMI em Washington como economista sénior, antes de regressar a Cotonou no início de 2024 para assumir a direção-geral da Economia e conduzir, nos últimos meses, as negociações técnicas com os parceiros multilaterais.
O seu perfil já é bem conhecido pelos mercados. Engenheiro estatístico-economista formado na ENSEA de Abidjan, doutorado em Economia pela Universidade Gaston Berger de Saint-Louis e mestre em Administração Pública pela American University em Washington, Medenou liderou em 2021 a primeira emissão soberana africana indexada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): um eurobond beninense de 500 milhões de euros que se tornou emblemático da década Talon–Wadagni no Ministério das Finanças.
À sua volta, o chefe de Estado colocou uma equipa próxima oriunda do mesmo ecossistema. Três ministros delegados foram afetos ao ministério. Nicolas Yenoussi, antigo diretor-geral dos Impostos (DGI) e impulsionador da digitalização fiscal, assume a pasta das Finanças e Microfinanças. Hugues Oscar Lokossou, antigo assistente principal de Wadagni e depois diretor da Caixa Autónoma de Gestão da Dívida (CAGD), fica responsável pela Mobilização de Recursos Externos e Gestão da Dívida. Rodrigue Chaou, antigo diretor-geral do Orçamento, completa o trio no Orçamento e Função Pública.
Esta lógica de promoção de colaboradores próximos também se observa noutros setores. Awaou Baco, antiga secretária-geral adjunta do Ministério da Economia e das Finanças, entra no governo como ministra das Pequenas e Médias Empresas e da Promoção do Emprego. A mensagem é clara: promover quem executou a política económica da última década.
Desafios orçamentais e securitários imediatos
Em meados de abril, nas reuniões de primavera do FMI em Washington, Aristide Medenou já liderava a delegação beninense. Na ocasião, indicou que a conclusão de um novo programa com o FMI seria prioridade do futuro governo. Cinco semanas depois, cabe-lhe cumprir esse compromisso.
O contexto macroeconómico joga a seu favor. O FMI projeta um crescimento próximo de 7,5% em 2025, em linha com 2024, colocando o Benim entre as economias mais dinâmicas da UEMOA. O défice orçamental foi reduzido para 3,1% do PIB em 2024. Além disso, a 7.ª e última revisão do programa com o FMI, concluído em julho de 2022 ao abrigo do Mecanismo Alargado de Crédito (MEDC) e da Facilidade Alargada de Crédito (FEC), foi validada no final de fevereiro de 2026, encerrando um ciclo de apoio de cerca de 665 milhões de dólares.
Ainda assim, o quadro não está isento de desafios. A dívida pública foi revista em alta para 60,5% do PIB no final de 2024. O norte do país continua exposto a incursões de grupos jihadistas, com impacto orçamental crescente. Num contexto de tensões geopolíticas globais, a presença de representantes da Aliança dos Estados do Sahel (AES) na tomada de posse e a receção positiva do discurso presidencial nessas capitais alimentam expectativas de reabertura da fronteira com o Níger, parceiro comercial estratégico.
Entre os primeiros dossiês de Medenou estão a preparação do orçamento retificativo de 2026 e a definição do novo acordo com o FMI, cujas negociações técnicas deverão arrancar nos próximos meses.
Fiacre E. Kakpo
Enquanto o conflito no Médio Oriente perturba profundamente o comércio internacional, provocando uma subida acentuada dos preços de várias matérias-primas e dos custos de transporte, o novo mecanismo visa ajudar os países mais afetados a responder às suas necessidades urgentes em matéria de energia, alimentação e resiliência económica.
O Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (AIIB) anunciou, na quinta-feira, 21 de maio, uma linha de financiamento de 10 mil milhões de dólares para apoiar os seus países-membros cujo desenvolvimento poderá ser afetado pelo conflito no Médio Oriente.
Batizado de «Facilidade para Energia, Segurança Alimentar e Resiliência Económica» (Energy, Food Security and Economic Resilience Facility), este novo mecanismo de financiamento permitirá ajudar, durante dois anos, os membros da instituição a responder às suas necessidades urgentes em matéria de segurança energética, segurança alimentar e resiliência económica.
«Este mecanismo permitirá aos membros enfrentar os impactos no desenvolvimento resultantes de choques externos, ao mesmo tempo que reforçam a sua resiliência a longo prazo», declarou o presidente do AIIB, Zou Jiayi, citado num comunicado publicado pelo banco sediado em Pequim.
«Ao fornecer financiamento para responder às necessidades críticas de curto prazo dos membros, nomeadamente o acesso à energia e à alimentação, bem como apoiar o seu impulso reformista, o AIIB mantém-se empenhado em apoiar os esforços dos seus membros no desenvolvimento de infraestruturas, transição verde e crescimento sustentável», acrescentou.
O AIIB precisou ainda que os financiamentos previstos poderão assumir a forma de apoio orçamental de desembolso rápido, financiamento de importações essenciais, bem como apoio à liquidez destinado aos membros afetados pelas repercussões da guerra no Irão. Poderão igualmente incluir financiamentos de liquidez para empresas envolvidas no desenvolvimento de infraestruturas ou para intermediários financeiros, com o objetivo de cobrir necessidades de curto prazo em capital circulante e refinanciamento, garantindo assim a continuidade das atividades das empresas afetadas pelo conflito.
A instituição financeira multilateral criada pela China em 2015 indicou também que trabalhará em estreita colaboração com outros bancos multilaterais de desenvolvimento (BMD), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros parceiros de desenvolvimento para fornecer este apoio financeiro aos Estados e às empresas.
O AIIB, cuja missão é financiar projetos de infraestruturas nos seus países-membros, representa uma tentativa de Pequim e dos seus aliados de reduzir a dominação ocidental sobre a governação das instituições multilaterais de financiamento já existentes. Atualmente, conta com 111 países-membros regionais e não regionais, incluindo 19 países africanos.
O AIIB financiou vários projetos em África, incluindo infraestruturas de transporte no Egito, programas de acesso à energia com sistemas solares domésticos no Ruanda, bem como um programa de modernização dos serviços urbanos na África do Sul. O banco também concedeu uma garantia para a emissão de uma obrigação sustentável do Egito.
Walid Kéfi
Em queda em relação ao trimestre anterior, o crescimento do PIB real da Nigéria continua, no entanto, em alta na comparação anual. O desempenho é impulsionado principalmente pelo setor dos serviços, que contribui com 57,73% do PIB.
Na Nigéria, o Produto Interno Bruto (PIB) real cresceu 3,89% no primeiro trimestre de 2026, contra 4,07% registados no trimestre anterior.
É o que indica o mais recente relatório do Gabinete Nacional de Estatísticas (NBS), publicado na segunda-feira, 25 de maio. Em termos homólogos, esta taxa representa ainda uma melhoria face ao primeiro trimestre de 2025, quando se situava em 3,13%.
Segundo o documento, o setor agrícola registou um crescimento de 3,15%, contra apenas 0,07% no primeiro trimestre de 2025, refletindo uma recuperação mais vigorosa da produção. O setor industrial cresceu 3,5% e o setor dos serviços avançou 4,31%. Este último continua a representar a maior fatia do PIB global, com uma contribuição estimada em 57,73% no primeiro trimestre de 2026, contra 57,50% no mesmo período do ano anterior.
O setor petrolífero registou um crescimento de 2,57% no primeiro trimestre de 2026, em baixa face ao trimestre anterior, mas em alta de 0,70 ponto percentual comparativamente ao mesmo trimestre de 2025. Segundo o relatório, «numa base trimestral, o setor petrolífero registou uma taxa de crescimento de 9,31% no T1 de 2026». A sua contribuição para o PIB fixou-se em 3,92%.
As atividades não petrolíferas também desaceleraram para 3,94%, contra 3,99% registados no quarto trimestre de 2025, mas mantêm-se ligeiramente acima do nível observado no mesmo trimestre de 2025. Foram principalmente impulsionadas pelos setores da informação e comunicação, agricultura, comércio, indústria transformadora, serviços financeiros e de seguros, imobiliário, construção, bem como transportes e armazenagem.
Indicadores macroeconómicos em melhoria
Nos últimos meses, a Nigéria tem apresentado indicadores macroeconómicos em melhoria. A agência S&P Global Ratings elevou, há algumas semanas, a notação de crédito soberano de longo prazo em moeda estrangeira e local do país de “B-” para “B”, mantendo a notação de curto prazo em “B”, com perspetiva estável. A agência destaca nomeadamente o reforço da dinâmica da balança de pagamentos.
Além disso, a moeda local, o naira, valorizou-se graças à acumulação das reservas cambiais, que atingiram 50,45 mil milhões de dólares em 16 de fevereiro de 2026.
Para 2026, o governo nigeriano prevê um crescimento económico de 4,68%, contra 3,87% em 2025, apoiado pela desaceleração da inflação, maior estabilidade cambial e continuação das reformas estruturais.
Apesar deste otimismo, o país continua confrontado com uma elevada taxa de desemprego, estimada em cerca de 30% segundo a antiga metodologia utilizada antes de 2023, de acordo com a S&P Global Ratings. A taxa de pobreza atinge 50% da população, contra 30% antes de 2020.
Lydie Mobio
O Togo confirma uma trajetória superior às projeções multilaterais, mas a contração simultânea das atividades financeiras (-9,6%) e da administração pública (-8,8%) sinaliza um reequilíbrio estrutural cuja sustentabilidade ainda precisa de ser confirmada no exercício de 2026.
A economia togolesa registou um crescimento em volume de 6,3% em 2025, elevando o seu Produto Interno Bruto (PIB) nominal para 6919,1 mil milhões de FCFA (12,28 mil milhões de dólares), segundo as primeiras estimativas das contas nacionais anuais publicadas em maio de 2026 pelo Instituto Nacional de Estatística (INSEED).
Este desempenho supera as previsões dos parceiros multilaterais. O Banco Mundial previa 5,0%, enquanto o FMI projetava 5,3%. O setor terciário continua a ser a espinha dorsal da economia, com um valor acrescentado de 3403,8 mil milhões de FCFA e um crescimento de 7,0% em volume, representando uma contribuição de 3,5 pontos percentuais para o crescimento global.
Transportes, tecnologia e comércio impulsionam a economia
Três setores destacam-se. Os transportes e armazenagem cresceram 16,2% em volume, prolongando o dinamismo do Porto Autónomo de Lomé. Com 2,06 milhões de contentores equivalentes a vinte pés (TEU) tratados em 2024 (+8%), a infraestrutura portuária alcançou a 92.ª posição no ranking Lloyd’s List 2025, sendo a única infraestrutura subsaariana no top 100 mundial.
O setor da informação e comunicação registou um salto de 17,2%, enquanto o comércio avançou 9,9%, sustentado pelo consumo interno e pelo trânsito regional.
O setor secundário apresentou igualmente um crescimento robusto de 7,5%, impulsionado pela construção (+16,9%) e pela fabricação de materiais de construção (+27,4%), refletindo os atuais projetos de infraestruturas. As indústrias extrativas cresceram 10,6%.
Setor financeiro e administração pública em retração
Em contrapartida, dois segmentos deterioraram o balanço geral. As atividades financeiras e de seguros recuaram 9,6% em volume, correspondendo a uma perda de cerca de 20 mil milhões de FCFA em valor acrescentado, sinal de pressões sobre as margens bancárias.
A administração pública caiu 8,8%, ilustrando os esforços de consolidação orçamental que permitiram reduzir a dívida pública para 65% do PIB no final de junho de 2025, abaixo do teto comunitário de 70%.
Combinada com uma desaceleração demográfica, esta dinâmica permitiu ao PIB per capita aproximar-se do limiar dos 1400 dólares.