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Equipe Publication

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O Presidente da República do Congo apresentou esta medida como mais um passo rumo à integração continental e à livre circulação em África.

O presidente congolês Denis Sassou N’guesso anunciou, na segunda-feira, 25 de maio, à margem das Assembleias Anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), em Brazzaville, a supressão dos vistos para os cidadãos africanos que entrem na República do Congo.

«A partir de 1 de janeiro de 2027, a entrada na República do Congo deixará definitivamente de estar sujeita a visto para todos os povos africanos», declarou. Segundo o chefe de Estado, esta decisão insere-se na concretização do seu «compromisso em prol de uma África unida, soberana e próspera».

Um movimento continental de abertura progressiva

No plano económico, esta abertura aos cidadãos africanos deverá facilitar as trocas intra-africanas, especialmente para empresários, investidores e operadores comerciais. A medida enquadra-se na dinâmica da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), que assenta na fluidez da mobilidade e na redução das barreiras não pautais. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INS), as trocas comerciais da República do Congo com os outros países africanos continuam ainda modestas: África representa 9,28% das suas importações e 5,27% das suas exportações em 2025.

No setor do turismo, esta medida deverá reforçar a atratividade do Congo, facilitando a chegada de visitantes africanos e estimulando atividades ligadas à hotelaria, restauração e transportes. O Plano Nacional de Desenvolvimento (PND 2022-2026) faz do turismo um eixo prioritário de diversificação económica fora do setor petrolífero, com a ambição de elevar a contribuição do turismo para 10% do PIB, contra menos de 5% historicamente.

O anúncio do presidente congolês insere-se numa tendência mais ampla no continente. Vários países africanos já implementaram políticas de flexibilização ou supressão de vistos para cidadãos africanos, entre os quais Ruanda, Seychelles, Benim, Gana e, mais recentemente, o Togo.

Charlène N’dimon

Desde segunda-feira, 25 de maio, o Benim conhece a sua nova equipa governamental. O novo executivo reflete os principais equilíbrios do septénio que agora se inicia: preservar o desempenho económico do país, ao mesmo tempo que responde aos desafios do emprego, do terrorismo regional e da transformação digital.

Eleito com mais de 94% dos votos nas presidenciais de 12 de abril, Romuald Wadagni revelou o seu primeiro governo poucas horas após a tomada de posse. Esta equipa conta com 24 membros: 19 ministros e 5 ministros delegados. Entre eles figuram seis mulheres, enquanto pelo menos sete personalidades já presentes no governo de Patrice Talon mantêm uma pasta ministerial, sinal de uma forte continuidade institucional.

O novo executivo combina assim perfis tecnocráticos, figuras fiéis ao sistema Talon e vários novos rostos encarregados de concretizar as prioridades do septénio: crescimento inclusivo, segurança, cooperação regional e transformação digital.

Aristide Médenou, herdeiro da doutrina económica de Wadagni

A economia continua no centro do dispositivo presidencial com a nomeação de Aristide Médenou para o Ministério da Economia e das Finanças, responsável pela Cooperação. Antigo diretor-geral da Economia, inscreve-se na continuidade tecnocrática que marcou a gestão económica beninense nos últimos anos e participou em vários dossiês estruturantes ligados ao financiamento do Estado e às emissões obrigacionistas internacionais do Benim.

A sua nomeação surge num contexto contrastante. O Benim apresenta há vários anos um crescimento médio próximo de 7%, entre os mais elevados da África Ocidental. Contudo, este desempenho ainda não conseguiu transformar profundamente o mercado de trabalho. Segundo o Banco Mundial, cerca de 90% dos empregos continuam informais e o subemprego afeta aproximadamente 72% da população ativa.

O desafio de Aristide Médenou será, portanto, preservar os equilíbrios macroeconómicos, tornando simultaneamente o crescimento mais gerador de empregos formais e mais percetível socialmente. Durante a sua tomada de posse, Romuald Wadagni insistiu, aliás, na necessidade de fazer com que «o crescimento se torne visível na vida quotidiana das populações».

Para dirigir esta pasta estratégica, será apoiado por três ministros delegados: Nicolas Yenoussi nas Finanças e Microfinanças, Rodrigue Chaou no Orçamento e Função Pública, e Hugues Oscar Lokossou na Mobilização de Recursos Externos e Gestão da Dívida.

Justiça, saúde e segurança: a escolha da continuidade

Nos setores soberanos e sociais, Romuald Wadagni privilegiou a estabilidade. Yvon Détchénou mantém-se como Guardião dos Selos e ministro da Justiça, enquanto Benjamin Hounkpatin conserva a pasta da Saúde que já ocupava sob Patrice Talon.

A segurança continua igualmente no centro do novo executivo com dois ministros delegados diretamente ligados à presidência: Djibril Mama Cissé Moussa no Interior e Segurança Pública, e Gildas Agonkan na Defesa Nacional. Esta escolha surge numa altura em que o norte do Benim enfrenta uma intensificação dos ataques jihadistas ligados à expansão dos grupos armados sahelianos. O último grande ataque reivindicado contra as forças beninenses causou 15 mortos entre os soldados.

A nomeação de Gildas Agonkan parece particularmente significativa no atual contexto regional. Antigo embaixador do Benim no Níger, nomeado para Niamey em junho de 2023 num clima de fortes tensões diplomáticas, foi chamado de volta a Cotonou em fevereiro de 2025, depois de ter apresentado publicamente desculpas do Benim ao povo nigerino durante um encontro em Gaya.

A sua presença hoje no dispositivo securitário presidencial pode ser interpretada como mais um sinal enviado por Romuald Wadagni a favor de um reaquecimento das relações com Niamey e, de forma mais ampla, com os países da AES.

Agricultura: consolidar a potência algodoeira beninense

O setor agrícola continua igualmente a ser um dos pilares estratégicos do novo governo com a nomeação de Adin Yeton Bloukounon Goubalan para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Pescas. Doutorado em agronomia e especialista em fertilidade dos solos, trabalhou em biofertilizantes antes de integrar a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), onde exerceu funções como funcionário e oficial agrícola.

A sua chegada ocorre num contexto em que o Benim procura consolidar os ganhos agrícolas da última década. Sob o anterior ministro, o país afirmou-se como o principal produtor africano de algodão, um setor que se tornou um dos principais motores das exportações beninenses.

No entanto, o país continua confrontado com vários desafios agrícolas importantes, nomeadamente a melhoria dos rendimentos fora da fileira do algodão, o desenvolvimento da transformação local e a valorização das cadeias de valor agrícolas. Num contexto em que o governo pretende fazer da agricultura um motor de industrialização e criação de emprego, o novo ministro será esperado na modernização das fileiras e no reforço da soberania alimentar.

Uma diplomacia voltada para o Sahel

A diplomacia beninense muda de rosto com a nomeação de Corinne Amori Brunet para o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Antiga embaixadora do Benim em França, assume funções num contexto regional delicado, marcado pelas tensões persistentes com os países da Aliança dos Estados do Sahel (AES).

Durante a sua tomada de posse, Romuald Wadagni multiplicou gestos de abertura em relação ao Níger, Mali e Burkina Faso, representados respetivamente pelo primeiro-ministro Ali Lamine Zeine e pelos ministros dos Negócios Estrangeiros Abdoulaye Diop e Karamoko Jean Marie Traore.

A aposta beninense na inteligência artificial

Entre as inovações mais notadas do governo figura a nomeação de Mahuna Akplogan como ministro da Transformação Digital e da Inovação, responsável pela Estratégia Nacional de Inteligência Artificial.

Esta criação ilustra as ambições digitais do Benim, que já dispõe de uma Estratégia Nacional de Inteligência Artificial e Big Data para o período 2023-2027. O objetivo declarado é fazer do país um polo digital regional e uma referência em IA na África Ocidental.

A estratégia visa vários setores prioritários: agricultura, saúde, educação, administração pública, segurança, turismo e serviços financeiros. Prevê nomeadamente o desenvolvimento de infraestruturas de dados, a formação de talentos locais e o apoio a start-ups tecnológicas.

O desafio de Mahuna Akplogan será agora transformar esta ambição institucional em resultados económicos concretos e em ferramentas capazes de acelerar a modernização da administração e dos setores produtivos.

Lista dos membros do novo governo beninense

  • Yvon DETCHENOU — Guardião dos Selos, ministro da Justiça e da Legislação

  • Aristide MEDENOU — ministro da Economia e das Finanças, responsável pela Cooperação

  • Corinne AMORI BRUNET — ministra dos Negócios Estrangeiros

  • Djibril Mama CISSE MOUSSA — ministro delegado junto do Presidente da República, responsável pelo Interior e Segurança Pública

  • Gildas AGONKAN — ministro delegado junto do Presidente da República, responsável pela Defesa Nacional

  • Olushegun ADJADI BAKARI — ministro do Turismo e Comércio Externo, responsável pela Indústria e Promoção do Investimento Privado

  • Adin Yeton BLOUKOUNON GOUBALAN — ministro da Agricultura, Pecuária e Pescas

  • Benjamin Ignace Bodounrin HOUNKPATIN — ministro da Saúde

  • Sèdami MEDEGAN FAGLA — ministra do Ensino Superior e Investigação Científica, responsável pela Formação Técnica

  • Clément KOUCHADE — ministro do Ensino Secundário

  • Armand Kuyema NATTA — ministro do Ensino Pré-Escolar e Primário

  • Véronique TOGNIFODE — ministra da Família e da Ação Social

  • Janvier YAHOUEDEOU — ministro da Descentralização e Governação Local

  • Yassine LATOUNDJI — ministro da Cultura, Artes e Património

  • Shadiya Alimatou ASSOUMAN — ministra do Comércio Interno, responsável pela Formalização da Economia

  • Mahuna AKPLOGAN — ministro da Transformação Digital e da Inovação, responsável pela Estratégia Nacional de Inteligência Artificial

  • Edouard DAHOME — ministro da Energia, Água e Minas

  • Georges ALE — ministro do Ambiente e Transportes, responsável pelo Desenvolvimento Sustentável

  • Awaou BACO — ministra das Pequenas e Médias Empresas e Promoção do Emprego, responsável pela Formação Profissional

  • Aurélie Adam SOULE ZOUMAROU — ministra da Comunicação, responsável pelos Media

  • Benoît K. M. DATO — ministro dos Desportos e do Compromisso Cívico

  • Nicolas YENOUSSI — ministro delegado junto do ministro da Economia e das Finanças, responsável pelas Finanças e Microfinanças

  • Rodrigue CHAOU — ministro delegado junto do ministro da Economia e das Finanças, responsável pelo Orçamento e Função Pública

  • Hugues Oscar LOKOSSOU — ministro delegado junto do ministro da Economia e das Finanças, responsável pela Mobilização de Recursos Externos e Gestão da Dívida.

Em Joanesburgo, o Apartheid Museum é considerado um dos mais importantes espaços de memória da África do Sul. Inaugurado em 2001, próximo ao complexo Gold Reef City, o museu retrata a história do apartheid, o sistema de segregação racial oficialmente implantado em 1948 pelo Partido Nacional, bem como as décadas de luta que levaram às primeiras eleições democráticas multirraciais do país, em 1994.

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Desde a chegada, os visitantes são confrontados com a lógica absurda da segregação racial. Os bilhetes de entrada atribuem aleatoriamente a identidade “White” ou “Non-White”, obrigando os visitantes a utilizarem entradas separadas, exatamente como acontecia durante o apartheid. Essa experiência simbólica mergulha imediatamente o público na realidade da discriminação institucionalizada e tornou-se uma das marcas mais impactantes do museu.

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O percurso expositivo é organizado em vinte e duas galerias permanentes que combinam fotografias, arquivos audiovisuais, testemunhos, objetos históricos e instalações imersivas. Mais do que apresentar as leis do apartheid, o museu mostra os efeitos devastadores dessas políticas na vida quotidiana dos sul-africanos negros, mestiços e indianos. Os visitantes descobrem as remoções forçadas de populações, as humilhações ligadas às “pass laws”, a repressão policial e tragédias históricas como o massacre de Sharpeville, em 1960, e a revolta estudantil de Soweto, em 1976.

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Uma das secções mais marcantes do museu é dedicada a Nelson Mandela. A exposição acompanha a sua trajetória desde os primeiros anos de militância contra o apartheid até à sua eleição como primeiro presidente negro da África do Sul. Fotografias, documentos pessoais e vídeos de arquivo revelam as suas atividades clandestinas, os vinte e sete anos de prisão e o papel decisivo que desempenhou nas negociações que permitiram a transição democrática.

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A própria arquitetura do museu contribui para a intensidade da experiência. Corredores estreitos, espaços escuros e instalações deliberadamente opressivas traduzem a violência psicológica e política do regime do apartheid. Entre os memoriais mais emocionantes encontra-se uma instalação composta por 131 cordas suspensas, em homenagem aos prisioneiros políticos e ativistas executados sob as leis de segurança do regime.

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Para além da história sul-africana, o Apartheid Museum propõe também uma reflexão universal sobre direitos humanos, racismo, justiça e reconciliação. No exterior do edifício, os “Pillars of the Constitution” simbolizam os valores democráticos da nova África do Sul, incluindo liberdade, igualdade, diversidade, respeito e responsabilidade coletiva.

gerações os perigos da discriminação institucionalizada e a importância duradoura da democracia.

 

O país tem vindo a multiplicar esforços para melhorar a conectividade à Internet, com o objetivo de apoiar a transformação digital. Entre as iniciativas, destaca-se a intenção de se ligar a um segundo cabo submarino. Em dezembro de 2024, já tinha aumentado a capacidade da sua infraestrutura principal (backbone) de 50 Gb/s para 200 Gb/s.

A Guiné acaba de oficializar o aumento da capacidade da sua espinha dorsal nacional de fibra ótica, que passa de 200 Gb/s para 400 Gb/s. Trata-se da segunda expansão em cerca de ano e meio, elevando o crescimento acumulado para 700% da capacidade da rede nesse período, num contexto de forte aumento da procura por Internet de alta velocidade.

A iniciativa foi anunciada na quarta-feira, 20 de maio, pela Sociedade de Gestão e Exploração do Backbone Nacional (SOGEB), que a implementou com o apoio técnico da empresa tecnológica chinesa Huawei. Esta expansão de capacidade diz respeito, por agora, ao primeiro anel da rede. No entanto, os dois parceiros pretendem atingir uma capacidade de 600 Gb/s em toda a infraestrutura até ao final do ano.

Um reforço da qualidade de serviço

O aumento da capacidade da rede ocorre num contexto marcado não apenas pela crescente procura de banda larga, mas também pela pressão constante sobre a qualidade do serviço. A SOGEB considera que esta evolução “contribui para melhorar significativamente a qualidade das comunicações interurbanas e para acompanhar o descongestionamento digital do país”.

Para além do aumento das velocidades disponíveis, esta expansão pode reduzir a congestão da rede, um fator frequentemente responsável por lentidões e interrupções de serviço. Ao aumentar a largura de banda da espinha dorsal nacional, os operadores passam a dispor de maior capacidade para encaminhar o tráfego de Internet, especialmente nas horas de pico.

O tráfego de Internet móvel passou de 23,98 milhões de gigabytes (GB) no segundo trimestre de 2021 para 118,86 milhões de GB no mesmo período de 2025, segundo dados do regulador das telecomunicações. No mesmo intervalo, o número de assinantes de Internet móvel passou de 6,6 milhões para 8,3 milhões, um aumento de cerca de 25,7%. Ainda assim, a taxa de penetração era de apenas 33,3% em 2024, segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), o que evidencia o potencial de crescimento do mercado.

Neste contexto, uma conectividade fiável surge como um desafio central. Para os particulares, os usos estão cada vez mais diversificados entre redes sociais, streaming, serviços financeiros móveis e teletrabalho. Para as empresas, a conectividade condiciona o desempenho das ferramentas digitais, a fluidez das trocas com clientes e parceiros e o desenvolvimento de novos serviços digitais.

Mais amplamente, o reforço da capacidade do backbone insere-se na dinâmica de transformação digital do país. Ao consolidar a infraestrutura de base, as autoridades criam condições para o desenvolvimento da economia digital, a modernização dos serviços públicos e a expansão de usos inovadores.

A generalização da rede, um desafio ainda por concluir

Se o reforço do backbone representa um avanço importante, a questão da generalização efetiva da rede continua em aberto. O desafio não se limita à capacidade da espinha dorsal nacional, mas inclui também o desenvolvimento da infraestrutura de “última milha”, essencial para ligar famílias, empresas e administrações, incluindo em zonas rurais e periurbanas. Sem essa extensão, uma parte significativa da população poderá continuar excluída das melhorias do núcleo da rede.

Esta questão está também ligada às disparidades territoriais de acesso, onde os elevados custos de investimento e a baixa densidade populacional frequentemente dificultam a expansão das redes de acesso. Acrescem ainda constrangimentos de manutenção e disponibilidade de equipamentos, que podem atrasar a cobertura efetiva do território apesar dos progressos na infraestrutura principal.

Além disso, coloca-se também a questão da segurança da rede. Vários países africanos enfrentam atos recorrentes de vandalismo nas infraestruturas de telecomunicações. O roubo de cabos, a destruição de sites técnicos ou de equipamentos afetam diretamente a continuidade do serviço e a qualidade da conectividade. Estes incidentes provocam cortes, lentidões e elevados custos de reparação para os operadores, podendo travar os esforços de expansão da rede.

Isaac K. Kassouwi

O desenvolvimento dos MVNO está a acelerar em África, impulsionado sobretudo por mercados como a África do Sul e a Nigéria. As autoridades veem este tipo de operadores como uma solução para colmatar as lacunas deixadas pelos operadores tradicionais de telecomunicações.

As autoridades nigerianas pretendem reforçar a regulação do mercado dos operadores de rede móvel virtual (MVNO). Esta iniciativa visa estruturar um segmento ainda emergente do setor das telecomunicações e clarificar as regras aplicáveis aos novos entrantes.

A Comissão Nigeriana de Comunicações (NCC) publicou recentemente um projeto de “Business Rules for Mobile Virtual Network Operations in Nigeria”. Num comunicado divulgado na quarta-feira, 20 de maio, o regulador das telecomunicações convida as partes interessadas a apresentarem as suas observações até 29 de junho. Está igualmente prevista uma consulta pública para 9 de julho.

Segundo a NCC, estas regras prosseguem vários objetivos principais. Pretendem, antes de mais, estabelecer um quadro claro que defina os direitos, obrigações e requisitos de conformidade aplicáveis aos MVNO e aos operadores hospedeiros (HNO), reforçando a supervisão e a aplicação da regulamentação. O texto visa também garantir que cada MVNO opere dentro dos limites da sua licença, assegurando simultaneamente um acesso justo e não discriminatório aos recursos de rede e aos acordos de alojamento. Prevê ainda a redução dos prazos de integração entre MVNO e HNO, bem como a clarificação das regras relativas à interligação, à numeração e às responsabilidades associadas aos cartões SIM e eSIM.

Em termos concorrenciais, o projeto procura estimular a concorrência para melhorar a qualidade dos serviços, a acessibilidade dos preços e a escolha dos consumidores, ao mesmo tempo que reforça as exigências em matéria de qualidade de serviço, fiabilidade, proteção de dados e atendimento ao cliente. Por fim, esclarece que qualquer violação destas regras será considerada uma infração e poderá dar origem a sanções administrativas, medidas corretivas ou outras ações previstas na legislação em vigor.

Esta iniciativa surge num momento em que o mercado de MVNO está em fase de estruturação na Nigéria. A NCC atribuiu, em junho de 2023, licenças de operação a 25 MVNO por um montante total de 5,9 mil milhões de nairas (cerca de 4,3 milhões de dólares). No total, já foram emitidas cerca de quarenta licenças desde o lançamento do regime. Alguns operadores como Vitel ou Visafone já iniciaram os seus serviços.

O regulador estimava que a entrada destes novos atores contribuiria para colmatar a lacuna entre as populações mal servidas e as não servidas, reforçando a concorrência e alargando a escolha dos consumidores no mercado das telecomunicações. Atualmente, a Nigéria conta com 185,7 milhões de assinantes de telemóvel e 153,8 milhões de utilizadores de Internet no final de março de 2026, segundo dados da NCC.

Apesar deste volume elevado, a fratura digital persiste: cerca de 20 milhões de pessoas continuam excluídas do ecossistema digital, segundo as autoridades. Por sua vez, a GSMA estima que, em 2023, cerca de 120 milhões de nigerianos não utilizavam a Internet móvel. A esta fratura digital juntam-se preocupações relacionadas com o elevado custo dos serviços e a qualidade por vezes insuficiente das prestações dos operadores de telecomunicações.

Isaac K. Kassouwi

A Tanzânia multiplica as iniciativas para acelerar a modernização das suas infraestruturas. As autoridades consideram a expansão das estradas asfaltadas como uma alavanca essencial para melhorar a conectividade interna, reduzir os custos logísticos e apoiar as ambições económicas do país.

O governo tanzaniano prevê lançar importantes projetos de construção rodoviária durante o exercício orçamental de 2026/27, com financiamento baseado, nomeadamente, na emissão de obrigações para infraestruturas. Apresentada ao Parlamento pelo ministro das Obras Públicas, Abdallah Ulega, esta iniciativa insere-se numa estratégia que visa diversificar as fontes de financiamento, de modo a responder à crescente procura por infraestruturas de transporte.

Segundo as autoridades, foi atribuída uma verba de 2 400 mil milhões de xelins tanzanianos (cerca de 918 milhões de dólares americanos) às despesas de desenvolvimento, sendo uma parte significativa destinada a projetos rodoviários. O governo pretende assim melhorar a mobilidade urbana, facilitar o escoamento das produções agrícolas para os mercados e o acesso aos serviços sociais, e apoiar de forma mais ampla o crescimento económico.

De acordo com dados oficiais, a Tanzânia dispõe de uma rede rodoviária de 37 734,41 km, dos quais apenas cerca de um terço, ou seja 12 225,26 km, é asfaltado. Os novos investimentos visam acelerar a modernização e a expansão das infraestruturas, de forma a melhorar a conectividade entre as diferentes regiões do país. Esta política insere-se num plano mais amplo de reestruturação do sistema nacional de transportes para um modelo multimodal.

As infraestruturas rodoviárias deverão assim complementar as redes ferroviárias atualmente em desenvolvimento, de modo a constituir um sistema integrado que ligue as regiões interiores, bem como o hinterland internacional do Porto de Dar es Salaam, que serve vários países sem acesso ao mar na África Oriental e Austral. Através desta dinâmica, a Tanzânia procura consolidar a sua posição como plataforma logística e portuária de referência na região, num contexto de concorrência crescente entre os corredores de transporte da África Oriental.

Persistem, contudo, vários desafios. O recurso a obrigações de infraestruturas exige uma forte capacidade de mobilização de investidores, bem como uma gestão rigorosa da dívida pública. Acrescem ainda os desafios relacionados com os custos de manutenção das estradas, os prazos de execução das obras e a coordenação com os projetos ferroviários, de modo a garantir a eficiência da futura rede multimodal.

Henoc Dossa

O SEMPA/BMOD apresentou as principais reformas implementadas nos últimos anos. A digitalização das contratações, a profissionalização dos estivadores, a melhoria do clima social e os investimentos na formação estão entre os principais eixos destacados pela direção.

Durante uma conferência de imprensa realizada na quinta-feira, 21 de maio, na sua sede em Vridi, em Abidjan, o Sindicato das Empresas de Manuseamento dos Portos Autónomos de Abidjan e de San Pedro (SEMPA/BMOD), organismo responsável pela gestão da mão de obra dos estivadores, apresentou o balanço das transformações realizadas nos últimos cinco anos.

Perante os meios de comunicação, o secretário-geral Alexis N’Guessan Zoukou recordou o papel estratégico da instituição na atividade portuária nacional, sublinhando que cerca de 60% do comércio externo da Costa do Marfim passa pelos portos.

Somos uma organização que garante que os 8 500 homens e mulheres que trabalham nos portos sejam qualificados, protegidos e disponíveis 24 horas por dia”, declarou.

Transição digital para modernizar as contratações

Uma das principais reformas destacadas diz respeito à digitalização do sistema de contratação dos estivadores. Até 2023, os recrutamentos diários eram feitos manualmente.

Desde a criação do SEMPA em 1959, as contratações eram feitas de forma oral e presencial. Com a implementação do novo sistema informático, iniciámos uma verdadeira revolução digital”, explicou Alexis N’Guessan Zoukou.

Segundo ele, os trabalhadores recebem agora as suas atribuições por SMS através de uma plataforma digital dedicada. Dispositivos eletrónicos de registo instalados nos diferentes terminais portuários permitem também gerir automaticamente as presenças e o processamento dos salários.

O responsável do SEMPA/BMOD considera que esta modernização contribui para melhorar a transparência das contratações, reforçar a equidade entre os trabalhadores e assegurar uma melhor rastreabilidade das carreiras. A organização indica processar diariamente cerca de 6 500 operações de contratação nos terminais portuários.

A instituição destacou também os progressos na profissionalização da atividade de estivador desde o decreto de 2019, que introduziu novas categorias de trabalhadores e abriu caminho à generalização dos contratos sem termo (CDI). Foi igualmente realizado um recenseamento completo dos estivadores para harmonizar os dados com os da Caixa Nacional de Previdência Social.

Mais de mil milhões de FCFA investidos na formação

Num contexto de concorrência crescente entre os portos da Costa do Marfim e os da sub-região, a organização afirma ter intensificado os investimentos no capital humano. Mais de mil milhões de francos CFA (1,7 milhões de dólares) terão sido investidos nos últimos anos na formação dos estivadores e do pessoal de supervisão.

O SEMPA/BMOD cita nomeadamente formações em segurança no trabalho, gestão, ética profissional e manuseamento especializado, realizadas em parceria com o Fundo de Desenvolvimento da Formação Profissional.

O comércio marítimo está a evoluir rapidamente com as novas tecnologias. Temos de preparar os estivadores marfinenses para responder aos padrões internacionais”, concluiu Alexis N’Guessan Zoukou.

Criado em 1959, o SEMPA/BMOD reúne 45 empresas de manuseamento que operam nos portos autónomos de Abidjan e de San Pedro. A instituição assegura nomeadamente o recrutamento, a gestão administrativa, o pagamento e a formação dos estivadores.

Charlène N’dimon

Com uma capacidade nominal de 350 000 toneladas por ano, a mina de Balama, em Moçambique, é apresentada pelo seu operador Syrah Resources como o maior sítio de produção de grafite em África. Relançado em junho de 2025 após vários meses de paragem, o projeto continua, no entanto, a funcionar ainda a um ritmo limitado.

Em Moçambique, a empresa australiana Syrah Resources ambiciona aumentar, a médio prazo, a produção da sua mina de Balama até 240 000 toneladas de grafite por ano. Reiterado numa apresentação publicada na sexta-feira, 22 de maio, este objetivo poderá, caso se concretize, apoiar a produção nacional deste mineral crítico, no qual o país lusófono já foi líder continental.

De 170 000 toneladas em 2022 para cerca de 60 000 toneladas em 2025, segundo o U.S. Geological Survey (USGS), a produção de grafite em Moçambique conheceu uma queda progressiva significativa, reposicionando Madagáscar como o principal produtor africano. Em comparação, a Grande Ilha forneceu cerca de 80 000 toneladas no mesmo período. Esta fase de fraco desempenho explica-se nomeadamente pelas suspensões das principais minas industriais do país, incluindo Ancuabe, do grupo neerlandês AMG, e Balama.

Entre constrangimentos operacionais e fraqueza do mercado, a Syrah Resources suspendeu sucessivamente as atividades no local entre 2023 e 2024, antes de iniciar uma retoma em junho de 2025. O ritmo de produção atual continua, contudo, limitado. Nesta fase, Balama funciona com uma taxa de produção entre 100 000 e 120 000 toneladas, com um potencial de aumento que pode atingir 200 000 a 240 000 toneladas por ano. No entanto, não foi apresentado qualquer calendário preciso para atingir este último objetivo.

No papel, esta previsão não surpreende. De facto, Balama dispõe de uma capacidade nominal de 350 000 toneladas por ano, o que faz dela, segundo a Syrah, o maior complexo de produção de grafite em África. Contudo, para concretizar a retoma e a expansão prevista, várias condições permanecem determinantes. A empresa sublinha que a obtenção dos níveis pretendidos dependerá do crescimento da procura e da evolução do mercado, bem como das políticas de apoio aos produtores fora da China.

Uma dinâmica que se insere num contexto de mercado marcado por uma oferta excedentária persistente, alimentada nomeadamente pelos elevados níveis de stocks chineses e que pressiona os preços. Esta situação explica também a manutenção da mina nos níveis atuais, tendo a Syrah Resources adotado um modo de exploração “em campanha”, que consiste em ajustar a produção às condições do mercado.

Entretanto, resta observar de que forma estas dinâmicas poderão influenciar as ambições da Syrah, que já beneficia do apoio dos Estados Unidos através de financiamento da U.S. International Development Finance Corporation (DFC). Para além de Balama, novos projetos também surgem como motores de crescimento para o setor de grafite moçambicano, nomeadamente uma nova mina promovida pela Triton Minerals.

Aurel Sèdjro Houenou

Enquanto aguarda a mobilização dos financiamentos necessários para o início das obras de construção, a Orion Minerals continua os trabalhos preliminares no seu projeto de cobre e zinco Prieska, na África do Sul. Uma angariação de fundos tinha sido anunciada para esse efeito em outubro de 2025.

A Orion Minerals, empresa cotada na bolsa australiana ASX, anunciou na sexta-feira, 22 de maio, o lançamento de uma angariação de fundos de 15,4 milhões de dólares australianos (10,9 milhões de dólares americanos). Uma vez concluída, a operação deverá servir, nomeadamente, para financiar os trabalhos em curso nos seus projetos na África do Sul, incluindo a futura mina de cobre e zinco de Prieska.

Em detalhe, a empresa apresenta a operação como um aumento de capital apoiado nomeadamente por uma base de investidores sul-africanos. Prevista para ser concluída por volta de 28 de maio, esta visa reforçar a tesouraria existente e libertar fundos para continuar os trabalhos de desenvolvimento preliminares em Prieska, enquanto se aguarda a finalização do financiamento necessário à sua construção. Parte dos fundos deverá também ser destinada ao projeto Okiep, um ativo menos avançado do que Prieska e atualmente em fase de exploração para aumentar os seus recursos minerais.

Esta angariação de fundos é crucial para a Orion, pois marca o início da nossa transição para uma empresa mineira operacional durante o segundo semestre de 2026 […]. O montante da angariação coloca a Orion numa excelente posição para iniciar o desenvolvimento da mina de Prieska assim que a operação de financiamento da Glencore for concluída”, declarou Tony Lennox, diretor executivo da Orion Minerals.

Segundo o seu plano mineiro, Prieska pode produzir anualmente 22 000 toneladas de cobre e 65 000 toneladas de zinco, ao longo de uma vida útil estimada de 13,2 anos. O investimento necessário para a sua construção está avaliado em 578 milhões de dólares australianos (412 milhões de dólares americanos). Para cobrir este montante, a Orion Minerals conta nomeadamente com um acordo de financiamento de 250 milhões de dólares americanos esperado com a Glencore, sob a forma de pré-pagamento associado a vendas futuras da produção de Prieska. Uma vez iniciadas, as obras de construção deverão decorrer ao longo de 13 meses até à entrada em funcionamento do projeto.

Num contexto globalmente favorável aos metais base, a concretização do projeto Prieska poderá ser determinante para a Orion Minerals e para as suas ambições de contribuir para o abastecimento de um mercado mundial já sob tensão, em particular no que diz respeito ao cobre. O desafio é também importante para a África do Sul, que poderá assim reforçar o seu aparelho produtivo, ainda relativamente modesto quando comparado com o de grandes produtores africanos como a República Democrática do Congo. Segundo o United States Geological Survey, o país produziu cerca de 49 000 toneladas de concentrado de cobre em 2022, às quais se juntam 224 400 toneladas de zinco.

Aurel Sèdjro Houenou

A transição para transportes menos dependentes de produtos petrolíferos continua a nível mundial. Os automóveis elétricos, mas também os veículos de duas e três rodas, registam um crescimento em vários mercados, incluindo em África.

A eletrificação dos transportes continua a ganhar terreno à escala global. Segundo o relatório «Global EV Outlook 2026», publicado na quarta-feira, 20 de maio, pela Agência Internacional da Energia, as vendas mundiais de automóveis elétricos deverão atingir 23 milhões de unidades em 2026, ou seja, 28% das vendas automóveis globais. Esta previsão sucede a um ano de 2025 recorde, marcado por mais de 20 milhões de veículos elétricos vendidos, representando 25% das matrículas de automóveis novos em todo o mundo.

Um crescimento impulsionado pela China e pela Europa

Este crescimento, saudado pela Agência, continua contudo a ser largamente sustentado por alguns grandes mercados. Na China, os veículos elétricos representaram cerca de 55% das vendas automóveis em 2025 e poderão aproximar-se dos 60% este ano. Na Europa, os volumes vendidos aumentaram mais de 30% no ano passado, atingindo 28% do mercado, apoiados nomeadamente pelo reforço das normas de emissões. Vários mercados emergentes também apresentam uma forte dinâmica, como o Sudeste Asiático, onde as vendas mais do que duplicaram.

Por outro lado, o relatório observa que a eletrificação contínua dos transportes não diz respeito apenas aos automóveis. A AIE sublinha, de facto, que os veículos de duas e três rodas continuam a ser o segmento mais eletrificado do transporte rodoviário. As vendas continuaram a aumentar em 2025, incluindo com uma duplicação no Vietname.

Um mercado africano ainda nascente

No continente africano, o mercado dos automóveis elétricos continua limitado, apesar de alguns progressos. As vendas passaram assim de cerca de 4 000 veículos em 2023 para 25 000 unidades em 2025, principalmente no Egito, em Marrocos e na África do Sul.

Para o continente, o avanço mais significativo diz respeito sobretudo aos veículos de duas rodas elétricos.

«As vendas também aumentaram fortemente em África, atingindo cerca de 70 000 veículos de duas rodas elétricos em 2025, ou seja, mais de 80 vezes o nível registado no início da década. Os veículos de três rodas elétricos representavam mais de 25% das vendas, continuando a crescer mesmo quando o mercado global de três rodas se contraiu», indica a AIE na sua análise.

A organização recorda que cerca de 60% das adições anuais ao parque automóvel africano provêm de veículos usados importados. Esta particularidade dificulta a avaliação da difusão real dos veículos elétricos no continente com base apenas nas matrículas de veículos novos.

A equação energética africana

Para além do mercado automóvel, o avanço da mobilidade elétrica está ligado ao desenvolvimento dos sistemas elétricos. Segundo um relatório da AIE publicado em outubro de 2025, cerca de 600 milhões de pessoas em África não têm acesso à eletricidade. Este défice de acesso é mais acentuado na África subsaariana, mesmo nos centros urbanos.

Assim, em muitos países, a adoção futura dos veículos elétricos, em particular dos automóveis, dependerá também da melhoria do acesso à energia e da fiabilidade das redes.

Abdoullah Diop

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