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Equipe Publication

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Enquanto a Líbia procura maximizar a exploração petrolífera, aposta no potencial de hidrocarbonetos no mar, uma área considerada pouco explorada pelas autoridades.

Na Líbia, a companhia petrolífera estatal (NOC) anunciou, na quinta-feira, 26 de março, a assinatura de um protocolo de entendimento com a multinacional americana Chevron para realizar um estudo sobre o bloco NC146, localizado ao largo da costa do país.

O acordo consiste concretamente em realizar uma análise técnica e geológica desta área. O objetivo da Chevron será avaliar o potencial de hidrocarbonetos do local. A longo prazo, estes trabalhos visam reforçar as reservas nacionais de hidrocarbonetos. Nesta fase, não há atividade de perfuração nem decisão de investimento em curso.

O presidente da NOC, Masoud Suleman, indica que o bloco NC146 continua amplamente inexplorado. Ele menciona “indicadores geológicos encorajadores” que podem conduzir a descobertas, sem fornecer uma estimativa numérica dos recursos. A Chevron irá trazer a sua experiência em exploração offshore, bem como tecnologias em conformidade com os padrões internacionais.

A assinatura deste acordo insere-se numa dinâmica de relançamento da exploração petrolífera na Líbia, particularmente ao largo da costa. A companhia indica querer desenvolver novas áreas offshore e mobilizar parceiros internacionais para apoiar estes esforços, enquanto um novo ciclo de concursos de licenças está em preparação.

Offshore: novo motor de relançamento petrolífero

Na sequência do acordo assinado com a Chevron para estudar um bloco no mar, Trípoli reativa uma orientação seguida há vários meses a favor do offshore. Em junho de 2025, a Agência Ecofin relatou que as autoridades líbias colocaram o desenvolvimento petrolífero no mar no centro da sua estratégia energética.

Segundo informações da NOC publicadas em janeiro de 2026, a Líbia iniciou a perfuração de um primeiro poço de exploração em águas profundas, apresentado como um marco inédito no país. Esta operação representa um avanço técnico num segmento até então pouco desenvolvido.

A companhia nacional sublinha que o projeto foi conduzido em parceria com atores internacionais, mobilizados pela sua experiência técnica. A necessidade destes parceiros justifica-se pelas exigências tecnológicas e financeiras próprias das operações em offshore profundo, indica a mesma fonte.

Os resultados das atividades da Chevron deverão determinar os próximos passos, incluindo uma eventual passagem para trabalhos de exploração mais avançados, segundo as informações divulgadas.

A produção petrolífera líbia situa-se atualmente em cerca de 1,4 milhões de barris por dia. As autoridades visam um aumento para aproximadamente 1,6 milhões de barris por dia até ao final de 2026, de forma a compensar o declínio de alguns campos terrestres. Neste contexto, foi assinado, no final de janeiro de 2026, um acordo de 25 anos com as multinacionais TotalEnergies e ConocoPhillips.

Abdel-Latif Boureima

Face a restrições persistentes, Angola procura reforçar o desempenho do seu setor elétrico, nomeadamente através de esforços de modernização e melhoria da gestão da rede.

Angola quer apoiar-se na experiência técnica do Brasil em matéria de energia para modernizar o seu setor elétrico. Segundo informações divulgadas a 25 de março pela Agência Angola Press (ANGOP), os dois países reforçaram a cooperação durante uma missão oficial angolana em Brasília.

Esta missão resultou, entre outros, na assinatura de um protocolo de entendimento abrangendo todo o setor, da produção à distribuição. O documento enquadra uma cooperação centrada no planeamento do sistema elétrico. Neste contexto, prevê a partilha de experiências em organização setorial e elaboração de políticas públicas.

O protocolo detalha também modalidades de reforço de capacidades técnicas. Segundo a ANGOP, inclui ações de formação, mecanismos de transferência de competências e cooperação entre instituições públicas, com especial enfoque na gestão e regulação do setor. Além disso, o acordo abrange infraestruturas, nomeadamente a modernização das instalações existentes de produção, transporte e distribuição de eletricidade.

Fundamentalmente, este protocolo permanece um instrumento de cooperação. Define um quadro de colaboração e identifica eixos de trabalho comuns, sem vincular formalmente as partes a obrigações de execução ou a investimentos específicos nesta fase. A sua implementação dependerá da celebração de acordos subsequentes para concretizar os projetos definidos entre as partes.

Recurso alargado a parceiros

A iniciativa com o Brasil insere-se numa estratégia mais ampla de diversificação de parcerias no setor elétrico. Segundo o guia setorial do Departamento de Comércio dos Estados Unidos (2024-2025), a China continua a ser um parceiro central de Angola, nomeadamente no financiamento e construção de infraestruturas energéticas.

Ao mesmo tempo, Luanda multiplica cooperações técnicas e financeiras com outros países. Segundo informações divulgadas em novembro de 2025 pela Agência Ecofin, foram assinados acordos com a Alemanha na área da energia. Os Estados Unidos intervêm também através de financiamentos do Exim Bank para projetos solares e de acesso à eletricidade, segundo o GTReview.

Paralelamente, iniciativas específicas são desenvolvidas com outros atores europeus. Portugal, através do seu operador de redes energéticas Redes Energéticas Nacionais (REN), apoia projetos de eletrificação rural, segundo comunicação publicada em novembro de 2025.

Uma rede fragilizada por perdas elevadas

Apesar destes esforços, o sistema elétrico angolano continua marcado por um acesso ainda limitado e por restrições estruturais persistentes. Segundo dados do Banco Mundial, 51,1% da população tinha acesso à eletricidade em 2023.

Neste contexto, as capacidades de produção aumentam, sem contudo suprir totalmente as necessidades. O guia setorial publicado em 2024-2025 pelo Departamento de Comércio dos EUA indica uma capacidade instalada estimada entre 6,2 e 6,3 GW, inferior à meta de 9,9 GW definida no plano “Angola Energia 2025”.

Para além das capacidades de produção, o desempenho da rede continua a ser um desafio central. Um relatório do Banco Mundial publicado em 2025 no âmbito do Electricity Sector Improvement Project mostra que as perdas técnicas e comerciais oscilaram historicamente entre 40% e 55%.

Neste panorama, vários projetos estruturantes estão em curso. Segundo o Global Energy Monitor, a central de Caculo Cabaça (2,17 GW) deverá entrar em operação entre 2026 e 2027, enquanto a central de Laúca (2,07 GW) está operacional desde 2023.

Abdel-Latif Boureima

Numa Etiópia com uma taxa de eletrificação de cerca de 55%, a energia solar fora da rede impõe-se como uma das soluções mais eficazes para expandir o acesso à eletricidade, sobretudo nas zonas rurais, onde a extensão da rede pública é considerada demasiado dispendiosa.

A Sun King, um dos líderes mundiais em energia solar off-grid, anunciou um investimento de 150 milhões de USD no deployment de unidades solares domésticas e inversores solares na Etiópia até 2030. Este investimento foi formalizado através de um protocolo de entendimento assinado entre a empresa, sediada em Nairobi (Quénia), e a Comissão Etíope de Investimentos (EIC), durante o fórum “Invest in Ethiopia 2026”, realizado nos dias 26 e 27 de março em Adis Abeba.

Nos termos deste acordo, a Sun King deverá criar uma filial local e montar uma equipa de profissionais nas áreas de negócios, operações e engenharia em Adis Abeba, bem como uma rede de agentes locais que irão implementar e assegurar a manutenção de soluções solares nas comunidades rurais e periurbanas menos servidas do país.

A abordagem de financiamento e distribuição da empresa, que ambiciona equipar mais de 2 milhões de agregados familiares e empresas, será adaptada ao contexto etíope, garantindo tanto uma ampla cobertura como preços acessíveis. A Comissão Etíope de Investimentos comprometeu-se a fornecer à Sun King apoio completo e acompanhamento acelerado para a implementação das suas operações, incluindo assistência na obtenção de licenças de investimento e comerciais, bem como contactos diretos com atores-chave do setor público e privado.

Os investimentos previstos apoiam o Plano Nacional de Eletrificação da Etiópia e o programa “Missão 300”, uma iniciativa conduzida em conjunto pelo Banco Mundial e pelo Banco Africano de Desenvolvimento, visando expandir o acesso à eletricidade a 300 milhões de pessoas no continente africano até 2030.

Na Etiópia, a taxa nacional de eletrificação situa-se em cerca de 55%, com disparidades muito acentuadas entre áreas urbanas e rurais. O governo prevê aumentar esta taxa para aproximadamente 75% a 80% até 2030, através da expansão da rede central e do deployment de soluções off-grid, que deverão então servir até 30% da população, segundo as previsões da companhia pública Ethiopian Electric Power (EEP).

A Sun King desenvolve um modelo integrado que combina produção solar, equipamentos de alta eficiência energética, instalação e financiamento dos clientes, nomeadamente através de um modelo “Pay-As-You-Go” (PAYG), permitindo adquirir unidades solares mediante pagamentos parcelados ao longo de 12 a 24 meses via serviços de mobile money.

A empresa afirma ter passado de 10.000 kits solares entregues por mês em 2017 para mais de 330.000 por mês atualmente, com o objetivo de atingir um milhão de kits por mês até 2030, para responder às necessidades energéticas de cerca de 200 milhões de pessoas.

Walid Kéfi

Embora dependa em grande parte da hidroeletricidade, a Zâmbia continua a diversificar a sua matriz energética para garantir o abastecimento. Esta evolução traz, contudo, novos desafios relacionados com a integração de energias variáveis na rede nacional.

Um novo projeto de produção de eletricidade verde com uma capacidade de 100 MW vai ser implementado na Zâmbia. O acordo, celebrado entre a DZGM Energy Resources e a Zesco Limited, prevê a injeção desta energia na rede nacional.

O Ministério da Energia anunciou, no sábado, 28 de março, a assinatura deste contrato de compra de eletricidade (PPA), que abre caminho ao lançamento de um projeto híbrido combinando energia eólica e solar.

Presente na reunião, o Ministro da Energia, Makozo Chikote (imagem, ao centro), sublinhou «a importância de aumentar a produção de eletricidade e melhorar a fiabilidade do abastecimento».

Romper com a dependência da hidroeletricidade

Na Zâmbia, o sistema elétrico continua a basear-se largamente na hidroeletricidade, que representa mais de 80% da produção, segundo dados do National Energy Compact for Zambia. Esta dependência expõe o país e o seu sistema elétrico às variações climáticas. A seca observada em 2024 causou uma redução significativa da produção, pressionando o abastecimento elétrico durante vários meses.

Para responder a este desafio, as autoridades multiplicam os projetos solares para reforçar a capacidade de produção e melhorar a segurança energética. Em setembro de 2025, a Africa GreenCo e a Serenje Energy celebraram um acordo preliminar relativo a um contrato de compra de eletricidade para a central solar de Lusanje, com uma capacidade de 25 MW.

No final de janeiro, o projeto solar de 20 MW do Natural Resources Development College (NRDC), em Lusaca, foi inaugurado. Em fevereiro, o Ministério da Energia assinou um acordo de implementação com a Goldenray Energy para o desenvolvimento de uma central solar de 118 MWp em Sinazongwe, na província do sul.

Um desafio de estruturação

O projeto assinado com a DZGM insere-se na estratégia do país, detalhada no seu “Integrated Resource Plan (IRP)” de 2024, que visa diversificar a matriz energética e reduzir a dependência da hidroeletricidade, principal fonte de abastecimento.

Introduce a utilização de uma solução híbrida combinando energia eólica e solar. Este tipo de instalação permite distribuir melhor a produção ao longo do dia e reduzir as variações associadas a uma única fonte.

No entanto, à medida que a quota de energias variáveis aumenta, a questão do reforço das infraestruturas elétricas torna-se central, para gerir simultaneamente a procura e uma oferta mais intermitente.

Abdoullah Diop

O arroz é o principal cereal cultivado e consumido no Senegal. Embora a produção local satisfaça menos da metade das necessidades do mercado interno, continua a ter dificuldades em conquistar os consumidores, que preferem o arroz importado, considerado de melhor qualidade.

O Senegal está a implementar o capítulo nacional do Observatório do Arroz da CEDEAO (ERO) para melhorar a competitividade do arroz local. O anúncio foi feito num comunicado publicado no site do Ministério da Agricultura a 30 de março.

O ERO é uma plataforma multipartidária que reúne Estados, produtores, setor privado, institutos de investigação e parceiros técnicos, criada em 2021 para operacionalizar a “Ofensiva do Arroz”, a política da CEDEAO que visa a autossuficiência no cereal na África Ocidental. Tem a missão de coordenar os programas relacionados com o setor do arroz, os investimentos públicos e privados, fornecer recomendações políticas aos decisores-chave e facilitar o acesso a financiamento ao longo de toda a cadeia de valor.

A criação de um capítulo nacional do ERO no Senegal sugere a vontade das autoridades de adaptar esta ferramenta de monitorização e coordenação do setor do arroz à realidade do país. “Os atores procederão à adoção de um quadro de governação inclusivo, à implementação dos órgãos de gestão e à elaboração de um plano de ação para operacionalizar o capítulo, em favor de um arroz local competitivo e sustentável”, lê-se no comunicado.

Um contexto oportuno?

No Senegal, a questão da competitividade do arroz produzido localmente está no centro da atualidade do setor agrícola. No país, os produtores enfrentam dificuldades para escoar os seus stocks há vários meses, travados pela concorrência do arroz importado, considerado mais barato, mais homogéneo, melhor limpo, melhor embalado (formatos de sacos adaptados aos orçamentos) e disponível de forma regular.

Já em outubro de 2025, os produtores de arroz do departamento de Dagana, na região do vale do rio Senegal, lançavam o alerta para o risco de cerca de 195.000 toneladas de arroz paddy e processado, provenientes da campanha de 2025, ficarem por vender.

Face à persistência desta situação até 2026, o governo senegalês adotou uma série de medidas, sendo a mais recente, anunciada a 5 de março, a atribuição de um subsídio de 50 francos CFA por cada quilograma de arroz produzido localmente, para facilitar a escoação dos stocks.

Apesar destes esforços, os produtores e agroindústrias de Saint-Louis, na região do vale do rio Senegal, estimavam, a 28 de março, que ainda existiam mais de 50.000 toneladas de arroz paddy e processado por vender nos seus armazéns, segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais.

Os próximos desenvolvimentos irão mostrar se a criação do capítulo nacional do ERO no país poderá insuflar uma nova dinâmica na gestão da cadeia de produção do arroz.

No Senegal, o recurso ao arroz importado está a intensificar-se. No seu último relatório sobre o mercado mundial de cereais, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que o país da Teranga adquiriu 1,47 milhão de toneladas de arroz branqueado no mercado internacional durante a campanha de comercialização de 2024/2025, registando um crescimento de 13% em relação a 2022/2023 (1,3 milhão de toneladas). O USDA estima ainda que as compras para a campanha de 2025/2026 em curso deverão atingir, no final, 1,5 milhão de toneladas.

Stéphanas Assocle

A Indonésia implementa desde 2008 o seu programa de mistura de biocombustível à base de óleo de palma com o gasóleo. Esta política visa reduzir as importações de combustíveis fósseis.

Em 2026, o país aplicará uma nova fase do programa, que prevê a utilização de um combustível composto por 50% de biodiesel de óleo de palma (B50), contra 40% atualmente (B40). Segundo a Reuters, a informação foi anunciada pelo presidente Prabowo Subianto a 30 de março, à margem de uma visita oficial ao Japão.

Esta hipótese, já mencionada no início do mês pelo vice-ministro da Energia, acaba assim por se concretizar. O projeto tinha sido abandonado em janeiro por razões técnicas e financeiras. Embora Prabowo Subianto não tenha detalhado os motivos desta mudança, a decisão está relacionada com a subida dos preços do petróleo.

Após os primeiros ataques israelo-americanos contra o Irão a 28 de fevereiro e o encerramento do Estreito de Ormuz — responsável por cerca de um quarto do transporte marítimo de petróleo —, os preços do barril ultrapassaram os 100 dólares, colocando desafios aos países importadores.

Para a Indonésia, um maior recurso ao óleo de palma — do qual é o maior produtor e exportador mundial — permitiria прежде de tudo reduzir a fatura associada à importação de produtos petrolíferos.

Segundo os dados mais recentes do organismo nacional de estatística (BPS), o país importou 37,75 milhões de toneladas de produtos petrolíferos em 2025, num valor de 23,46 mil milhões de dólares, o que representa cerca de 10% das suas importações totais de mercadorias.

Que implicações para o mercado?

Até ao momento, as autoridades não forneceram detalhes sobre o calendário de implementação do programa. No entanto, a associação indonésia de produtores de biocombustíveis (APROBI) indicou que os testes rodoviários do biodiesel B50 não deverão estar concluídos antes de junho ou julho, prazo inicialmente definido pelo Ministério da Energia.

Ainda assim, esta decisão poderá reforçar o peso da indústria do biodiesel. De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o setor absorveu 13,5 milhões de toneladas de óleo de palma em 2023/2024, tornando-se, na prática, o segundo maior consumidor mundial deste produto.

Nos mercados, a evolução será acompanhada de perto. O aumento do consumo interno através do biodiesel poderá reduzir a oferta para exportação e sustentar os preços do óleo de palma — o mais consumido no mundo — negociado no Bursa Malaysia Derivatives Exchange. Esta tendência poderá também reduzir a diferença de preços face ao óleo de soja, com o qual compete por quotas no mercado global de óleos vegetais.

Espoir Olodo

Ao tornar-se acionista maioritário da Banque agricole et commerciale, a Vista Group Holding inicia a sua entrada no mercado bancário do Chade. O grupo pretende aí implementar a Vista Bank num contexto caracterizado por um baixo nível de inclusão financeira e um acesso limitado ao crédito.

A Vista Group Holding, controlada pelo banqueiro burquinabê Simon Tiemtoré, obteve todas as autorizações regulamentares necessárias para a aquisição de uma participação maioritária no capital da Banque agricole et commerciale (BAC) do Chade. O anúncio foi feito na segunda-feira, 30 de março, pelo Ministério das Finanças chadiano.

Na sequência desta operação, o grupo financeiro da África Ocidental torna-se acionista maioritário da instituição. Os detalhes relativos ao volume de ações adquiridas e ao montante da transação não foram divulgados.

Além disso, as modalidades da operação não foram especificadas, quer se trate de um aumento de capital ou de uma cessão de participações por acionistas existentes. Através desta aquisição, a Vista Group pretende criar e implementar a Vista Bank no Chade. A BAC deverá passar a designar-se Vista Bank Chade.

Uma estratégia de expansão na África Subsaariana

Presente em cinco países da África Subsaariana, através de filiais bancárias na Gâmbia, Guiné, Serra Leoa, Burkina Faso e Moçambique, a Vista Group Holding inicia com esta operação a sua primeira implantação na África Central. O grupo prossegue o objetivo de expandir a sua rede para 25 países do continente nos próximos anos. Em julho de 2025, anunciou projetos de abertura de novas entidades bancárias na Costa do Marfim e no Senegal, com um nível de avanço significativo no projeto marfinense.

A aquisição da BAC insere-se nesta dinâmica, permitindo ao grupo aceder a um novo mercado e implementar o seu modelo bancário num ambiente onde a procura por serviços financeiros ainda está em fase de estruturação.

Um mercado bancário pouco desenvolvido e pouco inclusivo

Criada em 1998, a BAC atua no financiamento de atividades agrícolas e comerciais no Chade. Ocupa uma posição limitada no sistema bancário local, com uma quota de mercado de crédito de 0,39% no primeiro trimestre de 2025, segundo o relatório da Banque des États de l’Afrique centrale sobre a evolução das taxas de juro praticadas pelas instituições de crédito na Communauté économique et monétaire de l’Afrique centrale.

O setor bancário chadiano conta com dez instituições em atividade. De acordo com o relatório país Chade 2025, publicado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, caracteriza-se por uma baixa inclusão financeira, com apenas 15% da população a ter acesso a serviços bancários formais. O crédito ao setor privado permanece limitado (menos de 10% do PIB, contra mais de 30% em média na África Subsaariana) e os bancos concedem sobretudo créditos de curto prazo.

Chamberline Moko

O protocolo de entendimento assinado entre as duas instituições visa melhorar a governação macroeconómica e a coordenação das políticas económicas na região, num contexto marcado simultaneamente por uma retoma do crescimento e por desequilíbrios persistentes.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) assinaram, na sexta-feira, 27 de março, em Abuja, na Nigéria, um protocolo de entendimento com o objetivo de reforçar a sua cooperação em matéria de governação macroeconómica e integração regional.

O acordo, assinado por Omar Alieu Touray, presidente da Comissão da CEDEAO, e Wautabouna Ouattara, diretor executivo do FMI para a África Ocidental, estabelece um quadro de colaboração destinado a melhorar a coordenação das políticas económicas entre os Estados-membros. Prevê, nomeadamente, o reforço do diálogo político, o apoio ao desenvolvimento de capacidades em domínios-chave como a política orçamental, a gestão da dívida e as estatísticas, bem como a melhoria da supervisão macroeconómica regional.

Esta parceria visa igualmente apoiar o avanço do projeto de união monetária regional e representar melhor as prioridades económicas da África Ocidental nas discussões internacionais.

Uma retoma económica ainda contrastada

A assinatura deste acordo ocorre num contexto económico regional contrastado. Segundo dados do Banco de Investimento e Desenvolvimento da CEDEAO (BIDC), as economias da região registaram um crescimento de cerca de 5,1% em 2024, com perspetivas próximas de 5% em 2025 antes de uma aceleração esperada para 5,4% em 2026. No entanto, esta dinâmica continua exposta a vários riscos, nomeadamente a volatilidade dos preços das matérias-primas e as incertezas do comércio internacional, suscetíveis de afetar os países exportadores de petróleo ou de produtos agrícolas.

Paralelamente, os equilíbrios macroeconómicos permanecem frágeis. A inflação média na região deverá atingir 18,6% em 2025, antes de abrandar para 15,3% em 2026. Segundo a BIDC, a Nigéria, o Gana, a Serra Leoa e a Gâmbia deverão apresentar taxas de dois dígitos, principalmente devido às pressões relacionadas com os preços dos alimentos, da energia e com as taxas de câmbio. Em contrapartida, os Estados-membros da UEMOA deverão manter uma inflação média inferior a 5%, apesar das incertezas ligadas ao comércio.

As finanças públicas continuam igualmente sob pressão, embora o défice orçamental regional deva melhorar para cerca de 3,9% do PIB em 2025 e 3,6% em 2026, enquanto o rácio da dívida pública deverá diminuir gradualmente para 56,3% do PIB até 2026.

As perspetivas de integração económica são também afetadas pelas evoluções políticas no seio do bloco. A saída do Burkina Faso, do Mali e do Níger da CEDEAO poderá reduzir o comércio intrarregional, que representava em média 8,6% das trocas comerciais nos últimos três anos. Segundo estimativas da BIDC, esta proporção poderá cair para 5,2%, evidenciando os desafios que a região enfrenta em matéria de integração económica.

Neste contexto, alguns países da sub-região, como a Costa do Marfim ou o Senegal, continuam a apresentar um crescimento sustentado impulsionado pelos investimentos em infraestruturas e pelas reformas económicas, enquanto outras grandes economias, nomeadamente a Nigéria ou o Gana, permanecem confrontadas com constrangimentos relacionados com a dívida e a volatilidade das matérias-primas.

Até agora, a cooperação entre a CEDEAO e o FMI manifestava-se principalmente através de programas bilaterais conduzidos com os Estados-membros. A assinatura deste protocolo marca assim uma evolução para uma abordagem mais estruturada ao nível regional, com o objetivo de reforçar a estabilidade macroeconómica e apoiar os esforços de integração económica na África Ocidental.

Charlène N’dimon

No final da sua missão na Namíbia, o Fundo Monetário Internacional alertou para um crescimento fraco e finanças públicas sob pressão, apelando às autoridades para acelerarem as reformas a fim de reforçar a resiliência económica.

Na Namíbia, o FMI apelou ao governo para acelerar as reformas estruturais. É o que resulta das conclusões da missão de consulta de 2026 ao abrigo do Artigo IV, realizada de 16 a 20 de março de 2026.

No seu comunicado publicado a 27 de março de 2026, a instituição constata uma economia em perda de dinamismo, confrontada com vulnerabilidades internas e um ambiente internacional incerto.

Segundo as conclusões preliminares da missão conduzida por Xiangming Li, o crescimento do PIB real desacelerou para 1,7% em 2025, afetado nomeadamente pela queda da procura mundial de diamantes e pela recomposição do efetivo pecuário após as perdas ligadas à seca de 2024. Esta dinâmica deverá prolongar-se em 2026, num contexto de tensões geopolíticas, especialmente no Médio Oriente, que encarecem os custos energéticos e pesam sobre a procura global.

No plano externo, a situação melhorou ligeiramente. «O défice deverá manter-se elevado devido às importações associadas ao investimento direto estrangeiro na exploração petrolífera e mineira. As reservas cambiais brutas diminuíram após o reembolso do eurobond de 750 milhões de dólares em outubro de 2025, com uma cobertura das importações de 3,5 meses no final de 2025», declarou Xiangming Li.

As finanças públicas constituem um dos principais motivos de preocupação. O défice orçamental agravou-se durante o exercício 2025/2026, devido a uma forte queda das receitas provenientes da União Aduaneira da África Austral. Apesar dos esforços para conter as despesas, nomeadamente a massa salarial e os subsídios, a dívida pública deverá continuar a aumentar a médio prazo.

Recorde-se que a Namíbia tem vindo a implementar reformas macroeconómicas nos últimos anos para estabilizar a sua economia. Em março de 2025, as autoridades apresentaram o orçamento nacional 2025/2026, no valor de 106,3 mil milhões de dólares namibianos (cerca de 6 mil milhões de dólares), um aumento de 6,19% face ao exercício anterior. Este orçamento dá prioridade ao desenvolvimento económico, à segurança, às infraestruturas e à proteção social.

Além disso, o governo namibiano assinou um acordo com o Banco Mundial para o período 2025-2029, com o objetivo de apoiar os seus esforços de redução das desigualdades e de promoção de um crescimento sustentável e resiliente. Esta parceria visa, em particular, estimular a criação de emprego e melhorar o acesso aos serviços públicos, em linha com a Visão 2030.

Num contexto em que a economia namibiana permanece vulnerável a choques externos, o FMI recomenda um reforço da consolidação orçamental, assente nomeadamente no controlo das despesas correntes, na reforma do regime de seguro de saúde dos funcionários públicos (PSEMAS) e na redução das transferências para empresas públicas. A instituição insiste também na necessidade de melhorar a gestão das finanças públicas, incluindo os procedimentos de contratação pública.

Para além dos ajustamentos macroeconómicos, o FMI sublinha a urgência das reformas estruturais. A melhoria do ambiente de negócios, a aceleração dos procedimentos administrativos e a implementação de políticas de conteúdo local são consideradas essenciais para estimular o investimento privado. Além disso, o desenvolvimento do setor digital e o alinhamento dos sistemas educativos com as necessidades do mercado de trabalho surgem como fatores-chave para apoiar o emprego e a diversificação económica.

Segundo as previsões do Banco Mundial, o crescimento do PIB do país deverá passar de 3,7% em 2025 para 3,9% em 2026.

Carelle Yourann (Estagiária)

Sete centros financeiros africanos figuram entre os internacionais mais competitivos, mas apenas dois estão no Top 50 global

A Casablanca Finance City (CFC) destronou o centro financeiro de Maurício, assumindo o título de centro financeiro mais competitivo de África, segundo a 39.ª edição do «Global Financial Centres Index» (GFCI), publicada na quinta-feira, 26 de março de 2026, pelo think tank londrino Z/Yen Group em colaboração com o China Development Institute.

A CFC ocupa o 49.º lugar neste índice semestral, que avalia 120 centros financeiros internacionais com base na sua competitividade e atratividade para investidores, profissionais da área financeira e empresas em todo o mundo.

Casablanca Finance City subiu sete posições em relação à edição anterior do relatório e ocupa agora o 4.º lugar na região África & Médio Oriente, atrás apenas dos centros financeiros dos Emirados de Dubai, Abu Dhabi e Doha. Este hub financeiro, voltado para o continente africano, serve como porta de entrada para a África e conta com mais de 200 empresas membros, distribuídas em quatro categorias principais: instituições financeiras, sedes regionais de multinacionais, prestadores de serviços e holdings.

O Mauritius International Financial Centre, em Maurício, ocupa a segunda posição africana e o 50.º lugar global, subindo duas posições em comparação com a edição anterior do GFCI.

O centro financeiro de Kigali (Rwanda, 72.º global) é o terceiro a nível africano, apesar de ter caído sete posições, à frente de Joanesburgo (África do Sul), que subiu 14 posições e se posiciona no 80.º lugar global e 4.º na África. Seguem-se os centros financeiros da Cidade do Cabo (África do Sul, 96.º global), Nairóbi (Quénia, 114.º) e Lagos (Nigéria, 118.º).

Dos sete centros africanos presentes no ranking, quatro registaram progressos em relação à 38.ª edição do GFCI (Casablanca, Maurício, Joanesburgo e Lagos), enquanto três recuaram (Kigali, Nairóbi e Cidade do Cabo).

Segundo a pesquisa com participantes ativos nos mercados financeiros globais, Maurício, Kigali e Casablanca estão também entre os 15 centros com maior potencial de crescimento nos próximos dois a três anos.

Metodologia baseada em dados e perceção de mercado

O GFCI avalia os centros financeiros com base em duas principais fontes de dados. A primeira integra 147 indicadores quantitativos de competitividade distribuídos por cinco categorias: ambiente de negócios, capital humano, infraestruturas, desenvolvimento do setor financeiro e reputação. Esses dados provêm de instituições multilaterais como o Banco Mundial, o Fórum Económico Mundial (WEF), a ONU e a OCDE.

A segunda fonte é uma pesquisa com 5.218 participantes ativos em centros financeiros globais, incluindo gestores de ativos, traders, bancos e empresas de tecnologia financeira.

No ranking global, Nova Iorque mantém-se no topo, seguida por Londres, Hong Kong, Singapura, São Francisco e Xangai.

Walid Kéfi

 

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