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Equipe Publication

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Em África, o ecossistema dos pagamentos está a evoluir a grande velocidade. A Visa já não quer limitar-se a fornecer apenas soluções. A empresa pretende também assegurar que os seus parceiros dominam plenamente o seu ambiente e os seus mecanismos operacionais. Este reforço de competências tornou-se essencial para tornar as operações mais fiáveis, reduzir mal-entendidos e apoiar a expansão dos serviços financeiros digitais.

Em Dakar, a Visa reuniu, de 23 a 27 de março de 2026, profissionais de pagamentos eletrónicos provenientes de bancos e fintechs da África francófona no âmbito do Visa Landing Program (VLP), uma iniciativa de formação intensiva destinada a reforçar as competências locais num setor em plena transformação. Durante cinco dias, a equipa de Client Success da Visa, composta por Kossi Akakpo, Senior Consultant e Client Success Manager, Armel Meda, Consultant e Client Success Manager, e Nadia Lambara, Consultant e Client Success Manager, mergulhou os participantes no coração do ecossistema Visa através de um programa que combinou teoria, conhecimento técnico e estudos de caso práticos.

«Num ambiente de pagamentos em constante evolução, o domínio dos processos, dos dados e das boas práticas operacionais constitui um fator estratégico fundamental para melhorar o desempenho, a segurança e a experiência do cliente (…) Para além da tecnologia, investimos nos talentos para oferecer serviços de qualidade», afirma Kossi Akakpo, Senior Consultant e Client Success Manager. Em suma, a Visa demonstra a ambição de apoiar os intervenientes do mercado não apenas com infraestruturas de pagamento robustas, mas também através de uma verdadeira transferência de competências.

O programa de formação abrangeu várias temáticas essenciais para o bom funcionamento dos pagamentos eletrónicos. Os participantes beneficiaram de uma visão global da VisaNet e do seu papel estratégico no ecossistema das transações eletrónicas. Aprofundaram igualmente a sua compreensão do ciclo de vida completo de uma transação, desde a autorização até à compensação e liquidação.

Para além dos fundamentos, o Visa Landing Program colocou a tónica nos fatores de desempenho operacional. As sessões abordaram, nomeadamente, a otimização das taxas de autorização, a redução das rejeições de transações, bem como a leitura e utilização dos relatórios Visa, ferramentas essenciais para melhorar a gestão e a tomada de decisão. Outro tema central foi a gestão de litígios e contestações, analisada sob o prisma das responsabilidades, das boas práticas e da eficiência operacional.

Longe de ser um simples seminário académico, a agenda foi concebida como uma plataforma de aprendizagem colaborativa. A partilha de experiências, as discussões interativas e os casos concretos adaptados às realidades dos mercados regionais ocuparam um lugar central. O objetivo foi promover a participação ativa, incentivar questões abertas e permitir aos profissionais presentes comparar as suas práticas.

Num setor onde a inovação tecnológica avança a grande ritmo, o Visa Landing Program relembra que nenhuma transformação sustentável pode ocorrer sem mulheres e homens formados, competentes e empenhados.

 

 

Estes compromissos, materializados em vinte acordos, abrangem setores que vão da agricultura às minas. Inserem-se na ambição assumida de Nairobi de se afirmar como porta de entrada de capitais estrangeiros na África Oriental.

O Quénia anunciou, na quarta-feira, 25 de março, a conclusão de vinte acordos de investimento no valor de mais de 2,9 mil milhões de dólares, na abertura da Conferência Internacional de Investimento (KIICO 2026), um evento anual organizado em Nairobi com a presença de dirigentes empresariais e decisores políticos de todo o mundo.

Estes compromissos, apresentados pelo presidente William Ruto, deverão gerar mais de 63 000 empregos diretos no país. Os setores da agricultura, da indústria transformadora, das minas e do imobiliário concentram a maior parte dos investimentos anunciados.

À frente dos compromissos surge a agricultura, com 890 milhões de dólares mobilizados para projetos nas fileiras do arroz, do açúcar e da horticultura. Entre as iniciativas de destaque, incluem-se um programa integrado de irrigação e produção de arroz no valor de 300 milhões de dólares, promovido pela Tana Bliss Kenya, bem como uma moderna fábrica de açúcar de 285 milhões de dólares desenvolvida pela Tana River Sugar Company.

O setor imobiliário atrai, por sua vez, 630 milhões de dólares, dos quais 380 milhões destinados ao projeto Mombasa Creekside Gardens e 250 milhões ao Nairobi Belle Vue Arch — duas operações com forte participação de investimentos provenientes do Golfo.

No setor mineiro, a empresa australiana NGX Limited comprometeu-se a investir 350 milhões de dólares na exploração de terras raras no condado de Kericho, no oeste do país.

A saúde também não fica de fora, com 310 milhões de dólares em promessas de investimento destinadas a reduzir o recurso a cuidados no estrangeiro, nomeadamente através do projeto Balmer Healthcare, avaliado em 200 milhões de dólares, no condado de Uasin Gishu.

«Em todos os setores da economia, abundam oportunidades prontas a ser exploradas», afirmou Lee Kinyanjui, ministro dos Investimentos, Comércio e Indústria, apelando aos investidores para aproveitarem aquilo que classificou como um «cocktail de oportunidades».

Por sua vez, o chefe de Estado destacou as reformas recentes do governo, incluindo a isenção fiscal sobre serviços exportados, o flexibilizar das regras para empresas tecnológicas estrangeiras e a digitalização em curso do balcão único, cuja plena implementação está prevista para o final de 2026.

Aberta até sexta-feira, 27 de março de 2026, a KIICO 2026 acolhe também o Fórum de Investimento do COMESA e a iniciativa Africa Green Industrialization Initiative (AGII), centrada nas energias renováveis, mobilidade elétrica e economia circular.

Os investidores presentes provêm, nomeadamente, dos Estados Unidos, do Reino Unido, dos Emirados Árabes Unidos, da China, da Índia e da Coreia do Sul.

Editado por M.F. Vahid Codjia

 

 

A plataforma digital destina-se a simplificar os procedimentos comerciais da Nigéria. A reforma insere-se numa dinâmica mais ampla de modernização das infraestruturas e de melhoria do desempenho económico do país.

A Nigéria procedeu, na terça-feira, 24 de março, ao lançamento do seu balcão único nacional, denominado «National Single Window», uma reforma estruturante destinada a modernizar as trocas comerciais e a melhorar a eficiência da economia. Sob a coordenação do Ministério das Finanças, esta plataforma digital centraliza os serviços das diferentes agências públicas, de forma a simplificar os procedimentos de importação e exportação.

A iniciativa visa reduzir os prazos, diminuir os custos do comércio e facilitar o acesso aos mercados por parte das empresas. Pretende igualmente reforçar a transparência, a coordenação administrativa e a mobilização das receitas públicas.

Para o ministro das Finanças, Wale Edun, este projeto constitui «um ponto de viragem decisivo, que marca a passagem da complexidade para a coordenação». E acrescentou: «isto facilitará as trocas comerciais, melhorará a competitividade e promoverá o crescimento económico». No entanto, salientou que os efeitos desta digitalização dependerão, em parte, da modernização em curso das infraestruturas portuárias.

Este lançamento ocorre num contexto em que a Nigéria regista uma melhoria significativa do seu desempenho comercial. No quarto trimestre de 2025, o país apresentou um excedente comercial de 1,22 mil milhões de dólares.

Ao mesmo tempo, a atividade portuária está em forte crescimento. Os portos nigerianos movimentaram 129,3 milhões de toneladas de mercadorias em 2025, face a 103,6 milhões em 2024, o que representa um aumento de 24,8%. As importações continuam a dominar o tráfego, com 59,2% dos volumes, enquanto as exportações representam 39%.

Além disso, as reservas externas brutas atingiram 50,45 mil milhões de dólares a 16 de fevereiro de 2026, o nível mais elevado dos últimos treze anos, cobrindo cerca de 9,7 meses de importações de bens e serviços.

Charlène N’dimon

 

 

As ambições económicas para 2026 estão em alta, mas as autoridades togolesas alertam que as tensões geopolíticas globais e a volatilidade dos mercados de matérias-primas representam riscos reais para esta trajetória.

O Togo prevê uma aceleração do seu crescimento económico para 6,5% em 2026, face a 6,2% no ano anterior, anunciou na segunda-feira, 23 de março, o Conselho Nacional do Crédito (CNC), durante a sua primeira sessão ordinária do ano, realizada em Lomé na presença dos principais agentes económicos do país.

A previsão é acompanhada por uma ligeira subida da inflação, estimada em 1,8%, após um nível excecionalmente baixo de 0,4% em 2025, segundo as projeções apresentadas durante este encontro presidido pelo ministro das Finanças e do Orçamento, Essowè Georges Barcola (na foto, ao centro).

O responsável, no entanto, moderou este otimismo, apontando vários riscos: a subida dos preços dos hidrocarbonetos e dos insumos agrícolas, as perturbações nas cadeias logísticas marítimas e aéreas, bem como as tensões de liquidez nos mercados financeiros regionais.

«Antecipámos estes choques em vez de simplesmente os sofrer», declarou, afirmando que «o governo continua determinado a prosseguir as reformas estruturais destinadas a reforçar a resiliência da economia nacional».

Para apoiar esta dinâmica, o CNC definiu várias prioridades setoriais, incluindo o desenvolvimento de produtos financeiros dedicados às energias renováveis e o reforço do financiamento às empresas agroalimentares. Este último eixo constitui uma alavanca fundamental para valorizar a produção local e reduzir a dependência das importações alimentares.

O Conselho sublinhou ainda a necessidade de consolidar o sistema financeiro no seu conjunto, de forma a apoiar plenamente a atividade económica.

 

 

O ranking de 2026 dos melhores aeroportos mundiais confirma a dominação dos hubs asiáticos e europeus. No continente africano, apenas duas plataformas sul-africanas conseguem integrar o Top 100, ilustrando tanto os progressos realizados quanto os desafios persistentes do setor.

A consultoria britânica Skytrax divulgou, na quarta-feira, 18 de março, o seu ranking anual dos 100 melhores aeroportos do mundo, elaborado a partir de uma pesquisa realizada com viajantes internacionais entre 2025 e 2026.

Os hubs asiáticos dominam. O Aeroporto de Singapura-Changi ocupa o primeiro lugar, seguido por Incheon e Tóquio Haneda, enquanto a Europa mantém várias posições no Top 10. Apenas duas infraestruturas africanas estão presentes: o Aeroporto Internacional da Cidade do Cabo (74º) e o Aeroporto Internacional OR Tambo (84º).

Essa baixa presença é explicada principalmente por discrepâncias persistentes em relação à qualidade do serviço, à capacidade de acolhimento e à experiência do passageiro, critérios fundamentais na avaliação da Skytrax.

Restrições estruturais

Os custos operacionais das companhias africanas superam a média global: o combustível é 17% mais caro, as taxas e encargos são 12 a 15% mais elevados, a taxa de navegação aérea é 10% mais alta, enquanto a manutenção, os seguros e o custo do capital aumentam de 6 a 10%.

Esses fatores impactam o preço das passagens, ainda elevado para populações com renda modesta. As companhias também enfrentam desafios macroeconômicos e geopolíticos, infraestrutura aeroportuária de desenvolvimento desigual e uma conectividade intra-africana limitada. A ausência de implementação total da liberalização do céu africano dificulta a integração das redes e impede uma redução significativa nos custos para os passageiros.

De acordo com a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), o setor deverá registrar, em 2026, um crescimento do tráfego de 6%, superior à média global (4,9%). Apesar desse progresso, a rentabilidade permanece baixa: as companhias africanas gerarão apenas 200 milhões de dólares dos 41 bilhões de dólares de lucros globais, com uma margem de 1,3%, a mais baixa do mundo, e um ganho por passageiro consideravelmente inferior à média global. Isso representa um lucro líquido de 1,3 dólares por passageiro, contra 7,9 dólares a nível mundial.

Essa situação ocorre em um contexto onde o transporte aéreo mundial vive uma recuperação gradual, impulsionada pela retomada do tráfego pós-pandemia e pela crescente concorrência entre hubs regionais. No continente, vários países iniciaram programas de modernização e expansão de suas infraestruturas aeroportuárias com o objetivo de melhorar a competitividade e captar uma parcela maior dos fluxos de passageiros.

Essas iniciativas fazem parte de uma dinâmica mais ampla de fortalecimento da conectividade intra-africana, especialmente por meio de projetos de integração do mercado aéreo. Apesar da ausência no Top 100, plataformas como as de Marrakech, Addis-Abeba ou Kigali estão entre as mais bem classificadas a nível regional, refletindo uma melhoria gradual do setor.

Carelle Yourann (estagiária)

Top 10 dos aeroportos africanos em 2026 (ranking regional Skytrax)

  1. Aeroporto Internacional da Cidade do Cabo (África do Sul)
  2. Aeroporto Internacional OR Tambo (África do Sul)
  3. Aeroporto de Marrakech-Ménara (Marrocos)
  4. Aeroporto Internacional King Shaka (África do Sul)
  5. Aeroporto Internacional Mohammed V (Marrocos)
  6. Aeroporto Internacional do Cairo (Egito)
  7. Aeroporto Internacional Sir Seewoosagur Ramgoolam (Maurício)
  8. Aeroporto Internacional de Kigali (Ruanda)
  9. Aeroporto Internacional de Addis-Abeba Bole (Etiópia)
  10. Aeroporto Internacional de Antananarivo (Madagáscar)

 

 

Além do turismo de cruzeiros, a África do Sul procura transformar a sua costa num verdadeiro eldorado para superiates. O reforço deste segmento de luxo visa acelerar a concretização dos objetivos globais do setor nos próximos cinco anos.

Durban posiciona-se no mercado internacional de superiates no âmbito de uma estratégia destinada a dinamizar a economia e o turismo locais. A municipalidade de eThekwini, que integra a cidade sul-africana, planeia desenvolver um polo dedicado a grandes iates de luxo no porto local, com um investimento privado estimado em mais de 1,9 mil milhões de rands (112,3 milhões de USD). A iniciativa foi confirmada na Yachting Aftersale and Refit Experience (YARE), realizada de 11 a 13 de março em Viareggio (Itália), onde a empresa náutica italiana Navigo foi encarregada de mobilizar os fundos e supervisionar o desenvolvimento técnico das instalações.

O projeto consistirá concretamente na criação de um espaço de 24 hectares, já reservado no âmbito do programa naval da Transnet National Ports Authority, destinado a acolher, manter e reparar superiates. Segundo as autoridades locais, este tipo de infraestrutura é essencial para atrair tráfego internacional capaz de gerar impactos económicos positivos para a cidade. Esta iniciativa insere-se também numa política mais ampla de apoio à indústria turística nacional.

A “nação arco-íris”, que recebeu 10,48 milhões de turistas internacionais em 2025 (+17,6 % face a 2024), ambiciona duplicar este número até 2030. Para tal, as autoridades apostam no desenvolvimento do transporte aéreo, com a expansão dos aeroportos de Joanesburgo e Cidade do Cabo, bem como na construção de um novo complexo aeroportuário na Cidade do Cabo.

De acordo com o World Travel and Tourism Council (WTTC), o setor turístico sul-africano deverá crescer, em média, 7,6 % ao ano até 2032, representando 7,4 % do PIB. Os superiates, com a sua clientela de alto poder de compra, poderão assim tornar-se um vetor adicional de crescimento para o turismo de luxo e serviços associados, reforçando a competitividade da África do Sul no mercado internacional.

No entanto, o projeto poderá enfrentar alguns obstáculos. Para além dos elevados investimentos necessários, a instalação de infraestruturas adaptadas a superiates exige uma expertise técnica específica. A concorrência de outros portos africanos já estabelecidos neste segmento, como no Egito e no Marrocos, poderá dificultar a atração de clientes internacionais. Além disso, o sucesso do plano dependerá da coordenação entre autoridades portuárias, investidores privados e agentes turísticos, bem como da capacidade de manter elevados padrões de serviço para conquistar uma clientela exigente.

A KQ, que já tinha sido recapitalizada várias vezes pelo Estado, registou o seu primeiro lucro em 2024 após 11 anos consecutivos de prejuízos, nomeadamente graças à valorização da moeda nacional face às divisas fortes. Os desempenhos negativos em 2025 explicam-se principalmente pela imobilização temporária de três dos seus aviões.

A Kenya Airways (KQ) anunciou na terça-feira, 24 de março, um prejuízo líquido de 17,12 mil milhões de xelins (cerca de 132,1 milhões de USD) em 2025, após um resultado líquido positivo de 5,4 mil milhões de xelins em 2024. Este desempenho financeiro negativo ao longo do ano passado reflete uma queda de 14% no seu volume de negócios total, que se fixou nos 161,47 mil milhões de xelins.

A diminuição deve-se sobretudo a uma redução de 18% na capacidade operacional. A companhia enfrentou a imobilização temporária de três dos seus grandes aviões Boeing 787-8 Dreamliner, devido à indisponibilidade de motores e a atrasos no fornecimento de peças de reposição essenciais, ligados a perturbações na cadeia logística global.

«Embora os nossos resultados financeiros reflitam um ano difícil, é importante reconhecer que esta situação se deve principalmente a perturbações na cadeia de abastecimento mundial e não a uma falta de procura», explicou o presidente do Conselho de Administração da companhia nacional, Kiprono Kittony, afirmando que a procura de viagens permanece elevada.

Por seu lado, o diretor-geral interino da Kenya Airways, George Kamal, salientou que as dificuldades da empresa, que possui uma frota de cerca de 40 aeronaves, estavam relacionadas com «um contexto global mais amplo, marcado por atrasos na entrega de aviões, escassez de motores e estrangulamentos logísticos».

Em 2024, a Kenya Airways tinha voltado à rentabilidade pela primeira vez em onze anos. Este desempenho foi impulsionado principalmente por ganhos cambiais, dado que o xelim queniano se valorizou mais de 20% face ao dólar nesse ano. Um aumento de 10% na capacidade também permitiu um crescimento de 4% no tráfego, com um total de 5,23 milhões de passageiros transportados ao longo do ano.

Em fevereiro passado, vários meios de comunicação quenianos noticiaram que o Tesouro público estava a preparar um convite internacional à manifestação de interesse, visando atrair um investidor capaz de injetar entre 1,2 e 2 mil milhões de USD na companhia nacional, que já tinha sido recapitalizada várias vezes pelo Estado. Esta procura de um parceiro estratégico surge no momento em que o Estado pretende reduzir a sua exposição a empresas públicas deficitárias, para aliviar as pressões sobre as finanças públicas.

Walid Kéfi

Um relatório do BCG estima entre 140 e 150 mil milhões de dólares o potencial de exportação do setor criativo africano até 2030, impulsionado em mais de 60% por mulheres. No entanto, o financiamento continua praticamente inexistente.

Existe uma ironia persistente na narrativa económica africana. O continente, que alberga mais de 30% das reservas minerais mundiais, há muito que exporta as suas riquezas brutas para vê-las transformadas, valorizadas ou até renomeadas noutros lugares, antes de as recomprar a preços elevados. Ora, surge agora um tipo de recurso não extrativo, não externalizável e impossível de esgotar, que começa a remodelar esta equação. Trata-se da criatividade, e ela tem predominantemente rosto feminino.

Esta é a tese central de um relatório publicado em fevereiro de 2026 pelo Boston Consulting Group, intitulado «Africa Unleashed: Empowering Women in Creative Industries». O documento, assinado por Lisa Ivers e Zineb Sqalli, apresenta um retrato impressionante de um setor ao mesmo tempo dinâmico e estruturalmente negligenciado. A economia criativa africana, que engloba, entre outros, moda, música, cinema, design e conteúdos digitais, representa atualmente cerca de 59 mil milhões de dólares.

Isto representa menos de 3% de um mercado global avaliado em quase 2 000 mil milhões de dólares. A diferença é vertiginosa, mas constitui também, segundo o BCG, uma oportunidade.

A demografia como motor

Três motores sustentam esta perspetiva. O primeiro é demográfico: a África alberga cerca de 890 milhões de pessoas com menos de 25 anos, correspondendo a quase 60% da sua população total. Esta juventude constitui não só um reservatório de mão de obra, mas também uma base de consumidores culturais ávidos, e uma geração de criadores nativamente digitais.

O segundo motor é digital: entre 300 e 400 milhões de africanos interagem ativamente nas redes sociais, com a rápida disseminação dos smartphones e a melhoria da conectividade. Plataformas de entretenimento como TikTok, YouTube e Spotify tornaram-se circuitos de exportação cultural a baixo custo.

O terceiro motor é patrimonial: as tradições e códigos africanos em design, estética e narrativa constituem um capital de propriedade intelectual cultural ainda largamente submonetizado nos mercados externos, mas amplificado por uma diáspora de mais de 200 milhões de pessoas que aumenta a sua projeção comercial.

Segundo o BCG, se a África conseguisse duplicar a sua quota no mercado criativo mundial até 2030 — passando de 3% para 6% —, as suas exportações criativas poderiam atingir entre 140 e 150 mil milhões de dólares. Um cenário que pressupõe que as condições de investimento consigam acompanhar, pelo menos parcialmente, o potencial identificado.

Moda, setor-chave de 31 mil milhões de dólares, impulsionado por mulheres

No coração deste sistema está o género feminino. No setor da moda e design, avaliado em 31 mil milhões de dólares, as mulheres representam mais de 60% da força de trabalho a nível continental. No Quénia e em Madagascar, esta proporção ultrapassa os 80%.

Desde a produção têxtil até à direção criativa, passando pelo comércio transfronteiriço, elas estão presentes em todos os elos da cadeia de valor. Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), com apoio adequado, a indústria da moda africana poderia contribuir até 50 mil milhões de dólares para o PIB continental e criar 400 000 empregos na África subsariana.

No entanto, os números de investimento contam uma história radicalmente diferente. Em 2024, as indústrias criativas africanas captaram menos de 1% do financiamento de capital de risco no continente, correspondendo a apenas 1,5 milhões de dólares em transações divulgadas. Ao mesmo tempo, a fintech mobilizava 1,35 mil milhões de dólares. Mais de 90% das empresas de moda operam com capital inferior a 1000 dólares. As mulheres, em particular, recebem menos de 10% do financiamento disponível, um valor que muitas vezes cai abaixo de 1% na Nigéria.

Para além do capital…

O BCG toma cuidado em não reduzir a solução apenas ao acesso ao financiamento. Estudos de caso na Etiópia, onde o parque industrial de Hawassa criou mais de 24 000 empregos, 80% ocupados por mulheres, e no Ruanda, cuja política de restrição à importação de roupas usadas fez passar o número de empresas têxteis de menos de 10 para cerca de 70 em seis anos, mostram que uma intervenção pública direcionada pode produzir efeitos mensuráveis.

Nos dois casos, a variável determinante não foi o mercado, mas sim a vontade política. Segundo o gabinete, o que precisa ser construído é um ecossistema viável: capital adaptado às realidades informais e sazonais, hubs de produção descentralizados, acesso a mercados formais, proteção jurídica da propriedade intelectual e formação digital podem constituir os seus pilares.

Fiacre E. Kakpo

Estratégicos para aplicações industriais, nomeadamente ligas, o zinco e o chumbo estão no centro do projeto Tala Hamza, uma das obras mineiras de referência em desenvolvimento na Argélia. A sua concretização deverá apoiar a diversificação de uma economia ainda dominada pelos hidrocarbonetos.

A mineradora australiana Terramin anunciou, na terça-feira, 24 de março, o início dos trabalhos preparatórios da sua futura mina de zinco e chumbo Tala Hamza, na Argélia. Este avanço ocorre após a resolução, pelo Estado, de restrições de acesso ao local, que retardavam o bom andamento das operações nos últimos meses.

30 milhões USD para superar barreiras fundiárias

Numa análise de viabilidade definitiva (DFS) publicada em 2018, a Terramin apresentava a sua ambição de desenvolver em Tala Hamza uma exploração significativa de zinco e chumbo, capaz de figurar entre as dez maiores minas de zinco do mundo. Vários anos depois, a fase de construção do projeto ainda não tinha começado. Em relatórios anteriores, a empresa mencionava até mesmo uma «suspensão das primeiras atividades de construção», condicionada à segurança do acesso ao local.

Esta etapa foi agora ultrapassada, com a finalização do realojamento das comunidades vizinhas, graças à intervenção das agências governamentais argelinas. Segundo a Terramin, estas agências despenderam cerca de 30 milhões USD para adquirir o terreno destinado às operações mineiras, reservado «para uso exclusivo do projeto». Com este obstáculo removido, a empresa iniciou os trabalhos de pré-desenvolvimento, incluindo a limpeza do local e a preparação das áreas de exploração.

«O início dos trabalhos de preparação do sítio de Tala Hamza constitui uma etapa importante. A resolução dos problemas de acesso ao terreno, que atrasaram os progressos nos últimos trimestres, permite-nos agora prosseguir com as atividades. Com o acesso ao local assegurado, podemos concentrar-nos na execução e avançar com o projeto rumo à sua implementação», declarou Bruce Sheng, presidente executivo da Terramin.

Este envolvimento do poder público não é, porém, indiferente, pois Tala Hamza é maioritariamente controlado pelo Estado através de instituições públicas (51%), contra 49% da Terramin. O lançamento da fase operacional tinha sido anunciado, aliás, na semana passada pelo Primeiro-Ministro argelino, Sifi Ghrieb, durante uma visita ao local. O objetivo declarado é transformar esta futura mina num motor para o desenvolvimento da indústria mineira, que representa apenas cerca de 1% do PIB, e apoiar a diversificação gradual de uma economia largamente dominada pelos hidrocarbonetos.

Outras etapas ainda por percorrer

Apesar dos progressos recentes, a Terramin e as autoridades argelinas ainda têm de colaborar para superar várias outras etapas cruciais. A mobilização de financiamento continua a ser prioritária. Segundo os últimos relatórios, serão necessários cerca de 471 milhões USD para construir uma mina capaz de produzir, a longo prazo, cerca de 170 000 toneladas de zinco e 30 000 toneladas de chumbo por ano, com uma vida útil estimada de 20 anos.

Para já, poucos detalhes foram revelados sobre as modalidades de financiamento. A Terramin pretende, no entanto, continuar a planificação do desenvolvimento e manter o diálogo com as autoridades governamentais. O calendário preciso de implementação ainda não foi confirmado, sendo contudo esperado que o início oficial da construção ocorra em 2026.

Para além de Tala Hamza, a Argélia continua a desenvolver outros projetos mineiros de grande escala. A mina de ferro Gara Djebilet entrou em fase de exploração mais cedo este ano, enquanto o projeto de fosfato Bled El Hadba avança na cidade de Tébessa.

Aurel Sèdjro Houenou

Através desta parceria, os dois países reforçam a sua cooperação económica e social bilateral. Os projetos previstos visam a educação, a segurança e as tecnologias.

A Tanzânia e a Áustria acordaram implementar projetos estratégicos no valor de 30 milhões de euros (34,8 milhões de dólares), com o objetivo de reforçar a sua cooperação em matéria de desenvolvimento.

O anúncio foi feito pelo vice-ministro das Finanças da Tanzânia, Mshamu Munde, na segunda-feira, 23 de março, após uma reunião com uma delegação austríaca liderada pela vice-ministra dos Assuntos Europeus e Internacionais, Hannah Liko.

Os projetos distribuem-se principalmente pelos setores da educação, da segurança e da tecnologia. O ministro explicou que a Áustria financia projetos-chave através de empréstimos em condições favoráveis, que contribuem diretamente para melhorar o bem-estar dos cidadãos, nomeadamente a renovação e instalação de sistemas modernos no Instituto de Ciência e Tecnologia de Karume (KIST), bem como o reforço do sistema educativo em Zanzibar.

Durante os encontros, ambas as partes abordaram a implementação da Estratégia Austríaca para África (2026–2029), que prevê o reforço da paz e da segurança, a promoção de uma economia verde, uma melhor gestão das migrações irregulares, ao mesmo tempo que desenvolve sistemas de migração legal e eficaz, e o incentivo aos avanços nos domínios da ciência e da educação.

A Tanzânia convidou igualmente a Áustria a aumentar os seus investimentos no âmbito da Visão 2050, que pretende transformar a Tanzânia numa economia industrial de elevado rendimento, com um PIB estimado em cerca de 1000 mil milhões de dólares americanos. A agricultura, o turismo, a indústria, a exploração mineira e a economia azul são identificados como motores essenciais desta transformação económica.

Um crescimento que atrai investidores

Nos últimos anos, a Tanzânia conseguiu manter a estabilidade macroeconómica apesar de choques externos severos. A sua economia manteve-se robusta, com um crescimento estimado em 6% em 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), finanças públicas bem controladas e uma inflação moderada, inferior à meta de 5% estabelecida pelo Banco da Tanzânia.

De acordo com o Banco Mundial, graças aos seus vastos recursos naturais e a uma dinâmica demográfica favorável, o país conseguiu sustentar um elevado nível de investimento, um motor essencial do seu crescimento. Beneficiou também de uma melhoria significativa do seu ambiente de negócios, o que impulsionou a entrada de investimentos, em particular de investimento direto estrangeiro (IDE) no desenvolvimento das capacidades de produção.

A Tanzânia e a Áustria mantêm uma parceria sólida e em plena expansão, centrada na diplomacia económica.

Lydie Mobio

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