Angola e a República Democrática do Congo (RDC) acordaram em reforçar a cooperação energética, com o objetivo de transformar os seus vastos recursos naturais, nomeadamente energéticos, em um motor comum de desenvolvimento económico e integração regional.
Os dois países decidiram construir a maior linha elétrica de África, com 1.450 km de extensão. O ministro congolês dos Recursos Hídricos e Energéticos, Aimé Sakombi Molendo, mandatado pelo Presidente Félix Tshisekedi, reuniu-se a 14 de maio em Luanda com o seu homólogo angolano João Lourenço. O diretor-geral da Sociedade Nacional de Eletricidade (SNEL), Teddy Lwamba, fez parte da delegação.
No final da audiência, Sakombi Molendo anunciou a construção de duas linhas de transporte de energia. A primeira ligará a província angolana de Malanje a Fungurume, uma zona mineira estratégica do sudeste congolês. A segunda conectará Soyo, na província angolana do Zaire, ao complexo hidroelétrico de Inga, na RDC, para transmitir 2.000 megawatts (MW), segundo a Agência Angola Press (ANGOP).
Após a apresentação do relatório ao Presidente Tshisekedi, os estudos técnicos serão acelerados. Ambos os países esperam concluir a linha Soyo-Inga em 18 meses e lançar a ligação Malanje-Fungurume no mesmo período.
“Devemos transformar os nossos recursos hídricos numa base de desenvolvimento sustentável para os nossos dois povos, estabelecendo pontes entre os nossos países e não barreiras”, declarou o ministro Sakombi Molendo, citado a 15 de maio pelo Mediacongo. O custo do projeto é estimado em várias centenas de milhões de dólares, sem que tenha sido divulgado um valor definitivo.
Défice elétrico estrutural que sufoca a RDC
A RDC tem capacidade para produzir até 100.000 MW de eletricidade, dos quais 40.000 MW apenas no complexo de Inga, segundo análise publicada pela Finances & Entreprises em julho de 2025. No entanto, a SNEL fornece atualmente apenas 2.100 MW, numa capacidade instalada de 2.800 MW. O défice das operadoras mineiras ultrapassa os 1.500 MW, de acordo com dados do Ministério das Minas congolês.
Consequentemente, alguns industriais veem-se obrigados a importar eletricidade do Congo, da Zâmbia ou da Tanzânia para manter a produção. O projeto reveste-se também de grande importância para Luanda, que dispõe de um excedente exportável estimado em 4.000 MW, podendo gerar até 750 milhões de dólares anuais através da exportação de eletricidade.
Abdel-Latif Boureima
Principal produtor de petróleo em África, o Nigéria reivindica também um subsolo rico em mais de 40 substâncias minerais. Um inventário que inclui, nomeadamente, ouro, minério de ferro e terras raras, que as autoridades pretendem transformar num pilar da diversificação económica.
Nigéria: fluxos financeiros ilícitos continuam a travar o desenvolvimento da indústria mineira, segundo um relatório publicado na quinta-feira, 14 de maio, pela Nigeria Extractive Industries Transparency Initiative (NEITI). Ao expor as causas sistémicas que alimentam estas práticas, o diagnóstico volta a sublinhar a necessidade de reforçar os mecanismos de controlo num setor cujo potencial é estimado em 700 mil milhões de dólares e chamado a desempenhar um papel-chave na diversificação económica do país.
Fraude fiscal, contrabando e fuga de receitas…
Intitulado “Stemming the Scourge of Illicit Financial Flows in Nigeria’s Mining Sector”, o relatório destaca a forma como a mineração ilegal e informal alimenta os fluxos financeiros ilícitos no Nigéria. A NEITI indica que mais de 70% das atividades mineiras do país são dominadas por operadores artesanais e de pequena escala, muitos dos quais operam fora de qualquer enquadramento regulamentar, sem licenças nem mecanismos de rastreabilidade.
Nesta situação, os minerais provenientes de locais ilegais são frequentemente misturados com produção legal antes de entrarem nos circuitos oficiais de exportação, dificultando a verificação e facilitando o contrabando, a perda de receitas fiscais e o branqueamento de capitais.
O relatório também chama a atenção para a opacidade na atribuição de licenças mineiras, muitas vezes detidas por empresas de fachada ou estruturas corporativas complexas que ocultam os verdadeiros beneficiários. Isto abre espaço à participação de atores criminosos, interesses estrangeiros não declarados ou pessoas politicamente expostas.
Em 2023, o setor mineiro contribuiu apenas com 401 mil milhões de nairas (292 milhões de dólares) para as receitas públicas, representando 0,72% do PIB.
Um fenómeno regional com forte impacto económico
Segundo a NEITI, estes desafios não são exclusivos do Nigéria. Em vários países africanos, os fluxos financeiros ilícitos ligados ao setor mineiro continuam a privar os Estados de receitas importantes. No Burkina Faso, por exemplo, estima-se que estes fluxos tenham atingido 4,93 mil milhões de dólares entre 2012 e 2021, sobretudo ligados ao ouro e ao zinco.
O subsolo nigeriano contém mais de 40 substâncias minerais, incluindo ouro, minério de ferro e terras raras. Este inventário sustenta a estratégia de diversificação económica do país, que procura reduzir a dependência do petróleo.
Abuja pretende elevar a contribuição do setor mineiro para 10% do PIB já este ano.
Da necessidade de ação…
A NEITI recomenda maior coordenação entre agências, reforço da transparência sobre beneficiários efetivos e formalização da mineração artesanal e de pequena escala (ASM). Estes mecanismos já foram aplicados com algum sucesso em países como o Gana e o Burkina Faso, que conseguiram melhorar a rastreabilidade e aumentar a produção formal.
Aurel Sèdjro Houenou
Principal produtor de estanho e tungsténio no Ruanda, a Trinity Metals tem como alvo o mercado norte-americano como destino privilegiado da sua produção. O objetivo é posicionar-se como uma fonte alternativa à oferta chinesa, da qual os países ocidentais procuram reduzir a dependência.
No Ruanda, a empresa mineira Trinity Metals prevê investir 150 milhões de dólares nos próximos três anos para otimizar as suas minas de estanho, tungsténio e tântalo. Neste contexto, uma entrada em bolsa nos Estados Unidos está a ser considerada num horizonte de 12 a 18 meses, segundo o seu CEO Peter Geleta, citado pela Reuters na sexta-feira, 15 de maio.
Questionado à margem do Africa CEO Forum, realizado em Kigali, o responsável indicou que estes investimentos deverão reforçar as capacidades de processamento das diferentes operações do grupo. Isto inclui a mina de tungsténio de Nyakabingo, onde está prevista a entrada em funcionamento de uma unidade avaliada em 50 milhões de dólares até ao final de 2027.
A Trinity explora também estanho nos locais de Rutongo e Musha, bem como tântalo neste último. Esta configuração faz da empresa um produtor de minerais designados “3T” (estanho, tungsténio e tântalo), matérias-primas críticas utilizadas na eletrónica, defesa e aeroespacial.
Não estando ainda cotada, a eventual entrada em bolsa visa atrair investidores interessados nas suas atividades. A New York Stock Exchange é identificada como a praça preferencial para esta operação, que poderá permitir angariar entre 100 e 200 milhões de dólares.
“Tomámos a decisão de entrar em bolsa […] A nossa preferência vai para Nova Iorque devido à liquidez e à procura por minerais críticos”, afirmou Geleta.
Uma estratégia americana já consolidada
Este interesse pelo mercado norte-americano insere-se numa dinâmica já em curso. A Trinity Metals beneficia do apoio dos Estados Unidos, tendo recebido em 2024 uma subvenção de 3,86 milhões de dólares da U.S. International Development Finance Corporation (DFC). Este alinhamento reflete-se também na criação de cadeias de abastecimento entre os Estados Unidos e o Ruanda, através de parcerias com empresas norte-americanas como Nathan Trotter e Global Tungsten and Powders (GTP).
Num contexto mais amplo, esta dinâmica insere-se na estratégia das autoridades norte-americanas para garantir novas fontes de abastecimento e reduzir a dependência da China, que continua a ser o principal produtor mundial de tungsténio e estanho, segundo o United States Geological Survey (USGS).
“Toda a nossa produção destina-se aos Estados Unidos, à Europa e à Tailândia […] não fornecemos a China”, afirmou o responsável.
Resta acompanhar a concretização dos processos de cotação da Trinity Metals e o impacto que esta evolução terá no financiamento das suas operações no Ruanda. Esta estratégia insere-se numa tendência mais ampla, marcada pela orientação de empresas de minerais críticos para os mercados financeiros norte-americanos, de forma a apoiar projetos em África. Esta tendência reflete-se também nas recentes listagens da Altona Rare Earths e da Harena Rare Earths, ativas em projetos de terras raras em Monte Muambe (Moçambique) e Ampasindava (Madagáscar), respetivamente.
Aurel Sèdjro Houenou
Em julho de 2025, a Shell assinou com a National Oil Corporation (NOC) um memorando para avaliar o potencial de desenvolvimento de vários campos petrolíferos na Líbia, situados em terra. Um acordo alinhado com a estratégia da Líbia de aumentar a produção a curto prazo.
A Shell deverá entregar, antes do final de maio, o seu relatório de avaliação de vários campos petrolíferos e de gás à NOC. A informação foi divulgada na sexta-feira, 15 de maio, pelo Libya Herald, que cita Masoud Suleiman, presidente da companhia pública.
O prazo foi confirmado pelo grupo durante uma reunião em Londres com as equipas técnicas da NOC. A multinacional apresentou aí o estado de avanço do seu estudo sobre vários campos onshore detidos pela NOC, incluindo o campo Al-Atshan, situado no sul do país, perto da fronteira com a Argélia.
Esta apresentação, cujo conteúdo não foi tornado público, insere-se no acompanhamento do memorando de entendimento assinado entre a Shell e a NOC em julho de 2025. O documento está centrado na avaliação do potencial de desenvolvimento destes campos e nas oportunidades de produção que oferecem, segundo o comunicado oficial da NOC publicado na altura da assinatura.
Um regresso massivo das grandes petrolíferas internacionais
A iniciativa da Shell insere-se num movimento de regresso acelerado das grandes companhias petrolíferas internacionais à Líbia, iniciado em 2025. Como noticiado pela Reuters, também em julho de 2025, a britânica BP assinou um memorando com a NOC para avaliar o potencial de desenvolvimento dos campos Sarir e Messla, na bacia de Sirte, entre os maiores jazigos produtores do país.
Em agosto do mesmo ano, foi a vez da ExxonMobil concluir um acordo para estudos técnicos detalhados de quatro blocos offshore junto da costa noroeste e da bacia de Sirte, marcando o regresso da empresa à Líbia após mais de uma década de ausência.
Mais recentemente, em abril de 2026, a NOC assinou um memorando com a Chevron para avaliar o potencial de hidrocarbonetos não convencionais nas bacias de Sirte, Murzuq e Ghadamès.
Em março de 2025, a Líbia lançou o seu primeiro concurso de exploração em quase duas décadas, abrangendo 22 blocos onshore e offshore. Mais de 37 empresas foram pré-qualificadas, incluindo Shell, BP, ExxonMobil, TotalEnergies, Eni e QatarEnergy, segundo a Risk Advisory. A NOC pretende aumentar a produção nacional de 1,4 milhões de barris por dia para 2 milhões até 2028.
Abdel-Latif Boureima
Após vários anos de crise energética, a África do Sul acaba de atingir um novo marco na estabilização do seu sistema elétrico. Um desempenho atribuído ao sucesso do plano de recuperação lançado em 2023.
No sábado, 16 de maio, a empresa pública Eskom anunciou ter ultrapassado os 365 dias consecutivos sem qualquer episódio de cortes de energia, um feito inédito desde setembro de 2018. No comunicado, a empresa afirma também ter assegurado a totalidade da procura nacional de eletricidade durante este período. Este marco simbólico confirma os sinais de melhoria de uma rede sul-africana durante muito tempo marcada por uma crise energética persistente.
As chaves da recuperação
Segundo a Eskom, esta melhoria insere-se no âmbito do “Generation Recovery Plan”, lançado em abril de 2023 para restaurar a fiabilidade do parque de produção. A empresa indica que o fator de disponibilidade energética (EAF) do sistema, ou seja, a sua capacidade de produzir energia ao máximo do seu potencial, passou de 54,56% para 65,16% desde o início do programa. As perdas não planeadas recuaram de 32,34% para 22,88%.
O grupo público afirma ainda ter reduzido fortemente o recurso a turbinas diesel de emergência. As despesas associadas passaram de cerca de 33,3 mil milhões de rands para 6,4 mil milhões de rands, ou seja, uma poupança estimada em 26,9 mil milhões de rands (cerca de 1,6 mil milhões de dólares) em três anos.
“Este momento é o culminar de três anos de trabalho desde o lançamento do plano de recuperação do setor elétrico. Os colaboradores da Eskom voltaram a demonstrar a sua competência ao colocarem em prática as suas sólidas capacidades técnicas e institucionais, adquiridas ao longo de décadas de investimentos públicos que continuam a ser um elemento essencial da nossa capacidade nacional, a qual passará agora a concentrar-se cada vez mais no fornecimento de fontes de energia mais limpas”, afirmou Mteto Nyati, presidente do conselho de administração da Eskom.
O custo dos cortes de energia e a promessa das renováveis
Esta melhoria ocorre após vários anos de cortes de energia que afetaram fortemente a economia sul-africana. Numa análise publicada em outubro de 2025, a FTI Consulting indicou que os apagões prejudicaram a produtividade, o investimento e o emprego no país. Segundo estimativas compiladas pelo gabinete, estes terão reduzido o crescimento do PIB real sul-africano entre 0,2 e 4,2 pontos percentuais em 2022.
Além disso, a recuperação atual ocorre num contexto de evolução gradual do mix elétrico. Segundo o Statistics South Africa, as energias renováveis (solar, eólica e hidroelétrica) representavam 9% da produção local de eletricidade em 2024, contra 2% em 2016, enquanto a quota do carvão passou de 90% para 83% no mesmo período.
Abdoullah Diop
Na Namíbia, o setor mineiro continua a ser um dos principais pilares da economia, representando 14,4 % do PIB em 2023. Esta contribuição baseia-se ainda em grande medida nas fileiras do diamante, do urânio e do ouro, enquanto outros segmentos, como o cobre, evoluem de forma intermitente.
A sociedade de consultoria de investimento Appian Capital Advisory anunciou, na quinta-feira, 14 de maio, a sua intenção de investir 400 milhões de dólares (USD) no desenvolvimento de uma nova mina de cobre no projeto Omitiomire, na Namíbia. Esta iniciativa junta-se a outros projetos de investimento já em curso para revitalizar uma indústria do cobre namibiana em declínio nos últimos anos.
Em detalhe, a Appian Capital Advisory apresenta Omitiomire como um ativo que contém cerca de 520 000 toneladas de cobre explorável, tendo recentemente adquirido 95 % do capital. Ultrapassada esta etapa, a empresa pretende agora avançar com os trabalhos necessários para o início da produção. O investimento anunciado deverá assim apoiar um «plano de desenvolvimento claramente definido» destinado a criar uma mina capaz de produzir cerca de 30 000 toneladas de cobre por ano, durante uma vida útil estimada de 15 anos.
Embora a Appian refira a existência de um estudo de viabilidade que valida o potencial do projeto, não detalhou os principais parâmetros do mesmo, nem as modalidades de mobilização do financiamento anunciado. Também não foi apresentado qualquer calendário para o início das obras ou para a entrada em funcionamento da mina. A empresa indica, no entanto, já ter iniciado conversações com potenciais parceiros para futuros acordos de escoamento da produção, destacando ainda um potencial de crescimento dos recursos através de várias zonas de exploração situadas nas proximidades do jazigo atual.
Um novo impulso para a produção nacional
O projeto da Appian posiciona-se entre os potenciais motores de crescimento da produção de cobre da Namíbia nos próximos anos. A Koryx Copper também lidera o projeto Haib, onde está prevista uma capacidade anual de 88 000 toneladas de cobre ao longo de 23 anos, enquanto a Bezant Resources (Hope & Gorob) e outras empresas juniores como a Kaoko Metals e a Midas Minerals investem em projetos em fases menos avançadas.
De um parque produtivo composto por várias minas nos anos 2000, a Namíbia viu a sua indústria do cobre entrar em declínio com o encerramento da maioria dos seus ativos, nomeadamente as minas de Matchless e Otjihase em 2015. Embora a entrada em funcionamento da mina Tschudi tenha marcado uma nova fase de atividade, esta foi colocada em suspensão em 2020 e retomada pela Consolidated Copper, que a opera desde 2024.
Atualmente, este é o único ativo industrial de cobre ainda em produção no país, embora os níveis de produção não sejam divulgados publicamente. A mina Kombat, cujas operações estão atualmente suspensas, deverá retomar a atividade até ao final do ano, segundo os planos do seu novo proprietário, a Horizon Corporation.
Um contexto de mercado favorável
Embora os volumes previstos para estes projetos sejam relativamente modestos quando comparados com os grandes complexos mineiros da República Democrática do Congo e da Zâmbia, principais produtores africanos de cobre, eles surgem num contexto marcado pela necessidade de novas capacidades de oferta para responder às tensões esperadas no mercado global. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o défice de abastecimento poderá atingir 30 % até 2035, uma vez que as minas existentes não serão suficientes para responder ao crescimento da procura.
Esta tendência está a ser aproveitada pelos promotores dos projetos, reposicionando a Namíbia no cenário mundial. «A procura de cobre deverá crescer de forma contínua até 2035, impulsionada pela eletrificação global e pelas infraestruturas de transição energética. Num contexto de escassez de oferta, Omitiomire representa uma oportunidade rara a curto prazo para colocar no mercado uma produção significativa», indica a Appian Capital Advisory na sua nota.
No entanto, várias etapas ainda terão de ser ultrapassadas antes de estes projetos poderem ser plenamente concretizados. A Appian terá de fornecer mais detalhes sobre o desenvolvimento de Omitiomire, enquanto a Koryx Copper continua a otimizar os parâmetros económicos e técnicos do projeto Haib. Está prevista uma pré-estudo de viabilidade (PFS) para o quarto trimestre de 2026. Mesmo após essa fase, serão ainda necessários trabalhos adicionais para confirmar a viabilidade económica da exploração comercial.
Aurel Sèdjro Houenou
Impulsionados pelos sucessivos rallies de alta no preço do ouro, as empresas mineiras estão a acelerar cada vez mais os seus investimentos no desenvolvimento de projetos auríferos. A Galiano Gold está a impulsionar esta dinâmica no Gana, através das suas despesas de exploração previstas para 2026.
A empresa mineira canadiana Galiano Gold prevê investir mais 7,5 milhões de dólares norte-americanos em 2026 nos trabalhos de exploração em curso na sua mina de ouro Asanko, no Gana. Este montante, anunciado na quarta-feira, 13 de maio, junta-se a um orçamento inicial já fortemente aumentado, refletindo a vontade do grupo de acelerar os investimentos necessários para sustentar a nova fase de crescimento deste ativo.
No final de janeiro, a Galiano Gold já tinha anunciado a intenção de gastar 17 milhões de dólares canadianos (12,3 milhões de dólares) em novas campanhas de perfuração nos depósitos de Esaase e Abore, duas componentes principais da mina Asanko no Gana. Se a dinâmica ligada a Abore se manteve globalmente, os fundos adicionais previstos resultam sobretudo de ajustamentos em Esaase, onde um programa inicial de 9 000 metros tinha sido planeado. A continuação destes trabalhos estava então condicionada à obtenção de resultados considerados satisfatórios.
Foi essa condição que a Galiano afirma ter agora cumprido, abrindo caminho a um programa de perfuração ampliado para um total de 33 000 metros, previsto para decorrer ao longo do restante exercício em curso. O objetivo declarado é reforçar a confiança no potencial do depósito, convertendo mais recursos da categoria “inferida” em recursos “indicados” e, posteriormente, em reservas exploráveis. Em conjunto com os trabalhos em Abore, onde se pretende uma primeira estimativa de reservas subterrâneas, estas iniciativas visam alimentar um plano atualizado da mina até 2027.
Na prática, o objetivo é otimizar o perfil de exploração do site, com níveis de produção que poderão ultrapassar as 200 000 onças de ouro nos próximos anos. Para comparação, Asanko produziu 121 191 onças em 2025, enquanto as previsões atuais apontam para um intervalo entre 140 000 e 160 000 onças este ano. Resta saber em que medida os investimentos anunciados se traduzirão efetivamente em ganhos operacionais no complexo.
A implementação bem-sucedida deste plano será determinante para a Galiano Gold, num contexto marcado por uma forte valorização do ouro ao longo do último ano. Enquanto a onça é atualmente negociada em torno dos 4 650 dólares, instituições como o UBS e o JP Morgan antecipam ainda um potencial de subida até 6 000 dólares até ao final do ano. Estas dinâmicas são também favoráveis para o Gana, cujo ouro continua a ser o principal produto de exportação e um pilar da estratégia de crescimento.
Aurel Sèdjro Houenou
Com a recuperação dos preços do urânio e uma procura em crescimento, o projeto Dasa da Global Atomic pode ajudar o Níger a recuperar terreno após uma década de queda da produção. No entanto, para a empresa canadiana, os desafios para colocar a mina em operação continuam significativos.
No Níger, a Global Atomic anunciou na quarta-feira, 13 de maio, que a sua futura mina de urânio Dasa deverá entregar os primeiros carregamentos de concentrado (yellowcake) no primeiro semestre de 2028. Embora esta nova mina seja esperada num contexto de aumento da procura e dos preços do urânio, a empresa canadiana terá de enfrentar outros desafios para cumprir um calendário de produção já várias vezes revisto desde 2023.
Localizado na região de Agadez, o jazigo de Dasa é operado pela SOMIDA, uma empresa de direito nigerino detida em 80% pela Global Atomic e em 20% pelo Estado do Níger. Autorizado em 2020 e em desenvolvimento ativo desde novembro de 2022, o projeto poderá produzir 68,1 milhões de libras ao longo de cerca de 24 anos, segundo um estudo de viabilidade publicado em 2024.
Mercado favorável e posição estratégica
O projeto beneficia de um ambiente de preços estruturalmente favorável. Segundo dados divulgados pela Cameco, o preço à vista do urânio situava-se em 86,35 dólares por libra em abril de 2026, contra cerca de 51 dólares no final do primeiro semestre de 2023. Os preços a longo prazo chegaram mesmo a cerca de 90 dólares por libra no primeiro trimestre de 2026, impulsionados por perspetivas de procura global claramente em alta.
Ignorado ao longo da última década, na sequência do desastre de Fukushima no Japão em 2011, a energia nuclear civil voltou a ganhar relevância. Desde a COP28 realizada no Dubai em 2023, cerca de trinta países comprometeram-se a triplicar a capacidade nuclear instalada no mundo até 2050, elevando-a para 1 200 gigawatts. Segundo a World Nuclear Association (WNA), isso poderá aumentar as necessidades anuais de urânio para 250 000 toneladas, contra cerca de 60 000 toneladas atualmente produzidas no mundo.
No Níger, o projeto Dasa afirma-se como um pilar essencial neste contexto. O país, outrora o 8.º maior produtor mundial de urânio, viu a sua produção cair para 962 toneladas em 2024, segundo a WNA, contra mais de 4 100 toneladas em 2015. O encerramento da Cominak em 2021 e, posteriormente, a nacionalização em 2025 da Somaïr, a única mina ainda em atividade e até então gerida pela francesa Orano, contribuíram para a redução da produção. Dasa tornou-se, assim, um dos principais instrumentos da estratégia nacional, garantindo-lhe o apoio de Niamey.
Financiamento e logística, dois desafios persistentes
Apesar das vantagens do projeto nigerino da Global Atomic, a empresa ainda não eliminou definitivamente as restrições que atrasaram a entrada em produção da mina, inicialmente prevista para 2025 e depois adiada para o segundo semestre de 2026. A maior parte dos fundos deverá vir de um empréstimo de um banco norte-americano, cujo processo de aprovação já passou uma primeira etapa formal, tendo sido atrasado pelo golpe de Estado de julho de 2023 no Níger. Ainda não existe um acordo final.
Em paralelo, a Global Atomic explora outras opções, incluindo uma parceria de joint-venture que prevê a cedência de uma participação minoritária na SOMIDA. A empresa indicou ainda que a entrada em funcionamento da unidade de processamento, prevista para o quarto trimestre de 2027, e o início das exportações dependem da garantia do financiamento.
A logística constitui outro desafio importante. Inicialmente encerrada por Cotonou após o golpe de 2023, a fronteira entre o Níger e o Benim continua fechada por decisão de Niamey. Isto obriga a Global Atomic a recorrer a rotas alternativas, nomeadamente através do porto de Lomé, no Togo, um percurso mais longo e mais dispendioso do que a rota natural via Benim para importação e exportação. A eleição do novo presidente beninense Romuald Wadagni, em abril de 2026, abre uma janela de diálogo com Niamey, podendo simplificar no futuro as condições logísticas do projeto. Para a Global Atomic, 2028 continua a ser mais um objetivo — a questão é saber se as condições estarão finalmente reunidas para o cumprir.
Emiliano Tossou
O Fundo OPEP é muito ativo no continente africano, onde apoia projetos nas áreas da energia, infraestruturas, água e segurança alimentar. Até à data, mais de metade dos seus 30 mil milhões de dólares de compromissos históricos foram destinados ao continente.
A África do Sul assinou, na quarta-feira, 13 de maio, um acordo de empréstimo para desenvolvimento no valor de 150 milhões de dólares com o Fundo OPEP para o Desenvolvimento Internacional. Foi o Tesouro Nacional sul-africano que tornou a informação pública num comunicado oficial divulgado no mesmo dia. Trata-se do primeiro empréstimo alguma vez concedido diretamente ao governo sul-africano por esta instituição.
Os fundos destinam-se a apoiar as reformas estruturais em curso em dois setores considerados críticos por Pretória, nomeadamente a energia e o transporte de mercadorias. «O empréstimo apoiará o programa de reformas em curso do governo, visando desbloquear os estrangulamentos das infraestruturas, em particular nos setores da energia e do transporte de mercadorias, que são essenciais para permitir um crescimento económico inclusivo, melhorar a prestação de serviços e promover a criação de emprego», pode ler-se no comunicado.
O empréstimo será reembolsado ao longo de seis anos, com um período de carência de dois anos durante o qual a África do Sul ainda não pagará o capital. A taxa de juro é variável, indexada a uma taxa de referência internacional à qual se soma uma margem fixa de 1,25%. David Masondo, vice-ministro das Finanças, defendeu o acordo como estando alinhado com a estratégia de endividamento responsável do Tesouro, segundo declarações citadas pelo Business Day.
Um empréstimo inserido numa estratégia de financiamento mais ampla
Este empréstimo dá continuidade a uma série de compromissos multilaterais celebrados nos últimos meses. Em junho de 2025, Pretória obteve 1,5 mil milhões de dólares do Banco Mundial para estabilizar a rede elétrica, reformar o setor ferroviário e portuário, bem como apoiar a transição de baixo carbono, segundo o Business Explainer.
Em julho do mesmo ano, o governo sul-africano também garantiu 474,6 milhões de dólares junto do Banco Africano de Desenvolvimento. Estes fundos destinam-se a reforçar a segurança energética e o programa de transição energética justa, segundo o Daily Dispatch.
Na véspera do anúncio do empréstimo, a Statistics South Africa divulgou dados que mostram que a taxa de desemprego subiu para 32,7% no primeiro trimestre de 2026, contra 31,4% no último trimestre de 2025, o que representa uma perda líquida de 345 mil empregos.
Além disso, a agência de notação Moody’s alertou na semana anterior que a dívida pública permanece elevada, em torno de 80% do PIB, o que limita a capacidade do país para absorver choques.
Um financiador já bem estabelecido no continente africano
Embora seja a primeira vez que o Fundo OPEP concede um empréstimo diretamente ao governo sul-africano, a instituição já é um ator conhecido no continente. Mais de metade dos seus compromissos históricos são destinados à África, afirmou Abdul Hamid Al Khalifa, diretor-geral do Fundo OPEP, durante a assinatura de um memorando de entendimento com o Banco Africano de Desenvolvimento na COP27, em novembro de 2022.
Estes compromissos têm-se intensificado nos últimos anos. Em setembro de 2025, durante a 193.ª reunião do seu Conselho de Administração, o Fundo OPEP aprovou 576,5 milhões de dólares de financiamento para nove países africanos, incluindo Marrocos, Uganda e a própria África do Sul, no âmbito de uma carteira global superior a mil milhões de dólares, segundo a Agence Ecofin. Em janeiro de 2025, a Mauritânia assinou um acordo de parceria de 120 milhões de dólares para o período 2025-2027, centrado na energia, água, segurança alimentar e infraestruturas.
Até à data, o Fundo OPEP já comprometeu mais de 30 mil milhões de dólares em mais de 125 países. Estes financiamentos ajudaram a mobilizar mais de 200 mil milhões de dólares em investimentos em cofinanciamento com outros parceiros, segundo um comunicado oficial da instituição publicado em setembro de 2025.
Abdel-Latif Boureima
A Etiópia e a França assinaram um acordo de empréstimo no valor de 54,6 milhões de euros (cerca de 63,5 milhões de dólares), destinado a financiar o programa etíope de desenvolvimento das energias renováveis, do desenvolvimento sustentável e da digitalização.
Segundo o comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Etiópia, publicado na quarta-feira, 13 de maio, o acordo prevê igualmente a criação de um novo enquadramento e de um roteiro para um projeto geotérmico de 150 MW desenvolvido em parceria público-privada.
Este acordo financeiro foi oficializado durante a visita à Etiópia do presidente francês Emmanuel Macron. Insere-se na transição energética e na diversificação do mix elétrico do país, com o objetivo de reduzir o défice de eletricidade que afeta mais de metade da população.
De forma mais ampla, o governo etíope tem vindo a investir na energia hidroelétrica, na geotermia e em infraestruturas sustentáveis para alargar o acesso à eletricidade, nomeadamente através da Barragem do Grande Renascimento Etíope (GERD), que deverá acrescentar até 5000 MW de capacidade instalada à rede elétrica do país.
No âmbito da estratégia “Etiópia Digital 2030”, o governo privilegia o desenvolvimento das infraestruturas energéticas e a diversificação das fontes de energia, com um programa de modernização e expansão das redes. Está prevista a construção de 30 000 km de linhas de transmissão e 456 000 km de rede de distribuição elétrica até 2030.
As relações entre a Etiópia e a França, estabelecidas há várias décadas, têm-se diversificado progressivamente e abrangem hoje áreas como a aviação, as infraestruturas, as energias renováveis e a modernização económica.
Lydie Mobio
Há muito fornecedor de cobalto e níquel, Madagáscar reforça nos últimos anos a sua importância nos minerais críticos através do aumento da produção de grafite e de planos para extrair terras raras. O país exporta estes recursos sem os transformar.
A NextSource Materials anunciou, na terça-feira, 12 de maio, uma decisão final de investimento para a fase 1 da sua fábrica de ânodos para baterias (BAF) em Abu Dhabi. A empresa canadiana dá assim um passo na sua estratégia de integração vertical, impulsionada pela grafite extraída da mina de Molo, em Madagáscar. Para além do projeto industrial, a decisão da NextSource ilustra o lugar ainda limitado de Madagáscar nos restantes elos da cadeia de valor dos minerais críticos, dos quais o país é, no entanto, um fornecedor importante a nível mundial.
Com a decisão final de investimento, a empresa canadiana prevê concluir os primeiros contratos para os trabalhos de pré-construção, avançar com as autorizações ambientais e iniciar as primeiras encomendas de equipamentos de longo prazo de entrega. Estes desenvolvimentos surgem após um estudo publicado em outubro de 2025 que estimou que o projeto nos Emirados Árabes Unidos poderá fornecer 30 000 toneladas de material ativo de ânodo por ano, um componente essencial para baterias de veículos elétricos. O investimento global está estimado em 291 milhões de dólares.
Líder africano… na extração
Historicamente segundo maior produtor de grafite natural do continente, Madagáscar ultrapassou Moçambique para se tornar o principal produtor africano no período 2023-2025. Segundo o United States Geological Survey (USGS), a produção malgaxe atingiu 85 000 toneladas em 2024 e está estimada em 80 000 toneladas em 2025, contra 39 000 e 60 000 toneladas respetivamente para Moçambique. Vários operadores alimentam esta dinâmica no Estado insular.
A mina de Molo, concebida com capacidade de 17 000 toneladas por ano, opera atualmente a um ritmo anual de 11 000 toneladas devido a constrangimentos técnicos e económicos. Madagáscar dispõe também de duas minas exploradas pela Tirupati Graphite na região de Toamasina. Os Établissements Gallois, cujas atividades no nordeste do país remontam a mais de um século, também exploram minas. Outros atores como a Evion Group no projeto Maniry e a Greenwing Resources na Graphmada possuem ativos em desenvolvimento ou parados.
O que todos estes operadores têm em comum é a sua relação com a exportação. Ao contrário de outros produtores africanos de minerais críticos, que obrigam ou incentivam as empresas a desenvolver planos de transformação local, Madagáscar não impõe atualmente qualquer exigência deste tipo. As empresas podem assim exportar a grafite para clientes na Ásia ou na Europa, que tratam das fases de transformação em produtos de maior valor acrescentado.
Mesma lógica para as terras raras
No caso das terras raras, o projeto Vara Mada da Energy Fuels (NYSE/TSX: EFR), no sudoeste da ilha, ilustra a mesma tendência. Um estudo de viabilidade publicado em janeiro de 2026 prevê uma produção anual de 959 000 toneladas de ilmenite, 66 000 toneladas de zircão e 24 000 toneladas de monazite ao longo de 38 anos de exploração. A monazite será, no entanto, transformada em óxidos de terras raras na fábrica norte-americana de White Mesa, no Utah. A Harena Rare Earths avança, por sua vez, com o projeto de Ampasindava, considerado um dos maiores do mundo fora da China, mas para o qual a empresa já procura compradores nos Estados Unidos.
O níquel e o cobalto de Ambatovy introduzem uma nuance. A mina, explorada até agora pela japonesa Sumitomo em parceria com a sul-coreana KOMIR, dispõe de uma refinaria em Toamasina capaz de produzir 40 000 toneladas de níquel refinado e 4 000 toneladas de cobalto refinado por ano. No entanto, as instalações funcionam abaixo da sua capacidade há vários anos e a Sumitomo anunciou recentemente a venda da sua participação maioritária.
Num momento em que os países africanos com minerais críticos procuram avançar na cadeia de valor, impondo às empresas a instalação de unidades de transformação local — como o Zimbabué, que proibiu a exportação de lítio bruto — Madagáscar continua a ser uma das exceções. Este modelo pode, no entanto, refletir a prioridade atual do país em atrair novos investimentos. Um novo código mineiro, adotado em 2023, e a reforma em curso da lei sobre grandes investimentos mineiros mostram a vontade de tornar o país novamente atrativo após anos de estagnação do setor.
Se a exigência de investimento imediato na transformação local pudesse travar este impulso, a questão deixará de poder ser indefinidamente adiada à medida que a posição de Madagáscar nas cadeias globais de minerais críticos se consolida. A capacidade do país de oferecer um quadro atrativo, nomeadamente em termos de acesso à energia e estabilidade regulatória, será então decisiva.
«A criação de valor é muito importante para o país, mas é preciso também considerar que a transformação exige muita energia. Ora, se não conseguirmos fornecê-la em quantidade suficiente, isso implica investimento adicional nos projetos, o que pode afetar a sua rentabilidade», reconhecia em 2025 à RFI Olivier Rakotomalala, ministro malgaxe das Minas até ao golpe de Estado de novembro de 2025.
Emiliano Tossou
Além da bacia offshore de Orange, onde jazidas comerciais de petróleo foram descobertas desde 2022, a Namíbia procura valorizar outras bacias sedimentares promissoras, como a de Lüderitz, onde se localiza o PEL 102.
O governo namibiano concedeu à companhia nacional Namcor uma prorrogação da sua licença de exploração petrolífera relativa ao PEL 102, situado na bacia de Lüderitz, ao largo da costa do país, que a empresa opera com uma participação de 80%.
Segundo informações divulgadas na terça-feira, 12 de maio, pela Upstream Online, esta extensão visa dar mais tempo à Namcor e à sua parceira canadiana Stamper Oil & Gas, que detém 20% de participação no bloco, para concluírem um processo de farm-out. Este mecanismo consiste em ceder parte dos direitos de exploração a um investidor terceiro, em troca do financiamento de trabalhos adicionais de aquisição de dados sísmicos e de um programa de perfuração.
O alcance deste processo ultrapassa o simples quadro do PEL 102. A iniciativa ocorre numa bacia de Lüderitz ainda amplamente subexplorada, situada entre a bacia de Walvis, a norte, e a bacia de Orange, a sul. Em fevereiro de 2026, a multinacional francesa TotalEnergies e a sua parceira brasileira Petrobras anunciaram conjuntamente a aquisição de participações iguais de 42,5% na licença PEL 104. Este bloco, no qual a Namcor detém 10%, cobre cerca de 11 000 km² nesta mesma bacia.
No entanto, esta transação foi recebida com reservas pelas autoridades namibianas. Segundo a Reuters, o governo da Namíbia indicou que não reconhecerá a aquisição enquanto as empresas não seguirem o procedimento regulamentar formal de aprovação.
De acordo com estimativas oficiais divulgadas pela Rigzone em agosto de 2025, os recursos petrolíferos totais do país poderão atingir 11 mil milhões de barris, um número que coloca a Namíbia entre as zonas petrolíferas mais promissoras do mundo.
Abdel-Latif Boureima
Atualmente presente no Mali e no Senegal, a empresa australiana Resolute Mining ambiciona adicionar a Costa do Marfim às suas principais bases operacionais. Esta dinâmica já é impulsionada pela futura mina Doropo e poderá também estender-se ao ABC, o seu outro projeto na Costa do Marfim.
Na Costa do Marfim, a companhia australiana Resolute Mining planeia uma nova mina de ouro com um custo estimado de 648 milhões de dólares no seu projeto ABC. Esta perspetiva resulta do estudo económico preliminar publicado na quarta-feira, 13 de maio, enquanto os trabalhos de desenvolvimento da sua mina Doropo também prosseguem no país.
Até agora ativa principalmente nas minas Syama no Mali e Mako no Senegal, a Resolute Mining colocou a Costa do Marfim no centro da sua estratégia de crescimento através da aquisição, no ano passado, dos projetos Doropo e ABC junto da AngloGold Ashanti. Desde então, a empresa tem realizado trabalhos nos dois locais para melhor definir o seu potencial. É neste contexto que se insere o novo estudo económico do ABC, baseado numa estimativa de recursos de 2,16 milhões de onças de ouro.
Em detalhe, o documento descreve uma mina capaz de produzir em média cerca de 141 000 onças de ouro por ano, ao longo de uma vida útil estimada de 12 anos. Com base num preço de consenso do ouro fixado em 4 750 dólares por onça (próximo dos níveis atuais), o investimento de desenvolvimento poderá ser recuperado em cerca de um ano. O projeto apresenta um valor atual líquido (VAN) após impostos estimado em 2,3 mil milhões de dólares, com uma taxa interna de rentabilidade (TIR) de 63%.
Um plano mineiro ainda por confirmar…
Em comparação, o potencial previsto para o ABC é ligeiramente inferior ao volume médio anual de 169 000 onças esperado no projeto Doropo, cuja vida útil é estimada em 13 anos. No entanto, enquanto este último já foi objeto de uma decisão final de investimento (FID) em março, abrindo caminho ao início da fase de construção, a trajetória de desenvolvimento do ABC ainda precisa de ser definida.
O estudo económico preliminar publicado constitui apenas um enquadramento conceptual provisório para um eventual desenvolvimento do projeto, o que implica a realização de trabalhos adicionais para confirmar os seus parâmetros técnicos e económicos.
Na prática, esta folha de rota deverá visar a conversão dos recursos atuais em reservas exploráveis, capazes de sustentar um estudo de viabilidade definitivo (DFS), o nível mais avançado de planeamento mineiro. A Resolute Mining estima poder atingir esta fase até 2027, cerca de um ano antes da entrada em produção prevista de Doropo em 2028.
A empresa vê mesmo um potencial de otimização do ABC à medida que os recursos forem sendo atualizados, com uma meta de produção anual de 200 000 onças ao longo de pelo menos dez anos de exploração.
No conjunto, os desenvolvimentos em curso nestes dois projetos na Costa do Marfim são estratégicos para a Resolute Mining, que ambiciona elevar a sua produção global para 500 000 onças de ouro até ao final de 2028, contra 277 236 onças produzidas em 2025 apenas com as minas de Syama e Mako. Estas perspetivas têm também importância para a economia da Costa do Marfim, com a promessa de novos projetos mineiros capazes de gerar emprego e receitas adicionais para o Estado.
A nação marfinense regista de facto um crescimento do seu setor aurífero, impulsionado pela ambição das autoridades de atingir uma produção nacional de 100 toneladas de ouro na próxima década, contra 58 toneladas em 2024.
Aurel Sèdjro Houenou
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O desenvolvimento da mina de ferro Baniaka requer um investimento inicial de 200 milhões de dólares. O projeto deverá depois produzir anualmente 5 milhões de toneladas na sua primeira fase, antes de aumentar a capacidade para pelo menos 10 milhões de toneladas por ano.
A Genmin anunciou na quarta-feira, 13 de maio, ter recebido várias manifestações de interesse para financiar total ou parcialmente os 200 milhões de dólares necessários ao desenvolvimento de Baniaka, o seu projeto de minério de ferro situado no sudeste do Gabão. A informação confirma que o ativo está a atrair um conjunto alargado de investidores, para além das discussões já em curso com parceiros chineses.
Segundo a empresa australiana, as propostas recebidas assumem várias formas. Um consórcio do Médio Oriente apresentou uma oferta não solicitada e não vinculativa para fornecer a totalidade do capital necessário, através da criação de uma nova joint venture. Uma empresa chinesa cotada em Xangai expressou, por seu lado, interesse em adquirir pelo menos 51% do projeto, direta ou indiretamente, ao mesmo tempo que prestaria apoio ao financiamento da construção e à experiência técnica.
A Genmin indica também ter recebido um projeto de acordo de um comerciante global de matérias-primas que prevê uma linha de pré-pagamento associada a compromissos de compra da futura produção, no valor de até 50 milhões de dólares. Um fundo de investimento especializado em mineração ofereceu ainda 10 milhões de dólares sob a forma de financiamento pré-construção.
Estas ofertas juntam-se à carta de intenções enviada em dezembro de 2025 pela empresa chinesa SHICO, que pretende financiar até 60% do capital necessário ao projeto. A Genmin assinou ainda, em abril de 2025, um memorando de entendimento com a Sinohydro, subsidiária do conglomerado público Power China, para a construção da mina, incluindo a possibilidade de a empresa chinesa ajudar na mobilização de fundos.
Um ativo seguido de perto em Libreville
A dimensão do interesse manifestado explica-se pela conjugação de vários fatores. Do ponto de vista regulatório, Baniaka dispõe de uma licença mineira de 20 anos, aprovação ambiental e assinatura de uma convenção mineira com o Estado gabonês. A infraestrutura de transporte já existe, com a produção a ser escoada por uma estrada de 60 quilómetros (cujas obras estão em curso) até um terminal ferroviário ligado ao Transgabonais, antes de ser exportada através do porto mineiro de Owendo.
Do ponto de vista da procura, a dinâmica global também favorece Baniaka. A entrada em funcionamento do megaprojeto Simandou, na Guiné, confirmou o interesse chinês, o maior consumidor mundial de ferro, pelos depósitos africanos. A Genmin prevê desenvolver inicialmente o projeto a um ritmo de 5 milhões de toneladas por ano, com possibilidade de aumentar progressivamente a capacidade para pelo menos 10 milhões de toneladas anuais.
Para além dos aspetos regulatórios, o governo gabonês também manifesta um apoio claro a este projeto, considerado prioritário no setor mineiro. Em reuniões realizadas esta semana em Libreville com o ministro das Minas, Sosthène Nguéma Nguéma, a Genmin afirma ter recebido garantias de que o acesso da empresa às infraestruturas públicas será assegurado.
A questão ultrapassa o caso da própria Genmin, já que o Gabão procura diversificar as suas receitas mineiras, atualmente fortemente dependentes do manganês, promovendo uma nova fileira baseada no minério de ferro. Nos termos da convenção mineira, o Estado gabonês detém uma participação gratuita de 10% no projeto, com opção de aumento até 25%. Receberá ainda uma taxa de 5% sobre as receitas de venda, e os lucros da Genmin serão tributados a 35%.
A decisão de investimento, o próximo teste
Apesar deste impulso, nada está ainda garantido para o desenvolvimento de Baniaka. A Genmin esclarece que todas as ofertas recebidas até agora são não vinculativas, sujeitas a diligências em curso e a negociações cujo resultado permanece em aberto. O presidente executivo Greg Lilleyman afirmou, no entanto, estar “confiante” na capacidade da empresa para fechar um acordo com um ou vários parceiros, o que permitiria ao conselho de administração tomar uma decisão final de investimento esperada para meados de 2026.
Essa decisão permitiria então lançar a construção da mina e definir o calendário de entrada em produção. Embora as comunicações da Genmin ainda apontassem em janeiro de 2026 para o início da produção antes do final do ano, as recentes declarações da empresa dão agora destaque à decisão final de investimento como o próximo marco, sem fixar nova data para a entrada em operação da mina. Os próximos meses serão, por isso, decisivos.
Emiliano Tossou
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