Face à rápida transformação das profissões e às persistentes dificuldades de inserção dos jovens licenciados, a Costa do Marfim coloca a inteligência artificial (IA) no centro da sua estratégia de orientação, procurando alinhar melhor a formação com as necessidades do mercado de trabalho.
Durante o lançamento da 13.ª edição das “Jornadas de Carreiras” na Costa do Marfim, o Ministério da Educação Nacional, Alfabetização e Ensino Técnico (MENAET) colocou a IA no coração da orientação dos jovens para as profissões do futuro. A cerimónia, presidida por Sangaré Moustapha, diretor do gabinete do MENAET, realizou-se na segunda-feira, 9 de fevereiro, no Palácio da Cultura de Treichville e reuniu alunos, formadores, empresas e outros atores do mundo profissional.
Segundo a Agência de Imprensa da Costa do Marfim (AIP), a edição de 2026 centrou-se num painel organizado pela Direção de Orientações e Bolsas, sob o tema: “Inteligência Artificial: que competências e profissões para uma juventude empenhada na transformação sustentável da Costa do Marfim?”. Os debates abordaram as profissões emergentes ligadas à IA, as competências técnicas e transversais necessárias, bem como as questões éticas, sociais e ambientais associadas a estas tecnologias.
Para as autoridades educativas, a orientação já não pode limitar-se aos cursos tradicionais. Deve agora integrar todas as ofertas formativas, de modo a esclarecer as escolhas dos estudantes e aproximar de forma sustentável a escola do mundo do trabalho. O lançamento nacional marca assim o início de um desdobramento nas direções regionais, com o objetivo de garantir a cada aluno acesso a informações fiáveis sobre as profissões e competências mais procuradas.
Esta dinâmica ocorre num contexto de multiplicação de iniciativas de empregabilidade. Em dezembro passado, o governo lançou o Programa Nacional de Estágios, Aprendizagem e Reconversão (PNSAR 2026), que visa mais de 150 000 jovens, dos quais 100 000 através de estágios de imersão. Apesar de uma taxa oficial de desemprego estimada em 2,3%, especialistas sublinham que estes números não refletem plenamente as dificuldades de acesso dos jovens licenciados a empregos formais e duradouros, num mercado marcado pelo peso do sector informal.
Félicien Houindo Lokossou
Primeiro operador africano em número de assinantes, MTN contava com 301,3 milhões de clientes no final de setembro de 2025, dos quais 165,8 milhões utilizadores de Internet. Apesar desta base sólida, o grupo procura adaptar-se às evoluções do mercado num contexto de transformação digital acelerada.
Bayobab (MTN Digital Infrastructure), a divisão de infraestruturas digitais do grupo sul-africano MTN, anunciou na terça-feira, 10 de fevereiro, uma parceria com a operadora de telecomunicações moçambicana TMCEL. No âmbito desta parceria, a Bayobab disponibilizará as suas plataformas digitais à operadora histórica, visando reforçar os seus serviços de comunicações internacionais. Esta iniciativa insere-se na ambição da MTN de evoluir de um modelo centrado nas telecomunicações para um modelo de empresa tecnológica.
Num comunicado, a Bayobab esclarece que a TMCEL recorrerá às suas plataformas globais de comunicação, incluindo serviços de voz internacional, roaming internacional e IPX, para oferecer aos seus clientes, particulares e empresariais, serviços avançados, escaláveis e de elevada qualidade. A parceria visa sobretudo melhorar a experiência de chamadas internacionais e garantir uma conectividade transfronteiriça mais fluida.
A empresa salienta que este lançamento marca uma etapa importante na sua estratégia de parcerias, que consiste em apoiar operadores africanos com o mesmo nível de especialização e capacidade que o grupo aplica na sua presença internacional.
“Esta parceria com a TMCEL é um exemplo claro de como a MTN Digital Infrastructure expande o seu alcance e capacidades para apoiar operadores africanos”, afirmou Mazen Mroué, diretor-geral da MTN Group Digital Infrastructure.
Esta iniciativa surge num contexto em que a MTN, tal como outros operadores africanos de telecomunicações, procura diversificar as suas atividades para além dos serviços tradicionais. Esta transição é particularmente estratégica, dado que a transformação digital acelera no continente, impulsionada pela evolução dos hábitos, pelo crescimento dos serviços digitais e pelo surgimento de novas expectativas empresariais, incluindo no setor das telecomunicações.
Bayobab, um pilar da estratégia de diversificação da MTN
A MTN optou por tornar a Bayobab independente, separando-a da sua atividade tradicional de telecomunicações. Neste sentido, a entidade abandonou, em maio de 2023, a sua antiga designação MTN GlobalConnect. A Bayobab pretende agora posicionar-se como uma plataforma de infraestruturas digitais de classe mundial, de acesso aberto e centrada em África, ao serviço não só do grupo MTN, mas também de clientes externos.
Para atingir este objetivo, a empresa baseia-se numa das redes de fibra ótica mais extensas do continente, com 127.000 km de fibra de acesso aberto, presença em 54 países africanos, acesso a 24 cabos submarinos e 235 estações de aterragem.
Paralelamente, a Bayobab desenvolve soluções satelitais de alta velocidade e baixa latência para reduzir a divisão digital em zonas rurais e isoladas. A empresa investe também em centros de dados para reforçar a sua posição nos serviços de colocation e cloud destinados a hyperscalers, empresas e governos africanos.
Para além da infraestrutura física, a Bayobab oferece também plataformas de comunicação de nova geração – voz, mensagens, roaming, IPX e serviços IoT – para apoiar o desempenho das empresas.
Fintech e IA: MTN multiplica os motores de crescimento
Esta estratégia de diversificação traduz-se ainda noutras iniciativas estruturantes. A 5 de fevereiro de 2026, a MTN anunciou a intenção de assumir o controlo da IHS Towers, um dos principais fornecedores de torres de telecomunicações em África, da qual já detém 25% do capital. Caso a transação se concretize, o grupo entrará no mercado de torres de telecomunicações, infraestruturas essenciais para o desenvolvimento de serviços móveis. A procura por estes equipamentos deverá crescer nos próximos anos, impulsionada pelo rápido desenvolvimento da 4G e 5G, pelo aumento do consumo de dados, pela crescente penetração de smartphones e pela expansão da cobertura em zonas rurais.
Além disso, Ralph Mupita, diretor-geral da MTN, indicou recentemente ao meio Semafor que o grupo está interessado em adquirir startups fintech, nomeadamente em pagamentos, empréstimos e transferências de fundos, visando reforçar uma atividade que se tornou um dos principais motores de crescimento.
A MTN reforça também a sua posição nas tecnologias emergentes. Em setembro de 2025, o grupo anunciou que procurava parceiros internacionais para desenvolver centros de dados dedicados à inteligência artificial em África. Um mês antes, lançara o programa “MTN Genova”, destinado a promover uma utilização responsável da IA para estimular a inovação, aumentar a produtividade e melhorar a experiência do cliente. O programa está atualmente limitado à escala do grupo.
Entre os casos de uso já testados destacam-se a otimização do consumo energético dos centros de dados na África do Sul, a gestão inteligente da energia de estações celulares no Benim, a deteção de cortes de fibra ótica na Costa do Marfim ou a otimização do tráfego de rede na Nigéria.
Isaac K. Kassouwi
Ethiopian Airlines mantém trajectória de crescimento e mira quase quíntuplo do tráfego de passageiros
À luz do ritmo registado no primeiro semestre do exercício em curso, a Ethiopian Airlines mantém claramente o rumo para os seus objetivos a longo prazo, incluindo a ambição de quase quíntuplo do seu tráfego de passageiros atual.
Nos primeiros seis meses do exercício fiscal etíope 2025/2026, iniciado em julho de 2025, a Ethiopian Airlines transportou 10,64 milhões de passageiros. Este desempenho ocorre num contexto de expansão da sua rede e modernização da frota: a companhia, que opera atualmente 170 aeronaves, serve 145 destinos internacionais, incluindo três novas rotas recentemente inauguradas.
Os números do primeiro semestre prolongam a tendência observada no exercício anterior. Segundo dados atribuídos por vários meios de comunicação ao Ministério dos Transportes, a companhia havia transportado 13,9 milhões de passageiros nos primeiros nove meses do exercício orçamental de julho de 2024 a junho de 2025. Deste total, 11 milhões corresponderam a voos internacionais, contra 2,9 milhões em rotas domésticas.
O desempenho semestral atual antevê um ritmo de atividade sustentado, com o tráfego fortemente impulsionado pelo segmento internacional, estratégico para a companhia, que capitaliza a sua posição geográfica para captar fluxos África–Europa, África–Ásia e África–Américas. Paralelamente, a sua divisão de carga transportou 451 mil toneladas de mercadorias no período em análise. No conjunto, as atividades do semestre geraram para o grupo 4,4 mil milhões USD de receitas.
Estes resultados intermédios estão em linha com o plano estratégico “Vision 2035”, que visa levar o tráfego anual do transportador etíope a 65 milhões de passageiros e 3 milhões de toneladas de carga até 2035. O objetivo financeiro é igualmente ambicioso: atingir um volume de negócios de 25 mil milhões USD.
No entanto, a concretização destas ambições não estará isenta de desafios. Atualmente, a escassez mundial de aeronaves, os fenómenos climáticos adversos, os conflitos em várias regiões do mundo e a incerteza económica internacional figuram entre os principais obstáculos operacionais das companhias aéreas.
A isto somam-se as restrições decorrentes das políticas de visto norte-americanas implementadas sob a presidência de Donald Trump, que limitam a entrada e a emissão de vistos para determinados viajantes, especialmente provenientes de África, afetando as operações da companhia.
Henoc Dossa
República do Congo moderniza a estrada estratégica Pointe-Noire – Cabinda para facilitar a mobilidade e o comércio transfronteiriço
A República do Congo pretende eliminar algumas restrições relacionadas com a mobilidade, a logística petrolífera e o comércio transfronteiriço através da modernização das suas infraestruturas rodoviárias estratégicas. A requalificação do eixo Pointe-Noire – Cabinda insere-se nesta dinâmica.
A requalificação de um troço da estrada Pointe-Noire – Cabinda foi lançada na segunda-feira, 9 de fevereiro de 2025, pelo Presidente Denis Sassou N’Guesso. Segundo o Governo, os trabalhos visam agilizar o tráfego e dinamizar os intercâmbios com Brazzaville e Angola.
O projeto prevê a reconfiguração em via dupla de um troço de 15,4 km, ligando o Aeroporto Internacional Agostinho Neto, em Angola, ao terminal petrolífero de Djeno. A largura da via passará de 7 metros para 14 metros. Com um custo total de 42 mil milhões de FCFA (aproximadamente 76,2 milhões de USD), a obra é financiada, no âmbito de uma parceria estratégica, pelas empresas petrolíferas que operam na plataforma de Djeno, sendo a execução confiada à China State Construction Engineering Corporation.
Inaugurada no início dos anos 2000, a estrada suporta hoje um tráfego intenso, devido ao crescimento demográfico e ao aumento do fluxo de pesados em direção a Djeno. Esta situação, para além de provocar perturbações na mobilidade, afeta a logística da indústria petrolífera. A nova infraestrutura deverá, a longo prazo, suportar um tráfego estimado em 15.000 veículos por dia.
Além disso, a requalificação do troço Pointe-Noire – Cabinda insere-se nas políticas de integração regional e intensificação do comércio transfronteiriço, consideradas um fator-chave para a Zona de Livre Comércio Continental Africana (ZLECAf).
Henoc Dossa
A transação, que continua sujeita às autorizações regulamentares habituais, deverá permitir à Harith General Partners reforçar o seu portefólio no setor dos transportes, e à FlySafair cumprir os requisitos regulamentares sul-africanos relativos à propriedade empresarial.
A empresa sul-africana de private equity, Harith General Partners, anunciou na terça-feira, 10 de fevereiro, ter concluído um acordo para a aquisição da companhia aérea low-cost local FlySafair. “Harith e as suas subsidiárias concluíram um acordo de compra e venda para adquirir a FlySafair, uma das companhias aéreas mais bem-sucedidas e com maior crescimento na África do Sul”, comunicou a empresa, acrescentando que “o investimento proposto reflete a confiança no modelo operacional comprovado da FlySafair, na sua sólida equipa de gestão e nas perspetivas de crescimento a longo prazo”.
O comunicado não fornece detalhes financeiros sobre a transação. Tshepo Mahloele, presidente do conselho de administração da empresa, indicou, segundo informações veiculadas pela Bloomberg, que a operação “representará cerca de 15% do portefólio global” da empresa e que será “financiada através de uma combinação de capital próprio e dívida”. Mahloele acrescentou ainda que a Harith General Partners pretende apoiar uma expansão regional do transportador. “A África do Sul é o bastião da FlySafair e desempenha um papel importante na sua estratégia. Acreditamos que o seu modelo pode também ser competitivo a nível regional”.
A transação, que continua sujeita às autorizações regulamentares habituais, incluindo a aprovação da Comissão da Concorrência, insere-se num processo de saída dos atuais acionistas da FlySafair, em análise há vários anos. Constitui também uma resposta às pressões regulamentares para conformidade com as regras sul-africanas sobre propriedade empresarial.
Em 2024, o Domestic Air Services Council (Conselho dos Serviços Aéreos Domésticos) considerou que a companhia aérea estava em incumprimento, uma vez que 75% dos direitos de voto eram detidos por trusts e empresas. Esta constatação surgiu na sequência de uma ação apresentada pela Lift Airline, um concorrente local. A ASL Aviation Holdings, empresa com sede na Irlanda e detida pela firma de private equity londrina Star Capital Partners, detém parcialmente a Safair Operations, empresa-mãe da FlySafair.
Fundada em 2014 num mercado altamente competitivo, a FlySafair atingiu a rentabilidade em apenas dois anos. Atualmente opera 10 rotas nacionais e 5 rotas regionais. A transação em curso deverá permitir à Harith General Partners alargar o seu portefólio no setor dos transportes em África. A empresa, que gere 3 mil milhões USD em ativos, é especializada em investimento em infraestruturas em todo o continente. O seu portefólio inclui participações em 14 empresas nos setores da energia, transporte, infraestruturas digitais, saúde e água, em 9 países africanos, incluindo Quénia, Gana, Nigéria e Maurícia.
Walid Kéfi
Na corrida pelos minerais críticos africanos, as grandes potências avançam simultaneamente em conjunto e de forma dispersa, direcionando cada vez mais projetos para o continente. Enquanto Washington intensifica sua ofensiva sobre o cobre congoles, Bruxelas mira o grafite da Tanzânia.
Numa nota publicada nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, a mineradora australiana EcoGraf anunciou a assinatura de um acordo de cooperação com o Banco Europeu de Investimento (BEI), visando assistência técnica para apoiar seu projeto de implementação de uma cadeia de valor verticalmente integrada em torno do grafite de Epanko, na Tanzânia.
Esta iniciativa ocorre paralelamente às negociações da empresa com outro parceiro europeu, com o objetivo de mobilizar o financiamento necessário para o desenvolvimento da futura mina.
Segundo os planos da EcoGraf, o desenvolvimento de Epanko será realizado em várias fases, sendo a primeira voltada à produção de 73.000 toneladas de concentrado de grafite por ano. Uma segunda fase, focada na expansão da mina, elevará a capacidade de produção para mais de 300.000 toneladas.
A empresa negocia há alguns meses uma cobertura de crédito de 105 milhões de USD junto ao banco alemão KfW IPEC-Bank, para iniciar os trabalhos da primeira fase de exploração.
Com o BEI, a EcoGraf espera obter suporte para o desenvolvimento de estudos relacionados à expansão de Epanko, bem como para a instalação de uma fábrica de processamento de grafite na Tanzânia, anunciada em março de 2025, com um investimento estimado em 58,6 milhões de USD.
Por enquanto, os detalhes da cooperação com o BEI ainda precisam ser precisados, mas a EcoGraf esclarece que a iniciativa está alinhada com a estratégia da União Europeia para o desenvolvimento de cadeias de abastecimento de minerais para baterias da indústria europeia.
«O BEI tem o prazer de apoiar os trabalhos preparatórios que contribuem para o desenvolvimento de cadeias de valor responsáveis para matérias-primas críticas. Isso estimulará investimentos elegíveis potenciais dos setores público e privado, permitindo a implementação posterior de projetos sólidos, sustentáveis e de longo prazo», afirmou Andrea Clerici, diretor de atividades empresariais e globais do BEI.
A presença europeia no grafite de Epanko ocorre num contexto marcado pela aceleração das iniciativas ocidentais sobre minerais críticos africanos. Esta dinâmica é impulsionada principalmente pelos Estados Unidos, que, desejando reduzir a dependência chinesa dessas matérias-primas essenciais, especialmente para as indústrias de baterias e defesa, multiplicam os acordos na África — como demonstram os recentes desenvolvimentos sobre o fornecimento de cobre na RDC.
Além da Europa, a EcoGraf também conta com Washington. A empresa submeteu um white paper ao Departamento de Defesa dos EUA, buscando uma subvenção de 76,3 milhões de USD para apoiar o desenvolvimento de Epanko. Enquanto aguarda os resultados dessas iniciativas, a empresa continua avançando no projeto, com a publicação prevista ainda este mês de um estudo de viabilidade bancável atualizado.
Aurel Sèdjro Houenou
Por ocasião do Mining Indaba na Cidade do Cabo, o BGFIBank destacou as suas ambições no financiamento do setor mineiro africano. Esta iniciativa insere-se num movimento mais amplo de bancos africanos que procuram afirmar-se num setor há muito dominado por atores estrangeiros.
O BGFIBank pretende acompanhar o desenvolvimento das indústrias extractivas em África. Este é um dos objetivos da participação do grupo bancário gabonês no Mining Indaba, a maior conferência mineira do continente, realizada esta semana na Cidade do Cabo, África do Sul. Presente em cerca de dez países africanos, o BGFIBank tem-se interessado há vários anos pelo financiamento dos intervenientes do setor em diversas jurisdições mineiras do continente.
Embora o grupo ainda não tenha anunciado operações de grande dimensão, o BGFIBank está a desenvolver progressivamente uma presença institucional junto dos atores do setor, multiplicando pontos de contacto nos ecossistemas mineiros africanos. Esta estratégia passa tanto por uma maior visibilidade nos grandes encontros do setor como por um envolvimento mais direto nos círculos profissionais.
RDC e Costa do Marfim na linha da frente
No início de janeiro de 2026, o Groupement Professionnel des Miniers de Côte d’Ivoire (GPMCI) anunciou a adesão da filial local do BGFIBank, numa iniciativa destinada a apoiar o crescimento do setor mineiro marfinense, facilitando o acesso dos atores ao financiamento.
No mesmo sentido, a filial BGFIBank RDC participa regularmente na DRC Mining Week, encontro anual dos atores do setor mineiro congolês. Durante a edição de 2025 deste evento, Isaac Ibuabu, Diretor da Divisão de Clientes Particulares & PME do BGFIBank RDC, destacou a expertise da banca em projetos mineiros, baseada em recursos humanos dedicados a cada categoria de atores, incluindo companhias mineiras e empresas subcontratadas.
Como sinal da importância atribuída à Costa do Marfim e à RDC nas ambições mineiras do grupo, os diretores-gerais das filiais marfinense e congolesa, Francesco de Musso e Kaféhé Silue, encontram-se na Cidade do Cabo esta semana. Juntamente com eles, Alain Fazili Bula, chefe da divisão dedicada a clientes empresariais do BGFIBank RDC, participou num painel sobre financiamento mineiro, sublinhando a importância das parcerias no desenvolvimento do setor mineiro africano.
Ascensão dos bancos africanos
O envolvimento de grupos bancários do continente no setor mineiro africano vai além do BGFIBank. Instituições como Ecobank, Coris Bank ou AFG Bank apoiam agora investidores mineiros na construção ou expansão de minas, assim como pequenos operadores que fornecem serviços às grandes companhias. No Mali, o marfinense AFG Bank lançou, no final de outubro de 2025, uma linha de financiamento de 100 mil milhões de FCFA (181 milhões de USD) destinada a empresas subcontratadas e fornecedores do setor. O AFG Bank também é requisitado nos Camarões para mobilizar parte do financiamento para a construção da Minim Martap, a primeira mina de bauxita do país.
A crescente presença dos bancos africanos no financiamento mineiro terá agora de passar pelo teste do tempo. Entre a sustentabilidade das iniciativas já lançadas e a ampliação do volume de financiamentos concedidos, os atores locais e regionais ainda terão de demonstrar a sua capacidade de competir com grupos financeiros internacionais que continuam a dominar amplamente o setor mineiro africano.
Na África do Sul, grupos industriais como a Sasol estão a assumir um papel central na aceleração do desenvolvimento das energias renováveis, apoiando diretamente a criação de novas capacidades solares em grande escala.
O produtor independente de energia sul-africano SOLA Group anunciou, na segunda-feira, 9 de fevereiro, o fecho financeiro do projeto Naos‑1, uma central híbrida que combina energia solar fotovoltaica e armazenamento por baterias, destinada a fornecer eletricidade renovável aos grupos Sasol e Air Liquide através do mecanismo de wheeling na rede nacional.
Localizado próximo de Viljoenskroon, na província de Free State, o Naos‑1 terá uma capacidade de 300 MW (435 MWc) em solar, associada a 660 MWh de armazenamento em baterias. O projeto baseia-se em contratos de compra de energia de longo prazo assinados com Sasol e Air Liquide. A conceção híbrida permitirá armazenar a eletricidade solar produzida durante o dia para fornecimento nos picos de consumo, sobretudo à noite, garantindo energia controlável para os sites industriais. A entrada em operação comercial está prevista para o primeiro semestre de 2028.
«O Naos‑1 representa um avanço significativo para as energias renováveis controláveis no mercado privado de eletricidade na África do Sul e é fruto da nossa colaboração intensiva e inovadora com a Sasol e a Air Liquide ao longo de vários meses», declarou Jonathan Skeen, diretor comercial da SOLA Group. «O projeto insere-se nos objetivos da SOLA de transformar a energia solar em eletricidade acessível e disponível sob demanda para os nossos clientes.»
Apresentado como o maior projeto solar com armazenamento financiado por contratos privados a atingir o fecho financeiro na África do Sul, o Naos‑1 conta com apoio de instituições financeiras locais, incluindo a Development Bank of Southern Africa, e a sua construção será assegurada por uma joint venture entre SOLA Build e WBHO.
Este projeto integra-se numa estratégia mais ampla de descarbonização industrial. Em outubro de 2025, a Sasol e a Air Liquide inauguraram a central solar Damlaagte (97,5 MW), primeira instalação do programa conjunto de 900 MW de energias renováveis.
Paralelamente, a SOLA Group colocou em operação, antecipadamente, em 2025, a central Springbok (195 MW), considerada a maior instalação de wheeling operacional do país. Estes desenvolvimentos demonstram a crescente importância do wheeling como ferramenta central de fornecimento de eletricidade renovável para grandes consumidores industriais sul-africanos e evidenciam o sucesso da abertura do setor elétrico ao privado.
Abdoullah Diop
No Gana, assim como na maioria dos países costeiros, a oferta local de peixe provém principalmente da pesca. Embora a aquicultura, considerada uma alternativa sustentável, esteja a progredir, a sua contribuição para o abastecimento de peixe continua ainda limitada.
A empresa Flosell Limited iniciou negociações com o Ministério da Pesca e Aquicultura do Gana para desenvolver a produção de peixe em mar aberto em grande escala. Segundo um comunicado publicado no site do ministério, na segunda-feira, 9 de fevereiro, este projeto é anunciado como a primeira operação comercial de aquicultura marinha no país.
Concretamente, o plano prevê a criação de peixes em águas marinhas utilizando jaulas flutuantes circulares e incubatórios. A empresa afirma que a iniciativa será implementada em colaboração com parceiros noruegueses, reconhecidos pela sua experiência global e tecnologias consolidadas no setor.
Embora o custo do investimento ainda não tenha sido divulgado, o início da instalação do local está programado para o segundo trimestre de 2026, com a primeira colheita prevista para o quarto trimestre de 2027. A primeira fase do projeto prevê a exploração de 10 concessões marinhas, começando pela zona de Prampram, na região do Grande Accra.
Um marco para o desenvolvimento da aquicultura no Gana
A introdução da aquicultura em mar aberto representa uma evolução importante para um setor ganês até agora dominado pela criação em jaulas no lago Volta e pela aquicultura em tanques. Esta abordagem oferece uma alternativa estratégica ao diversificar as áreas de produção, reduzir riscos sanitários associados à concentração das explorações em água doce, diminuir a exposição à poluição humana, minimizar conflitos com outras atividades costeiras e melhorar o controlo de parasitas nos peixes.
As condições mais estáveis e a constante renovação das águas marinhas permitem atingir maiores volumes e melhor produtividade por unidade de criação. Além disso, abre caminho para a produção de espécies marinhas de maior valor comercial, como salmão, dourada ou robalo, diversificando a oferta para além do tilápia e do bagre, comuns na aquicultura continental. Estes peixes marinhos têm grande procura nos mercados regionais e internacionais, podendo aumentar exportações e receitas.
Capacitação e expansão da produção
De forma geral, o projeto da Flosell Limited, se concretizado, poderá servir de modelo para futuros investimentos privados no desenvolvimento da aquicultura marinha em larga escala nos próximos anos.
«Este projeto marca um passo importante para a expansão da aquicultura marinha sustentável no Gana, reforçando a capacidade local de produção e promovendo a agenda da economia azul do país», afirma a empresa em comunicado.
Ao diversificar o sistema de produção para além da aquicultura convencional, o Gana poderá aumentar a contribuição da aquicultura para o abastecimento local de peixe, ajudando a reduzir o déficit entre oferta e procura de produtos pesqueiros no mercado interno e a aliviar a pressão sobre os estoques naturais.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento da Pesca e Aquicultura, a produção aquacultural no Gana quase duplicou, passando de 52 360 toneladas em 2019 para 100 000 toneladas em 2023. Apesar deste progresso, a aquicultura representa atualmente apenas cerca de 20% das capturas totais, avaliadas em 484 412 toneladas em 2023, sendo o restante proveniente da pesca.
Com um consumo anual de peixe por habitante estimado em 24,6 kg, o ex-Gold Coast enfrenta atualmente um déficit anual de cerca de 700 000 toneladas de peixe fresco.
Stéphanas Assocle
A pecuária é um setor essencial da agricultura nos países da África Ocidental. No entanto, este subsetor enfrenta vários desafios, como as alterações climáticas, os conflitos pelo acesso aos recursos e o roubo de gado.
Um programa regional de combate ao roubo de gado está em preparação na África Ocidental. O anúncio foi feito em Dakar, durante o lançamento de um ateliê organizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que reuniu representantes dos 15 países membros da sub-região, de 9 a 12 de fevereiro, para debater esta problemática.
Com um orçamento superior a 345 milhões de dólares, o programa deverá ser validado para implementação no período 2026-2030. As intervenções centram-se em três eixos prioritários: a digitalização da rastreabilidade do efetivo pecuário, a harmonização dos dispositivos judiciais e de segurança, e o envolvimento estruturado das comunidades pastorais e das organizações profissionais, consideradas essenciais nos mecanismos de alerta, prevenção e sensibilização.
«O ateliê reúne representantes dos ministérios responsáveis pela Pecuária, Agricultura, Segurança e Justiça, organizações pastorais, instituições regionais e internacionais, do meio académico e do setor privado, nomeadamente na área da rastreabilidade do gado. Esta diversidade traduz uma vontade clara de construir uma resposta multissetorial, coordenada e sustentável», lê-se num comunicado publicado pelo Ministério da Agricultura do Senegal.
Na África Ocidental, o roubo de gado não é um fenómeno novo e está amplamente documentado. Entre os principais fatores que alimentam esta prática destacam-se a insegurança nas zonas rurais, a ausência de rastreabilidade, a fragilidade das leis e o envolvimento de redes criminosas e grupos armados. Num relatório publicado em outubro de 2025, a Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional indica, por exemplo, que o roubo de gado é utilizado por várias organizações extremistas violentas (OEV), incluindo o Jama’at Nasr al-Islam wal Muslimin (JNIM), como fonte de financiamento através das vendas realizadas na zona trifronteiriça entre o Burkina Faso, o Gana e a Costa do Marfim.
«[…] Milhares de cabeças de gado, roubadas em zonas críticas do conflito no centro do Mali ou no norte do Burkina Faso, são transportadas através desta área para serem vendidas nos mercados da Costa do Marfim e do Gana por intermediários. Este sistema permite ao JNIM explorar os principais mercados de gado destes Estados costeiros», explica o relatório.
Um mercado criminoso de mais de 467 milhões de dólares difícil de controlar
A necessidade de uma repressão eficaz do roubo de gado é ainda mais premente tendo em conta as perdas significativas que este flagelo provoca nos sistemas de criação e no pastorilismo. Segundo dados da FAO, as perdas económicas associadas ao fenómeno na África Ocidental ultrapassam 467 milhões de dólares por ano.
O Senegal implementou diversas iniciativas em resposta, incluindo a criação da Célula de Luta contra o Roubo de Gado (CLVB) em 2013, a instalação de brigadas especializadas nas unidades rurais da Gendarmaria em todo o território e a adoção, em 2017, de uma lei que reforça a repressão através da criminalização do delito, prevendo penas de 5 a 10 anos de prisão efetiva. Apesar destas medidas, a prática persiste, e os criadores senegaleses perdem, em média, entre 22 000 e 30 000 cabeças de gado (bovinos, ovinos e caprinos) por ano, o equivalente a cerca de 3,2 milhões de dólares, segundo estimativas da FAO.
Para além dos impactos económicos e sociais, o roubo de gado representa também um problema de saúde pública. De acordo com a organização das Nações Unidas, os produtos de origem animal provenientes destes furtos alimentam circuitos de abate clandestino a nível nacional e transfronteiriço. Estes abates não controlados constituem um risco grave para a saúde dos consumidores, devido à possibilidade de contaminação por zoonoses.
A vontade dos governos da África Ocidental de lançar uma resposta concertada reflete a complexidade de um fenómeno cuja gestão ultrapassa o âmbito de iniciativas nacionais isoladas. Os próximos desenvolvimentos permitirão avaliar se o programa regional anunciado poderá imprimir uma nova dinâmica ao combate a este problema, num contexto em que o comércio de gado continua a ser um pilar económico fundamental tanto para os Estados costeiros como para os países do Sahel.
Stéphanas Assocle