Com mais de 44 milhões de assinantes, a AXIAN Telecom afirma-se como um ator de relevo nas telecomunicações em África. A empresa multiplica parcerias para apoiar o crescimento dos seus serviços digitais e acelerar o seu desenvolvimento nos mercados onde opera.
O operador panafricano AXIAN Telecom anunciou, a 10 de fevereiro, a assinatura de um protocolo de acordo estratégico com o grupo chinês Huawei. O acordo, concluído em janeiro em Xangai, visa acompanhar a modernização das suas infraestruturas e apoiar o desenvolvimento de ecossistemas digitais mais inclusivos nos seus mercados africanos.
“Esta parceria reflete os valores fundamentais da AXIAN Telecom – compromisso de longo prazo, capacitação local e crescimento responsável. Trabalhando em estreita colaboração com a Huawei, reforçamos a nossa capacidade de fornecer serviços digitais de alta qualidade, ao mesmo tempo que desenvolvemos as competências digitais de que África precisa para competir e prosperar na economia global”, declarou Hassan Jaber, CEO da AXIAN Telecom.
O protocolo de acordo assenta em três pilares: conectividade digital, finanças digitais e transformação operacional. Prevê uma modernização conjunta das infraestruturas de rede, a expansão da oferta de serviços de valor acrescentado, bem como a integração de tecnologias de nova geração destinadas a melhorar a acessibilidade, a qualidade e a segurança dos serviços nos países onde o grupo opera.
A parceria foca-se, nomeadamente, no desenvolvimento de soluções escaláveis, incluindo 5G, arquiteturas de rede baseadas em cloud, plataformas digitais avançadas, bem como ferramentas de operação com integração de inteligência artificial. Estas tecnologias permitirão ao operador otimizar os custos operacionais, aumentar a capacidade das redes e oferecer serviços mais eficientes a particulares, empresas e administrações públicas.
Um continente ainda em busca de aproximação digital
Esta iniciativa surge num momento em que África apresenta uma dinâmica contrastante em termos de conectividade. Segundo o relatório “The Mobile Economy Africa 2025” da GSMA, cerca de 416 milhões de pessoas utilizam atualmente Internet móvel no continente. No entanto, aproximadamente 75% da população continua sem acesso à Internet móvel e cerca de 960 milhões de africanos ainda não usam a Internet, apesar da existência de cobertura de rede.
O atraso é ainda mais evidente nas tecnologias de nova geração. De acordo com a União Internacional das Telecomunicações (UIT), a 5G representa apenas cerca de 1,2% das subscrições móveis na África subsaariana. Este desfasamento tecnológico limita o desenvolvimento de serviços digitais de alto valor acrescentado, nomeadamente aqueles baseados em cloud, aplicações industriais ou inteligência artificial.
Neste contexto, os operadores de telecomunicações são forçados a investir maciçamente para modernizar as suas infraestruturas, mantendo serviços acessíveis em mercados sensíveis ao preço. As parcerias tecnológicas surgem assim como um alicerce para partilhar know-how, acelerar o lançamento de serviços e otimizar custos.
Para a Huawei, esta colaboração representa a oportunidade de consolidar a sua presença junto dos operadores africanos. O grupo chinês indicou querer “levar tecnologia de ponta e inovação aos mercados locais, apoiando o desenvolvimento sustentável, melhorando a conectividade e enriquecendo a experiência digital” no continente.
Economia digital: um motor de transformação estrutural
Para além do acordo bilateral, a modernização das infraestruturas digitais representa um desafio macroeconómico de grande importância para África. Segundo a GSMA, o setor móvel já contribui com mais de 7% do PIB africano, e esta fatia deverá continuar a crescer à medida que se expandem a conectividade de alta velocidade, os serviços financeiros digitais, o comércio eletrónico e as soluções baseadas em inteligência artificial.
Para a AXIAN Telecom, presente em nove países africanos — incluindo Madagáscar, Comores, Tanzânia, Togo, Uganda, RDC e Senegal — o objetivo é apoiar esta dinâmica em mercados caracterizados por forte crescimento demográfico e elevada procura por conectividade e serviços financeiros móveis. O grupo conta já com vários milhões de assinantes e continua a expandir as suas infraestruturas num ambiente competitivo dominado por grandes operadores panafricanos.
Samira Njoya
O governo ugandês pretende generalizar o acesso aos serviços digitais. Segundo o executivo, a multiplicação das ligações internacionais nos últimos anos contribuiu para reduzir o custo da Internet.
As autoridades ugandesas apelam à produção local de telemóveis e computadores, de forma a reduzir os preços e fomentar a adoção dos serviços digitais. O anúncio foi feito pelo ministro das TIC e da Orientação Nacional, Chris Baryomunsi (foto, à direita), durante uma intervenção a 10 de fevereiro no Instituto Nacional de Liderança de Kyankwanzi, reportada pela imprensa local.
«Se os preços dos telemóveis, computadores e da Internet baixarem, a população poderá efetuar transações através dos seus telemóveis, estudar online e aceder mais facilmente aos serviços. É este o objetivo do governo», declarou Baryomunsi.
Esta iniciativa surge num contexto em que a acessibilidade a dispositivos capazes de se ligar à Internet é considerada um dos principais obstáculos à adoção do digital, segundo a GSMA. A organização salienta que, apesar da multiplicação, no continente, de modelos de smartphones abaixo dos 100 dólares nos últimos anos, estes dispositivos continuam fora do alcance de muitas pessoas. A GSMA lançou recentemente uma coligação com operadores africanos para desenvolver smartphones 4G a 30–40 dólares.
No Quénia vizinho, uma parceria público-privada permitiu o lançamento, em outubro de 2023, de uma fábrica de montagem de smartphones de baixo custo. Em janeiro passado, as autoridades indicaram que cinco milhões de dispositivos já tinham sido montados no país, sendo vendidos entre 6000 e 8000 xelins quenianos (46,5 a 62,2 dólares).
Apesar destes custos relativamente baixos, um relatório da GSMA publicado em outubro de 2025 revela que a adoção dos smartphones montados localmente continua modesta. Os consumidores percebem-nos frequentemente como de menor qualidade e menos atrativos do que as marcas internacionais bem conhecidas, como Infinix, Itel, Redmi ou Vivo, também presentes no segmento de smartphones económicos. Segundo a GSMA, estas observações mostram que as iniciativas de montagem devem ser acompanhadas de estratégias de construção de marca e de reforço da confiança dos consumidores para competir eficazmente no mercado.
Para além do smartphone ou de dispositivos de acesso à Internet, vários outros fatores influenciam a adoção e utilização do digital. Entre eles estão a cobertura de rede, o custo da Internet, as competências digitais, a disponibilidade de conteúdos relevantes, a qualidade da experiência e questões de segurança ou normas sociais.
Segundo dados da Uganda Communications Commission (UCC), o país contava com cerca de 45,7 milhões de assinaturas móveis ativas no final de setembro de 2025, contra apenas 17 milhões de assinaturas de Internet ativas, para uma população de cerca de 50 milhões de habitantes. Contudo, estes números devem ser interpretados com cautela, uma vez que o regulador conta cada cartão SIM ligado como um assinante, embora uma pessoa possa possuir vários. O mesmo raciocínio aplica-se aos smartphones, cujo número ascendia a cerca de 19 milhões.
O MTN Group não está presente na RDC, onde o mercado é dominado por Airtel, Orange, Vodacom e Africell. O grupo sul-africano está, no entanto, implantado em vários países limítrofes da RDC, nomeadamente no Ruanda, Uganda, Zâmbia, Sudão do Sul e República do Congo.
As autoridades congolesas acusam a empresa de telecomunicações MTN Group de fornecer serviços de telefonia móvel e acesso à Internet de forma ilegal no território nacional. Num comunicado publicado na quarta-feira, 11 de fevereiro, o regulador das telecomunicações apontou as cidades de Goma e Rutshuru, situadas próximas da fronteira com o Ruanda, país onde o grupo está presente. Esta acusação releva a questão sensível da gestão e controlo das frequências nas zonas fronteiriças em África.
Segundo a Autoridade de Regulação dos Correios e Telecomunicações do Congo (ARPTC), esta exploração irregular constitui uma violação das disposições legais e regulamentares em vigor e expõe a empresa a possíveis processos. O regulador afirma ter já acionado as instâncias nacionais e internacionais competentes e garante que não irá excluir qualquer via legal para assegurar o cumprimento das leis e a soberania digital do país.
Na terça-feira, 10 de fevereiro, a Primeira-Ministra Judith Suminwa Tuluka reuniu os principais intervenientes do setor, incluindo Airtel, Orange e Vodacom, para coordenar a resposta. A ARPTC recebeu instruções para tratar imediatamente do processo do ponto de vista técnico e acionar as instâncias internacionais competentes, com um lema claro: tolerância zero face a qualquer violação da soberania digital.
Até ao momento, o MTN Group ainda não se pronunciou publicamente sobre estas acusações. A empresa sul-africana está presente em países limítrofes da RDC, como o Ruanda, Uganda, Zâmbia, Sudão do Sul e Congo, onde o grupo já implantou a sua rede.
Propagação das ondas e desafios regulamentares nas fronteiras
Para implementar as suas redes num país, os operadores de telecomunicações utilizam frequências de rádio atribuídas pelo Estado, através do regulador nacional. Estes recursos, limitados e estratégicos, constituem a base do funcionamento dos serviços de telefonia móvel e acesso à Internet.
Atribuídas por um período determinado e em bandas específicas, as frequências são estritamente regulamentadas por licenças que definem as condições de exploração, as zonas de cobertura e as obrigações técnicas. Em teoria, a sua utilização limita-se ao território nacional. Na prática, especialmente nas zonas fronteiriças, a propagação natural das ondas pode provocar derrames de sinal além-fronteiras.
Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), a propagação das frequências hertzianas ignora as fronteiras administrativas entre Estados, o que cria um problema de gestão conjunta das frequências nas fronteiras. A propagação excessiva pode resultar na presença, num país, de operadores vizinhos a fornecer serviços nas zonas fronteiriças. Se estes operadores não tiverem presença oficial, o facto de as populações conseguirem captar a rede do outro lado da fronteira cria um ecossistema de utilização de serviços, com agentes improvisados a vender cartões SIM e serviços.
Um exemplo notável ocorreu entre Camarões e Chade nos anos 2000. Em outubro de 2002, a Autoridade Reguladora do Chade (OTRT) acionou a ART do Camarões, acusando os operadores MTN e Orange baseados em Kousséri de concorrência desleal por inundarem o mercado de N’Djamena com telemóveis e cartões SIM a preços baixos, prejudicando os operadores chadianos CELTEL e LIBERTIS, então em fase de implementação. Após várias trocas e com a intervenção da UIT, um acordo de coordenação foi finalmente assinado em setembro de 2009 em Maroua para regulamentar a situação.
Harmonização das frequências: um projeto continental em expansão
Um acordo sobre a coordenação transfronteiriça das frequências em África, assinado por 54 países sob a égide da UIT, foi adotado em janeiro de 2022. O objetivo é prevenir interferências prejudiciais aos serviços fixos e móveis terrestres e otimizar a utilização do espectro com base em acordos bilaterais ou multilaterais.
Desde então, estes mecanismos de coordenação multiplicam-se no continente. Em agosto de 2025, delegações da RDC e de Angola reuniram-se para harmonizar o uso das frequências ao longo da sua fronteira comum. Ambas as partes definiram parâmetros de coordenação para sete bandas entre 700 MHz e 3500 MHz e adotaram medidas obrigatórias: limitação da cobertura a 1000 metros para além das fronteiras, proibição de antenas omnidireccionais nas zonas fronteiriças e demolição de pontos de venda irregulares.
Esta dinâmica vai além do eixo Congo–Angola na África Central. Ainda em agosto de 2025, Gabão e Camarões assinaram um acordo. O Congo também concluiu arranjos com a RDC em 2021 e com o Gabão em 2023, estando em curso negociações com o Camarões. Outras iniciativas recentes confirmam esta tendência, como a reunião bilateral entre Chade e Camarões em junho de 2025 ou o anúncio, em agosto de 2024, de um acordo tripartido reunindo Camarões, Gabão e Guiné Equatorial.
Na África Ocidental, os países membros da Aliança dos Estados do Sahel (AES) assinaram, em novembro de 2025, um acordo de coordenação das frequências nas fronteiras. O texto estabelece mecanismos para prevenir interferências numa faixa de 15 km de cada lado das fronteiras territoriais. Iniciativas similares foram também levadas a cabo entre Togo e Gana, Gana e Burquina Faso, bem como Nigéria e Níger.
Isaac K. Kassouwi
Após o Benim, a Marsa Maroc prossegue a sua expansão na África Ocidental, com uma parceria anunciada em 2024 que se concretiza em Monróvia. Esta iniciativa insere-se no plano de modernização portuária promovido pelas autoridades liberianas, que procuram melhorar a eficiência logística e atrair mais fluxos comerciais.
A Marsa Maroc e a autoridade portuária do Libéria anunciaram a assinatura de um contrato de gestão para a exploração de duas docas no porto de Monróvia. Este ato, que formaliza um protocolo de acordo assinado em novembro de 2024, visa melhorar o desempenho operacional da plataforma portuária e reforçar a competitividade logística do país da África Ocidental.
De acordo com o caderno de encargos, a Marsa Maroc realizará trabalhos de reabilitação, fornecerá equipamentos portuários e trará a sua expertise na movimentação de carga a granel para assegurar a exploração das duas docas, tudo através da sua subsidiária Marsa Maroc International Logistics (MMIL). A entrada em funcionamento gradual das infraestruturas está prevista para o primeiro semestre de 2026.
Reformas em vários domínios
Este acordo constitui uma primeira etapa da parceria entre ambas as partes, que preveem numa segunda fase um contrato de concessão para o desenvolvimento e exploração de um novo terminal polivalente no mesmo porto. Nos últimos anos, o Libéria tem desenvolvido iniciativas para reforçar a capacidade operacional dos seus portos, incluindo medidas regulamentares e institucionais, como a criação de uma autoridade reguladora dos portos marítimos e a descentralização da sua gestão.
Para além do atraso infraestrutural que limita as capacidades, as ações empreendidas visam também resolver problemas de governança. Segundo uma nota publicada em 2024 pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, o porto de Monróvia enfrenta elevados custos de movimentação de mercadorias e corrupção. Estes atrasos administrativos levam alguns importadores a recorrer a portos de países vizinhos, como o de Conacri, na Guiné.
Henoc Dossa
Desde a introdução, em agosto de 2025, de tarifas aduaneiras de 15% pelos Estados Unidos sobre certas importações, o comércio entre Yaoundé e Washington tem operado num ambiente tarifário mais restritivo.
Entre agosto e novembro de 2025, as exportações camerunesas para os EUA aumentaram em volume, mas geraram menos receita no mesmo período, segundo nota do Conselho Nacional de Transportadores do Camarões (CNCC).
As quantidades exportadas subiram de 12 959 toneladas em 2024 para 14 588 toneladas em 2025, um aumento de 12,6%. Em contrapartida, o valor das exportações caiu de 46 para 38,3 mil milhões de FCFA, representando uma redução anual de 16,6%.
A polpa de cacau, principal produto exportado para os EUA, concentrou grande parte desta dinâmica. Entre agosto e novembro, os volumes despachados diminuíram de 6 804 para 6 119 toneladas, e as receitas caíram de 43,1 para 34,6 mil milhões de FCFA (-19,7%). O custo unitário médio passou de 6 343 FCFA para 5 665 FCFA por quilograma.
O CNCC indica que a queda do preço unitário pode refletir um ajuste comercial num contexto tarifário menos favorável, embora não seja possível separar exatamente os efeitos das tarifas da evolução do mercado internacional.
Além do cacau, a madeira serrada e a borracha natural também figuram entre os principais produtos exportados para os EUA. O CNCC recomenda diversificar os mercados de destino, apontando países como Países Baixos, Bélgica, Malásia e China.
O Conselho sugere ainda aproveitar melhor as oportunidades oferecidas pela Zona de Livre Comércio Continental Africana, que visa reduzir gradualmente barreiras comerciais entre países africanos, e acelerar a transformação local das matérias-primas, exportando produtos de maior valor agregado e reduzindo a exposição às flutuações tarifárias e choques externos.
O novo presidente da Federação das Sociedades de Seguros de Direito Nacional Africanas ambiciona dinamizar o setor, a fim de aumentar a taxa de penetração do seguro, que se situa em torno de 2% em África.
Mamadou G.K. Koné (foto), presidente da Associação das Sociedades de Seguros da Côte d’Ivoire (ASA-CI) e diretor-geral da SanlamAllianz Côte d’Ivoire, foi eleito presidente da Federação das Sociedades de Seguros de Direito Nacional Africanas (FANAF), no final do 50.º congresso da organização. Sucede a César Ekomie-Afene, no cargo desde 2020, para um mandato de três anos.
Na votação, o Sr. Koné obteve 101 votos entre 201 votantes, superando Evelyne Fassinou (68 votos) e Mamadou Faye (32 votos). Ao seu lado, Aymric Kamega, diretor da ACAM Vie nos Camarões desde 2016, foi eleito vice-presidente. Juntos, terão como missão reforçar a integração dos mercados africanos, melhorar a resiliência do setor e estimular a contribuição dos seguros para o desenvolvimento económico do continente.
O setor segurador africano continua ainda pouco desenvolvido, devido ao peso significativo da economia informal, ao baixo poder de compra e às limitadas capacidades de distribuição dos atores tradicionais. Mamadou Koné pretende tornar a FANAF uma organização mais proativa, inclusiva e ligada às realidades locais. Segundo ele, África dispõe de um potencial “imenso” para o setor dos seguros, ainda pouco explorado e marginal no uso quotidiano das populações. Assim, pretende explorar novos espaços de distribuição e de atuação, a fim de promover o crescimento dos prémios e fazer do seguro um motor de desenvolvimento económico.
Um percurso completo
Mamadou Koné é uma figura bem conhecida no setor, onde acumula mais de 25 anos de experiência. O seu percurso abrange toda a cadeia de valor dos seguros: vida e não vida, resseguro, corretagem, atuariado, regulação e governação. Após os seus inícios na AXA na Côte d’Ivoire, integrou a Direção Nacional de Seguros, depois a Conferência Interafricana dos Mercados de Seguros (CIMA), onde ocupou o cargo de comissário controlador-chefe. Foi também membro do comité de peritos da CIMA entre 2014 e 2020.
À frente da ASA-CI desde 2021, liderou nomeadamente a digitalização dos certificados de seguro automóvel, considerada um avanço importante para reforçar a transparência e combater a fraude. É igualmente vice-presidente da Confederação Geral das Empresas da Côte d’Ivoire (CGECI) e integra vários conselhos de administração de instituições financeiras.
Diplomado pela London Business School (MBA), pela ENSAE Paris em atuariado e pelo Instituto Internacional de Seguros (IIA) de Yaoundé, Mamadou Koné pretende modernizar a FANAF, tornando-a digital, inclusiva e inovadora.
Sandrine Gaingne
Desde o fim da crise pós-eleitoral de 2010, o setor mineiro da Costa do Marfim entrou numa fase de crescimento, com a produção de ouro a mais do que decuplicar desde então. No entanto, os investimentos mobilizados até agora permanecem modestos face às ambições e ao potencial do país.
Nos últimos dez anos, a Costa do Marfim atraiu mais de 2 000 mil milhões de FCFA (3,6 mil milhões de USD) em investimentos mineiros. Este número, revelado durante a conferência Mining Indaba na África do Sul, evidencia a crescente importância do setor mineiro marfinense, mas continua aquém da meta governamental de mobilizar 11 400 mil milhões de FCFA até 2040.
Durante a conferência, que decorreu de 9 a 12 de fevereiro na Cidade do Cabo, a Costa do Marfim reuniu investidores internacionais para apresentar seus atrativos. Seydou Coulibaly, diretor-geral de Minas e Geologia do Ministério das Minas, destacou que os investimentos acumulados nos últimos dez anos resultam de fatores favoráveis: o potencial mineral do país com importantes depósitos de ouro e manganês, a estabilidade política, infraestruturas modernas e uma governança multipartidária transparente.
Estas qualidades renderam ao país reconhecimento internacional. O Fraser Institute classificou a Costa do Marfim como o melhor destino para investimento mineiro na África Ocidental em 2022 e 2023. Na conferência Africa Down Under, na Austrália, a Costa do Marfim foi até apontada como “o melhor lugar do mundo” para construir uma mina de ouro, segundo Justin Tremain, diretor-geral da Turaco, que desenvolve o depósito Afema, com mais de 100 toneladas de ouro.
Ambições elevadas
Atualmente, quatro minas de manganês, uma de níquel e uma de bauxita estão em operação, mas a maior parte dos investimentos nos últimos dez anos focou-se no ouro. Em 2010, o país contava apenas com quatro minas de ouro, produzindo cerca de 5 toneladas; em 2024, possui 13 minas, com produção aproximada de 60 toneladas. Apesar disso, as reservas auríferas continuam subexploradas, com potencial nacional estimado em 600 toneladas. Outros minerais, como coltan, lítio e cobre, ainda não estão explorados.
Para melhor aproveitar esse potencial, o governo lançou em dezembro último o plano PIRME (Política Integrada de Recursos Minerais e Energia), com orçamento de 38 000 mil milhões de FCFA (69 mil milhões USD) até 2040, dos quais 30% (20,7 mil milhões USD) serão destinados ao setor mineiro.
O objetivo é tornar a Costa do Marfim o maior produtor africano de ouro — atualmente, o país ocupava a 7ª posição em 2024, segundo o World Gold Council — e aumentar a contribuição do setor minas-energia para 14% do PIB até 2040, contra 7% em 2022.
Para atingir estas metas, o país moderniza o cadastro mineiro para reforçar a transparência e anuncia revisão do código mineiro, mas enfrenta desafios: será necessário equilibrar maior atratividade para investidores sem desencorajar investimentos, aprendendo com as tensões provocadas por revisões recentes nos códigos mineiros do Mali e Burkina Faso.
Emiliano Tossou
Em África, o mercado de alimentos para animais está em plena expansão, impulsionado pelo crescimento da pecuária e pelo aumento das necessidades de consumo de proteínas de origem animal. Embora parte da procura seja satisfeita por importações, existem também perspetivas de investimento na produção local.
A empresa neerlandesa De Heus, especializada em nutrição animal, anunciou na semana passada ter concluído a construção de uma fábrica de alimentos para animais na cidade de Athi River, no Quénia. Com um investimento total de 32 milhões de dólares, esta unidade, cuja entrada oficial em funcionamento está prevista para quarta-feira, 18 de fevereiro, dispõe de uma capacidade de produção anual de 200 000 toneladas de ração, expansível até 260 000 toneladas. Deverá fornecer uma vasta gama de produtos especializados para aves, suínos, ruminantes e aquacultura.
Este investimento insere-se no âmbito da expansão do grupo em África, que se tem acelerado desde o ano passado. Antes do Quénia, a De Heus anunciou, a 17 de setembro de 2025, ter iniciado diligências para instalar outra fábrica na Côte d’Ivoire, sem contudo especificar o montante do investimento nem a capacidade prevista. Ainda antes, a 2 de setembro de 2025, o grupo inaugurou no Uganda uma unidade exclusivamente dedicada à aquacultura. Avaliada em 25 milhões de dólares, esta unidade industrial tem uma capacidade anual de produção de 100 000 toneladas de alimentos para peixes.
Mais cedo, em março de 2025, a empresa anunciou também a entrada em funcionamento de uma fábrica de alimentos para bovinos com capacidade anual de 15 000 toneladas na África do Sul, país onde já opera vários sites industriais. No total, a De Heus reforçou assim a sua capacidade de produção no continente, com três novas fábricas operacionais em 12 meses e o anúncio de um novo projeto em preparação. O grupo mantém igualmente uma presença industrial de longa data noutros países como o Gana, o Egito e a Etiópia.
Perspetivas promissoras no mercado africano
A ofensiva africana conduzida pelo grupo neerlandês entre 2025 e 2026 ilustra a sua vontade de conquistar uma maior quota num mercado em rápido crescimento. Segundo projeções da Precision Business Insights, empresa de consultoria em inteligência económica, o mercado africano de alimentos para animais foi avaliado em 22,75 mil milhões de dólares em 2025 e deverá crescer, em média, 13,4% ao ano, para atingir 54,88 mil milhões de dólares até 2032.
Para explicar esta previsão otimista, a consultora destaca o efeito combinado do aumento do consumo de carne e de outros produtos proteicos de origem animal, bem como do crescimento demográfico nos países africanos. Para além destas dinâmicas, a Precision Business Insights indica que fatores como o recrudescimento de surtos de doenças animais e a produção em larga escala em sistemas de criação intensiva deverão também impulsionar o mercado africano de alimentos para animais nos próximos anos.
Neste contexto favorável, a aceleração dos investimentos da De Heus sugere igualmente a intenção de se manter competitiva face a outras multinacionais, como as suas compatriotas neerlandesas Nutreco NV e Koninklijke DSM N.V., bem como as norte-americanas Cargill e Novus International, a alemã BASF SE e a austríaca Biomin Holding GmbH.
Em África, a produção de alimentos para animais intensifica-se tanto por impulso de multinacionais como de empresas locais. Segundo o mais recente relatório “Agri-Food Outlook” da empresa norte-americana Alltech, a produção aumentou 7,2%, atingindo 57,7 milhões de toneladas em 2024, registando o maior crescimento anual observado a nível mundial. O relatório indica ainda que 40 novas fábricas de alimentos para animais entraram em funcionamento no continente em 2024.
Stéphanas Assocle
Desde 2024, o grupo mineiro chinês Zijin Mining tem multiplicado os investimentos em ouro em África, nomeadamente com a aquisição da mina Akyem, no Gana. Esta dinâmica foi reforçada no início deste ano com o anúncio da compra da Allied Gold, operadora de várias minas na África Ocidental.
Numa nota publicada na segunda-feira, 9 de fevereiro, o grupo Zijin Mining elevou o seu objetivo de produção de ouro para um máximo de 140 toneladas até 2028, face à meta de 110 toneladas anunciada em 2024. Embora a empresa afirme querer acelerar a otimização das suas minas existentes, esta nova projeção reflete sobretudo a intensificação da sua expansão no setor aurífero africano nos últimos anos.
Historicamente ativo no cobre, através da mina congolesa Kamoa-Kakula, Zijin Mining iniciou em 2024 a sua entrada no ouro africano com a aquisição da mina Akyem, no Gana, por cerca de 1 mil milhões de dólares. Esta expansão consolidou-se em janeiro de 2026, com o anúncio de um acordo para adquirir a empresa canadiana Allied Gold, por 5,5 mil milhões de dólares. Esta última explora três minas na África Ocidental — Sadiola, no Mali, e Agbaou e Bonikro, na Costa do Marfim — e planeia abrir ainda este ano uma quarta mina, Kurmuk, na Etiópia.
Com um portfólio aurífero de mais de uma dezena de minas distribuídas principalmente na China, Papua-Nova Guiné e Colômbia, a Zijin produziu 90 toneladas de ouro em 2025. A produção deverá atingir 105 toneladas em 2026, aumentando significativamente até 2028, conforme o novo objetivo. A concretização desta meta dependerá do progresso dos investimentos e das operações de fusão e aquisição, incluindo a finalização da aquisição da Allied Gold, em curso através da nova subsidiária Zijin Gold, sujeita à aprovação dos acionistas da Allied, com previsão de conclusão para final de abril.
Esta operação poderá ter um impacto significativo na estratégia de Zijin, sublinhando o papel crescente de África na trajetória de produção de ouro do grupo.
Aurel Sèdjro Houenou
Em termos de volume, o Botsuana é o maior produtor africano de diamantes e o segundo a nível mundial. Embora este estatuto não esteja ameaçado a curto prazo pelo Angola, este último posiciona-se cada vez mais como um ator importante da indústria.
Esta semana, durante a conferência Mining Indaba na África do Sul, a ministra das Minas do Botsuana prometeu aumentar os investimentos públicos na exploração de outros minerais além dos diamantes. A mensagem transmitida por Bogolo Joy Kenewendo contrasta com o anúncio feito por Angola no mesmo evento, de um aumento significativo da sua produção de diamantes até 2027. A crise que atravessa o mercado diamantífero oferece, de facto, a Luanda a oportunidade de desafiar a liderança histórica de Gaborone neste setor em África.
Produção e crise do mercado
Em 2024, Angola já reduziu a diferença para o Botsuana, com 14,02 milhões de quilates extraídos, contra 18,12 milhões de quilates do Botsuana. Em comparação, a produção botswanesa do ano anterior (25,09 milhões de quilates) representava mais do que o dobro da produção angolana (9,75 milhões de quilates). Gaborone decidiu reduzir os volumes extraídos para fazer face à queda da procura e dos preços nos últimos três anos. Como reflexo desta crise, os estoques botswaneses atingiram 12 milhões de quilates no final de 2025, quase o dobro do máximo permitido (6,5 milhões).
Por seu lado, Luanda aposta em aumentar os volumes extraídos. Segundo uma brochura oficial distribuída na Mining Indaba, a companhia pública Endiama prevê que o país produza 17 milhões de quilates até 2027, um aumento de 12% em relação à produção de 15,2 milhões de quilates registada em 2025. Este aumento insere-se no plano nacional de desenvolvimento 2023-2027, que prevê a entrada em produção de vários projetos diamantíferos, incluindo a primeira mina do lote, Luele, aberta no final de 2023. Apresentada como a maior do país, esta mina possui recursos estimados em 628 milhões de quilates e uma vida útil projetada de 60 anos.
Angola aposta também na qualidade das suas pedras, comparáveis às do Botsuana. Apesar de menor em volume, a produção diamantífera angolana atingiu 1,41 mil milhões de dólares em 2024, contra 1,35 mil milhões de dólares do Botsuana.
Perspetivas sobre De Beers
O crescimento do setor diamantífero angolano deverá passar também pela transformação local. O plano de desenvolvimento prevê a construção de dezenas de fábricas e a criação de uma bolsa de diamantes, com o objetivo de ganhar participação nos segmentos a jusante da cadeia de valor. Luanda pretende ainda adquirir uma participação no gigante da indústria, De Beers.
Enquanto o grupo está à venda pelo proprietário Anglo American, Angola quer adquirir parte do capital, ao lado do Botsuana. Gaborone, já acionista com 15% da De Beers, deseja controlar totalmente um grupo que ainda retira 70% da sua produção do país da África Austral. Embora a ambição de Luanda possa entrar em conflito com a do Botsuana, existe outra via: a cooperação.
Segundo informações de outubro de 2025, Angola submeteu uma primeira oferta para adquirir uma participação majoritária, planeando fazê-lo através de um consórcio envolvendo outros produtores africanos, com uma participação prevista entre 20% e 30%. Negociações confidenciais estariam em curso com o Botsuana, África do Sul e Namíbia. «Adquirir uma participação majoritária em produtos de luxo é muito arriscado, pois depende do mercado […] Devemos, portanto, ser solidários e atuar como uma equipa», declarou Paulo Tanganha, diretor nacional de recursos minerais de Angola, à Reuters, na margem da conferência.
Impacto na economia angolana
Se uma melhoria das condições de mercado ampliar a diferença entre os volumes de produção do Botsuana e de Angola, os esforços de Luanda podem reforçar a contribuição dos diamantes para a economia nacional. Com uma iniciativa lançada em junho de 2025 para melhorar a imagem do diamante natural face aos diamantes sintéticos, Angola colabora com outros países africanos e atores da indústria para relançar a procura das pedras extraídas.
Mesmo não assumindo o papel central que os diamantes desempenham no Botsuana (um terço das receitas públicas e cerca de 75% das receitas em divisas), os diamantes podem reduzir a dependência de Angola do petróleo. Até 2050, Luanda pretende elevar a participação do setor mineiro para 2,3% do PIB angolano, contra 1,3% em 2022.
Emiliano Tossou