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Equipe Publication

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O Burkina Faso continua a investir em infraestruturas rodoviárias, com o objetivo de reforçar a conectividade interna e os intercâmbios com os países costeiros. Dois novos projetos foram lançados no oeste do país para reabilitar um eixo estratégico do corredor que liga as zonas de produção aos portos marítimos.

Os trabalhos de reabilitação da estrada Bobo-Dioulasso – Banfora e de asfaltamento da estrada Banfora – Orodara foram lançados no sábado, 14 de março de 2026, pelo Primeiro-Ministro burquinense, Rimtalba Jean Emmanuel Ouédraogo. Segundo o governo, estes projetos destinam-se a melhorar a mobilidade de pessoas e bens e a apoiar o desenvolvimento económico das zonas envolvidas.

O custo estimado dos trabalhos no eixo Bobo-Dioulasso – Banfora é de 63 mil milhões de FCFA (aproximadamente 109,5 milhões USD) sem impostos, cobrindo um troço de 84,7 km e com execução prevista em 24 meses. Quanto ao asfaltamento do eixo Banfora – Orodara (42 km) na Estrada Nacional n.º 11, os trabalhos decorrerão ao longo de 18 meses, com um valor superior a 18 mil milhões de FCFA sem impostos.

Estes projetos são financiados pelo Estado do Burkina Faso, com o apoio do Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID). Segundo este, os trabalhos permitirão reduzir os custos e os prazos de transporte, bem como melhorar o acesso aos mercados portuários e às zonas de produção agrícola e mineira. Estes investimentos surgem num contexto em que o Burkina Faso, país sem saída para o mar, procura otimizar a sua cadeia logística através do desenvolvimento da rede rodoviária, principal suporte das suas importações e exportações. Situada a cerca de cinquenta quilómetros da fronteira com a Costa do Marfim, Banfora constitui um elo-chave desta cadeia, com o porto de Abidjan como pólo estratégico deste corredor.

Para além deste objetivo, foram anunciados impactos significativos em termos de segurança nas regiões afetadas pelo terrorismo, bem como em diversos outros setores da economia nacional.

Henoc Dossa

 

Em 2025, o governo da Guiné lançou uma campanha de saneamento no setor mineiro, revogando mais de uma centena de licenças de exploração. Meses após estas decisões, algumas empresas iniciaram ações legais para buscar reparação.

Na segunda-feira, 16 de março, a Falcon Energy Materials, grupo sediado nos Emirados Árabes Unidos, anunciou a abertura de um processo de arbitragem internacional contra o Estado guineense por “expropriação ilegal” do seu projeto de grafite Lola, reclamando cerca de 100 milhões de USD em indenizações. Esta ação junta-se à da compatriota Axis Minerals, que iniciou um processo semelhante em dezembro de 2025.

Motivações das ações

Falcon alega que a Guiné retirou unilateralmente o seu direito de exploração do projeto Lola e que tentou, sem sucesso, resolver a questão amigavelmente com as autoridades locais. A arbitragem foi iniciada junto ao Centro Internacional para Resolução de Disputas sobre Investimentos (CIRDI), com base no tratado bilateral de investimento entre Guiné e Emirados Árabes Unidos. A indenização reivindicada visa cobrir a perda de ativos do projeto Lola e danos adicionais decorrentes das decisões do governo de Conacri.

Embora o montante de 100 milhões de USD reclamado por Falcon seja inferior aos 28,9 bilhões de USD exigidos pela Axis Minerals, os fundamentos das duas ações são similares: ambas alegam retirada ilegal de direitos minerais — no caso da Axis, relativos à sua mina de bauxita. Até o momento, o andamento desses processos é incerto, sem comunicação oficial de Conacri.

Perspectivas e incertezas

A Guiné ainda não esclareceu oficialmente os motivos exatos das revogações. A Axis Minerals indica que a retirada de sua licença se deve à suposta subexploração da mina. Outros litígios no setor, como o da Emirates Global Aluminium (EGA), permanecem pendentes. Embora a EGA tenha manifestado intenção de buscar reparação judicial, nenhuma ação formal foi iniciada, e negociações para um acordo amigável com o governo estão em curso desde dezembro de 2025, sem desfecho confirmado.

Enquanto isso, o futuro de projetos industriais importantes permanece incerto. Após a revogação de sua licença, a mina da EGA foi transferida para a empresa pública Nimba Mining, mas os ativos da Axis e da Falcon continuam indefinidos. O projeto Lola ainda está em desenvolvimento, enquanto a mina da Axis é um ativo operacional, sendo a segunda maior mina de bauxita do país.

A postura do governo guineense será crucial para o progresso desses processos, cujo impacto no ecossistema mineiro do país merece acompanhamento. A arbitragem junto ao CIRDI é comum para resolver disputas mineiras, mas pode levar vários anos e gerar custos significativos.

Aurel Sèdjro Houenou

Graças às reformas conduzidas pelo GoldBod, o Gana tem avançado nos últimos meses com a formalização progressiva do seu setor de ouro artesanal e de pequena escala (ASM). Os resultados começam a ser visíveis, refletidos no aumento da produção deste segmento em 2025.

Na segunda-feira, 16 de março, o GoldBod anunciou a assinatura de um acordo com a Ghana Geological Survey Authority (GGSA) para realizar estudos geológicos em áreas mineralizadas. Este projeto, com um custo inicial de 27,5 milhões de cedis (2,5 milhões de USD), visa avaliar melhor o potencial das áreas selecionadas, com vista ao desenvolvimento futuro de novos locais de mineração artesanal no país.

As zonas alvo para a prospeção situam-se nas localidades de Funsi, Atuna e Bensere Este, embora os tipos de minerais procurados ainda não tenham sido especificados. O programa prevê que a GGSA conduza investigações geológicas durante quatro meses, com o objetivo de fornecer dados confiáveis que possam orientar investimentos no setor e apoiar o “desenvolvimento de explorações mineiras artesanais responsáveis”.

Este projeto representa um marco nas iniciativas do GoldBod para cumprir o seu papel como regulador do ouro artesanal e de pequena escala no Gana. Desde a sua criação no ano passado, a instituição destacou-se como o único comprador da produção de ouro dos pequenos mineradores. Ao investir em trabalhos de exploração, o GoldBod amplia agora a sua atuação, integrando o desenvolvimento de novos locais de mineração como um instrumento de formalização de um setor historicamente informal.

Esta abordagem insere-se num contexto em que o GoldBod procura consolidar a dinâmica de progresso observada nos últimos meses, evidenciada pela produção artesanal recorde de 3,1 milhões de onças de ouro em 2025. A conclusão dos estudos ainda é incerta, mas a identificação de índices auríferos poderá ser determinante para os planos da instituição. O Gana conta também com bauxita e manganês como outros produtos minerais estratégicos.

Aurel Sèdjro Houenou

Em 2025, a Shell indicou que tornaria a Nigéria um eixo central da sua estratégia de expansão no gás natural liquefeito (GNL), prevendo simultaneamente um aumento de cerca de 60% na procura mundial até 2040.

O mercado global de GNL entra numa fase de crescimento sustentado. Segundo a multinacional anglo-neerlandesa Shell, a procura mundial deverá aumentar pelo menos 54% até 2040, informação divulgada na apresentação oficial intitulada “LNG Portfolio: Strategic Spotlight 2026”, publicada pelo grupo na segunda-feira, 16 de março.

Neste cenário, o consumo global de GNL atingirá entre 650 e 710 milhões de toneladas por ano até 2040, comparado com cerca de 422 milhões de toneladas em 2025, segundo os dados do documento da Shell.

A empresa sublinha que a maior parte do crescimento virá dos mercados em desenvolvimento, especialmente na Ásia, onde os países asiáticos fora da OCDE representaram cerca de 41% das importações mundiais em 2024. «Prevemos que grande parte do aumento da procura de GNL ocorrerá nos mercados em desenvolvimento, particularmente na Ásia», afirmou a Shell, lembrando que o GNL é utilizado na produção de eletricidade, indústria, aquecimento e transportes.

O GNL também desempenha um papel estratégico no equilíbrio do sistema energético, especialmente no contexto da expansão das energias renováveis. A empresa alerta ainda que um défice entre oferta e procura deverá persistir além da metade da década de 2030, exigindo novos investimentos em capacidades de produção.

Essa evolução vem acompanhada pelo desenvolvimento das infraestruturas industriais, com novos projetos de liquefação e exportação em várias regiões.

GNL, pilar estratégico da Shell

O aumento esperado da procura mundial reforça o reposicionamento estratégico da Shell, que, segundo informações de outubro de 2025 da Agence Ecofin, pretende tornar o GNL um eixo prioritário do seu portfólio energético, captando o crescimento previsto do mercado.

O GNL representava cerca de 13% do comércio mundial de gás, proporção que deverá atingir quase 20% até 2040, refletindo uma recomposição dos fluxos energéticos internacionais marcada pelo crescimento do transporte marítimo de gás.

A Shell destaca a flexibilidade do GNL, que facilita a sua integração em diferentes sistemas energéticos e promove a sua adoção em novos mercados, reforçando o seu papel no abastecimento energético global.

O grupo indica ainda que dará prioridade a projetos gasíferos mais rentáveis, num contexto em que as grandes empresas de energia reavaliam as suas estratégias, focando-se em segmentos com perspectivas de crescimento sustentado.

Abdel-Latif Boureima

O café é a terceira bebida mais consumida no mundo, atrás apenas da água e do chá. Com o crescimento contínuo do seu comércio, o grão acaba de ganhar uma data especial.

A partir de agora, o 1º de outubro será o Dia Internacional do Café, conforme proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas após a adoção de uma resolução em 10 de março.

«O café é mais do que uma bebida; é uma mercadoria comercializada globalmente [do grão à chávena], que garante o sustento de milhões de famílias agrícolas e conecta comunidades rurais aos mercados mundiais. Reconhecer o valor do setor cafeeiro permitirá consciencializar sobre sua importância socioeconómica e reforçar sua contribuição para a erradicação da pobreza. Estamos felizes por celebrar este dia e os valores que ele representa», declarou QU Dongyu, diretor-geral da FAO.

Um grão que vale 200 mil milhões de dólares

Com a criação deste dia, o café junta-se ao chá, a bebida mais consumida depois da água, celebrada a 21 de maio. Sendo um dos produtos mais comercializados no mundo, a cadeia de valor do café é também altamente lucrativa. Segundo a FAO, a indústria global do café gera anualmente mais de 200 mil milhões de dólares, impulsionada por um mercado em contínuo crescimento.

A manutenção da procura nos mercados tradicionais — Estados Unidos e Europa —, aliada ao aumento da procura interna em países como Indonésia, Médio Oriente e China, elevou o consumo anual per capita em média 1,2% ao ano na última década, de acordo com a organização das Nações Unidas.

O setor cafeeiro sustenta cerca de 25 milhões de agricultores em todo o mundo, com uma produção que ultrapassou 11 milhões de toneladas. Na África Oriental, principal região produtora do continente, o café é uma fonte valiosa de divisas e tem grande peso nas exportações.

«Em 2024, o café representou 27,9% das exportações totais da Etiópia, 20,1% das exportações de Uganda e 19,5% das do Burundi. Na Etiópia e em Uganda, as receitas de exportação do café superavam as importações de alimentos, enquanto no Burundi representavam cerca de 20%», indica a FAO.

Espoir Olodo

 

No âmbito do programa panafricano Timbuktoo, o governo ganês lançou o Timbuktoo AgriTech Hub em Accra, uma iniciativa destinada a reunir diferentes atores do ecossistema de inovação em torno das tecnologias aplicadas à agricultura.

O objetivo é reforçar o papel das tecnologias digitais na transformação do setor agrícola, permitindo aos empreendedores criar e escalar soluções capazes de melhorar a produtividade, facilitar o acesso aos mercados e aumentar a resiliência das explorações face às mudanças climáticas. Tecnologias baseadas em dados, inteligência artificial, plataformas móveis e infraestruturas digitais são algumas das ferramentas que podem acelerar esta transformação.

A plataforma oferecerá programas de capacitação, incluindo sessões de formação e bootcamps para responsáveis de incubadoras, visando melhorar o apoio às start-ups inovadoras.

«Com políticas direcionadas e parcerias estratégicas, estamos a criar uma economia digital que apoia start-ups, atrai investimentos e gera oportunidades para a próxima geração de inovadores africanos. É fundamental ampliar o acesso ao financiamento da inovação para que o ecossistema de start-ups africanas atinja todo o seu potencial», declarou o ministro das TIC, Samuel Nartey George.

Esta iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para desenvolver a economia digital e estimular o empreendedorismo tecnológico, facilitando o acesso a financiamento e parcerias para criar um ambiente favorável à inovação.

Segundo o relatório Foresight Africa: Top Priorities for the Continent 2025-2030, do think tank Brookings Institution, a agriTech pode contribuir para erradicar a fome de 282 milhões de africanos até 2030.

Adoni Conrad Quenum

 

A fusão, sujeita à aprovação das autoridades reguladoras, deverá entrar em vigor em julho de 2026. Assim, a Sanlam Marrocos posicionar-se-á como uma referência no país, nomeadamente com uma solidez financeira reforçada.

Os conselhos de administração da Sanlam Marrocos e da Allianz Marrocos aprovaram, nas quarta-feira, 11, e quinta-feira, 12 de março, um projeto de fusão por incorporação que prevê a integração da Allianz Marrocos na Sanlam Marrocos.

No final do processo, a Allianz Marrocos deixará de existir juridicamente e todas as suas atividades, contratos, clientes, ativos e obrigações serão transferidos para a Sanlam Marrocos. «Esta fusão permitirá criar um único operador de seguros e resseguros, mais eficiente e melhor capitalizado, combinando competências e recursos complementares», indica o comunicado conjunto. E acrescenta: «tem igualmente como objetivo melhorar a qualidade do serviço, acelerar a inovação digital, reforçar a presença territorial para oferecer maior proximidade e acessibilidade aos segurados, e propor ofertas cada vez mais adaptadas às suas necessidades».

Uma operação financeira estruturada

Do ponto de vista financeiro, a fusão será realizada através de um aumento de capital da Sanlam Marrocos reservado aos acionistas da Allianz Marrocos. Os detentores de ações da Allianz Marrocos receberão ações da Sanlam Marrocos segundo uma paridade fixada em duas ações da Allianz Marrocos por cinco ações da Sanlam Marrocos. Este mecanismo de troca de ações permitirá integrar os acionistas de uma sociedade no capital da outra e assegurar a continuidade dos seus direitos na nova entidade.

A concretização da fusão permanece sujeita a várias condições suspensivas, nomeadamente a aprovação da Autoridade Marroquina do Mercado de Capitais, bem como da Autoridade de Controlo dos Seguros e da Previdência Social. Deverá também ser aprovada pelas assembleias gerais das duas sociedades.

Sob reserva do cumprimento dessas condições, a fusão deverá produzir efeitos no início de julho de 2026. Nessa data, a Allianz Marrocos será automaticamente dissolvida, sem necessidade de liquidação. Todo o seu património será transferido para a Sanlam Marrocos, conforme indicado no comunicado.

Chamberline Moko

 

A África enfrenta um défice anual de cerca de 100 mil milhões de dólares para financiar o seu comércio, segundo o Afreximbank. A parceria entre a BII e o Deutsche Bank deverá contribuir para reduzir este obstáculo de forma direcionada.

A British International Investment (BII), instituição britânica de financiamento do desenvolvimento, e o banco alemão Deutsche Bank lançaram um programa de 150 milhões de dólares destinado a reforçar o financiamento do comércio em África. A iniciativa visa especialmente mercados frequentemente considerados de risco ou insuficientemente atendidos por investidores internacionais. O anúncio foi feito na segunda-feira, 16 de março.

O mecanismo baseia-se num sistema de partilha de riscos destinado a apoiar os bancos locais no financiamento das operações comerciais dos seus clientes. O objetivo é reduzir o défice de financiamento do comércio em África, estimado em 100 mil milhões de dólares pela Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank), ao mesmo tempo que facilita o comércio transfronteiriço.

«Esta parceria reforça a nossa capacidade de partilha de riscos e consolida a nossa aptidão para facilitar transações transfronteiriças sustentáveis em todo o mercado africano», declarou Anand Jha, responsável global pelo financiamento do comércio para instituições financeiras no Deutsche Bank, presente em 42 países. «Ao combinar a nossa plataforma global com o mandato de desenvolvimento e a experiência regional da BII, pretendemos impulsionar ainda mais os fluxos comerciais para o continente», acrescentou.

O programa dará prioridade a economias como a Zâmbia, a Etiópia e o Ruanda. Graças a este mecanismo, os bancos locais poderão dispor de maior capacidade de financiamento, permitindo-lhes conceder mais crédito relacionado com o comércio internacional.

Os fundos deverão também ajudar as empresas a importar matérias-primas e equipamentos industriais, essenciais para o desenvolvimento das cadeias de produção locais e para o reforço do tecido industrial africano. Em muitos países, os bancos dispõem de recursos limitados ou enfrentam dificuldades em obter garantias necessárias para apoiar as transações comerciais dos seus clientes.

«O reforço do financiamento do comércio é essencial para facilitar a circulação de bens e matérias-primas indispensáveis nos nossos mercados e apoiar um crescimento sustentável. O alargamento do acesso a este financiamento contribuirá para construir um ecossistema mais resiliente e abrir novas perspetivas económicas em toda a África», sublinhou Ndaba Mpofu, diretor-geral e responsável pelos serviços financeiros, dívida e financiamento do comércio na BII.

Segundo um relatório do Afreximbank, o comércio intra-africano atingiu 208 mil milhões de dólares em 2024, um aumento de 7,7% face a 2023 — uma dinâmica que este novo programa poderá ajudar a acelerar.

SG

 

Apesar de uma prudência persistente do capital de risco global desde 2023-2024, o ecossistema tecnológico africano começa a mostrar uma recuperação significativa, impulsionada por start-ups resilientes, investidores locais mais ativos e uma procura interna em forte crescimento.

Em fevereiro de 2026, as start-ups africanas mobilizaram mais de 272 milhões de dólares, segundo o relatório mensal da plataforma Africa: The Big Deal, especializada no acompanhamento de operações de financiamento superiores a 100 mil dólares no continente.

Em detalhe, cerca de quarenta empresas tecnológicas anunciaram rondas de financiamento através de instrumentos diversificados, combinando capital próprio, dívida e soluções híbridas. Este resultado contrasta claramente com os 174 milhões registados em janeiro, representando um aumento de 56% num único mês, colocando fevereiro bem acima do ritmo habitual observado nos últimos trimestres.

Este dinamismo esconde, no entanto, uma realidade mais matizada. Apenas seis empresas concentraram quase 80% dos capitais angariados, refletindo uma abordagem cada vez mais seletiva por parte dos investidores.

Os setores mais atrativos refletem as grandes transformações do continente. A mobilidade elétrica, a logística, o comércio digital e os serviços financeiros digitais captam a maior parte dos investimentos. As rondas que combinam dívida e capital próprio também estão a ganhar terreno, sinal de uma crescente sofisticação dos mecanismos de financiamento num contexto global em que a gestão do risco é prioritária.

Do ponto de vista geográfico, a África Ocidental concentra a maior parte das operações registadas, seguida pela África do Norte e pela África Austral, reforçando o papel de hubs tecnológicos que se tornaram essenciais para investidores focados em mercados emergentes.

O que este desempenho revela sobre o estado das start-ups africanas

O impulso observado em fevereiro insere-se numa evolução mais ampla do financiamento tecnológico no continente. Após um período de contração ligado ao recuo global do capital de risco, os fluxos de investimento parecem estar a regressar gradualmente a níveis mais estáveis.

Segundo dados da Africa: The Big Deal, as empresas tecnológicas africanas angariaram cerca de 3,2 mil milhões de dólares em 2025, um aumento de aproximadamente 45% em relação a 2024. Apesar desta recuperação, os valores continuam abaixo dos níveis excecionais observados no início da década.

Entre 2021 e 2022, o ecossistema das start-ups africanas viveu uma fase particularmente dinâmica, com 4,3 mil milhões de dólares captados em 2021 e 4,6 mil milhões em 2022 — um recorde. Este período marcou também o surgimento de várias “unicórnios”, empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares, aumentando a visibilidade do continente no cenário global da inovação tecnológica.

Desde então, o mercado tem evoluído para um modelo mais maduro. Os investidores privilegiam agora empresas capazes de demonstrar a viabilidade do seu modelo de negócio e uma trajetória credível rumo à rentabilidade, o que explica o peso dominante das grandes operações nos volumes mensais.

A diversificação dos instrumentos financeiros é outro sinal desta transformação. O recurso crescente à dívida permite sustentar o crescimento sem diluir excessivamente os acionistas existentes — uma estratégia particularmente adequada para setores com receitas recorrentes, como a fintech, a mobilidade e as soluções logísticas.

Para além dos montantes angariados, estas tendências ilustram a consolidação progressiva do ecossistema empreendedor africano. A expansão do digital, a rápida difusão do telemóvel e o crescimento dos serviços digitais continuam a impulsionar a criação de novas empresas inovadoras no continente.

Os financiamentos registados em fevereiro de 2026 refletem menos um pico pontual e mais um movimento de normalização do mercado. O capital continua disponível para projetos sólidos, enquanto os investidores reforçam os seus critérios de seleção para apoiar empresas capazes de transformar inovação tecnológica em crescimento sustentável.

Félicien Houindo Lokossou

 

A degradação da notação soberana do Botswana pela S&P, a 13 de março, revela as fragilidades estruturais de uma economia que permaneceu demasiado tempo dependente dos seus diamantes. A notação BBB- da S&P coloca agora o país no limiar mínimo do investment grade, a um passo de uma descida para a categoria especulativa. Um verdadeiro caso de estudo para o continente.

Há poucos anos, o Botswana era visto como uma exceção africana: uma democracia estável, instituições sólidas, uma gestão prudente da renda mineira e uma notação investment grade invejada pelos seus vizinhos. O país parecia ter escapado à «maldição dos recursos» que afetou tantas economias africanas ricas em matérias-primas. Talvez tenha apenas adiado o inevitável.

Na sexta-feira, 13 de março, a S&P Global Ratings baixou a notação soberana de longo prazo do Botswana de BBB para BBB-, com perspetiva negativa. O país mantém por pouco o estatuto de investment grade, mas a mensagem é clara: a trajetória é preocupante e as margens de manobra estão a diminuir.

Um modelo em fim de ciclo

A análise da S&P é contundente. O setor diamantífero, que historicamente representava cerca de 70% das exportações, um terço das receitas orçamentais e um quarto do PIB, entrou numa crise estrutural de desfecho incerto. Segundo maior produtor mundial de diamantes brutos naturais em volume e o primeiro em valor, o Botswana vê os preços caírem desde o pico de 2022.

As razões incluem a ascensão dos diamantes sintéticos — que já representam 20% do mercado mundial em valor e até 50% em volume no segmento de anéis de noivado nos Estados Unidos —, a diminuição da procura chinesa e uma mudança dos consumidores para joalharia em ouro.

A Debswana (parceria entre o Estado e o grupo De Beers), principal operador mineiro do país, reduziu a produção em 27% em 2024, para 17,9 milhões de quilates, e voltou a reduzi-la para 15,1 milhões em 2025, uma queda de 40% face a 2023. A empresa não prevê uma recuperação significativa antes de 2027.

O resultado é claro: uma dupla recessão inédita, com -2,8% em 2024 e -0,4% em 2025. A S&P prevê apenas uma recuperação modesta de 2,5% em 2026, muito abaixo do potencial de uma economia que anteriormente registava crescimentos bem mais elevados.

Finanças públicas sob pressão

É no plano orçamental que a situação é mais preocupante. O défice público é estimado em 8,9% do PIB para 2026/2027, após 9,3% em 2025/2026, evidenciando apenas uma redução marginal.

Sem ajustamentos significativos, a S&P projeta uma dívida líquida das administrações públicas de 37,4% do PIB até 2029, face a uma posição credora líquida de 6,3% em 2023. Em menos de seis anos, o Botswana poderá passar de um Estado poupador a um Estado endividado.

O Government Investment Account, fundo soberano que funcionava como amortecedor orçamental, caiu drasticamente de 5,4 mil milhões de pulas (396 milhões de dólares) em meados de 2024 para apenas 846 milhões no final de 2025. A dívida interna atingiu o limite legal de 20% do PIB, que o governo pondera aumentar. Paralelamente, os juros dos títulos do Tesouro a três meses subiram de 3,43% no início de 2025 para mais de 10,5% em março de 2026.

A S&P estima que os encargos com juros possam atingir 11% das receitas públicas até 2029, o dobro do nível de 2024 — um ciclo difícil de quebrar sem recuperação do setor diamantífero ou diversificação económica credível.

A “doença holandesa” invertida

O paradoxo do Botswana é o de uma “doença holandesa” ao contrário. Durante décadas, a renda dos diamantes financiou o Estado, infraestruturas e educação, mas travou a diversificação económica. O setor mineiro representa apenas 2,3% do emprego total, deixando o desemprego em 21% e o desemprego jovem em 28,9%. Quando os diamantes enfraquecem, não há alternativa suficientemente forte.

O novo governo, eleito em outubro de 2024, lançou o programa «Reset Agenda» e o Plano Nacional de Desenvolvimento 12 (NDP 12), com o objetivo de diversificar a economia para o turismo, agroindústria, serviços financeiros e economia do conhecimento. O objetivo é alcançar o estatuto de país de rendimento elevado até 2036. No entanto, o custo estimado — 27 mil milhões de dólares em cinco anos, dos quais 90% suportados pelo Estado — coloca desafios significativos num contexto de restrições orçamentais.

Um governo sob pressão e um FMI exigente

Um dos dossiers mais sensíveis é a disputa pelo controlo da De Beers. Após o anúncio da Anglo American, em maio de 2024, de que pretende vender a sua participação de 85% na empresa, o Botswana reivindica prioridade na aquisição. O presidente Duma Boko afirmou, em dezembro de 2025, querer controlar toda a cadeia de valor dos diamantes.

Contudo, o país enfrenta concorrência, nomeadamente de Angola, e reservas do FMI, que considera arriscado aumentar a exposição estatal a um setor em crise estrutural.

Durante a missão do Artigo IV em setembro de 2025, o FMI defendeu uma transformação profunda da economia, com maior participação do setor privado, diversificação das exportações e um setor público mais eficiente. Entre as recomendações estão a redução da massa salarial pública, melhor focalização dos apoios sociais e regras mais rigorosas de despesa.

As autoridades botswanesas, por sua vez, defendem que a crise é sobretudo cíclica e que o setor não mineiro permanece resiliente. Contudo, tanto a S&P como o FMI consideram que os riscos são estruturais, ligados à ascensão dos diamantes sintéticos e à fraqueza duradoura da procura global.

Fiacre E. Kakpo

 

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