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Equipe Publication

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Nos últimos meses, Angola, produtor histórico de petróleo bruto em África, tem multiplicado as iniciativas focadas no gás natural, um recurso cuja valorização o Estado procura reforçar ativamente.

A empresa pública angolana Sonangol assinou um contrato de cerca de 245 milhões de dólares para a construção de um novo navio de transporte de gás natural liquefeito (GNL). A informação foi divulgada na segunda-feira, 2 de fevereiro, pela agência sul‑coreana Yonhap, citando uma declaração regulamentar apresentada pelo estaleiro HD Hyundai Samho Heavy Industries às autoridades financeiras coreanas.

O navio será construído por um dos principais atores mundiais na construção naval especializada. Especificamente, o contrato prevê um metaneiro novo com capacidade de cerca de 174.000 m³, cuja entrega está prevista para 2028.

Destinar-se-á principalmente à exportação do GNL produzido em Angola para os mercados internacionais. Esta é a primeira encomenda de um metaneiro novo feita pela Sonangol no âmbito da renovação da frota utilizada nas atividades de gás do país. A empresa já possui vários navios dedicados ao transporte de GNL, principalmente colocados ao serviço no início da década de 2010.

O investimento da Sonangol num novo metaneiro surge num contexto de reforço das capacidades de gás do país. Angola possui uma única instalação de liquefação, o complexo Angola LNG, localizado em Soyo, com uma capacidade de 5,2 milhões de toneladas por ano.

A unidade é alimentada essencialmente por gás associado (gás recuperado durante a extração de petróleo bruto) proveniente da produção petrolífera offshore. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), a produção de GNL em Soyo registou um aumento de 20% em novembro de 2025.

Além disso, volumes de gás não associado também foram integrados no abastecimento do terminal, na sequência da entrada progressiva em operação do projeto New Gas Consortium, desenvolvido, nomeadamente, pela Eni, de acordo com comunicações oficiais do grupo.

Assim, em dezembro de 2025, a Agência Ecofin reportou a inauguração de uma unidade de tratamento em Soyo associada a este projeto, marcando o início da exploração do gás proveniente dos campos Quiluma e Maboqueiro, localizados no bloco 2, na costa do país.

Para além disso, Angola descobriu e perfurou o seu primeiro poço de gás dedicado, integrado no Plano Diretor Nacional do Gás, que visa estruturar a exploração e o investimento no setor gasífero nacional.

Abdel-Latif Boureima

A medida que os países africanos procuram reforçar a sua capacidade de produção elétrica, um relatório recente do Global Solar Council analisa as dinâmicas do mercado de energia solar fotovoltaica no continente e os obstáculos que travam o seu desenvolvimento.

Segundo o relatório “Africa Market Outlook for Solar PV 2026–2029”, publicado em fevereiro de 2026 pelo Global Solar Council, a implantação da energia solar fotovoltaica em África acelerou significativamente em 2025, num contexto de crescimento económico sólido e de aumento da procura por eletricidade fiável.

O relatório indica que África instalou cerca de 4,5 GW de novas capacidades solares em 2025, um aumento de 54 % face ao ano anterior. Esta progressão ocorre num contexto em que o crescimento económico do continente atingiu cerca de 3,9 % em 2025, com mais de vinte países a registarem uma taxa superior a 5 %.

Os acréscimos de capacidade continuam, contudo, fortemente concentrados. Os dez principais mercados representaram quase 90 % das novas instalações, liderados pela África do Sul (1,6 GW), seguidos da Nigéria (803 MW), do Egito (500 MW) e da Argélia (400 MW).

Paralelamente, vários mercados de dimensão intermédia registaram volumes significativos, nomeadamente Marrocos (204 MW), Zâmbia (139 MW), Tunísia (120 MW), Botsuana (120 MW), Gana (92 MW) e Chade (86 MW). O relatório especifica que, em 2025, oito países ultrapassaram o limiar de 100 MW instalados, contra quatro no ano anterior.

A médio prazo, o Global Solar Council estima que África poderá instalar mais de 31,5 GW de capacidade solar acumulada até 2029, impulsionada tanto por projetos ligados à rede como por soluções descentralizadas.

O relatório destaca, contudo, que esta dinâmica continua a ser travada por várias limitações, sobretudo na África Subsaariana, região que mobiliza apenas cerca de 8 mil milhões de dólares por ano para o setor energético, em comparação com os 20 mil milhões de dólares considerados necessários para atingir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7. Os elevados custos de capital, a volatilidade cambial, a fragilidade financeira das companhias públicas de eletricidade, bem como a congestão das redes de transporte e distribuição, entre outros, são apontados como fatores que limitam o desenvolvimento e a integração do solar em larga escala.

Para ultrapassar estes obstáculos, o Global Solar Council recomenda, entre outras medidas: reduzir o custo do capital através de quadros regulamentares estáveis, simplificar os procedimentos de autorização, melhorar a transparência do planeamento das redes, desenvolver estratégias nacionais de armazenamento, e reforçar as competências locais e as cadeias de valor industriais para apoiar uma expansão solar mais ampla e sustentável no continente.

Recorde-se que o Banco Mundial estima que cerca de 600 milhões de africanos não têm acesso à eletricidade. O solar, cujo potencial do continente é abundante, deverá desempenhar um papel central no acesso universal à eletricidade.

Abdoullah Diop

A África Ocidental concentra mais de metade da oferta mundial de caju. Embora a maior parte da produção continue a ser exportada em estado bruto, as políticas implementadas por alguns países da região para mudar esta realidade começam já a dar resultados.

732 000 toneladas. É o stock de caju transformado em amêndoa em todos os países produtores da África Ocidental, segundo estimativas preliminares do serviço independente de consultoria comercial N’kalô, divulgadas num boletim sobre o mercado africano da matéria-prima publicado na terça-feira, 3 de fevereiro.

Este stock representa um aumento de 51% face ao registado um ano antes (483 500 toneladas). Um desempenho que, contudo, esconde grandes disparidades. Os dados compilados pela N’kalô mostram que apenas três países — nomeadamente Costa do Marfim, Benim e Gana — estão na origem deste crescimento, enquanto a transformação recuou ou estagnou noutros produtores.

Costa do Marfim e os outros

Em 2025, a indústria marfinense transformou 600 000 toneladas de caju, registando um crescimento de 67% em relação ao ano anterior. Este stock representa também cerca de 82% da produção total de amêndoa na África Ocidental.

Embora o relatório da N’kalô não detalhe os motivos deste desempenho, vários fatores permitem explicá-lo. Em 2025, os industriais marfinenses beneficiaram de maior disponibilidade de matéria-prima, apoiada, segundo o Conselho do Algodão, Caju e Karité, pelo reforço do combate ao contrabando.

A isso somou-se o anúncio pelos Estados Unidos de um aumento das taxas aduaneiras sobre produtos transformados, o que desestimulou o interesse de compradores asiáticos, nomeadamente da Índia e do Vietname, que se abastecem de caju bruto na Costa do Marfim. A redução da procura estrangeira por caju bruto diminuiu a competição local pelo acesso à matéria-prima.

O segundo maior contribuinte para o aumento da transformação de caju na África Ocidental, Benim, produziu 50 000 toneladas de amêndoa em 2025, segundo a N’kalô, ou seja, o dobro do ano anterior. Trata-se de um novo recorde, confirmando a ascensão da indústria beninense, cujo maior volume transformado nos últimos cinco anos havia sido de 13 000 toneladas em 2020.

É importante notar que, desde abril de 2024, o Benim proibiu a exportação da matéria-prima em estado bruto, visando torná-la disponível para transformação local e aumentar a criação de valor na cadeia. Uma posição mais radical em comparação com a política adotada em Abidjã, que institui períodos exclusivos para transformadores locais durante as campanhas de comercialização.

No segmento da transformação, o Gana transformou cerca de 15 000 toneladas de caju em 2025, um aumento de 7% em relação ao ano anterior. Este stock continua, porém, abaixo do pico de 16 000 toneladas registado nos últimos cinco anos. A indústria local enfrenta vários desafios, incluindo acesso limitado à matéria-prima, que é privilegiada para exportação em bruto, e uma regulação ainda pouco orientada para a transformação, ao contrário da Costa do Marfim e do Benim.

De forma geral, o aumento da transformação em 2025 deverá reforçar a criação de valor na cadeia de caju da África Ocidental. O desafio será manter esta trajetória nos próximos anos, apesar dos persistentes obstáculos identificados em cada país.

Stéphanas Assocle

Em 2026, a África terá de reembolsar mais de 90 mil milhões de dólares de dívida externa. Egito, Angola, África do Sul e Nigéria são os países mais expostos. Este nível inédito aumenta os riscos de refinanciamento e testa economias ainda frágeis, segundo a S&P Global Ratings.

Os Estados africanos preparam-se para enfrentar um ano delicado no domínio da dívida. Em 2026, os reembolsos de dívida externa em moeda estrangeira deverão ultrapassar os 90 mil milhões de dólares, um nível sem precedentes que acentua os riscos de refinanciamento e pressiona as reservas cambiais, segundo a agência de notação.

No seu último relatório sobre as perspectivas dos soberanos africanos, a S&P sublinha que os reembolsos de dívida externa pelos governos são agora mais de três vezes superiores aos registados em 2012. Esta evolução reflete a acumulação de empréstimos em moeda estrangeira ao longo da última década, num contexto de necessidades crescentes de financiamento.

Entre os países mais expostos está o Egito, que sozinho concentra cerca de um terço dos montantes devidos este ano, com aproximadamente 27 mil milhões de dólares de capital a reembolsar. Angola, África do Sul e Nigéria também enfrentam vencimentos significativos, aumentando as preocupações sobre a sua capacidade de absorver este choque financeiro.

Fragilidades estruturais e sinais mistos

Para a S&P, estas tensões decorrem de um quadro estrutural frágil. «Níveis elevados de endividamento e bases de receita pública fracas e concentradas continuarão a representar riscos significativos», explica Benjamin Young, analista da agência. Segundo ele, os reembolsos de dívida externa «aproximam-se de um pico», podendo afetar a estabilidade macroeconómica de forma duradoura.

A agência nota, no entanto, uma melhoria relativa no clima financeiro. A nota média dos soberanos africanos atingiu o seu nível mais elevado desde o final de 2020, impulsionada por reformas económicas e crescimento mais sustentado em vários países. Mas, alerta a S&P, trata-se mais de uma estabilização dos indicadores do que de uma verdadeira melhoria estrutural. Reduzir de forma duradoura os rácios de endividamento exige tempo, disciplina orçamental e crescimento inclusivo.

Estratégias de gestão face a uma dívida elevada

O afrouxamento das condições financeiras globais permitiu a alguns Estados regressar aos mercados internacionais, ainda que a custos elevados. A República do Congo, por exemplo, teve de aceitar rendimentos de dois dígitos, considerados dissuasores por muitos observadores. Outros governos optaram por soluções alternativas, como colocação privada de dívida ou operações fora do mercado tradicional.

Apesar de perspetivas de crescimento relativamente sólidas — 4,5% em média em 2026 — e de uma ligeira consolidação dos défices orçamentais, a dívida pública deverá manter-se elevada, em torno de 61% do PIB. Face a esta situação, vários países apostam em estratégias de gestão de passivos, como compras antecipadas ou alongamento das maturidades, para reduzir os riscos imediatos. Uma resposta pragmática, mas que não dissipa os desafios estruturais impostos pelo muro de dívida que se avizinha.

Fiacre E. Kakpo

Access Bank aposta numa governança sólida, inovação digital e sustentabilidade para continuar a sua expansão na Nigéria e em África

A Access Bank, uma das principais instituições financeiras da Nigéria, nomeou Ifeyinwa Osime (foto) como presidente do seu conselho de administração, sucedendo a Paul Usoro San, que se reformou a 29 de janeiro de 2026, após concluir o seu mandato regulamentar.

Jurista de formação e especialista reconhecida em governança corporativa, a Sra. Osime já fazia parte do órgão diretivo do banco. Desde novembro de 2019, é administradora independente não executiva do conselho de administração da Access Bank e desempenhou um papel ativo nas orientações estratégicas da instituição. Presidiu, entre outros, o comité de Recursos Humanos e Desenvolvimento Sustentável e o comité de Governança, Nomeação e Remuneração, órgãos centrais na definição das políticas de liderança, desempenho e sustentabilidade do grupo.

Antes da sua nomeação como presidente do conselho de administração (PCA), ocupou vários cargos estratégicos, incluindo a liderança dos comités mencionados, contribuindo para o reforço dos padrões de governança e a integração das questões de sustentabilidade nas orientações do grupo.

Paralelamente às funções na Access Bank, a jurista, admitida na Ordem dos Advogados da Nigéria em 1987, é sócia do McPherson Legal Practitioners e diretora da Ebudo Trust Limited. Iniciou a sua carreira no setor de resseguro, antes de atuar no setor de seguros, nomeadamente na NSIA Insurance.

Esta nomeação ocorre num contexto de reconfiguração do setor bancário nigeriano, marcado por exigências crescentes em governança, gestão de riscos e conformidade regulatória. Ao confiar a presidência do conselho a uma jurista experiente, com sólida expertise em estratégia e governança, a Access Bank afirma a sua vontade de continuar a expansão em África e fortalecer a sua presença num continente onde os bancos ocidentais estão a reduzir gradualmente as operações.

Sandrine Gaingne

Face à uma presença crescente do Estado nos bancos, o governo do Burquina Faso anunciou a criação de uma holding encarregada de gerir as suas participações em várias instituições bancárias públicas. Esta estrutura poderá centralizar a gestão dessas participações, preparar reformas do setor e reforçar a supervisão dos investimentos públicos no sistema bancário.

O Burquina Faso prevê criar, em 2026, uma holding bancária responsável por detê-las e gerir as participações do Estado em certos bancos públicos. O anúncio foi feito em 2 de fevereiro de 2026 pelo ministro da Economia, Aboubakar Nacanabo, durante a apresentação dos projetos do seu ministério.

Na prática, este mecanismo visa organizar melhor a gestão dos bancos onde o Estado é acionista, acompanhar os resultados das instituições envolvidas e preparar operações como reestruturações, aberturas de capital ou parcerias.

Em dezembro de 2024, o Burquina Faso contava com 20 instituições de crédito, incluindo 16 bancos e 4 estabelecimentos financeiros, segundo o relatório anual de 2024 da Comissão Bancária da UEMOA. O Estado detém participações em 11 bancos, com um capital global estimado em 62,34 mil milhões de FCFA (111,8 milhões de USD), uma presença sobretudo concentrada nos bancos públicos. Além disso, as autoridades do país são acionistas de 3 dos 4 estabelecimentos financeiros a operar no território.

Por exemplo, o Estado possui 100% do capital da Banque Commerciale du Burkina. Em junho de 2025, a Loteria Nacional do Burquina Faso obteve autorização das autoridades para entrar no capital da Banque Agricole du Faso, com um investimento de cerca de 5,2 milhões de dólares.

Esta iniciativa insere-se numa tendência observada na União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA). Entre 2019 e 2023, as participações do Estado e suas subsidiárias em instituições de crédito passaram de 300,6 mil milhões para 641,9 mil milhões de FCFA. Em 2023, 23 instituições de crédito, representando 21,3% dos ativos bancários da União, estavam maioritariamente controladas por Estados ou entidades públicas.

Chamberline Moko

Após a receção da sede na Nigéria, a Organização dos Produtores Africanos de Petróleo (APPO) inicia as últimas etapas antes da entrada em operação do banco. A constituição do conselho de administração e o recrutamento da equipa de gestão constituem as etapas finais.

O projeto do Banco Africano de Energia (BAE) atingiu um marco decisivo com a receção, na segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, da sua sede provisória na Nigéria, por Mamadou Sangafowa-Coulibaly, ministro marfinense das Minas e do Petróleo e presidente em exercício da APPO.

Este avanço marca a entrada da instituição numa fase quase operacional. As próximas ações incluem a constituição do conselho de administração e o recrutamento da equipa de gestão do banco. O objetivo é iniciar as atividades em junho de 2026. O calendário depende agora da finalização dos procedimentos administrativos e institucionais, sendo necessário que os Estados-membros e parceiros técnicos acelerem estas etapas para cumprir o prazo anunciado.

Um instrumento financeiro focado na energia

O BAE terá um capital inicial de 500 milhões de dólares, representando 10% do objetivo final, destinado a financiar as primeiras operações do banco. A longo prazo, a verba deverá atingir 5 mil milhões de dólares.

Vários países já realizaram contribuições através da Africa Energy Investment Corporation (AEICORP), a instituição financeira criada pelos membros da APPO. A Costa do Marfim transferiu mais de 20 milhões de dólares em dezembro de 2025. A Nigéria, Angola e Gana também contribuíram. Novas contribuições são esperadas durante uma cimeira prevista para o primeiro semestre de 2026.

Para os Estados produtores, o principal desafio reside no acesso ao financiamento necessário para implementar projetos energéticos. O banco atuará em toda a cadeia de valor do setor, cobrindo exploração, produção, transformação e comercialização de hidrocarbonetos, apoiando também projetos de energias renováveis. Assim, posicionar-se-á como uma instituição de desenvolvimento dedicada ao financiamento do setor energético africano.

A quatro meses do lançamento das atividades, a prioridade passa a ser mobilizar o capital restante e selecionar os primeiros projetos a financiar.

Chamberline Moko

Nas zonas rurais do Togo, o estado degradado de muitas estradas continua a frear o comércio e o acesso a serviços, sobretudo durante a época das chuvas intensas.

No Togo, o orçamento previsto pelo Estado para o desenvolvimento de estradas rurais no exercício de 2026 ascende a 23 mil milhões de FCFA. Esta verba permitirá ao ministério responsável pelo desenvolvimento rural e pelas estradas secundárias dar continuidade à implementação de projetos destinados a melhorar as infraestruturas em áreas rurais.

No entanto, este montante representa uma redução significativa de 28% em relação aos 32 mil milhões de FCFA alocados em 2025, marcando a segunda queda consecutiva. Em 2025, a dotação já havia recuado 39% comparativamente a 2024, quando a previsão era de 53 mil milhões de FCFA. Nenhuma explicação oficial foi fornecida pelas autoridades togolesas.

O país lançou vários projetos, incluindo a construção de 21 estruturas modulares distribuídas pelas cinco regiões, cujos trabalhos teriam registado progressos variáveis, segundo as autoridades. Entre outros projetos, destaca-se também o amplo programa de construção e reabilitação de estradas rurais, que igualmente apresentou avanços.

Com este orçamento, o governo pretende sobretudo prosseguir e concluir os projetos em curso. O objetivo permanece melhorar o acesso das populações rurais a serviços socioeconómicos básicos, ao mesmo tempo que se facilita o escoamento dos produtos agrícolas para os mercados.

Esaïe Edoh

Para dinamizar o seu mercado bolsista e incentivar o financiamento de jovens empresas inovadoras, a Argélia aposta na atratividade. As start-ups com selo oficial poderão agora levantar fundos sem suportar os custos habituais de entrada em bolsa.

As start-ups com selo oficial podem levantar fundos na Bolsa de Argel sem pagar as taxas de introdução, graças a um mecanismo excecional válido até 2028. A medida foi anunciada no domingo, 1 de fevereiro, pela Comissão de Organização e Supervisão das Operações de Bolsa (COSOB), em coordenação com a Sociedade de Gestão da Bolsa de Valores (SGBV) e a Algérie Clearing.

O mecanismo dirige-se a operações realizadas através do segmento “Crescimento”, uma secção do mercado de títulos de capital destinada a empresas com elevado potencial. As start-ups elegíveis beneficiam de isenção total das taxas relativas à obtenção do visto nos documentos de informação, à admissão à cotação, bem como à administração, conservação e gestão dos títulos.

O dispositivo aplica-se a levantamentos de fundos limitados a 500 milhões de dinares argelinos (3,85 milhões USD) e cobre todas as operações realizadas entre 2026 e 2028. Ao eliminar estes custos de entrada, frequentemente dissuasores para empresas jovens, as autoridades procuram remover um obstáculo importante ao acesso ao mercado bolsista como fonte de financiamento alternativo. O ecossistema empreendedor argelino conta atualmente com mais de 7.800 start-ups registadas no portal oficial startup.dz, das quais cerca de 2.300 obtiveram o selo oficial de start-up.

Esta iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla de apoio ao empreendedorismo e à inovação, apresentadas pelas autoridades como motores essenciais para a diversificação da economia nacional. Surge num contexto em que a Bolsa de Argel continua de dimensão modesta, com apenas oito títulos cotados no final do primeiro semestre de 2025, incluindo as recentes entradas da Banque de Développement Local (BDL) e da start-up Moustachir.

Até ao momento, Moustachir continua a ser a única start-up argelina cotada. Introduzida em 2024, a empresa definiu objetivos ambiciosos: um volume de negócios superior a 55 milhões de dinares em 2025, com uma trajetória projetada acima de 187 milhões de dinares até 2028. Em menos de dois anos, a start-up já se expandiu para vários mercados do Médio Oriente, nomeadamente Omã e Emirados Árabes Unidos.

Samira Njoya

Segundo o relatório “Frontier Technologies Readiness Index”, publicado em abril de 2025 pela UNCTAD, o Marrocos ocupa o segundo lugar em África no que diz respeito à preparação para a adoção de tecnologias de ponta. A robótica está entre as 17 tecnologias de vanguarda avaliadas neste estudo.

O Marrocos está a reforçar as suas capacidades em medicina de alta tecnologia com a criação da Escola Mohammed VI de Simulação Intervencionista e Cirurgia Robótica (M6‑ISRSS), uma instituição dedicada à formação em técnicas de cirurgia robótica e simulação intervencionista. Inaugurada em Casablanca na sexta-feira, 29 de janeiro, pela Fundação Mohammed VI para as Ciências e a Saúde, esta escola visa responder a uma procura crescente de competências especializadas, apenas alguns meses após a introdução do primeiro robot cirúrgico no país.

Localizada no campus Anfa City da Universidade Mohammed VI das Ciências e da Saúde, a M6‑ISRSS oferece formação para cirurgiões, enfermeiros de bloco operatório e engenheiros biomédicos. Apoia-se em tecnologias de simulação avançadas, plataformas de realidade aumentada e sistemas robóticos de última geração, permitindo aos profissionais dominar os gestos técnicos e o ambiente robótico antes de qualquer intervenção real.

A escola acompanha também o primeiro diploma universitário de cirurgia robótica em Marrocos e em África, abrangendo várias especialidades (cirurgia geral, urologia, ginecologia e torácica) e combinando aprendizagem por simulação, estágios hospitalares e inovação pedagógica. Entre as suas missões estão a harmonização das práticas operatórias, a certificação de competências, o desenvolvimento de expertise interdisciplinar e o reforço das capacidades das instituições de saúde.

Um mercado global em forte crescimento

Esta iniciativa insere-se num contexto mundial em que a cirurgia robótica regista um crescimento rápido, impulsionado pela adoção crescente de tecnologias minimamente invasivas e pela procura de maior precisão cirúrgica. Segundo a Precedence Research, o mercado global de robótica cirúrgica foi avaliado em mais de 10,7 mil milhões USD em 2024 e poderá atingir quase 45,9 mil milhões USD até 2034, com uma taxa de crescimento anual composta superior a 15% no período 2025‑2034.

O segmento de simulação cirúrgica robótica, que constitui uma parte essencial da pedagogia implementada pela M6‑ISRSS, representa um mercado global estimado em 438,47 milhões USD em 2025, segundo a Marketgrowthreports. Prevê‑se que passe para 500,3 milhões USD em 2026 e atinja 1,69 mil milhões USD até 2035, apoiado pela integração de tecnologias como realidade virtual e feedback háptico.

Estas tendências refletem uma transformação profunda das práticas médicas, com uma adoção crescente de sistemas assistidos por robôs em hospitais avançados e centros especializados. A cirurgia robótica permite maior precisão, redução das incisões e do tempo de recuperação dos pacientes, ao mesmo tempo que melhora os resultados em procedimentos complexos.

Este aumento de competências já se apoia em realizações concretas. Em 2024, o Marrocos realizou com sucesso a sua primeira cirurgia robótica à distância entre Casablanca e Tânger. A intervenção, conduzida exclusivamente por médicos marroquinos, demonstrou a capacidade do país de mobilizar tecnologias de ponta e expertise local em condições operatórias complexas.

Um desafio de competências a nível africano

Para África, onde o acesso a estas tecnologias continua limitado, o lançamento da M6‑ISRSS abre importantes perspetivas em termos de formação local e desenvolvimento de competências especializadas. Ao formar profissionais tanto em simulação intervencionista como em cirurgia robótica, o Marrocos espera não só responder às suas necessidades nacionais, mas também tornar-se um pólo de referência continental nesta área.

A longo prazo, a M6‑ISRSS prevê expandir os seus programas por toda a África, apoiando-se em parcerias nacionais e internacionais para fomentar a investigação, a inovação tecnológica e a integração de novas abordagens pedagógicas nas ciências da saúde.

Samira Njoya

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