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Equipe Publication

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No âmbito de uma transação avaliada em cerca de 1 mil milhões de USD, o grupo chinês Zijin adquiriu em 2025 a mina ganesa Akyem à americana Newmont. O objetivo declarado é tornar este ativo um dos principais do seu portfólio de ouro fora da China.

No Gana, a companhia mineira chinesa Zijin Gold International prevê produzir 8,5 toneladas de ouro em 2026 na mina de Akyem, contra 5,1 toneladas no ano anterior. Este objetivo reflete um aumento significativo das operações neste local, adquirido há cerca de um ano à Newmont Corp.

Concluída em abril de 2025 por cerca de 1 mil milhões de USD, a aquisição de Akyem permitiu à Zijin integrar uma mina africana no seu portfólio de ativos auríferos, já composto por projetos internacionais, nomeadamente na Colômbia, no Suriname e na Austrália. Este ano marca, assim, o primeiro exercício de exploração completa do local, acompanhado de trabalhos de otimização destinados a aumentar os níveis de produção.

Concretamente, a Zijin Gold indica ter iniciado iniciativas para modernizar as infraestruturas existentes, expandir a capacidade de extração e, sobretudo, elevar a capacidade de processamento da fábrica para mais de 13 milhões de toneladas de minério por ano, contra 8 milhões atualmente. O custo destas obras não foi divulgado, mas a sua execução deverá impulsionar significativamente a produção esperada este ano.

Aliada à dinâmica ascendente dos preços do ouro, esta progressão poderá constituir uma operação comercial vantajosa para a empresa. A destacar que Akyem já tinha gerado 609,1 milhões de USD em receitas no exercício anterior. A implementação dos planos da Zijin poderá também beneficiar o Gana, que recebe uma parte das receitas da mina através das royalties previstas, bem como outros impostos, como o imposto sobre sociedades.

Em paralelo, a Zijin procura já expandir a sua presença em África com a aquisição da Allied Gold. Esta explora três minas de ouro na Costa do Marfim e no Mali, e prevê este ano o lançamento de uma quarta mina na Etiópia.

Aurel Sèdjro Houenou

 

Fragilizada pelos ataques repetidos às suas infraestruturas energéticas, a Ucrânia está a redefinir a sua estratégia de gás para se adaptar a um contexto duradouramente constrangido.

Após conversações realizadas segunda-feira, 23 de março, entre o presidente Volodymyr Zelensky e o seu homólogo Daniel Chapo, a Ucrânia estuda a possibilidade de importar gás natural liquefeito (GNL) de Moçambique. O projeto seria baseado numa lógica de benefício mútuo: Kiev procura garantir novos fornecimentos energéticos, enquanto Maputo poderia receber apoio ucraniano nas áreas de segurança e tecnologia.

Esta iniciativa ocorre num contexto em que o norte de Moçambique, que concentra a maior parte dos recursos gasíferos do país, continua afetado por uma insurgência islâmica.

Sistema gasífero ucraniano debilitado

O plano surge também num ambiente de grande degradação do sistema gasífero ucraniano. Segundo a Naftogaz, as infraestruturas da empresa pública sofreram mais de 1.700 ataques russos desde 2022, afetando diretamente a produção nacional, que caiu para cerca de metade da capacidade.

Antes do conflito, a Ucrânia supria a maior parte do consumo com produção interna. A redução destas capacidades obrigou o país a aumentar as importações, sobretudo durante os picos de procura no inverno. Nesse sentido, a Ucrânia já diversificou as fontes, desenvolvendo importações de GNL, principalmente provenientes dos United States.

Diversificação energética com Moçambique

Moçambique surge como uma opção complementar, dispondo de importantes recursos gasíferos explorados pelo projeto Mozambique LNG, com capacidade prevista de 13 milhões de toneladas de GNL por ano, reforçando o papel do país no mercado global de gás.

No entanto, a opção enfrenta riscos de segurança. A província de Cabo Delgado, onde se situa o projeto, permanece frágil apesar da melhoria associada ao envio de forças ruandesas. A retirada destas tropas, devido à falta de financiamento sustentável da European Union, gera incerteza quanto à estabilidade da região.

Obstáculos jurídicos e financeiros também pesam sobre o projeto. A TotalEnergies enfrenta processos em França relacionados com operações de segurança em 2021, o que limita alguns financiamentos. O custo do projeto aumentou para 24,5 bilhões de dólares, frente aos 20 bilhões iniciais, embora a TotalEnergies mantenha a meta de produção para 2029.

Apesar destes desafios, grande parte do financiamento está assegurada e quase todo o volume futuro já está contratualizado, principalmente para a Ásia e a Europa. As discussões entre Kiev e Maputo permanecem preliminares, sem volumes nem calendário definidos, mas refletem um interesse mútuo entre segurança energética para a Ucrânia e valorização dos recursos para Moçambique.

Olivier de Souza

 

No Ruanda, apesar da taxa de acesso à eletricidade ter atingido 85,4% no final de 2025, segundo o Rwanda Energy Group, o fornecimento continua insuficiente, e várias iniciativas estão em curso para reforçar a distribuição.

O país lançou um programa de reforço da rede elétrica para reduzir os cortes de energia que afetam regularmente a qualidade do abastecimento. A iniciativa prevê a aquisição e instalação de 290 transformadores em todo o território, de acordo com informações divulgadas pela imprensa local em 18 de março.

Estes equipamentos, que ajustam a tensão da eletricidade entre as linhas de transporte e os consumidores finais, serão instalados prioritariamente em zonas urbanas de elevada procura. Segundo o governo, citado pela imprensa, a implementação faz parte de um programa de modernização da rede elétrica previsto para 18 meses.

O projeto inclui trabalhos nas infraestruturas de distribuição: cerca de 357 km de linhas de média tensão serão reabilitados ou construídos, e quase 1.600 km de redes de baixa tensão serão reforçados para melhorar a cobertura local.

Kigali atribui os cortes recorrentes à pressão crescente sobre a rede, devido ao aumento do número de lares ligados e à maior demanda nos centros urbanos, além de infraestruturas envelhecidas.

O projeto integra programas apoiados por parceiros internacionais, como o World Bank e o Asian Infrastructure Investment Bank, sem divulgação do custo total até o momento.

Segundo os responsáveis, estes investimentos visam estabilizar a distribuição elétrica até a entrada em operação de novas capacidades de produção previstas para 2027. «As carências de eletricidade continuam a ser uma preocupação», afirmou Jimmy Gasore.

300 milhões de dólares mobilizados e programa nuclear em preparação

O Ruanda mobiliza vários financiamentos internacionais para desenvolver o setor elétrico e expandir o acesso à energia. Em fevereiro de 2026, a African Development Bank e a Asian Infrastructure Investment Bank comprometeram 300 milhões de dólares em projetos de energia limpa no país.

O financiamento inclui um mecanismo de desembolso condicionado a resultados mensuráveis em eletrificação.

Paralelamente, o Ruanda prossegue a diversificação da sua matriz energética. Segundo uma missão de revisão integrada de infraestrutura nuclear (INIR) conduzida pela International Atomic Energy Agency em meados de março, o país avançou na preparação de um programa nuclear civil. A missão avaliou 19 áreas, incluindo quadro regulatório, segurança nuclear e desenvolvimento de competências, para apoiar países interessados em incluir o nuclear na sua matriz energética.

As autoridades planeiam desenvolver capacidade nuclear, visando a primeira instalação no início da década de 2030.

Abdel-Latif Boureima

 

No Gana, o nível de utilização de fertilizantes por hectare de terra cultivável é um dos mais elevados da África subsaariana. O governo, que pretende aumentar ainda mais o uso destes insumos, adotou uma nova medida para 2026.

O programa de subsídios a fertilizantes será substituído por uma política de distribuição gratuita aos agricultores para a época agrícola de 2026, anunciou o presidente John Dramani Mahama em 21 de março, segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais.

«Adquirimos fertilizantes para os nossos agricultores que normalmente são vendidos a preços subsidiados. No entanto, desta vez, dei instrução ao ministro da Agricultura para os distribuir gratuitamente», declarou o presidente.

Segundo a Ghana Broadcasting Corporation, o governo acredita que a eliminação do custo dos fertilizantes incentivará os agricultores a aumentar as áreas cultivadas e a investir mais na produção agrícola.

Um mercado internacional sob pressão

Esta nova política surge num contexto de forte tensão no mercado internacional de fertilizantes, agravada pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente. Desde finais de fevereiro de 2026, a escalada militar entre os USA, Israel e Iran levou o Irão a bloquear quase todo o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o comércio global de fertilizantes. Segundo a UNCTAD, cerca de um terço do transporte marítimo mundial de fertilizantes (aproximadamente 16 milhões de toneladas) passa por este estreito.

Num boletim publicado a 19 de março, a IFDC indica que, já na primeira semana do conflito, o preço médio FOB (Free on Board) da ureia subiu cerca de 37%, subindo na segunda semana para cerca de 715 dólares por tonelada, um aumento de 45% em relação ao nível anterior à escalada. Outros fertilizantes, como o fosfato monoamónico (MAP) e o fosfato diamónico (DAP), aumentaram cerca de 8%, enquanto o cloreto de potássio (MOP) proveniente da região do Báltico subiu cerca de 11%.

Um peso adicional para o orçamento do governo

Em 2025, Accra subsidiou a aquisição de 200.000 toneladas de fertilizantes minerais, sendo 70% NPK e 30% ureia, em benefício dos agricultores, segundo dados oficiais. Comparativamente, a necessidade aparente de consumo de fertilizantes no país foi estimada em 426.307 toneladas por ano, em média, entre 2020 e 2024, de acordo com a IFDC.

Com a eliminação do custo dos fertilizantes em 2026 e a subida dos preços internacionais, o custo financeiro do fornecimento deverá recair totalmente sobre o orçamento do Estado, independentemente do volume.

No Gana, o nível de utilização de fertilizantes por hectare de terra cultivável era de 28,9 kg em 2023, segundo dados da FAO. Este nível, embora acima da média da África subsaariana nesse ano (18,2 kg/ha), permanece bem abaixo do objetivo de 50 kg/ha definido na Declaração de Abuja de 2006.

Stéphanas Assocle

 

No Ruanda, o setor leiteiro é o mais dinâmico do subsegmento de pecuária, contribuindo com 10,5% para o PIB agrícola. Apesar do crescimento sustentado da produção nos últimos anos, a indústria local continua a enfrentar desafios importantes que ainda freiam a sua expansão.

O governo ruandês prevê a criação de um conselho nacional do leite, responsável por regular a cadeia de valor do leite, segundo o jornal local The New Times, citando Jean Claude Ndorimana, Diretor-Geral do Desenvolvimento de Recursos Animais do Ministério da Agricultura.

De acordo com o responsável, este novo órgão terá como missão enfrentar os desafios persistentes do setor, incluindo os elevados custos de produção, os baixos rendimentos dos produtores e a fraca coordenação entre os atores. «Um conselho do leite ajuda a supervisionar toda a cadeia de valor. Noutros países, estas instituições são fortes e desempenham um papel chave na regulação do setor», afirmou.

A criação de um órgão regulador pode, de forma geral, contribuir para melhorar a estruturação do setor leiteiro e facilitar o cumprimento das metas de crescimento do governo.

No âmbito da 5.ª fase do seu Plano Estratégico para a Transformação da Agricultura (PSTA 5), Kigali pretende elevar a produção nacional de leite para 1,32 milhões de toneladas até 2029. Segundo o relatório anual do Ministério da Agricultura publicado a 31 de dezembro de 2025, a produção ruandesa de leite cresceu 29,3%, passando de 891.326 toneladas em 2021 para 1,15 milhões de toneladas em 2025.

Por outro lado, o Ruanda ainda é um pequeno produtor em comparação com os principais produtores do Leste Africano, onde o setor é mais estruturado e regulado. Em 2024, a produção de leite fresco no Kenya foi estimada em 5,3 milhões de toneladas, enquanto no Uganda a produção local atingiu 5,4 milhões de toneladas. Logo atrás, a Tanzania, outro ator relevante da região, registou 4 milhões de toneladas nesse ano.

Nestes três países, a presença de órgãos reguladores contribuiu para estruturar o setor e apoiar o crescimento da produção.

Stéphanas Assocle

 

Perante a subida do custo da dívida e a emergência climática, três países africanos estão a explorar mecanismos de troca dívida-natureza para mobilizar mais de 500 milhões de dólares em favor da conservação.

Estes países mantêm negociações com a ONG norte-americana The Nature Conservancy para estabelecer acordos de troca dívida-natureza com um montante total superior a 500 milhões de dólares. O objetivo é aliviar a sua dívida enquanto financiam a preservação dos seus ecossistemas.

Estes mecanismos, ainda pouco comuns em África, permitem aos Estados reduzir parte da sua dívida em troca de compromissos concretos de proteção ambiental. As Seychelles e o Gabon já recorreram a este tipo de instrumentos na última década.

Segundo Ademola Ajagbe, um primeiro acordo poderá ser finalizado ainda em 2026, enquanto os outros dois são esperados até 2027. Os países envolvidos não foram divulgados devido a acordos de confidencialidade.

Necessidades crescentes face às alterações climáticas

O interesse renovado surge num contexto particular. O regresso de Donald Trump à Casa Branca levou a uma redução do apoio norte-americano a estas iniciativas, atrasando temporariamente o seu desenvolvimento. Contudo, os intervenientes do setor, incluindo a The Nature Conservancy, procuram agora relançar a dinâmica, apoiando-se mais nas bancas multilaterais, seguradoras privadas e investidores.

A procura por financiamentos climáticos em África continua a crescer. «O custo do capital é elevado e coloca África numa posição desfavorável», sublinha Ademola Ajagbe. O aumento das taxas de juro e as tensões geopolíticas dificultam o acesso aos mercados para países já fortemente endividados.

Estas restrições tornam, ao mesmo tempo, os acordos dívida-natureza mais atrativos. A redução do preço das obrigações permite recomprar a dívida a menor custo, facilitando a implementação destas operações.

África continua, no entanto, marginalizada no financiamento climático global, recebendo atualmente apenas cerca de 1% dos fluxos, segundo vários responsáveis públicos. O continente é particularmente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas, com episódios repetidos de cheias, secas e deslizamentos de terra.

Setores essenciais como turismo, agricultura e hidroeletricidade já são afetados em vários países, incluindo Nigeria, Kenya e Zambia.

Fiacre E. Kakpo

 

O Togo continua as suas emissões no mercado regional num contexto de tensões de tesouraria e de necessidades crescentes relacionadas com o financiamento das despesas públicas e a manutenção do equilíbrio orçamental.

Na sexta-feira, 20 de março, o Togo realizou a sua segunda emissão do ano no mercado financeiro regional coordenado pela UMOA-Titres. Através de uma emissão simultânea de Obrigações do Tesouro Assimiláveis (OAT) e Bilhetes do Tesouro Assimiláveis (BAT), o Tesouro Público togolês mobilizou 27,5 mil milhões de FCFA, acima do objetivo inicial de 25 mil milhões de FCFA.

No final da operação, segundo os resultados publicados e consultados pelo Togo First, o Tesouro Público alocou 9,5 mil milhões de FCFA em OAT com maturidade de três anos, com taxa de juro fixa de 6,15%. Adicionalmente, 13 mil milhões de FCFA foram captados através de OAT com maturidade de cinco anos, com taxa de juro anual de 6,35%. Nos BAT emitidos com maturidade de 364 dias, o Tesouro alocou 5 mil milhões de FCFA.

Os dados publicados indicam que as ofertas globais atingiram 134,5 mil milhões de FCFA, correspondendo a uma taxa de cobertura de 538,30%. Esta operação, a segunda intervenção do Togo no mercado financeiro regional em 2026, eleva para 49,5 mil milhões de FCFA o montante total mobilizado desde o início do ano.

Para o exercício completo, o país prevê levantar 463,5 mil milhões de FCFA neste mercado, contribuindo para o financiamento do orçamento do Estado, fixado em 2.751 mil milhões de FCFA.

Esaïe Edoh

 

Este pacote «Team Europe» financiará os setores digital, da saúde, da agricultura e da gestão das migrações, ao mesmo tempo que reforça a parceria estratégica. No total, os financiamentos mobilizados na Nigéria atingem 962,5 milhões de euros (1.114,6 milhões de dólares) desde 2025.

A União Europeia (UE) anunciou, na segunda-feira, 23 de março, um novo pacote de investimentos de 290 milhões de euros (336 milhões de dólares) a favor da Nigéria, no âmbito da iniciativa «Team Europe». O anúncio foi feito à margem do 8.º diálogo ministerial UE–Nigéria, realizado em Abuja.

Este programa, integrado na estratégia «Global Gateway», prevê o financiamento de sete projetos que abrangem setores considerados prioritários.

Uma repartição setorial direcionada

Em detalhe, 131 milhões de euros serão destinados ao desenvolvimento do setor digital, nomeadamente para melhorar a conectividade e reforçar as competências. O setor da saúde receberá 55 milhões de euros para apoiar a produção local de medicamentos e vacinas.

Além disso, 86 milhões de euros serão alocados ao desenvolvimento das cadeias de valor agrícolas, em particular nos setores do cacau e do leite, enquanto 16 milhões de euros serão dedicados à gestão das migrações, incluindo a reintegração de migrantes e o combate às redes de tráfico de seres humanos.

O comissário europeu para as Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, sublinhou que «estes investimentos no âmbito da iniciativa “Global Gateway” permitem criar novas infraestruturas de qualidade, empregos sustentáveis e oportunidades económicas a longo prazo que beneficiam a população nigeriana, ao mesmo tempo que abrem novas perspetivas para a Europa».

Considerada um ator central em África, devido ao seu peso demográfico e económico, a Nigéria beneficia do apoio da UE em vários domínios estratégicos. Para Abuja, esta parceria constitui uma alavanca para diversificar a economia para além do petróleo e reforçar o emprego jovem.

Um parceiro comercial de referência

A UE continua a ser o principal parceiro comercial multilateral da Nigéria. O país registou um excedente comercial de 9,6 mil milhões de euros em 2024, contra 5,2 mil milhões de euros no ano anterior.

Com este novo pacote, o volume total de financiamentos mobilizados pela iniciativa «Team Europe» na Nigéria atinge cerca de 962,5 milhões de euros desde 2025, incluindo projetos nos transportes, energias renováveis, governação democrática e combate às violências baseadas no género.

Charlène N’dimon

Face a um défice energético que ainda afeta cerca de metade da sua população, a CEDEAO recorre à China para acelerar o financiamento de projetos estimados em mais de 36 mil milhões de dólares.

A CEDEAO iniciou discussões com a Energy China International (CEEC), na segunda-feira, 16 de março de 2026, em Abuja, com o objetivo de explorar vias de colaboração no desenvolvimento de infraestruturas elétricas na África Ocidental.

O encontro, que contou também com a participação de representantes do West African Power Pool (WAPP), permitiu analisar vários portfólios de projetos, as capacidades técnicas da empresa chinesa, bem como os mecanismos de financiamento para acelerar a implementação de infraestruturas energéticas regionais.

Entre os projetos abordados figuram iniciativas estruturantes de interligação elétrica entre vários Estados-membros, incluindo a Costa do Marfim, o Gana, a Nigéria e o Senegal. Estes projetos inserem-se no plano diretor energético regional (2019–2033), que prevê a execução de 75 projetos prioritários, com um custo total estimado em 36,39 mil milhões de dólares.

As discussões incidiram igualmente sobre as oportunidades de financiamento associadas a estes projetos. A CEDEAO procura atrair mais investidores para colmatar o défice de infraestruturas. Estas iniciativas visam partilhar as capacidades de produção e melhorar a estabilidade do fornecimento de eletricidade na região.

Um setor energético sob pressão

A África Ocidental continua a enfrentar um défice energético significativo. A capacidade instalada (26 GW em 2020, segundo a IRENA) permanece insuficiente para uma população estimada em 401,9 milhões de habitantes, grande parte da qual concentrada na Nigéria.

As disparidades entre países continuam acentuadas. Em 2023, a taxa média de acesso à eletricidade nos países da CEDEAO situava-se em 61,6 %, mas descia para 32,1 % nos Estados da Aliança dos Estados do Sahel, nomeadamente Burkina Faso, Mali e Níger.

Apesar dos progressos registados nos últimos anos, a eletricidade disponível continua pouco fiável. As redes de transporte e distribuição permanecem pouco desenvolvidas, enquanto as capacidades de produção ficam aquém da procura crescente, impulsionada pela urbanização e pelo crescimento demográfico.

As interrupções frequentes, os elevados custos de produção e a dependência de energias fósseis fragilizam igualmente as economias da região. Neste contexto, os projetos de interligação promovidos pelo WAPP surgem como soluções estruturantes para otimizar a utilização dos recursos disponíveis e promover a integração regional.

A China, um parceiro-chave no financiamento de infraestruturas na África Ocidental

A aproximação à Energy China International (CEEC) insere-se numa dinâmica mais ampla de cooperação entre a CEDEAO e a China. Nas últimas duas décadas, Pequim afirmou-se como um parceiro central no desenvolvimento de infraestruturas na África Ocidental.

O comércio entre a China e África atingiu 348 mil milhões de dólares em 2025, um aumento de 17,7 % em relação a 2024. Este crescimento foi amplamente impulsionado pelas exportações chinesas, que ultrapassaram os 225 mil milhões de dólares, face a 123 mil milhões de dólares de importações africanas.

De acordo com o Boletim Económico China-África 2024, produzido pelo Global Development Policy Center, entre 2000 e 2022, os credores chineses concederam cerca de 170,08 mil milhões de dólares em empréstimos aos Estados africanos, principalmente através do Banco de Exportação e Importação da China e do Banco de Desenvolvimento da China, tornando a China o principal credor bilateral do continente. No mesmo período, as empresas chinesas anunciaram 112,34 mil milhões de dólares em investimento direto estrangeiro em novos projetos e realizaram 24,60 mil milhões de dólares em investimentos através de fusões e aquisições em África.

Ainda segundo o Global Development Policy Center, cerca de 34 % dos empréstimos concedidos ao continente foram direcionados para o setor da energia (ou seja, 52,4 mil milhões de dólares), maioritariamente para energias fósseis (51 %), enquanto as energias renováveis representaram apenas 2 % dos financiamentos.

Neste contexto, vários países da África Ocidental tornaram-se parceiros privilegiados da China, com os quais esta tem intensificado os seus investimentos. O país asiático pretende tirar partido desta posição para reforçar a sua presença no setor das infraestruturas.

Carelle Yourann (estagiária)

Os sistemas digitais africanos continuam vulneráveis às ciberameaças, devido à falta de competências locais, num contexto de adoção acelerada das tecnologias digitais por parte das administrações e empresas.

África está a estruturar a sua resposta face à explosão das ciberameaças e à escassez crítica de mão de obra qualificada. Neste contexto, a International Cybersecurity Community for Africa (ICCA), uma plataforma pan-africana de cibersegurança, foi lançada na sexta-feira, 20 de março, em Kigali, no Ruanda. Este novo organismo visa reunir os especialistas do continente e reforçar as capacidades operacionais regionais.

O dispositivo posiciona-se como um quadro de cooperação dedicado à partilha de informações sobre riscos digitais, à aprendizagem e ao aperfeiçoamento de talentos. A sua implementação ocorre num momento em que os ataques informáticos se intensificam. Segundo indicadores divulgados durante a inauguração, as organizações africanas sofrem, em média, cerca de 1.848 ataques por semana.

Para responder a esta pressão, a ICCA pretende formar um milhão de especialistas até 2030, um desafio significativo, tendo em conta que o continente conta atualmente com apenas 300.000 profissionais para uma procura em rápida expansão.

Para apoiar este objetivo, foram apresentados dois instrumentos tecnológicos. O primeiro, Umurinzi Cyber Threat Intelligence, permite identificar credenciais comprometidas na dark web e alertar as entidades visadas. O segundo é um sistema de formação prática do tipo Capture the Flag (CTF), que propõe simulações de ataques para reforçar a especialização técnica a custos controlados e num ambiente adaptado às realidades locais.

Apoiada pelas autoridades ruandesas e por parceiros internacionais, esta iniciativa insere-se numa estratégia global de valorização do capital humano e de proteção das infraestruturas críticas. Através deste projeto, os promotores pretendem fomentar o surgimento de um ecossistema digital integrado, capaz de enfrentar os desafios da transição digital.

No seu roteiro, a ICCA prevê alargar as suas atividades a cerca de quinze países até 2027 e implementar programas de certificação. A longo prazo, a instituição planeia lançar um índice africano de resiliência cibernética para medir o grau de preparação dos Estados face à cibercriminalidade.

Samira Njoya

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