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Equipe Publication

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No Nigéria, a generalização da inteligência artificial (IA) nas fintechs revela menos uma corrida à inovação e mais uma resposta pragmática à explosão dos riscos. Os atores do setor utilizam-na agora sobretudo para combater fraudes. Contudo, persistem alguns obstáculos.

Cerca de 87,5% das fintechs nigerianas recorrem à inteligência artificial (IA) para detetar fraudes, segundo um inquérito publicado pelo Banco Central da Nigéria (CBN).

Estes dados constam do Fintech Report 2025, publicado na segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, no âmbito da série Policy Insight do Banco Central. O relatório baseia-se num inquérito nacional realizado junto dos atores do setor, num workshop fechado realizado em junho de 2025 e numa mesa-redonda realizada em outubro.

A deteção de fraudes surge como o principal caso de utilização da IA, muito à frente de outras aplicações, como o atendimento ao cliente ou a avaliação de risco de crédito.

De acordo com o relatório, 62,5% das fintechs inquiridas utilizam chatbots alimentados por IA para a relação com clientes, enquanto 37,5% recorrem à IA para scoring de crédito e modelação de riscos. A mesma proporção aplica a IA aos processos de integração e de conhecimento do cliente (KYC). 12,5% das empresas inquiridas afirmam não utilizar IA nesta fase.

A IA é amplamente adotada nas fintechs nigerianas, principalmente para gestão de riscos e eficiência operacional. A fraude constitui um problema central para o setor”, sublinha o relatório, que qualifica este fenómeno como “um grande desafio industrial” durante os diálogos entre reguladores e operadores.

Crescimento rápido sob pressão

Estas conclusões surgem num contexto de forte expansão dos serviços financeiros digitais. No Nigéria, as instituições financeiras processaram cerca de 11 mil milhões de transações de pagamento instantâneo em 2024, mais do que o dobro do volume registado em 2022, colocando o mercado entre os mais ativos do mundo em pagamentos em tempo real.

No entanto, o Banco Central alerta que esta digitalização acelerada amplia a superfície de risco do sistema financeiro. Fraudes, insuficiência de controlos internos em algumas empresas em rápido crescimento e criminalidade financeira transfronteiriça continuam a ser preocupações, apesar do reforço dos mecanismos de combate ao branqueamento de capitais e da recente saída do país da lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI).

Interesse numa IA regulamentada

Apesar do foco na luta contra a fraude, segundo o documento, as fintechs mostram um forte interesse num maior uso da IA, desde que beneficiem de um quadro regulamentar mais claro.

Cerca de 62,5% dos inquiridos manifestaram grande interesse em participar num sandbox regulatório dedicado à IA, enquanto 75% priorizam o uso ético e transparente destas tecnologias em decisões de crédito e gestão de risco.

O relatório estima que, à medida que a IA se tornar uma ferramenta central nos serviços financeiros, as capacidades de supervisão e governação terão de evoluir em paralelo.

Obstáculos persistentes

As fintechs identificam, contudo, vários obstáculos à adoção em larga escala da IA. A falta de talento técnico e a incerteza regulatória são apontadas por 37,5% das empresas como barreiras principais.

Além disso, 50% dos respondentes consideram que o acesso a dados de qualidade e a infraestruturas adequadas é a condição mais crítica para desenvolver a IA, destacando o papel das infraestruturas públicas digitais, como a identidade digital e os quadros de partilha de dados.

Fiacre E. Kakpo

Namíbia: acessibilidade financeira dos smartphones, principal obstáculo à adoção da InternetA acessibilidade financeira dos smartphones é considerada um dos principais obstáculos à adoção da Internet. Segundo dados da DataReportal, cerca de 35% da população não utilizava a Internet no final de 2025.

Na Namíbia, a Autoridade Reguladora das Comunicações (CRAN) propôs isenções fiscais e outros incentivos para apoiar a adoção de telefones compatíveis com 4G. O objetivo declarado é promover uma adoção mais ampla da banda larga por toda a população, apesar de as infraestruturas já estarem amplamente implantadas em algumas regiões do país.

Esta proposta foi revelada por Emilia Nghikembua, diretora-geral da CRAN, no final da semana passada, durante a implementação de uma torre de telecomunicações da operadora pública MTC Namibia na região de Kunene. A sua intervenção surgiu na sequência das preocupações expressas pela operadora relativamente à subutilização das suas torres de rede, um fenómeno atribuído principalmente ao elevado custo dos terminais 4G no mercado namibiano.

A MTC Namibia, principal operadora móvel do país, considera que a disponibilidade das infraestruturas ainda não se traduz numa adoção efetiva dos serviços. Mercia Geises, presidente interina do conselho de administração da operadora, explicou que existem cerca de 74 torres na região de Kunene, todas compatíveis com 4G, mas cujo nível de utilização ronda apenas os 50%. «Mesmo quando implementamos a infraestrutura, a questão permanece: como levar as nossas comunidades a adotar e utilizar esta infraestrutura», afirmou.

Estas propostas surgem num contexto de transição tecnológica acelerada. O governo namibiano anunciou recentemente a intenção de eliminar progressivamente as redes 2G e 3G a partir deste ano, em favor da 4G, 5G e tecnologias satélite. Neste quadro, o executivo prevê também, a prazo, bloquear a importação de telefones 2G e 3G. A população não terá, portanto, outra escolha senão adquirir smartphones compatíveis com 4G ou superior para continuar a aceder aos serviços de telecomunicações, mesmo que estes equipamentos ainda sejam financeiramente inacessíveis para parte das famílias.

A fiscalidade, um obstáculo estrutural à adoção

Segundo a GSMA, a fiscalidade constitui um obstáculo importante à acessibilidade financeira dos terminais. Em alguns países, o IVA e os direitos de importação podem aumentar o preço dos smartphones em mais de 30%, elevando diretamente o custo suportado pelos consumidores e dificultando a inclusão digital.

No seu Mobile Connectivity Index 2025, a organização atribui à Namíbia uma pontuação de 46/100 em termos de acessibilidade dos dispositivos, sendo 100 um mercado onde os equipamentos são plenamente acessíveis.

Os dados do Banco Mundial confirmam a dimensão do desafio. Nos países de rendimento baixo e médio, o custo de um smartphone básico representa, em média, 18% do rendimento mensal de um adulto. Para os 40% das famílias mais pobres da África Subsaariana, esta proporção atinge 73%. Para ser considerado acessível, um smartphone deveria representar entre 15 e 20% do rendimento médio mensal. Embora a oferta de smartphones abaixo de 100 USD tenha melhorado ligeiramente nos últimos anos, continua a ser insuficiente para atender às necessidades de algumas camadas da população.

Isenções fiscais, uma resposta parcial

Convém lembrar que as isenções fiscais mencionadas são, nesta fase, apenas propostas do regulador. A sua adoção dependerá de decisões governamentais futuras, e o seu impacto real nos preços dos smartphones 4G permanece incerto, assim como a sua capacidade de tornar estes aparelhos verdadeiramente acessíveis para a maioria dos namibianos.

Neste contexto, a GSMA recomenda que as operadoras de telecomunicações reforcem as suas parcerias com os fabricantes, nomeadamente para reduzir custos e propor soluções de pagamento faseado, facilitando a aquisição de terminais compatíveis com 4G e 5G.

Por sua vez, os governos são incentivados a implementar isenções fiscais direcionadas para os telefones de entrada. Quanto aos fabricantes, deverão oferecer aparelhos adequados às necessidades dos utilizadores, de forma a apoiar tanto a sua capacidade como a sua vontade de pagar, um fator essencial para a adoção sustentável dos serviços digitais.

Para além do preço dos dispositivos, a organização destaca ainda que a adoção dos serviços 4G depende de outros fatores-chave, como competências digitais, custo e qualidade dos serviços, bem como relevância dos conteúdos disponíveis.

Isaac K. Kassouwi

 

Os preços do ouro registaram um novo recorde histórico, atingindo cerca de 5.590 USD por onça na semana passada. Embora o dinamismo de valorização tenha abrandado desde então, os analistas continuam optimistas quanto ao potencial de alta para 2026.

Após atingir um pico de aproximadamente 5.590 USD por onça, os preços do ouro caíram para 4.642 USD por onça na noite de segunda-feira, 2 de fevereiro, prolongando uma correcção iniciada durante o fim‑de‑semana. Segundo a plataforma Trading Economics, este recuo deve‑se principalmente a realizações de lucros, após os ganhos registados desde o início do ano. Apesar desta queda, o sentimento de mercado permanece globalmente positivo, com vários analistas a antecipar níveis de preço superiores ao pico recentemente atingido.

UBS, JP Morgan e Deutsche Bank na mesma linha

Antes do recuo observado, o banco alemão Deutsche Bank já previa um preço do ouro podendo atingir 6.000 USD por onça em 2026, impulsionado pela forte procura de investidores e bancos centrais. O mesmo optimismo é partilhado pelo banco suíço UBS, que na semana passada elevou o seu objetivo de preço para 6.200 USD por onça até setembro de 2026, face a 5.000 USD anteriormente.

Mais recentemente, o banco norte-americano JP Morgan apontou para uma trajectória ainda mais positiva, estimando um preço de 6.300 USD por onça até ao final de 2026. Segundo o banco, o interesse contínuo de bancos centrais e investidores deverá continuar a alimentar a tendência de valorização do ouro a médio prazo.

Continuamos firmemente convencidos do valor do ouro a médio prazo, graças a uma tendência de diversificação estrutural e contínua que deverá prosseguir num contexto de sobreperformance dos ativos reais em relação aos ativos financeiros”, explicou o JP Morgan, citado pela Reuters.

Factores que sustentam a valorização

É importante recordar que a forte actividade de compra dos bancos centrais foi um dos principais motores do aumento de 67% dos preços do ouro em 2025. Numa nota publicada na quinta-feira, 29 de janeiro, o World Gold Council registou uma procura recorde de 5.002 toneladas ao longo do ano, num contexto de crescentes tensões geopolíticas, levando muitos bancos centrais a reforçar as suas posições em activos de refúgio como o ouro.

Riscos de queda persistem…

Apesar de um consenso globalmente optimista, alguns factores continuam a pesar sobre as perspectivas do ouro. Entre eles destaca-se a incerteza sobre a governação da Reserva Federal dos EUA (Fed), reforçada pela recente nomeação de Kevin Warsh pelo presidente Donald Trump para liderar a instituição. Ex-membro do conselho da Fed, Kevin Warsh é visto pelos mercados como defensor de uma política monetária mais rígida, focada na luta contra a inflação, mesmo que implique manter taxas de juro elevadas por mais tempo.

Warsh sucederia a Jerome Powell, cuja condução da política monetária tem sido alvo de críticas recorrentes da Casa Branca nos últimos meses. Esta evolução aumenta os receios de uma possível interferência política na Fed, um elemento-chave para a estabilidade dos mercados financeiros. Uma política monetária mais restritiva traduz-se normalmente em taxas de juro elevadas, o que tende a penalizar o ouro.

Como activo que não gera rendimento, o ouro torna-se menos atractivo em comparação com obrigações ou outros investimentos com juros mais elevados. O UBS sublinha que tal cenário poderia acentuar os riscos de correcção dos preços, baseando o seu cenário baixista nesta hipótese, com uma estimativa de preço em torno de 4.600 USD por onça.

Em qualquer caso, a diversidade destas projecções ilustra a amplitude das expectativas e das incertezas que cercam a evolução dos preços do ouro em 2026. Trata-se de dinâmicas a acompanhar de perto nas próximas semanas, particularmente em África, onde vários países produtores estão a apostar em reformas fiscais para melhor aproveitar os benefícios do mercado em alta.

Aurel Sèdjro Houenou

Num contexto de forte dependência do gás importado e de crescimento sustentado da procura de eletricidade, a Tunísia continua a alargar o seu portefólio de projetos solares, apoiando-se em investimentos privados para acelerar a sua transição energética.

A Voltalia, empresa internacional de energias renováveis, anunciou na quinta-feira, 29 de janeiro, que foi selecionada pelo Estado tunisino para desenvolver um novo projeto solar de 132 MW, denominado Wadi, na região de Gabès, no sudeste da Tunísia. Este projeto junta-se aos de Sagdoud (maio de 2024) e Menzel Habib (dezembro de 2024). Com Wadi, a capacidade total dos projetos solares da Voltalia a iniciar construção no país atinge cerca de 400 MW.

Localizado nas proximidades do sítio de Menzel Habib, o projeto Wadi deverá beneficiar de sinergias operacionais, nomeadamente através da partilha de custos relacionados com a construção, transporte e manutenção. A construção está prevista para 2027, com entrada em funcionamento esperada em 2028. Segundo a Voltalia, a central produzirá uma quantidade de eletricidade equivalente ao consumo de cerca de 200 000 habitantes e permitirá evitar 120 000 toneladas de CO₂ por ano. Não foram divulgadas informações sobre o custo do projeto nem sobre o modo de financiamento.

«Estamos muito satisfeitos por termos sido selecionados para este novo projeto na Tunísia. Esta etapa reforça não só a nossa presença numa região com elevado potencial solar, mas permite-nos também acompanhar mais de perto as ambições energéticas do país», declarou Robert Klein, diretor-geral da Voltalia.

Este projeto insere-se numa estratégia nacional que visa reduzir a dependência energética da Tunísia. Segundo um artigo do Banco Mundial publicado em janeiro de 2024, o país ainda depende largamente do gás natural importado para produzir eletricidade, com 48% das suas necessidades energéticas importadas em 2022, enquanto a procura elétrica de ponta aumentou cerca de 5% ao ano entre 2010 e 2022. O Banco Mundial estima ainda o potencial solar e eólico tunisino em 320 GW, para uma procura nacional de ponta de cerca de 5 GW.

Esta dinâmica e a vontade de acelerar a diversificação do mix energético são apoiadas por reformas estruturais. Em 11 de novembro de 2025, o Banco Mundial aprovou um financiamento de 430 milhões USD para o programa TEREG, destinado a modernizar o setor elétrico tunisino, reforçar a performance da Société Tunisienne de l’Électricité et du Gaz (STEG) e atrair investimentos privados. Este programa visa, nomeadamente, mobilizar 2,8 mil milhões USD de investimentos privados para adicionar 2,8 GW de capacidade solar e eólica até 2028.

Abdoullah Diop

No Congo, a taxa de acesso à eletricidade passou de 49 % em 2024 para 59 % em 2025, segundo declarações oficiais divulgadas em janeiro de 2026. A estratégia elétrica nacional apresentada pelas autoridades prevê uma diversificação do mix energético, apoiando-se nomeadamente nas energias renováveis.

O governo da República do Congo iniciou estudos técnicos relativos ao projeto hidroelétrico de Kitéké, no rio Loufoulakari, no departamento do Pool, a cerca de 35 km a sudeste de Brazzaville. Trata-se de uma central com uma capacidade instalada prevista de cerca de 510 megawatts (MW), segundo informações reportadas em 29 de janeiro pela ADIAC-Congo.

Os estudos técnicos incidem sobretudo sobre a viabilidade do projeto, a definição das infraestruturas, a escolha dos equipamentos, bem como sobre os estudos de impacto ambiental e social. Visam também detalhar as modalidades de ligação da futura central à rede elétrica nacional.

Esta etapa foi concluída a 28 de janeiro durante um workshop oficial em Brazzaville, com a presença, entre outros, de Émile Ouosso, ministro da Energia e Hidráulica, e de representantes das empresas envolvidas no projeto.

Entre elas, o consórcio Lincoln e China Energy participa na fase de estudos técnicos. Ambas as empresas indicaram a intenção de assegurar, futuramente, a concepção, aquisição de equipamentos, construção, assim como alguns aspetos do financiamento.

Até ao momento, nenhum valor oficial foi divulgado relativamente ao investimento total previsto no projeto. De acordo com o calendário divulgado, o início efetivo da construção está previsto para julho-agosto de 2027, condicionado à conclusão dos estudos.

Durante o Congo Energy & Investment Forum, realizado em Brazzaville em março de 2025, as autoridades congolesas anunciaram a intenção de duplicar a capacidade nacional de produção elétrica para 1.500 MW até 2030, com ênfase no desenvolvimento das energias renováveis.

Foi apresentada uma folha de rota incluindo vários projetos destinados a aumentar a produção elétrica e a melhorar a taxa de acesso à eletricidade, que passou de 49 % em 2024 para 59 % em 2025, segundo declarações de Émile Ouosso divulgadas em janeiro de 2026.

Além disso, no âmbito da reforma do setor elétrico, a República do Congo solicitou a expertise da Société nationale d’électricité do Senegal (Senelec). Segundo a Agência Ecofin, em fevereiro de 2025 foi assinado um acordo que confere ao operador senegalês missões ligadas à distribuição, gestão e manutenção da rede elétrica congolesa por um período de dez anos.

Abdel-Latif Boureima

Colocado em operação em 2005, Bonga é um dos principais campos petrolíferos offshore da Nigéria, com uma capacidade de produção de cerca de 225.000 barris por dia e um papel central na exportação de crude proveniente de águas profundas.

A Nigéria irá enfrentar uma redução temporária dos seus volumes de exportação de cerca de 225.000 barris por dia durante várias semanas. Este desenvolvimento, noticiado na segunda-feira, 2 de fevereiro, está relacionado com uma manutenção programada na unidade flutuante de produção, armazenamento e descarregamento (FPSO) que opera o campo petrolífero offshore de Bonga.

Esta manutenção programada visa reduzir interrupções imprevistas, melhorar a eficiência operacional e reforçar a resiliência global do ativo”, declarou Ronald Adams, diretor-geral da Shell Nigeria Exploration and Production Company Ltd (SNEPCo), operador do site.

“Prevemos retomar a produção em março, assim que os trabalhos de manutenção forem concluídos com sucesso”, acrescentou, especificando que esta operação também abrange a produção de gás natural associado, estimada em cerca de 150 milhões de pés cúbicos por dia.

Bonga, projeto estratégico do offshore nigeriano em águas profundas

Desenvolvido no bloco offshore OML 118, o campo de Bonga inclui vários poços produtores ligados por condutas e equipamentos instalados a mais de 1000 metros de profundidade no fundo do mar, de acordo com os dados técnicos do projeto.

O FPSO Bonga foi projetado para armazenar até dois milhões de barris de petróleo antes de serem carregados em navios shuttle destinados à exportação. O crude é exportado diretamente do site offshore, sem passar por instalações terrestres.

Um desenvolvimento petrolífero adjacente, chamado Bonga South West-Aparo, deverá ser implementado após mais de dez anos de incertezas. Em meados de janeiro de 2026, a Agência Ecofin noticiou que a SNEPCo lançou novamente um concurso para a fornecimento de uma unidade FPSO para este projeto, com capacidade alvo de cerca de 150.000 barris por dia quando totalmente desenvolvido.

No final de janeiro, o presidente nigeriano Bola Tinubu aprovou incentivos específicos ligados a investimentos para acelerar este projeto offshore em águas profundas, situado a cerca de 120 km da costa. Segundo a presidência, estas medidas não constituem incentivos sectoriais gerais, mas estão condicionadas a novos investimentos e ao aumento efetivo da produção.

As autoridades expressaram o desejo de que o projeto alcance uma decisão final de investimento (FID) até meados de 2027. Nos últimos meses, reiteraram a ambição de elevar a produção para 2 milhões de barris por dia até 2027, contra 1,64 milhão de barris por dia de petróleo bruto e condensados produzidos em média nos primeiros onze meses de 2025, segundo dados oficiais. Também flexibilizaram as condições financeiras do concurso lançado em dezembro de 2025, que abrange 50 blocos petrolíferos e gasíferos.

Abdel-Latif Boureima

Durante muito tempo pilar do sistema elétrico da Zâmbia, a hidroeletricidade mostra hoje os seus limites face às incertezas climáticas. Neste contexto, as autoridades aceleram a diversificação do mix energético, com a energia solar como principal alavanca para reforçar a segurança do abastecimento.

Na Zâmbia, a diversificação do mix elétrico impõe-se agora como uma resposta direta às limitações do sistema hidroelétrico, que durante muito tempo sustentou o fornecimento de eletricidade do país e ainda fornece a maior parte da energia. Esta orientação materializou-se mais uma vez na quinta-feira, 29 de janeiro, com a inauguração pela Kiyona Energy Limited, filial da ZESCO, de um projeto solar fotovoltaico de 20 MW no campus do Natural Resources Development College (NRDC), em Mutendere, na capital Lusaca.

O projeto visa reforçar o fornecimento de eletricidade à rede nacional num país ainda marcado pela seca de 2024, que reduziu significativamente a produção hidroelétrica e, consequentemente, a oferta de eletricidade durante vários meses.

Desenvolvida num antigo aterro reabilitado, esta nova central será ligada à rede nacional. Segundo informações divulgadas durante a cerimónia, 2 MW da capacidade serão dedicados diretamente ao NRDC, garantindo fornecimento contínuo ao campus. O custo do projeto e a sua estrutura de financiamento não foram, no entanto, revelados.

Esta iniciativa integra uma dinâmica mais ampla liderada pela Kiyona Energy. Em meados de janeiro, a empresa adjudicou um contrato de compra de eletricidade à Bluesun Solar Zambia para um projeto solar distinto de 26 MW, representando um investimento estimado entre 22 e 26 milhões de dólares, com entrada em operação comercial prevista ainda este ano. A filial da ZESCO prevê também desenvolver até 300 MW de projetos de energias renováveis até 2028.

A vontade de reforçar a fiabilidade do fornecimento elétrico é determinada diretamente pelas autoridades do país. Durante a inauguração do projeto, o ministro da Energia, Makozo Chikote, declarou:

Reconhecemos que, embora a hidroeletricidade nos tenha servido bem durante décadas, a variabilidade climática recordou-nos a urgência de diversificar o nosso mix energético e reforçar a segurança energética nacional.

Abdoullah Diop

Em Marrocos, o setor agrícola contribui com cerca de 10 % do PIB. A seca que afetou o país nos últimos anos prejudicou o desempenho de fileiras estratégicas para a segurança alimentar, como a cerealífera e a pecuária, obrigando o país a aumentar a sua dependência das importações.

Em 2025, a fatura total das despesas realizadas com a compra de produtos alimentares em Marrocos atingiu 94,6 mil milhões de dirhams (10,3 mil milhões de dólares). É o que indica o Gabinete Marroquino de Câmbios no seu relatório mensal de dezembro de 2025 sobre o comércio externo.

O montante anunciado representa um aumento de 3,3 % face ao registado um ano antes. Entre os principais itens de despesa destacam-se o trigo, o açúcar, o milho e os animais vivos. Em conjunto, estas quatro categorias de produtos representaram cerca de 42 % da fatura das importações alimentares de 2025, ou seja, 39,7 mil milhões de dirhams (4,34 mil milhões de dólares).

Animais vivos, motor do crescimento das importações

Os dados compilados pelo Gabinete Marroquino de Câmbios mostram que as importações de animais vivos aumentaram 25 % em termos homólogos, atingindo 6,97 mil milhões de dirhams (762,7 milhões de dólares), o que faz desta categoria a que registou o crescimento mais elevado entre as quatro principais.

Importa salientar que o contexto marroquino favoreceu particularmente as importações de gado. No âmbito da Lei das Finanças de 2025, o governo introduziu a suspensão dos direitos aduaneiros e do IVA aplicados às importações de bovinos, ovinos, caprinos e camélidos entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2025.

Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, o contingente para as importações de bovinos foi mesmo duplicado, passando para 300 000 cabeças em agosto passado. O objetivo era assegurar um abastecimento normal do mercado em animais domésticos e carnes frescas, bem como apoiar a reconstituição do efetivo pecuário nacional, fortemente afetado por um ciclo de seca que se prolongou ao longo dos últimos sete anos.

Os últimos recenseamentos realizados pelo Ministério da Agricultura em 2025 revelaram, aliás, que o país já perdeu 38 % do seu efetivo de bovinos e ovinos desde 2016.

Para além dos animais vivos, a fatura das importações de milho registou igualmente um crescimento homólogo de 18,5 %, enquanto o açúcar e o trigo viram o valor das suas importações diminuir 18 % e 5,8 %, respetivamente, no mesmo período.

No conjunto, as importações de produtos alimentares representaram 11,5 % da fatura total das importações marroquinas, que se situaram em 822,2 mil milhões de dirhams (89,9 mil milhões de dólares) em 2025.

Uma balança comercial agrícola deficitária

Importa ainda referir que Marrocos importou mais produtos alimentares do que aqueles que exportou em 2025. Segundo os dados compilados pelo Gabinete Marroquino de Câmbios, as receitas de exportação de produtos alimentares atingiram 86,8 mil milhões de dirhams (9,4 mil milhões de dólares), registando uma ligeira queda de 0,1 % em termos homólogos.

Assim, o país do Norte de África apresenta um défice comercial de 7,78 mil milhões de dirhams (850 milhões de dólares) no que respeita aos produtos alimentares. Por outro lado, as exportações desta categoria representaram cerca de 19 % das receitas totais de exportação de Marrocos, que ascenderam a 469 mil milhões de dirhams (51,2 mil milhões de dólares) em 2025.

Stéphanas Assocle

O abacate figura entre os principais frutos tropicais exportados por África, a par da manga e da banana. À medida que as expedições deste fruto continuam a crescer, o ranking dos países exportadores sofreu uma mudança radical em 2025.

Em 2025, os países africanos colocaram cerca de 430 432 toneladas de abacates no mercado internacional, segundo os resultados preliminares da análise do mercado dos frutos tropicais da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), publicados num relatório na quarta-feira, 28 de janeiro. O volume anunciado representa um aumento de 16,67 % em relação ao registado um ano antes (368 845 toneladas).

Este crescimento esconde, contudo, evoluções contrastantes entre os principais exportadores, nomeadamente o Quénia, a África do Sul e Marrocos, que, em conjunto, representam mais de 75 % das expedições anuais do continente.

Marrocos, novo líder

De acordo com a FAO, as exportações do setor marroquino aumentaram 90 % de um ano para o outro, atingindo 141 000 toneladas. Esta forte progressão permitiu ao país do Norte de África ultrapassar o Quénia e a África do Sul, tornando-se, pela primeira vez, o líder das exportações africanas de abacate.

Este desempenho deve-se a uma melhoria da produção local, que possibilitou a disponibilização de volumes muito mais elevados. Em declarações sobre o tema em maio de 2025, a Associação Marroquina do Abacate (MAVA) sublinhava que as principais zonas de produção do Reino beneficiaram de condições climáticas mais favoráveis durante a campanha de 2024/2025.

O sucesso nas exportações reflete igualmente os resultados de vários anos de investimentos realizados pelo setor privado para expandir a base produtiva. «Os dados fornecidos pelo Ministério da Agricultura, das Pescas Marítimas, do Desenvolvimento Rural e das Águas e Florestas de Marrocos, em abril de 2025, mostraram uma expansão de 40 % das áreas colhidas entre 2022 e 2024, acompanhada de um aumento de 17 % da produção e de uma subida de 34 % das exportações», lê-se no relatório.

Quénia e África do Sul penalizados por desafios logísticos

Líder histórico das exportações africanas de abacate, o Quénia ocupa agora a segunda posição. A principal economia da África Oriental registou uma queda homóloga de 19 % nas suas expedições, estimadas em 105 164 toneladas. Este desempenho negativo é atribuído aos estrangulamentos logísticos associados à crise no mar Vermelho, uma rota fundamental para o transporte de mercadorias para a Europa, o seu principal mercado de destino.

Importa salientar que os rebeldes houthis do Iémen intensificaram os ataques a navios comerciais no mar Vermelho em 2025, criando um clima de insegurança que obrigou as companhias marítimas a evitar o canal do Suez, a via mais rápida para o Velho Continente. «O potencial de exportação foi limitado por um quase duplicar dos tempos de trânsito para a Europa, devido à crise no mar Vermelho e ao aumento acentuado dos custos de transporte daí resultante», sublinha o relatório.

Segundo a FAO, a África do Sul, que ocupa o terceiro lugar do pódio, também deve o seu desempenho negativo aos desafios logísticos no mar Vermelho. A nação arco-íris registou uma redução homóloga de 6 % das suas expedições, que totalizaram 80 423 toneladas.

De forma mais ampla, o aumento global dos volumes de exportação de abacate registado em África em 2025 acompanha a dinâmica mundial. O relatório estima igualmente que as exportações globais cresceram 13 % no último ano, atingindo cerca de 3,3 milhões de toneladas.

Stéphanas Assocle

Após dois anos de vacas magras, o investimento na tecnologia africana está a retomar, mas sob uma forma diferente: mais dívida, menos ilusões e um mercado que se torna mais duro, mais concentrado e mais seletivo na escolha dos seus vencedores.

O número tranquiliza. A trajetória, essa, pode suscitar debate. Com 4,1 mil milhões de dólares angariados em 2025, um aumento de 25 %, a tecnologia africana parece ter virado a página do travão brusco de 2023-2024, marcado pelo aperto monetário global e pela queda das valorizações. O mais recente relatório publicado pela Partech confirma este regresso ao crescimento. Mas por detrás desta aparente recuperação, a história que se desenha é sobretudo a de uma transformação silenciosa do financiamento: menos euforia, mais dívida e uma polarização cada vez mais acentuada. A de um ecossistema que perdeu as suas ilusões e ganhou peso. A do realismo. O mercado retoma, mas já não da mesma forma.

A dívida como sintoma

O facto mais marcante não é a retoma dos montantes, mas a sua natureza. Em 2025, a dívida representa 41 % do financiamento, ou seja, 1,6 mil milhões de dólares, um aumento de 63 %. Com 107 operações, atinge um nível inédito, tanto mais que o financiamento por dívida representava apenas 31 % em 2024 e 17 % seis anos antes.

Esta viragem não é insignificante. Assinala o surgimento de um núcleo de start-ups suficientemente maduras para aceder a financiamentos não dilutivos. Mas revela também uma forma de prudência coletiva: os fundadores procuram preservar o seu capital, os investidores limitar a sua exposição ao risco do equity. A dívida torna-se uma ferramenta de crescimento, mas também um instrumento de disciplina. E se a dívida é um sinal de maturidade, é também o reflexo de um mercado que se tornou mais exigente, menos inclinado a financiar apostas de longo prazo sem visibilidade. Em pano de fundo, conta o fim de uma era. Passa a ser indispensável apresentar receitas, margens e modelos credíveis.

O equity sob condição

O equity não desaparece. Restringe-se. Com 2,4 mil milhões de dólares distribuídos por 462 operações, cresce apenas ligeiramente (+8 %), mas muda de fisionomia. Os investidores regressam, mas com cautela. Os montantes por ronda aumentam, sobretudo nas Séries A e B, enquanto o segmento Seed continua sob pressão. Se os tickets aumentam, os dossiers são mais criteriosamente selecionados. A fase inicial da inovação paga o preço da prudência generalizada.

Este reequilíbrio traduz uma mudança de ciclo: o capital concentra-se em empresas já testadas, capazes de demonstrar tração comercial e disciplina financeira. A mensagem é clara: também em África, o capital de risco exige agora provas. A promessa, por si só, já não chega.

Uma África tech a duas velocidades

Tal como nos anos anteriores, a retoma continua fortemente concentrada.

O Quénia, a África do Sul, a Nigéria e o Egito captam, em conjunto, 72 % dos montantes angariados. O Quénia lidera em volumes, com 1,04 mil milhões de dólares, impulsionado por grandes rondas de dívida e por quatro dos nove megadeals registados em 2025.

A África do Sul retoma a liderança no equity: pela primeira vez desde 2017, ocupa o primeiro lugar no financiamento em equity, tanto em montantes como em número de operações. Um sucesso menos espetacular do que estrutural, assente num fluxo regular de transações e não em algumas operações excecionais.

A Nigéria, apesar de uma diminuição dos volumes, continua a ser um dos mercados mais dinâmicos, enquanto o Egito mantém um pipeline sólido, com tickets em crescimento. Fora destes quatro polos, o panorama é mais disperso: apenas o Senegal, Marrocos e Gana ultrapassam a fasquia dos 50 milhões de dólares angariados em equity. Uma realidade persistente permanece: o acesso ao capital continua profundamente desigual. A promessa de uma tecnologia africana verdadeiramente continental ainda assenta num número reduzido de praças fortes.

Fintech menos dominante, ecossistema mais maduro

Outro sinal estrutural: a fintech recua. Continua dominante (769 milhões de dólares angariados, ou 25 % do financiamento em equity), mas já não é hegemónica. A cleantech (550 milhões, +186 %), a healthtech (215 milhões, +232 %) e as soluções para empresas (238 milhões, +55 %) ganham força e ultrapassam, cada uma, patamares simbólicos. Pela primeira vez desde 2021-2022, vários setores não fintech ultrapassam individualmente os 200 milhões de dólares. Um sinal forte: o ecossistema africano deixa gradualmente de ser monolítico. Pela primeira vez em vários anos, a tecnologia africana já não fala a uma só voz.

Este é, sem dúvida, um dos ensinamentos mais encorajadores do relatório: a diversificação setorial deixa de ser um slogan e passa a ser uma realidade.

Um progresso lento e desigual

As start-ups fundadas por mulheres registam progressos. Lentamente. 10 % dos montantes, 19 % das operações. O número aumenta, a desigualdade persiste. Também aqui, a maturidade do ecossistema mede-se menos pelos seus recordes e mais pelos seus pontos cegos.

Fiacre E. Kakpo

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