Perante um desemprego que afetava 32 % dos jovens entre os 15 e os 24 anos em 2024, segundo o GSS, Acra lançou uma reforma profunda das suas universidades técnicas para alinhar o ensino com as necessidades da indústria e reduzir o desfasamento persistente face ao mercado de trabalho.
O Gana reafirmou o seu compromisso com a promoção do ensino técnico como alavanca contra o desemprego juvenil. Na abertura da 4.ª Conferência Bienal sobre Investigação Aplicada das Universidades Técnicas, em Takoradi, na terça-feira, 26 de maio, o presidente John Dramani Mahama apelou a uma reforma estrutural. Exortou os dez estabelecimentos públicos da rede a iniciarem uma transformação profunda.
Estes campus nasceram da conversão dos antigos politécnicos em instituições universitárias, decidida há uma década. Esta mudança tinha como objetivo elevar o nível da formação técnica nacional e aproximar os diplomados do mercado de trabalho. John Dramani Mahama reconheceu que os objetivos definidos na altura ainda não foram plenamente alcançados. Para colmatar este atraso, anunciou a inscrição de 10 milhões de cedis, cerca de 860 mil dólares por instituição, no orçamento de 2027. Segundo o comunicado, estes fundos financiarão a expansão das infraestruturas, a renovação dos equipamentos e a modernização dos laboratórios.
O modelo dual como nova orientação para as universidades técnicas
O chefe de Estado pediu às instituições que revejam a sua abordagem pedagógica. Estas deverão adotar «uma formação prática, baseada em competências e alinhada com o modelo alemão». Este sistema assenta numa alternância rigorosa entre formação em empresa e ensino teórico, formando técnicos imediatamente operacionais no final do curso. Na Alemanha, este método constitui um dos pilares de um dos mercados de trabalho mais eficientes do mundo. O Gana pretende inspirar-se neste modelo para construir uma mão de obra qualificada e responder às exigências do seu tecido produtivo.
Os setores da engenharia, energias renováveis e indústria transformadora são os principais alvos desta reorientação. Acra pretende criar uma relação simbiótica entre os polos académicos e o aparelho industrial. Esta sinergia deverá «utilizar os recursos industriais para a inovação e o avanço tecnológico», precisou John Dramani Mahama.
Está também prevista uma expansão da rede para acompanhar esta transformação. Serão criados dois novos institutos, em Jasikan, na região de Oti, e em Techiman, em Bono East. Além disso, será implantada uma universidade de ciências e tecnologia na região de Savannah. Esta expansão visa sobretudo as zonas do norte do país, historicamente menos dotadas de infraestruturas de ensino superior. O objetivo é corrigir um desequilíbrio geográfico que trava o desenvolvimento dessas regiões.
Paralelamente, está em preparação um Fundo TVET (Ensino Técnico e Formação Profissional) para apoiar o ensino científico à escala nacional. O Estado já investiu 5 milhões de dólares em seis laboratórios por campus em Takoradi e Kumasi. Estes equipamentos abrangem eletrónica, fabrico avançado e energias solar e eólica.
Reduzir o desemprego juvenil, prioridade do governo
Estes polos académicos devem tornar-se «o motor de uma economia ganesa baseada no conhecimento», afirmou o presidente. O desafio vai além da simples modernização das infraestruturas. O país pretende formar criadores de emprego, e não apenas candidatos a emprego. As instituições são convidadas a colaborar estreitamente com o setor privado para dinamizar a investigação aplicada. Segundo o chefe de Estado, deverão servir «de ponte entre o mundo da ciência e o da indústria».
Esta estratégia visa transformar os diplomados em empreendedores capazes de gerar valor, criar empresas e inovar. As instituições são igualmente incentivadas a valorizar os seus equipamentos através de projetos desenvolvidos em parceria com os atores do setor industrial.
Esta iniciativa surge num contexto em que o desemprego juvenil continua a ser uma emergência nacional. Em 2024, a taxa de desemprego entre os jovens dos 15 aos 24 anos atingia 32 %, segundo o Ghana Statistical Service (GSS). Esta faixa etária representava sete em cada dez desempregados no país. A taxa global de desemprego caiu para 13,1 % no quarto trimestre de 2024, contra 14,9 % no início de 2023, segundo a mesma fonte. Contudo, o GSS alerta que estes progressos continuam frágeis e que os ganhos ainda não beneficiam suficientemente os jovens. A instituição recomenda alinhar as reformas TVET com as necessidades do mercado e reforçar os programas de aprendizagem e inserção profissional.
O Gana contava com 14 milhões de ativos em 2024, segundo o inquérito anual sobre rendimentos e despesas dos agregados familiares (AHIES) publicado pelo GSS. O crescimento do emprego continua insuficiente para absorver os novos entrants no mercado de trabalho. Neste contexto, a integração industrial dos institutos técnicos surge como uma resposta estrutural. Em todo o continente, várias economias da África Ocidental enfrentam tensões semelhantes entre a oferta de formação e as exigências reais do setor produtivo. A crise do emprego juvenil está a instalar-se de forma duradoura.
Félicien Houindo Lokossou
Após quase dois anos como ministra conselheira do Ensino Superior e da Investigação Científica, Sèdami Mèdégan Fagla junta-se ao primeiro governo de Romuald Wadagni com a missão de reforçar a ligação entre formação, investigação e emprego jovem.
O ensino superior no Benim entra numa nova fase. Nomeada no domingo, 24 de maio, Sèdami Mèdégan Fagla assume a liderança de um ministério alargado que reúne ensino superior, investigação científica e formação técnica. Sucede a Éléonore Yayi Ladékan, no cargo desde 2021.
Um percurso entre ciência, investigação e ação pública
O percurso da nova ministra é atípico. Professora assistente universitária do Conselho Africano e Malgaxe para o Ensino Superior (CAMES), leciona química orgânica e farmacêutica na Universidade de Abomey-Calavi, onde também dirige o Medicinal Organic Chemistry Laboratory, um laboratório especializado em substâncias naturais com fins medicinais.
Doutorada pela Universidade Paris-Sud XI e mestre em gestão da inovação pela Universidade Paris Dauphine, acumulou doze anos de experiência em consultoria tecnológica e gestão de portefólios farmacêuticos em França antes de regressar ao Benim, em 2014. É também autora de cerca de dez publicações científicas avaliadas por pares.
Eleita deputada em 2019 sob a bandeira da União Progressista, envolveu-se na defesa dos direitos das mulheres e na luta contra a violência baseada no género, antes de ser nomeada diretora do Instituto Parlamentar do Benim, em abril de 2023. Em dezembro de 2024, integrou o governo cessante como ministra conselheira do Ensino Superior, último passo antes desta promoção.
Um setor em transformação entre reformas e desafios estruturais
O setor que agora assume enfrenta fortes pressões. A Universidade de Abomey-Calavi (UAC), a maior do país, acolhe sozinha mais de 67 mil estudantes distribuídos por sete campus, com 62 mil inscrições validadas para o ano académico 2023-2024. A falta de docentes agrava a situação. Um concurso lançado em 2025 para preencher 250 vagas de assistentes universitários selecionou apenas 166 candidatos, apesar de um processo considerado rigoroso.
A desconexão entre diplomas e emprego continua a ser o desafio mais profundo. Embora a taxa oficial de desemprego seja inferior a 3%, os jovens diplomados ocupam sobretudo empregos abaixo das suas qualificações, num país onde o subemprego atinge 72% da população ativa e mais de 90% dos trabalhadores atuam no setor informal.
Vários programas tentam reduzir esta lacuna. O programa Azôli, apoiado pelo Banco Mundial, permitiu a integração profissional de mais de 48 mil jovens, com um financiamento adicional de 41,3 milhões de dólares aprovado em junho de 2025. Ao nível das infraestruturas, foi validado em setembro de 2025 um plano de 12,5 milhões de dólares para reabilitar várias universidades públicas, incluindo a UAC, a Faculdade de Ciências da Saúde e a Universidade Nacional de Agricultura.
Para Sèdami Fagla, o verdadeiro desafio será transformar estes investimentos em resultados concretos, num país onde cada nova geração de finalistas do ensino secundário aumenta a pressão sobre universidades ainda subfinanciadas.
Félicien Houindo Lokossou
Face aux limites do seu sistema educativo e à pressão demográfica, o Malawi acelera as suas reformas. O país aposta em parcerias internacionais para aproximar formação, competências e emprego, num contexto de transformação económica ainda frágil.
O Malawi deu um novo passo na reforma do seu sistema educativo. Na segunda-feira, 25 de maio, o ministro da Educação, Bright Msaka, recebeu uma delegação britânica em Lilongwe. No centro das discussões esteve a vontade de construir um sistema capaz de responder às realidades do mercado de trabalho. «Queremos formar mentes críticas, capazes de responder às transformações tecnológicas», afirmou o ministro, definindo desde logo a direção da reforma.
O ministério trabalha numa revisão estrutural destinada a identificar precocemente os pontos fortes e as dificuldades de cada aluno, para melhor orientar os percursos escolares desde os primeiros anos. Uma abordagem apoiada pelo Reino Unido através da Parceria Global para a Educação. O deputado Bambos Charalambous insistiu em prioridades como as aprendizagens fundamentais, as ferramentas digitais e a distribuição de tablets para modernizar os métodos de avaliação.
Entre as principais medidas previstas está a introdução do empreendedorismo como disciplina autónoma em todos os níveis de ensino. «Ensinar empreendedorismo desde cedo permitirá à nossa juventude criar as suas próprias oportunidades», defendeu o ministro, num país onde o fosso entre escola e emprego continua a ser um grande desafio.
Uma urgência bem documentada
Segundo a Divisão da População das Nações Unidas, mais de 60% da população do Malawi tem menos de 25 anos. O Banco Mundial estima que cerca de 270 mil jovens entram todos os anos num mercado de trabalho que oferece apenas 40 mil empregos formais, enquanto o Instituto Nacional de Estatística revela que o setor informal absorve mais de 90% da população ativa.
A economia malawiana continua igualmente vulnerável a choques climáticos, financeiros e macroeconómicos. Numa publicação de 2024, a UNESCO sublinha as persistentes desigualdades no acesso e na qualidade do ensino, enquanto a OIT destaca o desfasamento crescente entre as competências adquiridas e as expectativas dos empregadores.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto África enfrenta uma forte pressão sobre as competências digitais, as grandes empresas tecnológicas internacionais reforçam a sua presença para acompanhar a crescente qualificação dos jovens diplomados do setor.
Na terça-feira, 19 de maio, a editora europeia de soluções de gestão em cloud Cegid inaugurou o seu centro de excelência “Cegid Atlas” no hub estratégico da Casablanca Finance City Authority, marcando uma nova etapa do seu desenvolvimento em Marrocos. Já com 240 colaboradores recrutados desde junho de 2025, o centro cobre atividades estratégicas de elevado valor acrescentado: apoio ao cliente, implementação cloud, integração, formação, acompanhamento pós-venda e investigação e desenvolvimento. O local acolhe também funções de back-office em finanças, recursos humanos e sistemas de informação.
Para o grupo francês, não se trata de uma simples plataforma de suporte. “Casablanca representa para a Cegid uma implantação estratégica que vem completar o seu dispositivo internacional”, declarou Bruno Vaffier, diretor-geral da Cegid.
Um hub regional integrado na estratégia “Forward.ai”
O Cegid Atlas não é uma antena isolada. O centro insere-se no plano estratégico “Forward.ai” do grupo, que coloca a inteligência artificial generativa no centro do seu desenvolvimento tecnológico. Torna-se assim o pilar operacional da Cegid para a zona Ibéria, América Latina e África. Fundada em 1983 em Lyon, a Cegid opera em 130 países, conta com mais de um milhão de clientes e registou 1,07 mil milhões de euros de faturação em 2025, em modelo 100% SaaS.
Para Said Ibrahimi, diretor-geral da Casablanca Finance City Authority, esta inauguração confirma a atratividade da praça. A instalação da Cegid “ilustra plenamente a capacidade do nosso ecossistema para atrair prestadores de serviços internacionais de elevado valor acrescentado”, nomeadamente nos setores da tecnologia e I&D.
A aposta no capital humano marroquino
Por trás da escolha de Casablanca está sobretudo uma aposta no capital humano. Para Tam Kaghat, presidente da Cegid Atlas, Marrocos “dispõe de um conjunto de talentos qualificados, empenhados e capazes de evoluir rapidamente em ambientes tecnológicos exigentes”. “Os nossos colaboradores já constituem um ativo-chave no desenvolvimento de competências e capacidades internacionais”, acrescenta. Said Ibrahimi confirma também “a qualidade, profundidade e competitividade” dos jovens marroquinos em engenharia, desenvolvimento e programação.
A instalação surge num contexto de pressão estrutural sobre as competências digitais. Marrocos forma atualmente apenas 14 000 engenheiros e técnicos em informática por ano, longe do objetivo nacional de 100 000 profissionais formados anualmente. A estratégia “Digital Morocco 2030”, lançada oficialmente a 25 de setembro de 2024 em Rabat pelo Ministério da Transição Digital, prevê 240 000 empregos diretos no setor digital e uma contribuição de 100 mil milhões de dirhams para o PIB até 2030, com 11 mil milhões mobilizados apenas entre 2024 e 2026.
No terreno, o programa público JobInTech ilustra esta dinâmica. Lançado em junho de 2023 no eixo Casablanca-Rabat, formou 1000 jovens em um ano, com uma taxa de inserção profissional superior a 73%, segundo dados disponíveis. Desde maio de 2024, foi generalizado a todo o Reino, com o objetivo de formar 15 000 jovens em profissões digitais ao longo de três anos, em 12 regiões e com 45 operadores. Para o ano letivo 2025-2026, 746 500 estagiários entraram em estabelecimentos de formação profissional, uma subida de 38% face a 2021-2022.
Félicien Houindo Lokossou
Numa economia onde 63% dos trabalhadores atuam no setor informal, sem cobertura social, Nouakchott lança uma reforma institucional importante para corrigir essa situação.
Na Mauritânia, o governo pretende dar maior atenção ao bem-estar dos trabalhadores. Isso foi revelado com o lançamento da campanha nacional para a extensão da cobertura social universal, na terça-feira, 19 de maio. O evento, supervisionado pela ministra da Função Pública e do Trabalho, Marieme Mint Boydiel Houmeid, acompanhado pela governadora de Nouadhibou, Tfeila Mohameden Haden, marca o início de uma ofensiva nacional para integrar os trabalhadores “invisíveis” no sistema de segurança social.
A escolha de Nouadhibou como cidade de lançamento não é por acaso. A ministra afirmou que ela “reflete a sua posição como polo económico dinâmico que abriga milhares de trabalhadores e agentes económicos em diversos setores de produção e serviços”.
A campanha insere-se na estratégia da Caixa Nacional de Segurança Social da Mauritânia para o período 2025-2029, que visa modernizar a instituição e reforçar a sua preparação face aos desafios. A iniciativa foca especialmente trabalhadores da pesca industrial e tradicional, da mineração artesanal de ouro, da agricultura, dos transportes e do setor informal, procurando ao mesmo tempo simplificar e digitalizar os procedimentos.
Para a ministra, o desafio vai além da técnica. Ela afirmou que esta campanha é “uma pedra angular da política social do presidente Mohamed Ould Cheikh El Ghazouani, que colocou o ser humano no centro das políticas públicas”. Já foram registados alguns avanços concretos. O diretor-geral da CNSS destacou “o aumento do teto das contribuições, a revalorização do salário mínimo e das pensões, a melhoria dos subsídios familiares, das indemnizações de maternidade, bem como a possibilidade de viúvas beneficiarem do seguro de saúde e a eliminação da condição de idade de cinquenta anos para o acesso a certos direitos”.
Esta iniciativa surge num contexto em que a Mauritânia enfrenta um atraso estrutural em matéria de proteção social. A Estratégia Nacional de Proteção Social 2025-2035 indica que 28,2% da população vive em situação de pobreza, com 41,2% no meio rural, num cenário de vulnerabilidades crescentes ligadas às alterações climáticas e às crises económicas. O crescimento económico abrandou para 5,2% em 2024, face a 6,4% em 2023, segundo o Banco Mundial.
A campanha insere-se ainda num esforço mais amplo. Em novembro de 2025, a ministra manteve conversações em Genebra com o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para reforçar a cooperação no domínio do trabalho digno. Resta agora avaliar a efetividade destas medidas no terreno.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto cerca de 9 em cada 10 empregos pertencem à economia informal e a inserção profissional dos jovens continua a ser um grande desafio, o Estado da Costa do Marfim prossegue a transformação do seu sistema de formação para melhor o adaptar às realidades do mercado de trabalho.
Na Costa do Marfim, o projeto Passeport Compétences dá um novo passo decisivo. É o que resulta da reunião de trabalho realizada na quarta-feira, 13 de maio, no gabinete do ministro do Emprego, da Proteção Social e da Formação Profissional, Adama Kamara. A direção-geral da Agência de Formação Profissional (AGEFOP), liderada por Karitia Coulibaly De Medeiros, apresentou as grandes orientações do programa aos altos quadros do ministério.
A mensagem é clara: o projeto Passeport Compétences tornou-se um projeto nacional prioritário. Segundo o comunicado oficial do Ministério do Emprego e da Proteção Social e da Formação Profissional, o dispositivo pretende ser « uma ferramenta inovadora » para reconciliar dois mundos que muitas vezes caminham separados: o da formação e o do emprego. A ambição é « melhor identificar, valorizar e acompanhar as competências dos formandos e trabalhadores » para os conduzir a uma inserção real e sustentável.
Em 2025, a taxa de desemprego entre jovens diplomados do ensino superior atingia 15 %, ou seja, quase seis vezes a taxa nacional. O desfasamento persistente entre as competências adquiridas e as necessidades do mercado de trabalho agrava ainda mais a dificuldade de inserção. Em 2023, um estudo da Organização Internacional para as Migrações (OIM) já tinha alertado que o emprego juvenil no país é maioritariamente precário e mal remunerado, com cerca de 90 % dos ativos a trabalhar no setor informal.
Perante esta realidade, o ministério assume a ambição de « aproximar mais a formação das realidades do mercado de trabalho ». Uma frase curta, mas que resume uma viragem estratégica.
Da fase-piloto à implementação nacional
Lançado oficialmente em outubro de 2024 em Abidjan, o programa Passeport Compétences começou por ser testado numa fase piloto. Iniciada em novembro de 2024 na região de Sud-Comoé, essa fase foi depois alargada em 2025 aos distritos das Savanes (Bagoué, Poro e Tchologo) e à comuna de Yopougon, em Abidjan.
Hoje, o objetivo é claro: o programa deverá abranger as 31 regiões do país até ao final de 2026, formar e inserir pelo menos 100 000 beneficiários diretos e indiretos, emitir 10 000 certificações através da Validação de Competências pela Experiência (VAE) e garantir que pelo menos 80 % dos beneficiários consigam emprego assalariado ou criem a sua própria atividade. Segundo a diretora da AGEFOP, cerca de 1 000 empresas locais deverão ser diretamente impactadas pelo dispositivo.
Mas a urgência mantém-se. Todos os anos, cerca de 400 000 jovens entram num mercado que só gera 100 000 empregos formais. O Passeport Compétences não resolve sozinho este desequilíbrio, mas pretende, pelo menos, evitar que os jovens formados hoje fiquem excluídos amanhã.
Félicien Houindo Lokossou
Num mundo islâmico ainda marcado por profundas desigualdades educativas, o Senegal afirma-se como um ator de referência. Esta nova posição dá ao país uma alavanca direta sobre as políticas de formação dos 57 Estados-membros da organização nos próximos quatro anos.
O Senegal reafirma a sua vontade de reforçar a cooperação multilateral na área da educação. É o que resulta da 15.ª Conferência Geral da Organização do Mundo Islâmico para a Educação, as Ciências e a Cultura (ICESCO), aberta na quarta-feira, 13 de maio, em Kazan, capital da República do Tartaristão, na Federação da Rússia.
Durante esta sessão, o país foi designado vice-presidente do bureau da organização até à 16.ª Conferência Geral. Esta nomeação faz de Dakar um co-piloto de primeiro plano numa organização em processo de transformação profunda.
Um posto para influenciar a agenda educativa islâmica
Segundo o comunicado do Ministério da Educação Nacional, esta nomeação reflete o reconhecimento do papel ativo e do compromisso constante do Senegal na ICESCO. O resultado decorre de uma relação construída ao longo do tempo, reforçada por encontros de alto nível e pela promoção do modelo educativo senegalês.
A designação surge num momento decisivo para a organização, que enfrenta desafios relacionados com exclusão educativa em vários países do mundo islâmico. Nos últimos anos, a ICESCO lançou iniciativas como a Carta de Riade sobre a ética da inteligência artificial e programas de formação em competências digitais e científicas para jovens.
Ao assumir a vice-presidência, o Senegal pretende contribuir para as orientações estratégicas da organização e reforçar a cooperação multilateral.
A ambição internacional de uma escola em transformação
O Senegal tem vindo a implementar reformas estruturais no seu sistema educativo, num contexto em que persistem desafios significativos de acesso e qualidade do ensino.
As autoridades têm adotado medidas para modernizar os currículos, reforçar a formação de professores e integrar ferramentas digitais no sistema educativo, com o objetivo de melhorar os resultados escolares e reduzir as desigualdades.
A vice-presidência da ICESCO surge assim como uma plataforma internacional para apoiar e projetar esta ambição educativa em construção.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto milhares de jovens entram todos os anos no mercado de trabalho e o desemprego entre os 15 e 35 anos continua a ser o mais elevado, as autoridades fazem da adequação entre formação e emprego um imperativo nacional.
O Mali procura construir uma ponte entre a escola e o futuro profissional da sua juventude. Essa é a ambição expressa na quinta-feira, 14 de maio, em Bamako, durante a abertura da Feira da Educação e das Carreiras no parque de exposições da comuna V. O evento, presidido por Issoufi Arbert Bedari Touré, diretor nacional do Ensino Fundamental, reúne estabelecimentos públicos e privados, embaixadores, parceiros técnicos e financeiros, bem como muitos jovens em busca de oportunidades em áreas como tecnologia, comunicação, empreendedorismo e profissões técnicas.
Issoufi Arbert Bedari Touré classificou a feira como um “quadro privilegiado de informação, intercâmbio e acompanhamento dos estudantes”. Em representação do ministro da Educação Nacional, destacou a necessidade de reforçar a ligação entre escola e emprego para favorecer a “inserção socioeconómica dos jovens diplomados”. Esta ambição é reforçada pela decisão das autoridades de declarar 2026-2027 como “Ano da Educação e da Cultura”, sinal da importância atribuída ao capital humano.
Esta iniciativa surge num contexto em que o desemprego juvenil e a precariedade laboral continuam elevados. Embora os dados oficiais indiquem uma taxa de desemprego relativamente baixa, a maioria dos jovens ativos trabalha no setor informal, frequentemente sem proteção social.
Face a estes desafios estruturais, o Observatório Nacional do Emprego e da Formação registou dezenas de milhares de empregos criados em 2024 e no primeiro semestre de 2025, embora ainda insuficientes para absorver o número crescente de novos entrantes no mercado.
Félicien Houindo Lokossou
Em Angola, enquanto mais de um terço dos angolanos tem entre 15 e 34 anos, o mercado de trabalho continua estruturalmente incapaz de absorver esta juventude. Os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE) traçam um cenário preocupante.
No último trimestre de 2025, 43,6% dos jovens angolanos estavam desempregados. Este valor resulta de uma nova metodologia adotada pelo INE em 2025, que alinha as estatísticas angolanas com os padrões internacionais do Bureau Internacional do Trabalho. Essa atualização produz taxas significativamente inferiores às anteriores.
Com a metodologia antiga, o desemprego juvenil atingia 63,5% no quarto trimestre de 2024. A reformulação estatística torna difícil qualquer comparação direta entre as duas séries. O que não muda, contudo, é a realidade estrutural que estes números descrevem. No plano global, a taxa de desemprego total situava-se em 20,1% no final de 2025.
O que este número revela sobre o mercado de trabalho angolano
O desemprego juvenil é apenas a parte visível de um mercado de trabalho profundamente fragmentado. Outro indicador ainda mais revelador é o peso da informalidade: no quarto trimestre de 2025, o emprego informal representava 78,6% do total, segundo o INE. A maioria dos trabalhadores atua sem contrato, sem proteção social e sem rede de segurança.
A informalidade afeta ainda mais as mulheres (88,7%) do que os homens (69,5%). Nas zonas rurais, este valor sobe para 93,2%. Estes números mostram a dimensão do desfasamento entre o crescimento económico e a criação de empregos dignos.
A Angola registou, no entanto, um crescimento do PIB real de 4,95% em 2024. O setor não petrolífero cresceu 5,36%. Ainda assim, esta dinâmica não se traduz em empregos formais para os jovens. O Banco Africano de Desenvolvimento sublinha que os recursos humanos continuam limitados pelo desemprego juvenil, pela falta de competências e pela pobreza. A taxa de pobreza mantém-se em 40,6%.
Uma resposta pública ainda insuficiente
Perante estes desafios, Luanda implementou várias medidas. O governo afirma ter criado mais de 1,1 milhão de empregos entre 2018 e 2025. No âmbito da Agenda Nacional para o Emprego, adotada em 2023, mais de 1600 centros de formação profissional públicos estavam operacionais em 2026, tendo beneficiado mais de 100 mil jovens.
Contudo, estes esforços continuam insuficientes face à dimensão das necessidades. O Banco Africano de Desenvolvimento prevê uma desaceleração do crescimento para 3% em 2025, devido à volatilidade dos preços do petróleo. O crédito ao setor privado não ultrapassa 7 a 8% do PIB. Apenas 4,5% das empresas recorrem ao financiamento bancário para investir.
Este duplo bloqueio — fraco acesso ao crédito e predominância da informalidade — mantém grande parte da juventude angolana à margem da economia formal.
Félicien Houindo Lokossou
Face a um mercado de trabalho em que 34% dos jovens guineenses não estão nem empregados, nem em estudos, nem em formação, segundo o Observatório Nacional do Trabalho, e onde 80% dos empregos permanecem informais, Conacri acelera a modernização do seu capital humano ao apostar nos seus professores de ciências.
O governo guineense está a avançar na reformulação do seu sistema educativo. O Ministério da Educação Nacional, da Alfabetização, do Ensino Técnico e da Formação Profissional lançou na semana passada um programa de reforço de competências em ciências, tecnologias, engenharia e matemática (STIM), destinado a 190 professores provenientes das 13 comunas de Conacri. Esta primeira coorte reúne 40 professores de matemática, 50 de física, 50 de química e 50 de biologia.
Organizado ao longo de oito dias de formação intensiva, o programa alterna trabalhos práticos em laboratório com a utilização de ferramentas digitais. Os participantes trabalham com equipamentos de física, química e biologia, e são introduzidos à programação de microcontroladores Arduino e Micro:bit.
A inteligência artificial e ferramentas colaborativas como o Teams completam o percurso formativo. O ministério anuncia ainda o lançamento iminente de um agente conversacional dedicado aos candidatos ao exame nacional do ensino secundário. O objetivo do dispositivo é criar um núcleo nacional de formadores com efeito multiplicador em todo o território.
«São os pioneiros de uma mudança duradoura», afirmou o ministro Alpha Bacar Barry aos participantes. O programa pretende romper com um modelo ainda «largamente dominado pela abstração teórica», segundo o comunicado oficial. A iniciativa é concebida como um projeto-piloto. Caso produza resultados positivos, o departamento prevê a sua expansão de Kindia a Kankan, de Boké a N’Zérékoré.
Esta medida surge no contexto de uma reforma mais ampla do sistema educativo guineense. Para o inspetor regional da Educação de Conacri, Thiapato Barry, ela insere-se na dinâmica «Simandou 2040», que visa sustentar a transformação económica através de um investimento massivo no capital humano.
Em 2024, o Ministério do Ensino Técnico já tinha formado 74 formadores e 30 quadros em ferramentas digitais, segundo o seu balanço anual. O desemprego entre jovens dos 15 aos 24 anos é de 7,3%, segundo o Observatório Nacional do Trabalho. Cerca de 40% dos jovens diplomados continuam sem emprego estável. A taxa de conclusão do ensino primário era de 56% em 2021 para as raparigas e 70% para os rapazes, segundo o Instituto de Estatística da UNESCO.
Félicien Houindo Lokossou
Este novo mecanismo destina-se a estruturar o ecossistema científico nacional e a apoiar a transformação do país.
O governo nigeriano aprovou a criação do “National Research and Innovation Development Fund” (NRIDF), um fundo nacional destinado a reforçar de forma sustentável a investigação, a ciência e a tecnologia, com um financiamento anual que pode atingir 500 milhões de dólares. É o que indica um comunicado da presidência publicado no sábado, 9 de maio.
Concebido para colmatar as fragilidades estruturais do setor, o NRIDF visa melhorar a coordenação entre universidades, institutos de investigação, indústria e poderes públicos em torno das prioridades nacionais de desenvolvimento. O objetivo é criar um quadro integrado capaz de reforçar a inovação, melhorar a competitividade do país e apoiar a diversificação da economia nigeriana.
O fundo irá financiar bolsas competitivas de investigação, o desenvolvimento de infraestruturas de inovação, a comercialização de descobertas científicas, bem como o desenvolvimento do capital humano nos setores estratégicos da ciência e da tecnologia.
Colocada sob a tutela do Ministério Federal da Inovação, Ciência e Tecnologia, esta iniciativa será supervisionada por um Conselho Nacional de Investigação e Inovação composto por 17 membros e presidido pelo vice-presidente.
Um setor ainda travado pelo subinvestimento
Esta reforma surge num contexto em que o sistema de investigação nigeriano continua a enfrentar grandes desafios. Segundo um estudo publicado em 2025 pela Science Granting Councils Initiative (SGCI), o país consagra apenas 0,13% do seu PIB à investigação e desenvolvimento, longe do objetivo de 1% definido pela União Africana (UA). Com o setor privado a representar apenas 1% do investimento, a dependência do financiamento público permanece elevada.
Perante estas limitações, a SGCI recomenda, entre outras medidas, o reforço dos investimentos em energia e digital, a criação de fundos dedicados, a melhoria do enquadramento jurídico da propriedade intelectual e o desenvolvimento de parcerias público-privadas.
Nesta dinâmica, o governo nigeriano lançou também centros de inovação denominados “UniPods” nas universidades públicas, como o Mine-Tech UniPod inaugurado em Nasarawa, com o objetivo de alinhar melhor a investigação académica com as necessidades industriais, nomeadamente nos setores mineiro e tecnológico.
Charlène N’dimon
Côte d'Ivoire: Em face de uma explosão nos números de estudantes e uma escassez persistente de pessoal qualificado, o país intensifica seus esforços para fornecer educadores capacitados nas escolas
O governo da Côte d'Ivoire continua sua política de reforço da educação nacional. O Ministério da Educação Nacional e da Alfabetização anunciou oficialmente a realização do concurso de ingresso direto para a Escola Normal Superior (ENS) para a sessão de 2026, conforme uma publicação em suas redes sociais no domingo, 3 de maio.
No total, 24.185 candidaturas foram validadas para 3.225 vagas abertas na função pública. A relação é reveladora: sete candidatos disputam a mesma vaga. Esse interesse reflete, ao mesmo tempo, a atratividade do status de servidor público e a pressão crescente de uma juventude qualificada que busca uma inserção estável no mercado de trabalho.
Três perfis, três provas
Segundo o comunicado oficial do Ministério, as provas escritas estão organizadas em três sequências distintas:
O governo destaca que "esse interesse confirma a importância estratégica da profissão de educador e o papel central da escola no desenvolvimento de nosso país". Os resultados das admissões são esperados para o final de junho. As provas orais ocorrerão em julho, com a divulgação dos resultados definitivos prevista para meados de julho de 2026.
Uma iniciativa para suprir uma carência persistente
A questão vai além da seleção acadêmica. Os aprovados no concurso passarão por dois anos de formação na ENS antes de assumirem suas funções. A partir do próximo ano letivo, 2.337 professores e 3.435 estagiários irão reforçar os efetivos nas escolas do país, conforme o Ministério da Educação. Esse reforço de recursos humanos é uma resposta urgente a uma necessidade bem documentada.
Em fevereiro de 2025, a Ministra Mariatou Koné anunciou um recrutamento excepcional de 2.855 professores contratados, com o objetivo de reduzir as carências e as disparidades regionais. O Programa Social do Governo também previa o recrutamento de 23.901 professores para a educação infantil e ensino fundamental entre 2022 e 2024, além de 11.508 vagas para o primeiro ciclo do ensino secundário no mesmo período.
A sessão 2026 do concurso da ENS ocorre sob grande pressão no sistema educacional da Costa do Marfim
A sessão de 2026 do concurso ocorre enquanto o sistema educacional da Costa do Marfim continua sob uma pressão considerável. No ensino secundário geral, o número de alunos aumentou de 1,9 milhões para 3,2 milhões entre 2017-2018 e 2024-2025, um aumento de 67,1%. A demanda supera amplamente as capacidades disponíveis. No mesmo período, o número de escolas secundárias mais que dobrou, passando de 1.778 para 3.901, embora 76,6% dessas escolas sejam privadas e concentradas em áreas urbanas.
A escassez persiste nas zonas rurais
Nas zonas rurais, a escassez de professores ainda persiste. A taxa de conclusão do primeiro ciclo do ensino secundário era de 68,9% em 2022, contra 34,5% em 2012, um progresso real, mas ainda insuficiente diante do crescimento demográfico. As taxas de aprovação nos exames também permanecem preocupantes. Em 2024, a taxa de aprovação no BEPC foi de 40,18% e no bac de 34,17%, revelando uma tensão constante entre a quantidade de alunos e a qualidade do ensino.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto a educação pré-escolar se afirma como o principal alavancador contra as desigualdades educacionais, o Marrocos registra uma década de progresso notável no acesso à educação infantil. No entanto, a qualidade da aprendizagem e a governança do setor permanecem em aberto.
O Marrocos melhorou significativamente sua cobertura na educação pré-escolar, atingindo 70,4% de cobertura em 2025 para crianças de 4 a 5 anos, contra 50,2% dez anos antes. Este é um dos principais resultados apresentados no relatório de avaliação da educação pré-escolar 2024-2025, publicado pela Instância Nacional de Avaliação do Conselho Superior de Educação, Formação e Pesquisa Científica (CSEFRS), em parceria com a UNICEF. A avaliação abrange todas as estruturas do país, desde estabelecimentos públicos até unidades informais, como as escolas corânicas e os centros de acolhimento informais, que há muito tempo eram a única opção em áreas mais remotas.
O Impacto nas Áreas Rurais
O maior avanço foi registrado no meio rural, onde a taxa de cobertura da educação infantil saltou de 36,3% para 75,6% em apenas dez anos, superando agora as áreas urbanas. Esse crescimento expressivo deve-se, em grande parte, ao programa nacional de universalização da educação pré-escolar 2018-2028, desenvolvido para reduzir as disparidades regionais e expandir a oferta pública onde ela era inexistente.
O CSEFRS documenta uma expansão sem precedentes do setor público, com unidades passando de 6.185 em 2018-2019 para 23.182 em 2024-2025. As estruturas informais diminuíram de 18.882 para 4.946, refletindo uma normalização gradual. No mesmo período, o orçamento destinado ao setor mais que dobrou, subindo de 1,13 bilhões de dirhams em 2019 para quase 3 bilhões em 2025, e o número de educadores aumentou de 39.535 para 49.885. A paridade de gênero também segue essa tendência, com o índice de pré-escolarização das meninas subindo de 44,7% para 71,1% entre 2014-2015 e 2024-2025.
Desafios no Sistema Educacional Marroquino
Embora o acesso ao pré-escolar tenha avançado, os números de acesso não refletem o que acontece dentro das salas de aula. O relatório do CSEFRS coloca uma ênfase especial na qualidade do ensino e na necessidade de melhoria no quadro educacional.
A primeira questão levantada é sobre o pessoal docente. O relatório destaca a grande heterogeneidade nas condições de trabalho, principalmente no setor público e nas unidades informais. Essa precariedade afeta a regularidade das práticas pedagógicas, o que compromete o desenvolvimento das crianças. O CSEFRS defende uma valorização da profissão docente, uma melhor formação e maior estabilidade profissional para os educadores.
Outro ponto importante abordado é a inclusão. O atendimento a crianças com deficiência ainda é insuficiente, apesar dos compromissos estabelecidos na Lei-Quadro 51.17. Além disso, o relatório aponta que a falta de continuidade entre a educação pré-escolar e o ensino primário representa um risco real para a aprendizagem. Sem uma transição pedagógica suave entre esses dois ciclos, muitos dos aprendizados adquiridos na educação infantil são perdidos assim que a criança entra no ensino fundamental.
Governança Fragmentada
Por fim, o relatório chama atenção para a fragmentação da governança no setor educacional. Ministérios, autoridades locais, fundações e operadores privados coexistem sem uma coordenação centralizada, o que dificulta a implementação de normas de qualidade uniformes em todo o país. O CSEFRS recomenda que as responsabilidades de cada entidade sejam melhor delimitadas e que mais poderes sejam concedidos às autoridades locais, dentro do contexto da regionalização avançada.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto cerca de 6 em cada 10 jovens estão desempregados e a inadequação entre a formação e o mercado de trabalho continua evidente, Conacri prossegue os seus esforços para uma reforma do sistema educativo baseada em dados e no planeamento territorial.
A Guiné assinala um marco histórico na sua governação educativa. O primeiro-ministro Amadou Oury Bah presidiu, na quarta-feira, 29 de abril, ao lançamento oficial do processo de elaboração do mapa escolar nacional. Estava acompanhado pelo ministro da Educação Alpha Bacar Barry e pelo ministro do Planeamento Ismaël Nabé. O executivo guineense inscreve assim a ação pública numa lógica de antecipação e de gestão orientada por dados.
O mapa escolar não é um simples recenseamento. Visa «organizar de forma racional e equitativa o sistema educativo» e «garantir a cada criança um acesso equitativo à educação em todo o território nacional», segundo o primeiro-ministro. O ministro do Planeamento Ismaël Nabé considera-o um «verdadeiro instrumento de engenharia estratégica». Na prática, permitirá identificar zonas carenciadas, orientar investimentos e antecipar necessidades futuras. O primeiro-ministro abriu também caminho para um futuro mapa sanitário, ilustrando uma ambição de planeamento integrado a nível nacional.
Desigualdades gritantes a corrigir
O diagnóstico do ministro Alpha Bacar Barry é severo. As escolas estão desigualmente distribuídas pelo território. Metade das escolas primárias públicas está concentrada apenas em três regiões — N’Zérékoré, Kankan e Kindia — segundo dados do Ministério do Ensino Pré-Universitário e da Alfabetização. As prefeituras mais isoladas acumulam falta de escolas, de professores qualificados e de materiais didáticos. Em algumas zonas do interior, há turmas com até cem alunos em estruturas improvisadas.
Estas realidades mostram a dimensão dos desequilíbrios que o sistema não consegue medir por falta de dados consolidados. É precisamente isso que o ministro Barry destacou ao referir «uma distribuição desigual das infraestruturas» e «uma insuficiência de dados consolidados» que limita qualquer planeamento eficaz. O mapa escolar altera esta lógica e introduz uma cultura de evidência na decisão pública. Cada investimento poderá agora ser justificado, localizado e avaliado. Trata-se de uma passagem do planeamento intuitivo para um planeamento baseado em dados — uma rutura metodológica e política.
Uma medida essencial face à urgência do emprego
Esta iniciativa surge num contexto de profundas fragilidades educativas e económicas. Cerca de 60% dos jovens entre 15 e 24 anos estão desempregados ou inativos, segundo a AGUIPE. Este dado reflete uma realidade estrutural confirmada pelos indicadores territoriais.
O Anuário Estatístico do Ensino Primário 2022-2023 mostra que a taxa bruta de escolarização no ensino primário atinge 83,9% nas zonas rurais, contra 155,5% nas zonas urbanas. Uma parte significativa das crianças em idade escolar continua fora do sistema, sobretudo nas regiões isoladas. A taxa de conclusão do ensino primário situa-se nos 66%, segundo o Parceria Global para a Educação.
As deficiências qualitativas agravam o cenário. No final do ensino primário, 55% dos alunos não atingem o nível mínimo de leitura e 43% não dominam as bases da matemática, de acordo com dados oficiais. Estas lacunas acumuladas bloqueiam o acesso a qualquer formação qualificada.
É precisamente este conjunto de desequilíbrios que o mapa escolar pretende cartografar e corrigir. Para recordar, Conacri lançou para 2024-2025 o programa Parcours Pro, centrado na adequação entre formação e necessidades do mercado. O país adotou também a sua primeira política nacional de emprego 2024-2030.
Félicien Houindo Lokossou
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