Face a um mercado de trabalho fragilizado por um desemprego elevado e por desequilíbrios entre formação e emprego, as autoridades públicas marroquinas procuram estimular a iniciativa empreendedora para transformar este potencial em atividades concretas e postos de trabalho.
Durante uma conferência dedicada ao empreendedorismo e emprego, realizada na sexta-feira, 6 de fevereiro, em Marraquexe, o ministro da Indústria e Comércio, Ryad Mezzour, apelou para “apoiar a iniciativa empreendedora ao serviço da criação de emprego”, sublinhando a importância de um ambiente favorável ao surgimento de projetos inovadores e sustentáveis. Segundo a imprensa local, esta tomada de posição insere-se na vontade de dar mais margem de ação aos promotores de projetos, de forma a que possam criar empregos e contribuir para a economia nacional.
A economia nacional, nos melhores anos, consegue criar até 250 000 empregos, um número considerado insuficiente face à procura. Todos os anos, cerca de 180 000 diplomados do ensino superior e mais de 330 000 jovens da formação profissional entram no mercado de trabalho, segundo dados oficiais. Esta situação evidencia a necessidade de iniciativas complementares, como o empreendedorismo, para absorver esta mão-de-obra jovem e qualificada.
O ministro também recordou a importância de reforçar as sinergias entre os atores públicos e privados, sobretudo para acompanhar os jovens empreendedores nos primeiros anos de atividade, frequentemente decisivos para a perpetuação dos projetos. O encontro reuniu diversos profissionais, representantes de ecossistemas de inovação e decisores económicos, ilustrando uma dinâmica coletiva em torno desta estratégia.
Acompanhamento de projetos e transformação de competências
Segundo o Maroc Diplomatique, o ministro destacou que um acompanhamento estruturado é indispensável para as iniciativas empreendedoras, com dispositivos de mentoria, financiamento direcionado e acesso a redes profissionais. Este apoio permite remover obstáculos enfrentados pelos jovens promotores de start-ups e multiplicar as hipóteses de sucesso de projetos geradores de emprego.
O ministro insistiu ainda na importância de desenvolver competências adaptadas às necessidades do mercado de trabalho, lembrando que o reforço da formação profissional e técnica complementa o espírito empreendedor. As jovens empresas necessitam tanto de capital como de talentos formados em inovação, gestão e adaptação às mudanças económicas.
Esta abordagem insere-se numa estratégia mais ampla de transformação da economia marroquina, em que o empreendedorismo se torna um instrumento coletivo de crescimento inclusivo, capaz de complementar os circuitos tradicionais de contratação e estimular a criação de empregos duradouros.
Desafios persistentes no mercado de trabalho
Esta orientação ocorre num contexto em que o mercado de trabalho marroquino enfrenta desafios estruturais. Segundo o Alto Comissariado do Plano (HCP), a taxa de desemprego nacional era de 13,3% em 2024, com um peso particularmente elevado entre os jovens de 15‑24 anos, atingindo 36,7%, e um total de 1,63 milhão de pessoas desempregadas.
Entre 2024 e 2025, a economia nacional criou 193 000 postos de trabalho, ou seja, apenas 3,3% da população jovem entre 15 e 24 anos, estimada em cerca de 6 milhões. Apesar desta evolução, a maioria dos jovens continua a enfrentar dificuldades de inserção profissional, evidenciando a importância de estratégias inovadoras como o empreendedorismo para absorver a mão-de-obra jovem e reforçar a adequação entre formação e emprego.
Félicien Houindo Lokossou
Face a uma crise humanitária que pesa sobre a capacidade de acolhimento e à urgência de criar oportunidades económicas reais para as populações deslocadas, o Mali prevê uma parceria significativa com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Na sexta-feira, 6 de fevereiro, a ministra maliana do Empreendedorismo Nacional, Emprego e Formação Profissional, Oumou Sall Seck (foto, à esquerda), presidiu à cerimónia de assinatura de um protocolo de entendimento com o ACNUR. A assinatura decorreu na presença do representante residente do ACNUR, Pierre Camara (foto, à direita), e das equipas das duas instituições. Esta parceria, com uma duração inicial de três anos e renovável, visa «reforçar capacidades e contribuir para a integração socio-profissional de refugiados, deslocados internos e apátridas que vivem no Mali».
O documento define três eixos principais de ação. O primeiro diz respeito ao apoio institucional às estruturas estatais responsáveis pelo emprego e pela formação profissional. O segundo centra-se na inclusão das populações-alvo nos sistemas nacionais de formação e nos programas de reforço da empregabilidade. Por fim, o acordo prevê o reforço da cooperação com parceiros para o desenvolvimento e instituições financeiras, de forma a mobilizar recursos para programas sustentáveis.
Este compromisso insere-se num contexto em que as necessidades humanitárias permanecem elevadas e em que a integração económica de refugiados e deslocados constitui um desafio central, segundo as autoridades. Estruturando um quadro de ação focado na formação e no acesso ao emprego, o Mali e o ACNUR esperam transformar esta situação de vulnerabilidade numa oportunidade de desenvolvimento económico e social, em linha com as prioridades nacionais no setor do emprego e da formação.
Os números ilustram a dimensão do desafio. Em 2025, o país acolhia mais de 250 000 refugiados, dos quais 138 000 registados, assim como cerca de 402 000 deslocados internos necessitando de proteção e assistência, segundo dados do ACNUR. A elevada pressão demográfica, conjugada com a insegurança e a fragilidade económica, limita consideravelmente o acesso ao emprego e às oportunidades de formação para estas populações vulneráveis.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto o Burkina Faso procura alargar o acesso ao ensino superior face a uma crescente procura de bacharéis, o Estado deu um passo importante ao transformar um centro universitário numa universidade plena, para reforçar a capacidade de formação dos jovens.
No seu Conselho de Ministros de quinta-feira, 5 de fevereiro, o governo do Burkina Faso aprovou um projeto de decreto que eleva o Centro Universitário de Gaoua a universidade plena, sob o nome de Universidade SIB Sié Faustin. Esta decisão surge após oito anos de crescimento contínuo do CUG, uma instituição criada para responder às necessidades de ensino superior numa região em plena dinâmica demográfica.
O CUG viu o seu número de estudantes passar de 165 em 2017 para 1.166 em 2025, e o número de docentes permanentes aumentou de 2 para 37 no mesmo período. Segundo as projeções da instituição, poderá acolher cerca de 2.100 novos bacharéis por ano, bem como aproximadamente 44 docentes permanentes adicionais até 2028. Estas evoluções são interpretadas pelas autoridades como sinais de «maturidade académica e institucional», permitindo à instituição assumir plenamente a sua missão universitária.
Esta transformação insere-se numa reforma mais ampla do sistema educativo nacional, promovida pela Iniciativa Presidencial para uma Educação de Qualidade para Todos (IPEQ). Esta iniciativa visa, entre outros objetivos, «responder eficazmente à procura de formação cada vez maior» e «melhorar a governação das instituições».
Os desafios relacionados com a capacidade de acolhimento no ensino superior permanecem, no entanto, significativos no Burkina Faso. O Banco Mundial prevê que o número de estudantes no ensino superior ultrapassará os 280.608 em 2030, mas a taxa de escolarização continua baixa em relação à população, e as infraestruturas disponíveis são limitadas. Segundo os dados disponíveis, a Universidade Joseph-Ki-Zerbo, a maior do país, acolheu cerca de 15.000 novos bacharéis para o ano letivo 2025‑2026, ilustrando a capacidade de absorção, mas também a pressão sobre o sistema como um todo.
Félicien Houindo Lokossou
Face a mercados de trabalho sob pressão e à urgência de adaptar competências às necessidades das empresas, Djibouti e Tunísia iniciam um diálogo estratégico para estreitar a relação entre formação, emprego e empreendedorismo.
Durante a terceira edição da Conferência Mundial sobre o Mercado de Trabalho (GLMC), realizada na semana passada em Riade, Arábia Saudita, o ministro do Trabalho de Djibouti, responsável pela Formalização e Proteção Social, Omar Abdi Saïd, reuniu-se com o seu homólogo tunisino, Riadh Chaoued. Segundo informações divulgadas pelo ÉchoTunisien, as discussões centraram-se nos preparativos de um acordo bilateral que abrangerá a formação profissional, o emprego e o empreendedorismo individual e coletivo.
No final do encontro, ambas as partes concordaram em tomar as medidas necessárias para a conclusão deste acordo, com o objetivo de reforçar a cooperação no desenvolvimento de competências e na inserção profissional. O ministro djiboutiano elogiou a experiência tunisina, considerando que “a Tunísia é um dos países árabes líderes no domínio da formação e aprendizagem profissionais”.
Neste contexto, Djibouti pretende aproveitar a experiência tunisina, nomeadamente em engenharia de formação e formação de formadores, de modo a alinhar melhor a oferta formativa com as necessidades do mercado de trabalho. Por seu lado, o ministro tunisino apresentou os progressos do seu país nos domínios do emprego, da formação profissional e do empreendedorismo, lembrando também o nível de cooperação existente entre os dois Estados.
Esta iniciativa surge no momento em que Djibouti procura reforçar a empregabilidade da sua juventude e modernizar o seu sistema de formação. Em 2025, o país multiplicou os programas de qualificação para jovens entre os 18 e os 35 anos em setores como logística, construção e serviços. A Agência Nacional de Emprego, Formação e Inserção Profissional (ANEFIP) registou assim 895 jovens inseridos no mercado de trabalho, contra 803 em 2024, uma progressão de quase 11 %, apesar de uma taxa de desemprego ainda elevada de 25,9 %, segundo os dados disponíveis.
Por sua vez, a Tunísia continua as suas reformas para melhorar a correspondência entre formação e emprego, com o lançamento do programa CAP Emploi em 2025, apoiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento com 90 milhões de euros. O país dispõe ainda de uma rede estruturada de centros de formação profissional, oferecendo várias especialidades com taxas de inserção superiores a 80 %.
Félicien Houindo Lokossou
Djibouti e Tunísia lançam diálogo estratégico para aproximar formação, emprego e empreendedorismoFace a mercados de trabalho sob pressão e à urgência de adaptar competências às necessidades das empresas, Djibouti e Tunísia iniciam um diálogo estratégico para estreitar a relação entre formação, emprego e empreendedorismo.
Durante a terceira edição da Conferência Mundial sobre o Mercado de Trabalho (GLMC), realizada na semana passada em Riade, Arábia Saudita, o ministro do Trabalho de Djibouti, responsável pela Formalização e Proteção Social, Omar Abdi Saïd, reuniu-se com o seu homólogo tunisino, Riadh Chaoued. Segundo informações divulgadas pelo ÉchoTunisien, as discussões centraram-se nos preparativos de um acordo bilateral que abrangerá a formação profissional, o emprego e o empreendedorismo individual e coletivo.
No final do encontro, ambas as partes concordaram em tomar as medidas necessárias para a conclusão deste acordo, com o objetivo de reforçar a cooperação no desenvolvimento de competências e na inserção profissional. O ministro djiboutiano elogiou a experiência tunisina, considerando que “a Tunísia é um dos países árabes líderes no domínio da formação e aprendizagem profissionais”.
Neste contexto, Djibouti pretende aproveitar a experiência tunisina, nomeadamente em engenharia de formação e formação de formadores, de modo a alinhar melhor a oferta formativa com as necessidades do mercado de trabalho. Por seu lado, o ministro tunisino apresentou os progressos do seu país nos domínios do emprego, da formação profissional e do empreendedorismo, lembrando também o nível de cooperação existente entre os dois Estados.
Esta iniciativa surge no momento em que Djibouti procura reforçar a empregabilidade da sua juventude e modernizar o seu sistema de formação. Em 2025, o país multiplicou os programas de qualificação para jovens entre os 18 e os 35 anos em setores como logística, construção e serviços. A Agência Nacional de Emprego, Formação e Inserção Profissional (ANEFIP) registou assim 895 jovens inseridos no mercado de trabalho, contra 803 em 2024, uma progressão de quase 11 %, apesar de uma taxa de desemprego ainda elevada de 25,9 %, segundo os dados disponíveis.
Por sua vez, a Tunísia continua as suas reformas para melhorar a correspondência entre formação e emprego, com o lançamento do programa CAP Emploi em 2025, apoiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento com 90 milhões de euros. O país dispõe ainda de uma rede estruturada de centros de formação profissional, oferecendo várias especialidades com taxas de inserção superiores a 80 %.
Félicien Houindo Lokossou
A medida que a Costa do Marfim procura adaptar o seu capital humano às necessidades de uma economia em transformação e conter o desemprego juvenil, o novo ministro da Educação Nacional coloca a formação e a qualificação no centro das questões de empregabilidade e crescimento inclusivo.
Por ocasião da sua tomada oficial de posse, na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, em Abidjan‑Plateau, o ministro N’Guessan Koffi (foto, à esquerda) afirmou a sua vontade de fazer da Educação Nacional, da Alfabetização e do Ensino Técnico alavancas essenciais para o desenvolvimento económico e social do país. Esta visão foi apresentada perante vários responsáveis institucionais e atores do sistema educativo.
Dirigindo-se a estes, o sucessor de Mariatou Koné, agora ministra da Carteira do Estado, recordou que a escola deve ocupar um lugar central nas transformações qualitativas da sociedade marfinense. Destacou a importância de reforçar a atratividade do sistema educativo e de articular melhor a aprendizagem básica, o ensino técnico e a inserção profissional. Aos seus olhos, a educação constitui “a base da sociedade humana” e a formação “a alma do progresso e do desenvolvimento pessoal”.
Com base na sua experiência como formador e dirigente de instituições de referência, nomeadamente na Escola Nacional Superior de Estatística e Economia Aplicada de Abidjan (ENSEA) e no Instituto Nacional Politécnico Félix Houphouët‑Boigny (INP‑HB), N’Guessan Koffi pretende construir o futuro da escola em torno da relação professor‑aluno, que considera uma alavanca chave de desempenho. Defende uma solidariedade reforçada em torno da instituição escolar para instaurar um clima sereno, favorável à aprendizagem e ao desenvolvimento de competências. Reafirmou igualmente o seu compromisso em continuar a implementar as recomendações resultantes dos Estados Gerais da Educação Nacional e da Alfabetização lançados sob a sua antecessora.
Esta orientação visa responder a desafios estruturais persistentes do sistema educativo marfinense. Apesar dos avanços notáveis, com uma taxa bruta de escolarização no ensino primário superior a 105 % em 2025 e uma taxa próxima de 82 % no secundário, os desafios de alfabetização e da adequação entre formação e emprego continuam significativos. Os dados oficiais indicam que cerca de metade da população adulta permanece em situação de analfabetismo, particularmente em zonas rurais, embora as campanhas realizadas entre 2024 e 2025 tenham permitido alfabetizar mais de 4.600 pessoas.
Félicien Houindo Lokossou
Face a um mercado de trabalho em constante evolução e à necessidade de preparar os jovens para as profissões do futuro, a Zâmbia intensifica os seus esforços para alargar o acesso à formação técnica e profissional, de modo a colmatar lacunas em termos de competências e inclusão.
Na quarta-feira, 28 de janeiro, o governo zambiano anunciou a atribuição de 13.686 bolsas de estudo a estudantes elegíveis em todo o país. Esta iniciativa reflete o compromisso contínuo do Estado em investir no capital humano, considerado como “a pedra angular do desenvolvimento nacional”.
Segundo o comunicado oficial, as bolsas abrangem áreas estratégicas como engenharia, tecnologias digitais, agricultura e empreendedorismo. Esta distribuição visa “apoiar a industrialização, a transformação digital, a segurança alimentar, a criação de empregos e a diversificação económica”.
Nos últimos cinco anos, o número de bolsas registou um crescimento impressionante, passando de 4.522 em 2021 para mais de 13.000 em 2026, representando um aumento de quase 300%. O Estado pretende assim “eliminar os obstáculos financeiros”, garantindo que cada jovem talento tenha a oportunidade de se formar sem restrições económicas.
Este anúncio surge num contexto de forte pressão sobre o emprego jovem. Segundo o Afrobarometer (abril de 2025), 54% dos jovens entre 18 e 35 anos estão desempregados, apesar de terem um nível de estudos superior ao das gerações anteriores, e apenas 20% ocupam um posto de trabalho a tempo inteiro ou parcial. Os principais obstáculos identificados incluem a falta de formação (28%), o desalinhamento entre competências e necessidades do mercado de trabalho (18%) e a ausência de experiência profissional (16%).
Para enfrentar estes desafios, o governo zambiano intensificou o apoio à formação dos jovens. Em 2025, o Ministério da Tecnologia e Ciência dedicou quase metade do seu orçamento ao desenvolvimento de competências, de acordo com dados oficiais.
Recorde-se que a Zâmbia acolheu recentemente o WorldSkills Africa Capacity Building Programme, um evento que reuniu candidatos de vários países para reforçar as competências dos formadores e alinhar melhor a formação com as necessidades reais do mercado de trabalho.
Félicien Houindo Lokossou
A medida que a concorrência online se intensifica, os orçamentos publicitários digitais crescem rapidamente e cada marca procura atingir o seu público com precisão, o marketing digital impõe-se como um motor-chave da economia, apoiado por perfis capazes de analisar, criar e otimizar.
As evoluções recentes da economia digital deram origem a um perfil central nas estratégias de crescimento das empresas. O especialista em marketing digital assume-se hoje como o arquiteto da visibilidade e do desempenho online, num contexto em que os investimentos globais em retail media deverão atingir 196,7 mil milhões de dólares em 2026, segundo estimativas da WPP Media. Este crescimento traduz uma necessidade crescente de profissionais capazes de transformar a presença digital em resultados concretos.
Este papel reforçou-se com a generalização do acesso à Internet. Segundo a DataReportal, mais de 6 mil milhões de pessoas estavam conectadas em 2025, representando cerca de 73% da população mundial. Perante audiências massivas, fragmentadas e muito solicitadas, o especialista em marketing digital analisa os comportamentos, identifica os canais corretos e constrói estratégias capazes de captar a atenção no momento certo.
No cerne do seu trabalho, a compreensão detalhada das plataformas digitais e das lógicas algorítmicas é essencial. Redes sociais, motores de busca e ambientes móveis moldam os percursos dos consumidores. O especialista em marketing digital adapta as mensagens, testa formatos e ajusta campanhas de forma contínua para otimizar o impacto e o retorno sobre o investimento.
Esta profissão assenta num equilíbrio entre análise e criatividade. O especialista interpreta os dados provenientes das campanhas, das audiências e dos desempenhos para orientar decisões estratégicas, ao mesmo tempo que concebe conteúdos capazes de gerar envolvimento e confiança. Esta dupla competência tornou-se um fator-chave de competitividade para as organizações.
Em África, este papel assume uma dimensão particular. Segundo os dados mais recentes da GSMA, cerca de 416 milhões de pessoas utilizavam internet móvel em África em 2025, representando quase 28% da população do continente, com uma cobertura móvel que continua a expandir-se, mas com utilização limitada por barreiras económicas e de acesso. O especialista em marketing digital desempenha um papel crucial no acompanhamento das marcas num ecossistema dominado pelo mobile, redes sociais e comércio online.
A nível global e no continente africano, o especialista em marketing digital surge assim como um ator estratégico, capaz de ligar tecnologia, dados e criatividade para gerar valor sustentável na economia digital.
Como aceder a esta profissão em África
Acesso à profissão de especialista em marketing digital em África depende de um equilíbrio entre aprendizagem teórica, experiência prática e curiosidade constante. Os percursos tradicionais começam frequentemente por estudos em marketing, comunicação ou comércio (BTS, licenciatura), antes de evoluírem para programas universitários especializados.
Estas formações são cada vez mais complementadas, ou mesmo substituídas, por atores alternativos como a Simplon África, uma rede de escolas de tecnologia presente, entre outros, no Benim, Costa do Marfim, Tunísia e Marrocos, que privilegia uma abordagem intensiva, prática e diretamente conectada às necessidades do mercado. No mesmo sentido, algumas universidades africanas integram atualmente módulos dedicados ao marketing digital, como a Universidade do Sahel, no Senegal, onde os estudantes desenvolvem competências em ferramentas digitais enquanto se preparam para as realidades económicas do continente.
Paralelamente, formações especializadas e certificações online oferecem um percurso flexível a quem não possui formação académica formal. Escolas digitais disponibilizam programas totalmente à distância, combinando conteúdos pedagógicos, exercícios práticos e acompanhamento por mentores para formação em estratégias digitais, publicidade online, análise de dados e otimização de campanhas.
Outros formatos híbridos associam aprendizagem online e ateliers presenciais, como a Africa Digitale Académie, na Guiné, que permite consolidar competências através da prática e obter uma certificação valorizada no mercado de trabalho. Os programas mais completos incluem mentoria e projetos concretos, oferecendo aos formandos a oportunidade de construir um portefólio sólido para aceder aos primeiros empregos ou missões profissionais.
Félicien Houindo Lokossou
Perante um desemprego juvenil persistente e uma economia em transformação, a Etiópia aposta na formação técnica e profissional para aproximar as competências das necessidades do mercado e estimular a inovação e o empreendedorismo.
O governo etíope coloca agora a formação técnica e profissional no centro da sua estratégia de desenvolvimento, com o objetivo de responder às exigências de uma economia moderna. Segundo uma publicação do Gabinete do Primeiro-Ministro (PMO) na rede social X, na quarta-feira, 28 de janeiro, esta política visa dotar os jovens de competências práticas que lhes permitam criar start-ups, integrar o mercado de trabalho e apoiar o crescimento nacional.
Para concretizar esta iniciativa, o país alargou os programas técnicos e vocacionais, oferecendo uma experiência direta nas áreas dos ofícios, da tecnologia e do empreendedorismo. « O governo etíope está a investir em programas de formação técnica e profissional que dotam os jovens das competências práticas necessárias para lançar start-ups, integrar o mercado de trabalho e prosperar numa economia moderna », refere o comunicado.
Esta orientação pretende responder à necessidade de reduzir o desemprego jovem e de tirar partido do dividendo demográfico. Com mais de 120 milhões de habitantes e uma idade mediana situada no final da adolescência, a Etiópia procura transformar os jovens em motores de emprego e de criação económica. « Dotar os jovens de competências relevantes para o mercado não só reforça os meios de subsistência individuais, como também contribui para uma economia mais dinâmica e geradora de empregos, garantindo que os benefícios do desenvolvimento cheguem a todas as regiões do país », sublinha o PMO.
A iniciativa surge num contexto em que o sistema educativo enfrenta numerosos desafios estruturais que dificultam a transição entre a formação e o emprego. Apesar de uma taxa bruta de escolarização no ensino primário de 105,4 % em 2022-2023, segundo as autoridades, a qualidade continua a ser insuficiente e apenas 65,9 % dos alunos têm acesso ao ensino secundário. Estes números revelam um desequilíbrio na preparação dos jovens face às exigências do mercado de trabalho.
De acordo com a Agência Etíope de Estatísticas, a taxa de desemprego dos jovens entre os 15 e os 29 anos nas zonas urbanas atingia 27,2 % em outubro de 2024. Um estudo publicado em 2023 pelo International Growth Centre indica que apenas 16 % dos candidatos a emprego em Adis Abeba possuíam formação profissional, enquanto 32 % das vagas disponíveis exigiam esse nível de qualificação.
Félicien Houindo Lokossou
Tunísia aposta no empreendedorismo para estimular emprego e inovação
Após vários anos de crescimento moderado, com elevado desemprego entre os jovens licenciados e uma capacidade limitada do setor público para absorver todos os novos entrantes no mercado de trabalho, a Tunísia recorre cada vez mais ao empreendedorismo para impulsionar o emprego e a inovação.
Em Tunísia, a TPM Events, empresa especializada na criação de plataformas para ecossistemas empreendedores, lançou na quarta-feira, 28 de janeiro, a 13.ª edição da feira de empreendedorismo Riyeda, que decorre na Cidade da Cultura de Tunes. O evento de dois dias visa reunir mais de 10 000 participantes, incluindo promotores de projetos, empreendedores, startups, PME, investidores, bem como representantes de instituições públicas e privadas.
Sob o tema «Empoderamento e empreendedorismo para inclusão social e económica», a edição de 2026 destaca o papel da iniciativa privada na resposta aos desafios do emprego, da inclusão social e do desenvolvimento regional, num contexto em que o setor público tem dificuldades em oferecer oportunidades suficientes para todos os licenciados tunisinos.
Segundo os organizadores, a feira reúne mais de uma centena de intervenientes, entre instituições públicas, como os ministérios do Emprego e da Mulher, bem como PME, startups e programas de apoio ao empreendedorismo. No total, os participantes terão acesso a 54 painéis, workshops e sessões temáticas destinadas a «responder às expectativas dos promotores de projetos» e «gerar oportunidades concretas e alimentar a dinâmica económica nacional».
O Riyeda 2026 decorre num contexto em que o ecossistema empreendedor tunisino se estrutura progressivamente através de medidas de incentivo e instrumentos públicos e privados. Segundo dados disponíveis, a Tunísia registou progressos em vários índices relacionados com inovação e empreendedorismo em 2025, posicionando-se no top 80 mundial do Global Innovation Index, com reformas como o Startup Act e o aumento de fundos de investimento dedicados a jovens empresas.
Félicien Houindo Lokossou
À medida que os atrasos nos cursos universitários pesam na inserção dos jovens e na competitividade da mão-de-obra, a nomeação de um novo presidente na Universidade Joseph Ki-Zerbo marca um ponto de viragem na governação desta instituição, reconhecida como uma referência do ensino superior burquinense.
No Burkina Faso, o professor Antoine Béré (foto) foi empossado na quarta-feira, 28 de janeiro, como presidente da Universidade Joseph Ki‑Zerbo (UJKZ), a maior universidade pública do país. Esta cerimónia simboliza a transição com o professor Jean-François Silas Kobiané e decorreu sob a supervisão das autoridades académicas e governamentais. O novo líder assume assim as rédeas de uma instituição estratégica num momento crucial da sua evolução.
Nomeado em Conselho de Ministros a 22 de janeiro de 2026, ele orienta o seu mandato sob o signo da normalização académica, um objetivo central para restabelecer calendários regulares e melhorar a qualidade dos cursos. Esta missão responde a uma necessidade persistente de estabilidade dos percursos académicos, considerada crucial para a empregabilidade dos diplomados e para a competitividade do país.
Físico especializado em ciências dos materiais, ambiente e desenvolvimento sustentável, o professor Béré possui um percurso académico rico, com várias publicações internacionais em áreas como energia, materiais e ambiente. Antes desta nomeação, dirigia o Laboratório de Física e Química do Ambiente da universidade. Exerceu também funções de responsabilidade à frente do Conselho de Administração da Escola Politécnica de Ouagadougou e como Diretor-Geral de Investigação e Inovação no ministério tutelar.
A normalização académica que defende ganha toda a sua importância num contexto em que a universidade progrediu nos últimos anos, com a taxa de cursos normalizados a passar de 39 % em 2023 para cerca de 80 % em 2025, sinal de um regresso progressivo a calendários regulares e coerentes. O objetivo declarado é atingir uma normalização completa, etapa indispensável para garantir percursos estáveis e favorecer a inserção num mercado de trabalho cada vez mais exigente.
A chegada do novo presidente sucede à celebração dos 50 anos da universidade em 2025, momento que levou a instituição a repensar as suas estratégias face aos desafios de um ambiente socioeconómico em mudança. Com base na sua experiência científica e liderança institucional, o chefe da UJKZ pretende acelerar as reformas e reforçar o papel da universidade na formação de competências essenciais ao desenvolvimento nacional. Os próximos meses permitirão avaliar o impacto desta nova direção.
Félicien Houindo Lokossou
Perante sistemas educativos frequentemente limitados por uma supervisão insuficiente e dados pouco fiáveis, o Djibouti confia aos seus inspetores a missão estratégica de utilizar a inteligência artificial para melhorar a supervisão escolar e reforçar a qualidade do ensino.
O governo djiboutiano concluiu um programa inovador de formação em IA para os seus inspetores da educação. Segundo uma reportagem da Rádio Televisão Djibouti, no domingo, 25 de janeiro, o Ministério da Educação Nacional e das Competências Profissionais organizou um ciclo de quatro meses com o objetivo de reforçar a supervisão das escolas, a avaliação pedagógica e a eficácia administrativa. Esta iniciativa insere-se numa estratégia nacional de modernização do setor educativo.
O programa, realizado de outubro de 2025 a janeiro de 2026, incluiu 14 sessões combinando módulos teóricos, oficinas práticas e estudos de caso. Os inspetores foram formados no uso de ferramentas de análise de dados para acompanhar o desempenho das escolas e dos docentes, identificar lacunas e propor intervenções direcionadas. Segundo a Dawan Africa, a formação permitiu aos participantes dominar tecnologias que influenciam diretamente a qualidade do ensino e a gestão escolar. Cada inspetor ocupa assim um papel central na gestão pedagógica e na tomada de decisões estratégicas.
Orientada por Houssein Ahmed Assowe, docente universitário em informática e inteligência artificial, a formação foi financiada pela Organização Internacional da Francofonia (OIF) através do programa Kireefa. Foram entregues certificados aos inspetores para validar as suas novas competências e reconhecer o seu papel-chave na integração da IA no sistema educativo.
Esta iniciativa ocorre num contexto em que o sistema educativo djiboutiano enfrenta desafios estruturais significativos relacionados com o acesso, a qualidade do ensino e a equidade. Em maio de 2025, o Banco Mundial destinou 11,35 milhões de USD ao Projeto de Ampliação das Oportunidades de Aprendizagem, com o objetivo de reforçar o acesso à educação pré-escolar, primária e secundária, bem como as práticas pedagógicas.
A instituição de Bretton Woods destaca disparidades de género significativas, com 71% das raparigas a concluir o ciclo primário contra 80% dos rapazes, e taxas de passagem para o primeiro ciclo do ensino secundário de 90% para raparigas e 98% para rapazes, evidenciando obstáculos persistentes à igualdade de oportunidades. Além disso, o ambiente de aprendizagem continua limitado pela falta de infraestruturas e recursos básicos. Segundo os dados disponíveis, apenas 7,6% dos alunos possuem livros de leitura em casa, valor que cai para 1,9% nas zonas mais remotas, demonstrando a baixa disponibilidade de ferramentas essenciais para apoiar a aprendizagem.
Félicien Houindo Lokossou
Embora a África disponha de uma população ativa jovem e em rápido crescimento, compreender a participação das pessoas em idade ativa permite perceber melhor a sua contribuição para a vida económica, seja através do emprego ou da procura de trabalho.
A taxa de atividade, por vezes chamada de taxa de participação da população ativa, é um indicador essencial do mercado de trabalho. Corresponde à proporção de pessoas entre os 15 e os 64 anos que são economicamente ativas, ou seja, aquelas que trabalham ou procuram emprego. Esta medida fornece uma visão sobre a capacidade de uma economia mobilizar a sua força de trabalho e produzir bens e serviços, refletindo a dinâmica de participação da população na vida económica. Segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a África apresenta uma taxa de participação relativamente elevada em comparação com muitas outras regiões do mundo, em parte devido à sua população maioritariamente jovem e ao forte envolvimento dos habitantes em atividades diversas, formais e informais.
Em África, o crescimento demográfico influencia fortemente a taxa de atividade. A população ativa tem aumentado ao longo dos anos e mantém-se elevada, embora os números variem conforme os países e os métodos de recolha de dados. Este crescimento reflete não apenas uma maior proporção de pessoas disponíveis para trabalhar, mas também as pressões económicas que levam muitas pessoas a procurar ou aceitar emprego, mesmo que precário ou informal.
Um elemento estruturante do mercado de trabalho africano é a onipresença do setor informal. Em muitos países do continente, uma grande maioria dos empregos não é regulada por contratos formais nem acompanhada de proteção social. A nível africano, cerca de 84 % dos empregos são informais, um nível muito superior à média mundial, explicado pela importância do trabalho independente, de pequenas atividades comerciais e da agricultura familiar sem estatuto oficial.
Importância e interpretação da taxa de atividade
Compreender a taxa de atividade ajuda a analisar várias dimensões do mercado de trabalho. Permite medir a disponibilidade da força de trabalho e estimar quantas pessoas contribuem para a economia, mas também evidencia os desafios ligados ao emprego informal. A análise deste indicador fornece pistas para identificar disparidades internas significativas, nomeadamente entre homens e mulheres, jovens e adultos, zonas urbanas e rurais. Em muitos países africanos, a participação das mulheres continua inferior à dos homens, influenciando não só os indicadores globais, mas também as políticas de igualdade e inclusão.
A capacidade de mobilizar e integrar eficazmente os jovens no mercado de trabalho é outro desafio central. Mesmo que as taxas de desemprego oficiais possam parecer moderadas, grande parte dos jovens ativos ocupa empregos precários ou informais, com pouca estabilidade e proteção social.
A análise da taxa de atividade é crucial para os decisores públicos. Governos e organizações internacionais baseiam-se neste indicador para conceber políticas de formação profissional, estimular o emprego juvenil e facilitar o acesso a empregos mais estáveis e formais. Uma interpretação superficial da taxa pode levar a medidas ineficazes se a elevada proporção de empregos informais e a qualidade do emprego não forem devidamente consideradas.
Mais do que um simples número estatístico, a taxa de atividade reflete a combinação de dinâmicas demográficas, estruturas económicas e realidades sociais que moldam os mercados de trabalho africanos. Compreendê-la ajuda a perceber melhor os desafios do desenvolvimento e a orientar políticas económicas e sociais mais eficazes.
Félicien Houindo Lokossou
Enquanto muitas economias africanas procuram modernizar os seus sistemas educativos para melhor articular formação, competências e mercado de trabalho, o Gana aposta na inteligência artificial em línguas locais para reduzir barreiras linguísticas e digitais, um desafio crucial para a inclusão educativa e a empregabilidade.
O governo ganês firmou uma parceria estratégica com a Google para integrar soluções de inteligência artificial em línguas locais no sistema educativo nacional. O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Haruna Iddrisu, na sexta-feira, 23 de janeiro, na sua página do Facebook, durante a participação na Cimeira sobre IA Generativa no Reino Unido.
Esta iniciativa enquadra-se na vontade do Gana de modernizar o seu sistema educativo e facilitar o acesso a uma educação de qualidade, sobretudo nas zonas rurais e junto de públicos vulneráveis. Segundo o ministro, a parceria com a Google permitirá implementar ferramentas educativas baseadas em IA em várias línguas locais, nomeadamente o twi, o ewe e o dagbani, com atenção especial às variações e sotaques locais, tornando os conteúdos educativos e serviços digitais mais acessíveis. Ele também destacou a importância de incluir o haussa, língua amplamente falada no Gana e na África Ocidental, para «reforçar a inclusão regional e posicionar o país como um hub africano de inovação em inteligência artificial».
De acordo com o comunicado oficial, as ferramentas educativas da Google estarão disponíveis sem custos de dados para os utilizadores e incluirão conteúdos pedagógicos alinhados com o currículo nacional, bem como recursos sobre o uso responsável da IA no ensino e na aprendizagem, garantindo acesso equitativo para todos, independentemente do local de residência ou do nível de rendimento.
Esta colaboração surge num momento em que o Gana continua a reduzir barreiras linguísticas na educação, ao mesmo tempo que fortalece a empregabilidade da sua juventude. Segundo estatísticas oficiais de 2025, cerca de 30% da população adulta permanece analfabeta, com disparidades significativas entre áreas urbanas e rurais, evidenciando o desafio de garantir uma educação inclusiva e de qualidade.
Recorde-se que a Google anunciou, em julho de 2025, um investimento de 37 milhões de dólares para apoiar a investigação em inteligência artificial e o desenvolvimento de competências digitais em toda a África, incluindo o lançamento de um AI Community Center em Acra. Este valor integra um compromisso mais amplo de cerca de 1 mil milhões de dólares para acompanhar a transformação digital do continente.
Félicien Houindo Lokossou
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