Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin
×

Message

Failed loading XML... XML declaration allowed only at the start of the document

Noticias Agricultura

Noticias Agricultura (342)

 

 
 

Na RDC, o setor agrícola contribui com cerca de 10% para o PIB e emprega aproximadamente 59% da população ativa. No país, onde as exportações continuam amplamente dominadas pelo setor mineiro e pelos hidrocarbonetos, a agricultura representa uma importante alavanca de diversificação económica.

A RDC pretende impulsionar as exportações de várias fileiras agrícolas prioritárias através de um mecanismo de financiamento apoiado pelo Reino Unido no valor de 25 milhões de dólares. A iniciativa foi o centro de uma reunião técnica realizada na segunda-feira, 4 de maio, em Kinshasa, entre Julien Paluku, ministro do Comércio Externo, e responsáveis da Rawbank, o principal banco comercial do país.

Segundo o comunicado oficial, este financiamento britânico visa “reduzir o risco” dos créditos concedidos aos produtores locais através da Rawbank. O objetivo é facilitar o acesso ao financiamento para os atores das fileiras de cacau, café, arroz, mandioca, milho e óleo de palma em várias províncias, incluindo Kivu do Norte, Tshopo, Congo Central, Mai-Ndombe, Kwilu e Equador, no âmbito de uma fase-piloto.

Na RDC, como na maioria dos países da África subsaariana, a agricultura continua a ser o “parente pobre” do financiamento bancário, sobretudo devido aos riscos associados, como a vulnerabilidade às condições climáticas, a falta de garantias, a informalidade das explorações e a fraca estruturação das cadeias de valor.

Segundo o Banco Central do Congo (BCC), os empréstimos bancários atribuídos aos setores da agricultura, pecuária, pesca e silvicultura atingiram apenas 187,8 mil milhões de francos (81 milhões de dólares) em 2024, o que representa apenas 0,8% do total dos créditos bancários, fixado em 23 346 mil milhões de francos (10 mil milhões de dólares) nesse ano.

Para Kinshasa, o desafio será transformar o mecanismo de financiamento anunciado com o Reino Unido em investimentos efetivos nas cadeias de valor agrícolas, num contexto marcado por constrangimentos logísticos e desafios de segurança.

Mercados a conquistar

Para além do financiamento, Kinshasa procura também reforçar a presença dos produtos agrícolas congoleses em vários mercados internacionais no âmbito da sua parceria com o Reino Unido. “O diretor comercial da Rawbank garantiu o apoio da instituição para ajudar a RDC a conquistar os mercados chinês, emiradense, britânico e norte-americano com a AGOA assegurada pelo Ministério do Comércio Externo”, refere o comunicado.

Esta abordagem deverá também contribuir para consolidar o desempenho recente do setor agrícola congolês nas exportações. No seu último relatório anual, a BCC indica que as exportações agrícolas da RDC geraram 519 milhões de dólares em 2024, quatro vezes mais do que em 2023 (119,8 milhões de dólares).

Este crescimento representa o nível mais elevado da última década, embora ainda corresponda apenas a 0,4% do total das receitas de exportação do país em 2024.

Na RDC, as fileiras do cacau e da madeira foram os principais motores das exportações agrícolas em 2024. “As exportações de madeira aumentaram 264,1%, impulsionadas pela forte procura do Quénia. Além disso, a melhoria do acesso da madeira congolesa ao mercado europeu, graças à implementação de sistemas de rastreabilidade e certificação florestal, facilitou as exportações. O cacau beneficiou igualmente da subida acentuada dos preços em 2024”, explica a BCC. Entre os outros produtos agrícolas de exportação destacam-se o café e a borracha natural.

Stéphan Assocle

Posted On mercredi, 06 mai 2026 11:49 Written by

A produção de algodão em África insere-se num contexto em que as questões de rendimento e competitividade ocupam um lugar central. Em paralelo, as condições climáticas e as evoluções do mercado moldam o desempenho do setor.

A capital togolesa acolhe, a partir de terça-feira, 5 de maio, as 22.ªs Jornadas anuais da Associação Algodoeira Africana (ACA), um encontro importante que reúne os principais intervenientes da fileira do algodão no continente. Os trabalhos, organizados pela Nova Sociedade Algodoeira do Togo (NSCT), foram abertos pelo secretário-geral do ministério responsável pela agricultura, Tekize Madadozi, em representação do ministro.

Durante quatro dias, os participantes irão debater os desafios que a fileira enfrenta, partilhar experiências e propor soluções para melhorar a produtividade e a competitividade do algodão africano. As discussões incidirão sobretudo sobre a adaptação aos efeitos das alterações climáticas, a melhoria da qualidade e da rastreabilidade, bem como a otimização dos sistemas de produção.

«Estas jornadas oferecem um quadro privilegiado para a partilha de experiências e para a definição de respostas concretas aos desafios comuns do setor», declarou o diretor-geral da NSCT, Martin Drevon.

Reuniões regionais num contexto de fortes mudanças no setor

Este encontro, organizado em conjunto com a 18.ª reunião de balanço do Programa Regional de Produção Integrada do Algodão em África (PR-PICA), decorre num contexto económico internacional instável, marcado pela volatilidade dos preços do algodão nos mercados mundiais e pela subida contínua dos custos dos fatores de produção agrícola. A fileira algodoeira africana enfrenta exigências crescentes em termos de qualidade e rastreabilidade, bem como efeitos cada vez mais evidentes das alterações climáticas sobre os rendimentos, os calendários agrícolas e a sustentabilidade dos sistemas de produção.

Segundo o presidente da Associação Algodoeira Africana, Kassoum Koné, estas mudanças exigem uma rápida adaptação dos sistemas de produção, através da inovação, do reforço das capacidades dos produtores, da mecanização das operações agrícolas e de uma melhor coordenação entre os atores da cadeia de valor. Ele sublinhou ainda a necessidade de reforçar as parcerias para acompanhar a transformação estrutural do setor.

No Togo, nos últimos anos, a produção de algodão tem conhecido uma recuperação impulsionada pelas reformas no setor e pelos esforços de organização dos atores. As iniciativas implementadas visam melhorar os rendimentos, reforçar o acompanhamento dos produtores e promover práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis. Esta dinâmica insere-se também nas orientações mais amplas definidas a nível africano, nomeadamente no seio da Associação Algodoeira Africana, em favor de um algodão mais competitivo e melhor integrado.

Criada em 2002, a Associação Algodoeira Africana tem como missão promover a concertação entre os atores da fileira do algodão, fomentar o desenvolvimento sustentável do setor e reforçar a competitividade do algodão africano nos mercados internacionais.

Gautier Agbekodovi

Posted On mercredi, 06 mai 2026 11:41 Written by

Em 4 de maio, a Comissão Europeia publicou o seu novo texto revisto sobre a desflorestação (EUDR). Esta lei visa proibir a importação de produtos como gado, cacau, café, soja, borracha, óleo de palma e madeira, identificados como principais motores da conversão de florestas em terras agrícolas.

Inicialmente adotado em junho de 2023, o texto foi revisto duas vezes, no final de 2024 e novamente no final de 2025, com o objetivo de introduzir simplificações direcionadas. Aguardada com grande expectativa pelas organizações ambientais contrárias à própria ideia de revisão, esta alteração pretende oferecer maior clareza aos operadores económicos, aos Estados-membros, aos países terceiros e a todas as partes interessadas, garantindo ao mesmo tempo um quadro jurídico estável e previsível. Eis os principais pontos a reter.

O que muda

Segundo a Comissão Europeia (CE), o regulamento revisto inclui um conjunto de medidas destinadas a facilitar a sua implementação, reduzindo significativamente a carga administrativa para as empresas.

O objetivo é reduzir cerca de 75% dos custos anuais de conformidade em relação ao regulamento inicial, passando de aproximadamente 8,1 mil milhões de euros para 2 mil milhões de euros para as empresas sujeitas às obrigações do EUDR.

Concretamente, a simplificação mais relevante consiste em transferir a principal responsabilidade de diligência devida para o primeiro operador que coloca os produtos no mercado europeu ou os exporta, enquanto os operadores a jusante e os comerciantes passam a concentrar-se sobretudo na recolha e conservação de informações de referência, sem necessidade de apresentar as suas próprias declarações de diligência.

A revisão também introduz um regime simplificado para micro e pequenos operadores primários, especialmente em países de baixo risco, que passam a poder limitar-se a uma única declaração simplificada, em vez de declarações repetidas para cada operação.

O sistema de informação do EUDR é igualmente ajustado, com formulários simplificados, especificações de API atualizadas, um plano de contingência em caso de indisponibilidade e uma funcionalidade de agregação voluntária das declarações de diligência, de forma a responder melhor às necessidades das empresas.

Por fim, a Comissão propõe ajustes específicos ao âmbito dos produtos através de um projeto de ato delegado, incorporando contributos das partes interessadas. O texto prevê a inclusão de alguns produtos transformados, como o café solúvel e derivados do óleo de palma, bem como a exclusão de certos artigos, como couro, pneus recauchutados, amostras de produtos e alguns materiais de embalagem. O projeto está aberto a consulta pública até 1 de junho de 2026.

O que não muda

Apesar destas alterações, a arquitetura fundamental do EUDR mantém-se inalterada: o regulamento continua a garantir que os produtos colocados no mercado da UE não contribuem para a desflorestação nem para a degradação das florestas.

As obrigações essenciais não foram flexibilizadas. Qualquer operador ou comerciante que coloque estes produtos no mercado europeu ou os exporte deve demonstrar que os bens não provêm de terras recentemente desflorestadas, que não contribuíram para a degradação das florestas e que foram produzidos legalmente de acordo com a legislação do país de origem.

Os requisitos de rastreabilidade e geolocalização das parcelas de produção continuam no centro do sistema, embora com algumas simplificações para pequenas empresas.

A revisão também não altera o calendário de aplicação: após o adiamento decidido em 2025, as obrigações entram em vigor a 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas e a 30 de junho de 2027 para micro e pequenas empresas.

Perspetivas para os países africanos

No continente africano, um dos principais fornecedores de produtos tropicais para a UE, esta revisão deverá ser recebida de forma positiva, sobretudo pelos países classificados como de baixo risco.

Vários países já estão a adaptar-se a esta mudança regulatória, investindo em sistemas de rastreabilidade, reforçando a transparência e promovendo práticas de produção mais sustentáveis e competitivas.

Na Etiópia, por exemplo, um sistema digital de rastreabilidade do café acompanha a cadeia de abastecimento desde a parcela até à exportação. No Quénia, são utilizadas tecnologias de deteção remota para preparação da aplicação do EUDR. Na Costa do Marfim, mapas nacionais de uso do solo de alta resolução foram desenvolvidos em cooperação com o Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia.

Para referência, na classificação da UE, vários países africanos como Gana, Gabão, Congo, África do Sul, Tunísia e Madagáscar estão na categoria de “baixo risco”, enquanto países como Camarões, RDC ou Costa do Marfim permanecem classificados como de “risco padrão”.

Espoir Olodo

Posted On mercredi, 06 mai 2026 11:34 Written by

O arroz é o principal cereal importado na África Ocidental. Na região, vários países procuram proteger mais a sua cadeia produtiva face às importações a baixo preço provenientes da Ásia.

No passado dia 29 de abril, o Burkina Faso anunciou a interrupção imediata das suas importações de arroz.

Esta decisão foi acompanhada pela suspensão da emissão das Autorizações Especiais de Importação (ASI) e por um período transitório de dois meses durante o qual os operadores com esta autorização podem ainda exercer atividade, findo o qual as suas licenças serão anuladas. Se, para as autoridades, a medida visa favorecer o escoamento da produção local, ela também tem implicações no comércio intra-regional.

Nuvens que se acumulam

Ao anunciar a suspensão das importações, o governo burquinabê cria um novo desafio para os exportadores indianos de arroz para a África Ocidental, principal polo de consumo.

De facto, estes já estavam a recuperar da recente mudança na política aduaneira do Bénim relativa ao cereal. Segundo informações divulgadas pela empresa de análise Platts, que cita um documento oficial datado de 22 de abril, para obter uma licença, os importadores devem comprovar implantação no Benim há pelo menos três anos, situação fiscal e aduaneira regular, bem como meios técnicos e logísticos considerados suficientes.

A isto junta-se a obrigação de depositar uma garantia de 1 mil milhão de FCFA (1,7 milhões de dólares) numa conta dedicada do Tesouro público e o compromisso de encaminhar mensalmente entre 50 000 e 100 000 toneladas de arroz.

Com este endurecimento, a Platts refere que as cargas inicialmente destinadas a Cotonou estavam a ser redirecionadas para Lomé, de onde são habitualmente reexpedidas para o Burkina Faso, mas a nova restrição deste país faz agora recear uma acumulação de stocks nos portos e uma queda dos preços.

O Nigéria, novo destino de referência?

Enquanto alguns observadores consideram que os fluxos poderão ser redirecionados para outros mercados, como o Gana ou mesmo fora da sub-região, outros acreditam que o Nigéria poderá tornar-se nos próximos meses uma solução de recurso para os operadores.

Segundo a Platts, a Índia expediu cerca de 1,57 milhões de toneladas de arroz não basmati para o Benim em 2025, uma queda de 15% num ano. Cerca de 90% desse volume seria depois reencaminhado para o mercado nigeriano, segundo estimativas.

Embora os importadores nigerianos usem o porto de Cotonou como ponto intermédio antes do transporte por fronteiras terrestres para evitar tarifas elevadas, a decisão do governo nigeriano de reduzir as suas tarifas a partir de 1 de julho poderá alterar estes fluxos transfronteiriços.

Em detalhe, o direito de importação sobre o arroz a granel ou em quantidades superiores a 5 kg é reduzido de 70% para 47,5%, enquanto a tarifa sobre o arroz partido passa de 70% para 30%. Neste contexto, os operadores nigerianos poderão optar cada vez mais por importações diretas para o país, em vez de recorrer a rotas indiretas, o que beneficiaria os exportadores indianos.

Espoir Olodo

 

 

Posted On mercredi, 06 mai 2026 11:20 Written by

Na Argélia, a aquacultura ainda ocupa um lugar modesto no abastecimento de peixe. Perante o aumento da procura de produtos halieúticos e os limites da pesca tradicional, as autoridades estão a apostar no desenvolvimento desta atividade para melhorar a oferta local de peixe.

A Argélia está a reforçar as suas capacidades em aquacultura. É nesse sentido que o Ministério da Agricultura prevê duplicar a produção aquícola para atingir 20 000 toneladas em 2026. Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, o anúncio foi feito a 23 de abril, por ocasião de uma reunião nacional organizada pelo ministério com os atores do setor.

Esta perspetiva de crescimento é sustentada pela sementeira de 80 milhões de alevins de dourada e robalo durante a presente época, contra 50 milhões de alevins introduzidos em gaiolas flutuantes em 2025. As autoridades indicam ainda que existem atualmente 28 explorações marinhas em atividade no país, com uma dinâmica de expansão das capacidades de produção através do aumento do número de gaiolas de cultivo e da abertura de novas zonas de exploração.

Para além do aumento da oferta de alevins, Argel aposta também na melhoria do acesso aos alimentos para peixes, que representam uma parte importante dos custos de produção.

Neste sentido, vários projetos industriais foram lançados ou relançados. As autoridades anunciaram, por exemplo, a reativação da unidade de produção de alimentos para peixes e camarões de Ouargla, no âmbito de uma parceria com a Coreia do Sul. “Colocada sob a tutela do Gabinete Nacional de Alimentos para Gado (ONAB), esta unidade encontra-se atualmente em fase de testes e deverá produzir alimentos específicos, nomeadamente destinados à criação de camarões”, explicou Miloud Triaa, diretor-geral da pesca e aquacultura no Ministério da Agricultura, em declarações citadas pela Algérie Presse Service a 29 de abril.

Segundo o responsável, o setor privado também participa nesta dinâmica com a entrada em funcionamento da AviFish, uma unidade especializada na produção de alimentos aquaculturais instalada na província de Bouira.

Num relatório publicado em janeiro de 2026, o Fórum Económico Mundial (WEF) sublinha que, em África, as dificuldades de abastecimento de alimentos para peixes tornam os custos de produção aquícola 10% a 20% mais elevados do que a média mundial. “Estes custos elevados explicam-se por uma forte dependência de alimentos para peixes convencionais, frequentemente importados devido à falta de capacidade local de produção […]”, explica a organização.

Um ambiente favorável ao investimento no setor

Para apoiar a expansão do setor aquícola, o governo argelino também reforçou as medidas de incentivo destinadas a investidores e fabricantes de insumos aquaculturais.

Desde janeiro de 2026, a lei orçamental prevê, por exemplo, a isenção de direitos aduaneiros e a aplicação de taxa reduzida de IVA às importações de matérias-primas utilizadas na fabricação de alimentos para a aquacultura. Prevê igualmente que os produtos locais resultantes desta produção sejam sujeitos à taxa reduzida de IVA, de forma a reforçar a competitividade nacional.

As autoridades esperam assim reduzir os custos de produção, atrair mais investimento e garantir a sustentabilidade das explorações aquícolas. “Esta medida constitui uma prioridade para assegurar a disponibilidade de alimentos de qualidade para os aquacultores e ajudará a reduzir os custos de gestão, diminuindo a carga fiscal na importação, o que favorecerá inevitavelmente a continuidade das atividades aquícolas”, refere o documento de apresentação do Projeto de Lei Orçamental para 2026.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a produção halieútica da Argélia foi de 82 366 toneladas em 2023, das quais 93% provenientes da pesca. Com um consumo aparente estimado em cerca de 127 000 toneladas nesse ano, o país registava então um défice de produção de cerca de 45 000 toneladas.

Stéphanas Assocle

 

Posted On mardi, 05 mai 2026 10:42 Written by

Em 2025, a borracha natural foi uma das poucas matérias-primas agrícolas a registar uma subida de preços nos principais mercados. As últimas projeções sugerem que esta tendência poderá continuar em 2026.

Os preços da borracha natural deverão manter a sua dinâmica de alta em 2026, segundo as mais recentes projeções do Banco Mundial, divulgadas no seu relatório “Commodity Outlook” publicado em abril. O preço médio do quilo de borracha natural de grau TSR20, a categoria mais utilizada na indústria automóvel, deverá assim aumentar 7,34% ao longo do ano, atingindo 1,90 dólares, contra uma média de 1,77 dólares registada em 2025.

Segundo a instituição financeira, a subida projetada em 2026 depende da continuidade do crescimento regular da procura nos países emergentes e em desenvolvimento, onde a indústria automóvel está em plena expansão. No período de 12 meses terminado em janeiro de 2026, o Banco Mundial indica que a procura mundial da matéria-prima aumentou ligeiramente, liderada pela China e pela Índia (cerca de 2% cada).

A fabricação de pneus, que representa quase dois terços da utilização da borracha natural, manteve-se globalmente estável para veículos ligeiros, mas reforçou-se para veículos pesados, sustentando assim o consumo global”, sublinha o relatório. Já em fevereiro, a Associação dos Países Produtores de Borracha Natural (ANRPC) antecipava um crescimento moderado da procura mundial para 15,6 milhões de toneladas em 2026, mais 1,7% em relação ao ano anterior.

Um mercado mundial sob tensão há vários anos

De forma geral, a subida esperada da procura insere-se num contexto mundial marcado por um desequilíbrio persistente entre oferta e procura há vários anos. Segundo a ANRPC, o mercado mundial deverá registar um défice de cerca de 400 mil toneladas em 2026, marcando o sexto ano consecutivo de escassez desta matéria-prima. Uma situação que confirma que a procura cresce mais rapidamente do que a oferta, por várias razões.

Entre condições meteorológicas desfavoráveis e a replantação insuficiente de plantações de seringueiras envelhecidas, os países produtores enfrentam desafios estruturais que limitam o seu potencial.

Independentemente das realidades do lado da produção, a subida prevista dos preços representa uma oportunidade para gerar mais receitas de exportação nos países africanos produtores, onde a maior parte da oferta é exportada em bruto.

Dados compilados na plataforma Trademap mostram que os países africanos exportaram cerca de 3 mil milhões de dólares em borracha natural em 2024, representando 18,5% das exportações mundiais, que totalizaram 16 mil milhões de dólares. A Costa do Marfim lidera amplamente, concentrando 82% das exportações continentais em valor, ou seja, 2,45 mil milhões de dólares.

Entre os outros grandes exportadores de borracha natural encontram-se, entre outros, a Libéria, o Gana, o Camarões e a Nigéria. No total, 21 países africanos exportaram borracha natural em diferentes formas em 2024, segundo o Trademap.

Stéphanas Assocle

 

Posted On mardi, 05 mai 2026 10:29 Written by

Na Nigéria, o setor de pecuária contribui com 35% para o PIB agrícola e ocupa um papel estratégico na economia rural. Em um contexto marcado pela persistência de doenças animais, as autoridades desejam modernizar os serviços veterinários e limitar os riscos sanitários.

Na Nigéria, um plano nacional de 10 anos para fortalecer a gestão da saúde animal e modernizar os serviços veterinários no período de 2026 a 2036 foi aprovado durante um workshop organizado pelo Ministério do Desenvolvimento da Pecuária, realizado de 28 a 30 de abril em Abuja.

De acordo com um comunicado publicado no site do ministério, este plano visa melhorar a vigilância das doenças animais, fortalecer as capacidades dos laboratórios veterinários, desenvolver sistemas de vacinação e modernizar os mecanismos de identificação e rastreabilidade do gado.

Como parte dessa estratégia, as partes interessadas adotaram várias resoluções sobre o fortalecimento das capacidades institucionais, a criação de mecanismos de financiamento sustentáveis e a melhoria dos sistemas de notificação de doenças. Também está prevista a elaboração de uma estratégia nacional coordenada de vacinação entre os estados, a expansão das parcerias público-privadas na cadeia de valor da pecuária, além da transformação digital e uma abordagem integrada das questões de saúde animal, humana e ambiental.

"Este plano fornece uma visão clara e prospectiva para construir um sistema veterinário moderno, resiliente e conforme com as normas internacionais, que apoia a produtividade da pecuária, protege a saúde pública e facilita o comércio seguro", afirmou Idi Mukhtar Maiha, Ministro do Desenvolvimento da Pecuária.

Esta medida ocorre em um momento em que a Nigéria enfrenta um aumento dos casos de febre carbúnculo (também conhecida como antraz) após mais de um ano sem grandes surtos. Trata-se de uma infecção bacteriana que afeta principalmente o gado (bovinos, ovelhas, cabras, cavalos).

Em 2 de abril, as autoridades nigerianas informaram à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) sobre o aparecimento de um novo surto da doença em uma criação doméstica no estado de Zamfara. Antes disso, a Nigéria não havia reportado um surto significativo de antraz desde janeiro de 2025.

Uma situação zoossanitária mais preocupante?

Além do antraz, que está atualmente no centro das atenções sanitárias no setor de pecuária na Nigéria, outras doenças animais continuam a representar uma ameaça significativa para o desenvolvimento do setor, com distribuição variada conforme as regiões e os sistemas de produção.

Em seu último relatório sobre o desempenho do setor agrícola, o Serviço Nacional de Extensão Agrícola e Ligação para Pesquisa (NAERLS) já traçava um quadro preocupante da situação sanitária do rebanho nacional em 2024. Segundo o documento, os bovinos continuam particularmente expostos à pneumonia contagiosa bovina (CBPP), febre aftosa (FMD) e tuberculose bovina, que foram relatadas em várias regiões do país.

Os pequenos ruminantes, como cabras e ovelhas, são fortemente afetados pela peste dos pequenos ruminantes (PPR), com surtos registrados nas regiões Centro-Norte, Nordeste e Noroeste.

Na avicultura, a doença de Newcastle (NCD) aparece como a patologia mais comum, relatada em praticamente todas as regiões do país em 2024. Os produtores também enfrentam episódios recorrentes de gripe aviária altamente patogênica (HPAI), cólera aviária, doença de Gumboro (IBD), tifo aviário e doenças respiratórias crônicas (CRD), dependendo da região.

A suinocultura também não está imune. O relatório do NAERLS mencionou também casos de peste suína africana (ASF), principalmente no Centro-Norte, enquanto diversas doenças parasitárias continuam a afetar os rebanhos no Nordeste.

Resta saber em que medida o novo plano anunciado será capaz de reduzir de forma sustentável a vulnerabilidade sanitária do rebanho nigeriano nos próximos anos.

Stéphanas Assocle

 

Posted On lundi, 04 mai 2026 08:32 Written by

Nos Camarões, a fileira do açúcar emprega milhares de pessoas, sobretudo nas plantações e nas fábricas da Sosucam. A empresa prossegue o seu crescimento com a entrada em funcionamento de uma nova unidade.

A Société sucrière du Cameroun (Sosucam) investiu 2,5 mil milhões de FCFA (cerca de 4,5 milhões de dólares) numa nova unidade de produção de açúcar em cubos no seu site de Nkoteng, uma localidade situada na região do Centro, segundo informações recolhidas pelo Investir au Cameroun. Financiado com recursos próprios, o projeto foi iniciado há mais de dois anos. A nova instalação já entrou em funcionamento, confirmou um alto responsável da filial do grupo Castel.

Com uma capacidade de produção de 100 toneladas por dia, esta unidade deverá permitir à empresa reforçar a sua oferta no segmento do açúcar transformado. Substitui a antiga instalação de Mbandjock, que se tornou menos adequada às exigências técnicas atuais.

Com este investimento, a Sosucam procura melhorar a qualidade da sua produção e modernizar os seus processos industriais. Segundo fontes internas, a empresa pretende igualmente consolidar a sua posição no mercado nacional, num contexto marcado pela evolução da procura e pelo aumento da concorrência em alguns segmentos.

Esta nova capacidade poderá assim permitir ao produtor responder melhor à procura das famílias e dos industriais, ao mesmo tempo que reforça a sua presença no mercado local.

Uma fileira em recomposição

O investimento realizado em Nkoteng insere-se numa perspetiva de recomposição do mercado camaronesa do açúcar. Vários operadores procuram, de facto, aumentar as suas capacidades de produção num mercado estruturalmente deficitário.

É o caso da Wega Food. Com sede na zona industrial de Douala, a empresa prevê elevar a sua capacidade de produção para 700 toneladas por dia graças a uma expansão em fase final.

Esta dinâmica reflete a vontade dos operadores presentes no mercado de reforçar a oferta nacional. No lançamento da campanha 2025/2026, a Sosucam já descrevia um ambiente internacional desfavorável, marcado, segundo a empresa, pelas políticas de apoio implementadas por grandes produtores como o Brasil e a Índia.

Segundo a empresa, estas subvenções contribuiriam para manter os preços mundiais em níveis artificialmente baixos, alimentando nos Camarões as reivindicações dos importadores a favor de uma maior abertura do mercado. Neste contexto, a Sosucam defendia a continuidade regulatória para evitar o que considera ser uma desregulação prejudicial à produção local.

Um mercado local sob tensão

As tensões no mercado interno permanecem, contudo, elevadas. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INS), os Camarões exportaram 8.047 toneladas de açúcar em 2025, contra 512 toneladas em 2024.

Este aumento ocorre, no entanto, num contexto de défice estrutural do mercado local. Com uma produção anual geralmente entre 120.000 e 160.000 toneladas, a Sosucam cobre apenas uma parte de uma procura nacional estimada em cerca de 300.000 toneladas. Este desequilíbrio leva regularmente as autoridades públicas a autorizar importações para garantir o abastecimento do mercado.

Nestas condições, o aumento das exportações levanta menos questões sobre a competitividade internacional da fileira do que sobre a natureza dos fluxos comerciais. Pode refletir arbitragens pontuais em direção a mercados vizinhos mais remuneradores, mais do que uma presença duradoura do açúcar camaronesa no mercado internacional.

Contactado pelo Investir au Cameroun, um interveniente do setor estima que estes volumes poderão corresponder, pelo menos em parte, a reexportações para países vizinhos. Uma hipótese que ainda não foi oficialmente confirmada.

Esta tensão não é nova. Em 2022, as autoridades camaronesas suspenderam as exportações de vários produtos de primeira necessidade, incluindo o açúcar, para a República Centro-Africana. O objetivo era limitar as saídas para mercados externos mais lucrativos, numa altura em que já se registavam tensões de abastecimento no mercado local.

Amina Malloum (Investir au Cameroun)

Posted On vendredi, 01 mai 2026 10:34 Written by

O arroz é o 4.º cereal mais produzido no Burkina Faso, depois do sorgo, do milheto e do milho. No entanto, trata-se de um dos alimentos de base cujo consumo está em forte crescimento.

No Burkina Faso, as importações de arroz foram suspensas a 29 de abril e até nova ordem. Segundo as autoridades, esta restrição insere-se num conjunto de medidas destinadas a favorecer o escoamento da produção local.

«Consequentemente, a emissão das Autorizações Especiais de Importação (ASI) de arroz fica suspensa. Os importadores que atualmente detenham ASI de arroz válidas dispõem de um prazo de dois (02) meses para cumprir as formalidades de importação. […]. Em qualquer caso, qualquer infrator desta decisão fica sujeito a sanções de acordo com a regulamentação em vigor», detalha um comunicado conjunto dos ministérios da Indústria e Comércio, da Economia e Finanças, e da Agricultura.

Até ao momento, não foram fornecidos mais detalhes oficiais sobre as dificuldades enfrentadas pela cadeia de produção local nem sobre eventuais stocks não vendidos. No entanto, esta decisão junta-se a outras tomadas na sub-região da África Ocidental, onde vários países têm adotado, desde o último trimestre de 2025, medidas para impulsionar a comercialização da produção local, num contexto de forte concorrência com o arroz importado da Ásia.

Enquanto no Senegal as autoridades optaram por uma subvenção de 50 francos CFA por kg de arroz local comprado e por restrições temporárias às importações, bem como incentivos para que instituições públicas privilegiem o arroz nacional, o governo do Mali decidiu adquirir 26 030 toneladas de arroz local não vendido para estabilizar o mercado e apoiar os produtores.

No Gana, as autoridades destinaram 200 milhões de cedis (cerca de 18 milhões de dólares) à National Food Buffer Stock Company (NAFCO) para comprar excedentes de milho e arroz aos agricultores e distribuí-los a instituições públicas como escolas, hospitais e prisões, com o objetivo de estabilizar o mercado.

Embora nesses três países o arroz tenha um papel mais importante na alimentação do que no Burkina Faso, a sua importância tem vindo a aumentar nos últimos anos no país dos “Homens Íntegros”.

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o consumo aumentou cerca de 300 mil toneladas entre 2015 e 2022. O país, 8.º maior importador africano de arroz, deverá importar cerca de 900 mil toneladas de arroz branco em 2025/2026, contra 700 mil toneladas em 2021/2022.

Espoir Olodo

Posted On jeudi, 30 avril 2026 14:34 Written by

O mercado dos fertilizantes é um dos mais afetados pelas perturbações no transporte marítimo no estreito de Ormuz, tal como o petróleo e o gás. Perante esta situação, multiplicam-se as preocupações com a segurança alimentar.

Em 2026, os preços mundiais dos fertilizantes poderão subir mais de 30% devido ao conflito no Médio Oriente. O alerta foi emitido pelo Banco Mundial na terça-feira, 28 de abril, na mais recente edição do relatório «Commodity Markets Outlook». Desde o início do conflito há dois meses, o mercado global de fertilizantes tem sido marcado por fortes tensões, devido às perturbações no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um terço do comércio marítimo mundial de fertilizantes, ou seja, cerca de 16 milhões de toneladas por ano.

Já em março, o preço da ureia subiu para 725,6 USD por tonelada, ou seja, +53,7% face a fevereiro, atingindo o valor mais elevado em quatro anos. Ao mesmo tempo, a tonelada de fosfato diamónico (DAP), o fertilizante fosfatado mais utilizado, era negociada a 658,3 USD por tonelada (+5%), enquanto o cloreto de potássio (MOP) passou de 372,5 USD para 380,6 USD por tonelada entre fevereiro e março.

No total, o índice dos preços dos fertilizantes aumentou mais de 12% entre o último trimestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026. «Os fertilizantes nunca estiveram tão pouco acessíveis desde 2022, reduzindo os rendimentos dos agricultores e ameaçando as futuras colheitas», explica a organização.

A ureia como motor da subida nos próximos meses

A situação já é crítica para a agricultura e para a segurança alimentar mundial, e a instituição financeira não prevê melhorias num futuro próximo. Nos próximos meses, a subida dos preços deverá continuar, impulsionada sobretudo pela ureia, o fertilizante azotado mais utilizado no mundo.

Segundo o relatório, com as tensões no mercado, os preços da ureia deverão terminar o ano em 675 USD por tonelada, cerca de 60% acima de 2025, antes de recuar 25% em 2027, caso haja uma melhoria no preço do gás natural.

«Entre os principais riscos em alta estão a continuidade das fortes restrições ao transporte marítimo no Médio Oriente ou uma nova escalada do conflito, o que poderá agravar as escassezes. Além disso, receios de falta de fertilizantes nos mercados internos podem levar grandes exportadores a impor restrições, enquanto uma subida maior do que o esperado do gás natural aumentaria ainda mais os custos de produção (o gás representa 80% a 90% do custo da amónia, principal componente da ureia). Se estes riscos se concretizarem, o preço médio da ureia em 2026 poderá ultrapassar os 700 dólares por tonelada registados em 2022», alerta o Banco Mundial.

Quanto aos restantes fertilizantes, as subidas serão mais moderadas. Os preços do DAP deverão aumentar cerca de 6% em 2026 face a 2024, antes de recuarem 10% em 2027 com a entrada de novas capacidades de produção. Já o MOP deverá subir cerca de 12% em 2026, com uma descida de 6% prevista até 2027.

«A mais longo prazo, a entrada em funcionamento de novas capacidades de produção, nomeadamente no Canadá o maior produtor e exportador mundial de potassa, poderá pressionar os preços em baixa. No geral, os riscos para as perspetivas de preços parecem relativamente equilibrados, já que a produção e exportação de MOP não dependem fortemente do Médio Oriente», indica o Banco Mundial.

Espoir Olodo

Posted On jeudi, 30 avril 2026 13:16 Written by
Page 4 sur 25
Sobre o mesmo tema

Em África, a regulamentação relativa aos OGM continua a ser rigorosa na maioria dos países, sobretudo no que diz respeito à comercialização. Este contexto...

O Libéria é o terceiro maior produtor africano de borracha natural, depois da Costa do Marfim e do Gana. Tal como acontece com a maioria das...

Em África, o Marrocos é um dos países mais afetados pelo défice hídrico. Com vários anos consecutivos de seca e os efeitos das alterações climáticas, o...

Principal produtor africano de milho, a África do Sul afirma-se igualmente como o principal exportador desta cultura no continente. Com o início da...

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.