Diversos países costeiros africanos continuam ainda dependentes de um único cabo submarino. Perante uma procura crescente de capacidade, estes países multiplicam os investimentos para reforçar a sua conectividade internacional e reduzir a sua vulnerabilidade neste domínio.
A Mauritânia avança na implementação da sua segunda ligação internacional por cabo submarino de fibra ótica. No sábado, 4 de maio, as autoridades procederam à instalação da secção costeira da infraestrutura. A colocação do cabo principal, em alto-mar, está prevista para agosto de 2026, com entrada em funcionamento esperada em janeiro de 2027.
A cerimónia de aterragem foi presidida por Ahmed Salem Ould Bede, ministro da Transformação Digital e da Modernização da Administração. Com 28,4 km de extensão, a secção costeira foi instalada em Nouadhibou, onde se localiza a estação de aterragem.
A secção costeira corresponde à parte do cabo situada próxima da costa, ligando a estação de aterragem ao alto-mar. Mais exposta às atividades humanas, como a pesca ou o tráfego marítimo, é geralmente enterrada e reforçada para limitar os riscos de danos. O restante cabo, instalado em alto-mar ao longo de grandes distâncias, repousa a grandes profundidades, onde está menos exposto, mas é mais complexo de instalar e manter.
Uma infraestrutura para reforçar a resiliência da rede
Uma vez concluído, este novo cabo reforçará a infraestrutura digital nacional, complementando as capacidades do cabo ACE, ao qual a Mauritânia está ligada desde 2011 e do qual ainda depende fortemente para o seu acesso à conectividade internacional. Esta dependência expõe o país a vulnerabilidades em caso de falha na infraestrutura existente.
As avarias registadas neste cabo já provocaram perturbações nos serviços de Internet e de telefonia móvel a nível nacional, afetando administrações, empresas e utilizadores. Mesmo as operações de manutenção programadas provocam reduções de velocidade ou interrupções temporárias, na ausência de uma alternativa plenamente operacional.
O novo cabo dispõe de uma capacidade inicial de 200 gigabits por segundo (Gbps), expansível até 12 terabits por segundo (Tbps). Ligará a Mauritânia à Europa, via Portugal, e à América do Sul, via Brasil.
Um motor de transformação digital
As autoridades mauritanas esperam que esta infraestrutura reforce a conectividade internacional e responda ao crescimento contínuo das necessidades em dados, num contexto de transformação digital acelerada.
Ao aumentar as capacidades disponíveis, esta infraestrutura melhora a fiabilidade e a qualidade dos serviços digitais, ao mesmo tempo que reduz os riscos de congestionamento. Proporciona também redundância face ao primeiro cabo submarino, reforçando a resiliência da rede em caso de falha ou sobrecarga. Esta dupla conectividade permite absorver melhor o crescimento do tráfego e assegurar uma maior continuidade dos serviços essenciais, nomeadamente a administração eletrónica, os serviços financeiros e os usos profissionais.
Para além do desempenho técnico, os cabos submarinos estão associados a uma redução dos custos para os consumidores. Um relatório publicado em junho de 2025 pela Fundação para os Estudos e Investigação sobre o Desenvolvimento Internacional (FERDI) indica que o aumento das capacidades internacionais pode levar a uma redução de preços até 32 % para a internet fixa e 50 % para a internet móvel. Por exemplo, a entrada em funcionamento do cabo Didon na Tunísia, em 2014, resultou numa redução de cinco pontos nas tarifas da internet móvel.
Na Mauritânia, as despesas com 5 GB de internet móvel representam 2,94 % do rendimento nacional bruto per capita em 2025, segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT). Este rácio atinge 17,6 % para a internet fixa, muito acima do limiar de 2 % considerado acessível.
Neste contexto, a redução dos preços pode favorecer uma adoção mais ampla dos serviços de telecomunicações, em particular da internet, e, por consequência, dos serviços digitais. Segundo a UIT, apenas 45,8 % dos mauritanos utilizavam a internet em 2024.
Isaac K. Kassouwi
A aceleração da transformação digital expõe cada vez mais os países africanos a ciberataques. A equipa de resposta a incidentes de segurança informática da Nigéria (ngCERT) publicou uma nota sobre o tema.
A Nigéria enfrenta uma intensificação das ciberameaças que visam as suas infraestruturas digitais. O ngCERT alertou, na semana passada, para um aumento significativo dos ataques de negação de serviço distribuído (DDoS), que têm como alvo tanto plataformas governamentais como serviços do setor privado.
Estes ataques, que consistem em saturar um sistema através de um afluxo massivo de tráfego, podem perturbar ou tornar indisponíveis serviços essenciais. Segundo a agência, os cibercriminosos recorrem agora a métodos mais sofisticados, combinando vários vetores de ataque e explorando redes de dispositivos comprometidos, conhecidas como “botnets”. Algumas ofensivas utilizam também técnicas de amplificação que permitem aumentar consideravelmente o volume de tráfego malicioso dirigido a estes alvos. Esta evolução torna os ataques mais difíceis de detetar e conter.
«Estes ataques são cada vez mais multivetoriais e podem estar associados a outras atividades maliciosas, o que representa riscos significativos para a resiliência nacional e a estabilidade económica», indicou o ngCERT.
Este aumento dos ataques DDoS suscita preocupações crescentes. As interrupções de serviço podem afetar setores estratégicos como a finança, as telecomunicações ou os serviços públicos, com consequências diretas na atividade económica e na confiança dos utilizadores. Podem também servir de distração para ciberataques mais complexos, como o roubo de dados ou intrusões em sistemas.
Para além dos ataques DDoS, a consultora Deloitte alertou, no seu relatório «Nigeria Cybersecurity Outlook 2026», publicado em janeiro, para uma intensificação prevista dos ataques de ransomware e phishing ao longo deste ano. A consultora atribui esta tendência à democratização de ferramentas outrora reservadas a cibercriminosos experientes, agora acessíveis a atacantes menos especializados. As PME, escolas, hospitais e administrações públicas estão particularmente expostos, sobretudo quando os orçamentos destinados à cibersegurança permanecem limitados.
Face a estas ameaças, o ngCERT recomenda às organizações que ativem os seus procedimentos de resposta a incidentes, colaborem com os seus fornecedores de acesso para filtrar o tráfego malicioso e implementem soluções anti-DDoS. A agência insiste igualmente na atualização dos sistemas, nomeadamente na aplicação de correções para várias vulnerabilidades conhecidas, no reforço das infraestruturas e numa monitorização contínua do tráfego. O ngCERT recomenda ainda que qualquer incidente lhe seja comunicado.
Segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), a Nigéria fazia parte, em 2024, da categoria Tier 3 do índice global de cibersegurança, com uma pontuação de 82,4 em 100. No entanto, o país tem desde então multiplicado iniciativas e parcerias estratégicas para melhorar a sua posição nesta área.
Adoni Conrad Quenum
Nos últimos anos, os países africanos intensificaram os investimentos em infraestrutura para reduzir a lacuna digital no continente. Isso resultou em uma diminuição significativa da população sem cobertura, mas a adoção real dos serviços ainda enfrenta dificuldades.
Na Serra Leoa, 60% da população não utiliza serviços de telecomunicações, segundo as autoridades locais. Essa defasagem no uso persiste, apesar de um investimento global de 400 milhões de dólares, que possibilitou a expansão da rede nacional de fibra óptica para 14 dos 16 distritos do país.
Salima Monorma Bah, Ministra da Comunicação, Tecnologia e Inovação, destacou essa situação na semana passada, durante uma consulta setorial organizada pela Comissão Parlamentar de Informação e Comunicações. O encontro contou com a participação de parlamentares, autoridades da Autoridade Nacional de Telecomunicações (NatCA), diretores das empresas Sierratel, SALPOST, do projeto Felei Tech City, além de representantes das operadoras móveis e da sociedade civil.
A Lacuna Digital Persistente
A lacuna digital ainda é uma realidade evidente na Serra Leoa. De acordo com o Índice de Desenvolvimento das TIC 2024 da União Internacional de Telecomunicações (UIT), o país ocupa a 38ª posição no ranking africano, entre os 47 países analisados, com uma pontuação de 34,3 em 100. Esse resultado é fruto de dez indicadores, que incluem o percentual de indivíduos utilizando Internet, a penetração da telefonia móvel de banda larga, o tráfego de dados móveis, o preço dos dados móveis e serviços de voz, além da taxa de posse de telefones móveis.
De acordo com os dados da UIT, em 2024, a Serra Leoa apresentou uma cobertura de 2G de 96% e 3G de 97,2%, enquanto a 4G cobria 81,6% da população. Apesar dessa cobertura relativamente ampla, a utilização efetiva desses serviços ainda é limitada. O Índice de Penetração da Telefonia Móvel não ultrapassou 50,3%, e a penetração da Internet ficou estagnada em apenas 25,1%.
A Mutualização das Infraestruturas: Um Caminho para a Conectividade Universal
Para reduzir essa lacuna, a Ministra Bah pediu que a indústria assuma mais responsabilidades e aposte na mutualização das infraestruturas. Esse processo visa a redução dos custos operacionais, que são um dos principais impedimentos à acessibilidade dos serviços. Segundo a ministra, ganhos de eficiência são essenciais para alcançar a conectividade universal.
No continente africano, a mutualização tem ganhado força. Ela envolve o compartilhamento de equipamentos físicos e tecnológicos entre as operadoras, ao invés de cada uma delas implementar redes paralelas de maneira individual.
O relatório da Ecofin Pro, publicado em dezembro de 2024, distingue dois modelos de compartilhamento: o compartilhamento passivo, que envolve apenas elementos não eletrônicos, como torres, postes e instalações, onde cada operador mantém sua rede ativa de forma exclusiva; e o compartilhamento ativo, que inclui também equipamentos eletrônicos, como switches e nós de acesso rádio.
A UIT também destaca que o compartilhamento ativo pode incluir a itinerância móvel, o que permite que um operador utilize a rede de um concorrente em áreas onde não possui infraestrutura própria. Isso reduz consideravelmente os custos de implantação, especialmente em áreas rurais ou mercados marginais.
Segundo a UIT, essa estratégia pode incentivar a migração para novas tecnologias e o desdobramento da internet móvel de alta velocidade, além de aumentar a concorrência entre os operadores, quando forem adotadas medidas de salvaguarda para evitar comportamentos anticompetitivos.
Além da Infraestrutura
Embora a mutualização das infraestruturas seja uma estratégia relevante, ela não é suficiente por si só para resolver os desafios de inclusão digital. A redução efetiva dos custos dependerá também de outros fatores, como a fiscalidade do setor, o nível de concorrência entre os operadores e os custos com energia e manutenção das redes.
Além disso, a acessibilidade financeira não garante automaticamente um aumento no uso dos serviços. A inclusão digital deve ser acompanhada de esforços na disponibilização de dispositivos adequados, no desenvolvimento de competências digitais, na melhoria da qualidade dos serviços, e na oferta de conteúdos e serviços relevantes.
Por exemplo, a adoção de smartphones, que são essenciais para o acesso à Internet, ainda é marginal na Serra Leoa. De acordo com o Banco Mundial, apenas 28,53% da população maior de 15 anos possuía um smartphone em 2024. Esse fenômeno é comum em várias regiões da África, sendo atribuído ao alto custo desses dispositivos.
Isaac K. Kassouwi
Enquanto o desemprego afeta cerca de um em cada três jovens argelinos e a falta de correspondência entre a formação e o mercado de trabalho continua a ser um entrave estrutural, uma infraestrutura de cloud nacional abre um novo espaço de inserção para a geração tecnológica.
Na Argélia, a procura por soberania digital está a abrir novas perspetivas de emprego para os jovens talentos do setor tecnológico. Na quinta-feira, 30 de abril, a aceleradora pública Algeria Venture anunciou o lançamento do AventureCloudz, uma plataforma de cloud destinada a programadores de software. A plataforma está alojada no território nacional e integra inteligência artificial. O anúncio foi divulgado pela Algérie Presse Service (APS).
A iniciativa resulta de uma parceria tripartida entre a Algeria Venture, a operadora de telecomunicações Djezzy e a start-up Taubyte. Esta última fornece a tecnologia que sustenta o sistema, alojado exclusivamente na Djezzy Cloud. Segundo o comunicado da Algeria Venture, a plataforma visa reduzir as barreiras técnicas, permitindo aos programadores “passar rapidamente e com maior flexibilidade da ideia ao produto”. Integra-se nos programas de apoio da Algeria Venture para “democratizar o acesso a infraestruturas cloud modernas”.
A dimensão do projeto vai além da inovação tecnológica. Trata-se de oferecer aos jovens programadores uma alternativa concreta aos gigantes globais do setor. A Algeria Venture fala numa “cooperação estratégica ao serviço da soberania digital e do surgimento de campeões tecnológicos nacionais”.
O impacto social é significativo. Segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas (ONS), a taxa de desemprego entre os 16 e os 24 anos atingiu 29,3% em outubro de 2024. Os diplomados do ensino superior representavam 31,4% dos desempregados registados, revelando uma inserção particularmente difícil para perfis qualificados.
Este lançamento insere-se numa rápida estruturação do ecossistema digital argelino. O portal startup.dz regista mais de 7800 entidades, das quais cerca de 2300 estão certificadas. O Algerian Startup Fund, apoiado por seis bancos públicos, financia estas estruturas desde 2021. No mesmo contexto, a operadora AYRADE SPA abrirá 20% do seu capital à Bolsa de Argel em junho de 2026, uma estreia no cloud soberano nacional. Além disso, a estratégia SNTN-2030 prevê mais de 500 projetos digitais entre 2025 e 2026. Neste mercado de trabalho ainda sob pressão, o AventureCloudz surge como uma alternativa relevante, embora o seu impacto real ainda tenha de ser avaliado.
Félicien Houindo Lokossou
A cibersegurança afirma-se progressivamente como uma das prioridades das autoridades africanas. É agora indispensável para acompanhar a transformação digital em curso no continente e garantir a sua segurança.
No Burkina Faso, Oumarou Sanou (foto, à esquerda) foi oficialmente empossado na terça-feira, 28 de abril, nas funções de Diretor-Geral da Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação (ANSSI). Ele sucede a Boukaré Sébastien Yougbare, com a missão de coordenar as ações destinadas a reforçar a segurança digital do país.
A ANSSI é responsável por assegurar a proteção dos sistemas de informação das administrações e das infraestruturas críticas. Para esse efeito, implementa mecanismos de vigilância e alerta destinados a prevenir ciberataques. Intervém em caso de incidente para prestar assistência técnica. A instituição trabalha igualmente no reforço das capacidades dos atores públicos e privados através de ações de sensibilização e formação. Por fim, desempenha um papel fundamental na definição de normas e enquadramentos regulamentares destinados a garantir um ambiente digital seguro.
Especialista em sistemas de informação e engenheiro de conceção informática, Oumarou Sanou foi nomeado Diretor-Geral da ANSSI durante o Conselho de Ministros de 16 de abril. Antes desta nomeação, exercia funções de Diretor-Geral da Agência Nacional de Promoção das Tecnologias da Informação e da Comunicação (ANPTIC).
Segundo o Ministério da Transição Digital, dos Correios e das Comunicações Eletrónicas, esta tomada de posse ocorre num contexto em que a segurança do espaço digital constitui um desafio estratégico maior para o Burkina Faso. O país aposta na integração das TIC em todos os setores para apoiar o seu desenvolvimento socioeconómico.
Neste quadro, a União Internacional das Telecomunicações (UIT) sublinha que os Estados devem dar especial atenção à cibersegurança para tirar pleno partido das vantagens do digital. A generalização dos usos é acompanhada por um aumento dos riscos de ciberataques e de cibercriminalidade.
«O aumento das burlas online está intimamente ligado à aceleração da transformação digital em África. Os criminosos aproveitam o crescimento das atividades em linha, em particular o uso das redes sociais, do comércio eletrónico e dos serviços bancários móveis», indica a Interpol no seu relatório Cybercrime Africa Cyberthreat Assessment 2025. A organização estima que os incidentes cibernéticos registados entre 2019 e 2025 tenham provocado perdas financeiras superiores a 3 mil milhões de dólares no continente.
Segundo a 5.ª edição do Global Cybersecurity Index, publicada em 2024 pela UIT, o Burkina Faso encontra-se no terceiro nível, numa escala de cinco, em matéria de cibersegurança. O país regista progressos notáveis nos planos regulamentar, institucional e de cooperação internacional. No entanto, persistem desafios, nomeadamente no reforço das capacidades técnicas e no desenvolvimento de competências humanas face à evolução das ameaças digitais.
Isaac K. Kassouwi
Os campus da rede 42 estão em plena expansão no continente. Após Madagáscar, Marrocos e Angola, essa expansão prossegue com uma abertura estratégica na África Ocidental, uma região até então não coberta pela rede.
O governo togolês anunciou recentemente a criação, em Lomé, do primeiro campus da rede 42 na África Ocidental, com o objetivo de reforçar a formação de talentos nas áreas do digital.
O projeto é apoiado por vários parceiros, incluindo o Grupo Axian, através da sua filial Yas Togo, bem como por atores europeus, nomeadamente a França e a União Europeia.
Promovida pelo Ministério da Eficiência do Serviço Público e da Transformação Digital, a iniciativa insere-se na ambição de posicionar o país como um hub regional de competências tecnológicas.
O futuro campus oferecerá formação em programação, dados e inteligência artificial, com base num modelo pedagógico centrado na prática.
«Este projeto representa a nossa ambição de fazer do digital um motor de transformação económica e social, oferecendo à juventude togolesa oportunidades concretas para o futuro», afirmou Cina Lawson, ministra da Eficiência do Serviço Público e da Transformação Digital.
Ao contrário dos sistemas académicos tradicionais, a rede 42 assenta num modelo de aprendizagem sem professores nem aulas teóricas. Os estudantes evoluem através de projetos concretos e de um sistema de colaboração entre pares, com acesso aberto e sem exigência de diploma.
Este modelo visa identificar e formar perfis operacionais, em sintonia com as necessidades do mercado. Para além do Togo, os campus da rede 42 estão presentes em Marrocos, Madagáscar e Angola.
O projeto enquadra-se na estratégia «Togo Digital 2025». Com um orçamento entre 0,8 e 1 mil milhões de dólares, cerca de 10% deste montante é destinado ao desenvolvimento de ferramentas digitais, à formação de talentos e ao apoio ao ecossistema — área na qual se insere este campus. Nem o calendário de abertura da escola nem o orçamento específico do projeto foram divulgados.
Adoni Conrad Quenum
Conforme às suas ambições de transformação digital, as autoridades guineenses pretendem generalizar o acesso à Internet. Segundo dados da União Internacional das Telecomunicações, cerca de 70% da população não utilizava o serviço em 2024.
A Guiné está a explorar uma cooperação com a Open Cosmos, especializada na conceção, fabrico e operação de satélites. A iniciativa insere-se numa tendência africana que aposta nas tecnologias espaciais para reduzir uma fratura digital ainda significativa no continente.
A questão foi abordada na quarta-feira, 29 de abril, durante um encontro entre Souleymane Thianguel Bah e Abou Bakr Mourched, responsável pelo desenvolvimento comercial da empresa. Também esteve presente Aminata Deen Touré. As discussões centraram-se nas soluções desenvolvidas pela Open Cosmos para a conectividade e recolha de dados, bem como nas oportunidades que estas oferecem para melhorar a cobertura digital, especialmente nas zonas remotas do país.
Um interesse crescente pelo setor espacial
Esta aproximação surge depois de a Guiné ter iniciado, em janeiro de 2025, contactos com a AirSat Technology para um possível projeto de satélite nacional. No entanto, não foram divulgadas atualizações sobre o avanço desta iniciativa.
Esta dinâmica faz parte de uma tendência mais ampla em África. Segundo a GSMA, soluções de conectividade aérea, incluindo satélites, deverão desempenhar um papel fundamental na concretização da conectividade universal na África subsaariana, sobretudo em regiões com geografia complexa.
Uma fratura digital persistente
De acordo com a ARTP Guinée, 94,11% das localidades estavam cobertas por rede móvel em meados de 2025. Ainda assim, cerca de 5,89% da população permanece mal servida, incluindo 1,4% sem qualquer cobertura.
Os dados da União Internacional das Telecomunicações indicam que a cobertura 2G atingia 87,9% da população em 2022, enquanto a 3G cobria 81,3% em 2024 e a 4G cerca de 77%.
No que diz respeito à utilização, o país registava 12,8 milhões de subscrições móveis em meados de 2025, correspondendo a uma taxa de penetração de 89,1%. Para a Internet móvel, eram contabilizadas 8,28 milhões de subscrições (57,86% da população). Contudo, estes números devem ser relativizados, uma vez que um utilizador pode possuir vários cartões SIM. A UIT estima, por comparação, uma taxa de penetração real de 33,3% em 2024.
Para além da cobertura de rede
Segundo a GSMA, a conectividade por satélite constitui uma extensão valiosa das redes terrestres, mas não é, por si só, suficiente para responder ao desafio da inclusão digital. Em África, 58% das populações não conectadas já vivem em zonas cobertas por banda larga móvel. O desafio não reside apenas no acesso à conectividade, mas também — e sobretudo na capacidade das populações de utilizarem efetivamente os serviços digitais.
A acessibilidade financeira continua a ser um entrave importante. O custo dos equipamentos (smartphones, terminais satelitais) e das subscrições permanece fora do alcance de uma grande parte dos agregados familiares. A estas limitações juntam-se fatores económicos e sociais persistentes, como a fraca literacia digital e a escassez de conteúdos adaptados às realidades locais, que restringem a procura.
Isaac K. Kassouwi
Os países africanos estão a acelerar a implementação da 5G. A tecnologia móvel de quinta geração, tendo em conta as suas capacidades, é apresentada como um motor essencial para apoiar a transformação digital e estimular novos usos.
As autoridades cabo-verdianas lançaram esta semana uma fase piloto da 5G no parque tecnológico TechPark CV, na capital, Praia. A iniciativa visa testar esta tecnologia de última geração durante um período de 12 meses, antes de um lançamento comercial previsto entre 2027 e 2028.
Segundo a agência nacional de notícias Inforpress, nesta fase inicial o projeto está limitado ao TechPark e reservado exclusivamente às empresas. Trata-se de um ambiente de teste, disponibilizado gratuitamente. A médio prazo, poderá ser alargado a outras ilhas, nomeadamente São Vicente, que acolhe um polo do parque tecnológico.
«O TechPark é um espaço dedicado à experimentação, à inovação e à transformação de ideias em realidade. A introdução desta fase piloto de 5G no TechPark está, portanto, em perfeita consonância com a nossa missão. O objetivo é oferecer um ambiente dotado de todas as infraestruturas necessárias para começar a desenvolver soluções, nomeadamente em start-ups ou na telemedicina, num enquadramento totalmente preparado», afirmou o administrador do TechPark, Carlos Delgado, citado pelo meio local Expresso das Ilhas.
O lançamento desta fase piloto ocorre algumas semanas após a apresentação de um roteiro para a implementação do ultra alto débito. De acordo com este documento, estes projetos deverão permitir testar soluções tecnológicas em condições reais, demonstrar o valor da 5G, estimular a inovação e recolher dados sobre os seus impactos económicos, sociais e territoriais. Servirão igualmente de base para uma expansão progressiva da rede e para o ajustamento das políticas públicas associadas.
O plano prevê ainda uma visão clara e progressiva da implementação da 5G. Tendo em conta as especificidades geográficas, socioeconómicas e infraestruturais do arquipélago, a implementação será feita de forma gradual, apoiando-se inicialmente no modelo 5G Non-Standalone (NSA), baseado nas redes 4G existentes.
De acordo com Valdemar Monteiro, responsável pelo departamento de projetos de engenharia da empresa pública CV Telecom, a infraestrutura atual assenta num único site 5G, com uma rede ainda dependente da 4G. A sua expansão exigirá, por isso, investimentos adicionais por parte dos operadores.
Um motor de transformação digital
As autoridades cabo-verdianas consideram a 5G como um acelerador da transformação digital do país. O Estado pretende integrar as TIC em vários setores, nomeadamente na educação, saúde, turismo e administração pública, de forma a apoiar o crescimento e o desenvolvimento. O objetivo é aumentar progressivamente a contribuição do setor das TIC para o PIB, atualmente estimada em cerca de 5%.
«A 5G é uma tecnologia disruptiva à escala global, particularmente para Cabo Verde, pois terá impacto na componente tecnológica, com uma largura de banda cerca de 10 vezes superior à da 4G e uma latência muito reduzida», afirmou Monteiro.
Acrescentou ainda que esta tecnologia oferece desempenhos superiores às soluções por satélite como a Starlink. Esta vantagem deve-se à proximidade das infraestruturas terrestres com os utilizadores, ao contrário dos satélites que se encontram a grandes distâncias. Esta configuração permite uma transmissão mais rápida e estável, melhorando a qualidade da ligação e ampliando as possibilidades de utilização.
Segundo as autoridades, estas características abrem caminho a novas oportunidades para as empresas e start-ups, facilitando o desenvolvimento de serviços inovadores.
Isaac K. Kassouwi
Os países africanos estão a apostar na transformação digital para acelerar o seu desenvolvimento. Esta ambição implica investimentos significativos em infraestruturas digitais.
As autoridades angolanas procederam, na terça-feira, 28 de abril, ao lançamento do centro de dados nacional e da cloud do governo. Esta iniciativa vem reforçar a infraestrutura digital e apoiar as ambições de transformação digital das autoridades.
Segundo um comunicado do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, o novo centro de dados promete várias vantagens. Entre os seus benefícios estão a confiança dos investidores, o alojamento seguro de dados em território nacional, a redução dos custos operacionais e o alargamento do acesso aos serviços públicos digitais.
O ministério acrescenta que a infraestrutura também contribuirá para melhorar a cibersegurança, estimular a inovação tecnológica e posicionar Angola como um hub digital na África Austral.
Reforço das infraestruturas
Segundo as autoridades angolanas, a construção do centro de dados nacional insere-se numa estratégia mais ampla de desenvolvimento do setor das telecomunicações e das tecnologias de informação. Várias infraestruturas-chave são destacadas.
O país lançou, nomeadamente em outubro de 2022, o satélite de comunicações ANGOSAT-2, apresentado como um instrumento para reduzir a exclusão digital. Paralelamente, várias iniciativas têm sido implementadas para generalizar o acesso à Internet, incluindo escolas, hospitais, universidades e administrações públicas.
Angola também acelerou a expansão da fibra ótica, elevando a rede nacional para cerca de 22 000 quilómetros. A entrada em funcionamento do cabo submarino internacional 2Africa reforça a conectividade do país a nível regional e global. O país já está ligado a outros quatro cabos: West Africa Cable System (WACS), Unitel North Submarine Cable (UNSC), South Atlantic Cable System (SACS) e SAT-3/WASC.
Além disso, uma recente aproximação com a Namíbia deverá permitir o acesso de Angola às capacidades do cabo Equiano e preparar a chegada de um novo cabo operado pela Angola Telecom.
Segundo Mário Oliveira, ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, estes investimentos têm permitido consolidar uma base tecnológica sólida, promovendo a inclusão digital e criando oportunidades para o setor privado, nomeadamente para startups e PME.
Em termos de adoção, os dados do ministério indicam progressos significativos: mais de 85% da população está coberta por serviços de banda larga, o país conta com cerca de 17,7 milhões de assinantes e a taxa de penetração móvel ronda os 75%.
Ambições digitais ainda limitadas por desafios estruturais
Estas infraestruturas visam apoiar as ambições de transformação digital das autoridades angolanas, que pretendem fazer das TIC um motor de desenvolvimento socioeconómico. Neste contexto, o país implementa o Programa de Aceleração Digital de Angola (PADA), financiado em 300 milhões de dólares pelo Banco Mundial, com o objetivo de reforçar a inclusão digital, expandir o acesso a serviços públicos e dinamizar a economia digital.
No entanto, apesar destes avanços, vários indicadores revelam desafios persistentes. Angola ocupa o 156.º lugar entre 193 países no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico das Nações Unidas (EGDI) 2024, com uma pontuação de 0,4149 em 1. Este valor está ligeiramente abaixo da média africana (0,4247) e bem abaixo da média mundial (0,6382).
Em matéria de cibersegurança, o país foi classificado em 2024 na categoria “Tier 4” do índice global da União Internacional das Telecomunicações (UIT), o penúltimo nível numa escala de cinco. Esta posição reflete um envolvimento ainda limitado, apesar de alguns progressos regulatórios e de uma participação crescente em iniciativas internacionais.
Isaac K. Kassouwi
A qualidade do serviço de Internet é uma questão crucial em África, onde a conectividade se tornou uma alavanca essencial de desenvolvimento. Segundo a GSMA, uma boa qualidade de serviço melhora a experiência digital e abre novas oportunidades para indivíduos e comunidades.
A Canalbox, principal fornecedor de acesso à Internet (ISP) no Ruanda, anunciou na terça-feira, 28 de abril, ter restabelecido completamente os seus serviços, após perturbações registadas no início do mês. Esta evolução surge na sequência de uma pressão crescente do regulador das telecomunicações.
Num comunicado divulgado nas redes sociais, a operadora explica que a perturbação esteve ligada a uma instabilidade numa ligação regional crítica de fibra ótica, que afetou vários operadores na região. Para além da reposição do serviço, o ISP indica ter acrescentado capacidade de Internet para reforçar a resiliência da sua rede.
A operadora implementou igualmente um mecanismo de compensação, concedendo sete dias adicionais de serviço na próxima subscrição dos clientes.
Esta medida responde, na realidade, a uma exigência da Rwanda Utilities Regulatory Authority (RURA). Num comunicado datado de 27 de abril, o regulador refere que a operadora deve indemnizar todos os clientes afetados entre 13 e 20 de abril, pagar multas diárias até ao restabelecimento total da conformidade e apresentar relatórios de progresso dentro dos prazos estabelecidos. O regulador acrescenta ainda que novas sanções poderão ser aplicadas em caso de incumprimento persistente.
A 21 de abril, o regulador das telecomunicações já tinha anunciado a adoção de medidas contra a Canalbox. Após uma notificação formal, a operadora foi convocada para uma audiência para apresentar explicações e medidas corretivas imediatas.
Para recordar, a legislação ruandesa prevê sanções para operadores que não cumpram as ordens do regulador, incluindo multas administrativas entre 500 000 francos ruandeses (cerca de 342 dólares) e 15 milhões de francos ruandeses por dia de incumprimento, a partir da notificação. O regulador pode ainda suspender ou revogar a licença da operadora.
Isaac K. Kassouwi
Há vários meses, o governo queniano tem vindo a considerar a venda de parte da sua participação na operadora histórica Safaricom. A transação não reúne consenso no seio da classe política.
O antigo vice-presidente do Quénia e líder do Wiper Party, Kalonzo Musyoka, apresentou na segunda-feira, 28 de abril, uma petição junto do Tribunal Superior de Nairobi para bloquear a venda, pelo executivo, da sua participação de 15% na Safaricom à operadora sul-africana Vodacom.
O opositor solicita ao tribunal que emita ordens cautelares suspendendo a transação até à apreciação do mérito da petição. Ainda não foi tomada qualquer decisão judicial.
A operação, avaliada em 204,3 mil milhões de xelins (cerca de 1,58 mil milhões de dólares), prevê a venda de seis mil milhões de ações a 34 xelins cada. Esta reduziria a participação do Estado de 35% para 20%, elevando a da Vodacom para 55% e conferindo-lhe o controlo efetivo da operadora. As receitas da venda serão destinadas ao Fundo Nacional de Infraestruturas, criado pelo presidente William Ruto em março de 2026.
Do ponto de vista jurídico, Kalonzo Musyoka invoca o artigo 209 da Constituição, que regula a alienação de ativos públicos, bem como o artigo 10, que exige uma participação pública significativa. O opositor acusa o governo de não ter envolvido suficientemente o Parlamento e os cidadãos no processo, classificando a transação como opaca e contrária ao interesse nacional, apesar da aprovação dada pelo Parlamento queniano a 31 de março.
Os opositores contestam também a valorização da operação. O preço de 34 xelins por ação estaria, segundo eles, muito abaixo do valor intrínseco da Safaricom, estimado entre 70 e 80 xelins, o que representaria uma perda potencial superior a 250 mil milhões de xelins para o Estado.
Adoni Conrad Quenum
Num contexto de rápida transformação dos usos digitais em África, a RDC procura colmatar os seus atrasos estruturais no setor das telecomunicações. O executivo quer agora passar de um mercado em expansão para um setor verdadeiramente produtivo.
À margem da abertura dos primeiros Estados Gerais dos Correios e Telecomunicações, na segunda-feira, 27 de abril, em Kinshasa, o presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, traçou o roteiro do setor para os próximos anos. O chefe de Estado definiu seis prioridades para modernizar e melhor regular o setor.
Conectividade, quadro regulatório e capital humano no centro da estratégia
A primeira urgência diz respeito à conectividade. As autoridades querem acelerar a expansão da fibra ótica, reforçar a espinha dorsal nacional (backbone) e melhorar as interligações entre províncias, recorrendo também a soluções satelitais para servir zonas isoladas.
Outro eixo essencial é a reforma do quadro legal e regulatório. O presidente apela a um ambiente mais claro e atrativo, capaz de estimular o investimento privado num setor ainda confrontado com constrangimentos estruturais, nomeadamente em matéria fiscal e de governação.
A qualidade do serviço e a proteção dos utilizadores também figuram entre as prioridades. Para as autoridades, o crescimento do mercado deve ser acompanhado por uma melhoria concreta da acessibilidade, fiabilidade e custo dos serviços, num contexto em que as críticas à qualidade das redes permanecem frequentes.
Em paralelo, o governo aposta na inclusão digital, com o objetivo de integrar mais as populações rurais, os jovens e as pequenas empresas na economia digital. Esta ambição acompanha-se de um esforço no capital humano, através da promoção da educação digital, vista como um motor de empregabilidade e inovação.
Por fim, a soberania tecnológica e a segurança digital tornam-se um eixo estratégico. As autoridades pretendem reforçar a proteção de dados, infraestruturas críticas e sistemas públicos, num contexto de aumento dos riscos cibernéticos.
Um setor em mutação apesar dos desafios persistentes
Este plano ambicioso surge num contexto em que o panorama das telecomunicações na RDC apresenta um forte contraste. Se o país conta atualmente com cerca de 36 milhões de utilizadores da Internet, a taxa de penetração mantém-se em torno dos 35%, com grandes disparidades territoriais. A logística e o elevado custo da conectividade móvel continuam a ser obstáculos importantes, enquanto cerca de 55% da população ainda não dispõe de cobertura 4G. Além disso, a pressão fiscal sobre os operadores é frequentemente apontada como um travão à expansão das redes em zonas remotas.
Para o executivo, o objetivo destas discussões é transformar estes ativos físicos e legislativos num ecossistema produtivo. Ao orientar os investimentos para a banda larga e a segurança das redes, a RDC espera captar uma maior parte do valor digital no continente e responder às necessidades de uma população cujo uso móvel já ultrapassa largamente a bancarização tradicional.
«Cabe-nos, portanto, transformar o digital, as telecomunicações e a modernização postal em alavancas estratégicas do nosso desenvolvimento nacional. É neste espírito que se inscreve a nossa ambição de fazer da República Democrática do Congo uma nação digital até 2030, em coerência com as prioridades do governo», declarou o Presidente da República.
Samira Njoya
Na Côte d’Ivoire, a taxa de penetração da internet situa-se em cerca de 40,7%, com fortes disparidades entre as zonas urbanas e as zonas rurais ainda mal cobertas. Neste contexto, o satélite surge como uma solução para alargar o acesso à banda larga e reduzir a fratura digital.
O operador de satélites Eutelsat anunciou, na quinta-feira, 23 de abril, a assinatura de uma parceria plurianual com a MTN Côte d’Ivoire para implementar serviços de internet via satélite a nível nacional. O objetivo é melhorar o acesso à banda larga, sobretudo nas zonas rurais e isoladas, ainda pouco cobertas pelas redes terrestres.
O acordo baseia-se na utilização do satélite Eutelsat Konnect, uma infraestrutura concebida para cobrir de forma eficiente territórios onde a implementação de fibra ótica ou de redes móveis continua limitada ou dispendiosa. No âmbito desta colaboração, a MTN pretende oferecer serviços de internet a particulares e empresas, ao mesmo tempo que instala pontos de acesso Wi-Fi comunitários destinados a populações mal servidas.
Esta iniciativa surge num mercado das telecomunicações marfinense em forte expansão, impulsionado pela crescente procura de conectividade. Segundo dados da Autorité de régulation des télécommunications/TIC de Côte d’Ivoire (ARTCI), o setor gerou cerca de 329 mil milhões de FCFA (587 milhões de dólares) de volume de negócios no terceiro trimestre de 2025, dos quais mais de 170 mil milhões provenientes apenas do segmento da internet, um aumento de 19% em termos homólogos. Esta dinâmica é largamente impulsionada pela internet móvel, que representa cerca de 84% das receitas do segmento, com mais de 36 milhões de subscrições registadas em meados de 2025.
Neste contexto de crescimento rápido, os operadores procuram alargar a sua cobertura para além dos centros urbanos. Apesar dos investimentos em infraestruturas terrestres, persistem disparidades significativas entre zonas urbanas e rurais, onde o acesso à internet continua limitado ou de qualidade desigual. Para a MTN Côte d’Ivoire, o desafio passa agora por expandir a sua base de utilizadores, ao mesmo tempo que melhora a qualidade do serviço.
O recurso ao satélite afirma-se assim como uma solução complementar estratégica. Ao contrário das redes terrestres, a sua implementação não depende de investimentos pesados em infraestruturas físicas, permitindo acelerar a cobertura de zonas de difícil acesso. Esta abordagem insere-se numa tendência mais ampla em África, onde os operadores integram progressivamente tecnologias satelitárias para responder à crescente procura de conectividade.
Esta parceria dá continuidade às iniciativas já desenvolvidas pelo MTN Group com a Eutelsat. Em 2024, o grupo tinha celebrado um acordo com a Bayobab para explorar as capacidades da constelação OneWeb (LEO), ilustrando a crescente adoção de soluções híbridas que combinam redes terrestres e satelitárias.
Para além da melhoria da cobertura, o desafio é também económico e social. O acesso à internet constitui um fator-chave para o desenvolvimento dos serviços digitais, do empreendedorismo e da economia digital. Ao facilitar a conectividade nas zonas ainda mal servidas, este tipo de iniciativa contribui para reduzir a fratura digital e apoiar a transformação digital em curso na Côte d’Ivoire.
Samira Njoya
A inteligência artificial impõe-se como a tecnologia-chave da atual revolução tecnológica global. Vários países, incluindo em África, já dispõem ou estão a desenvolver políticas nacionais de IA. A África do Sul, no entanto, recuou neste processo após um incidente significativo.
A África do Sul retirou o seu projeto de política nacional sobre inteligência artificial depois de terem sido identificadas referências fictícias no documento, aparentemente geradas por ferramentas de IA.
O anúncio foi feito numa mensagem publicada no domingo, 26 de abril, na plataforma X pelo ministro das Comunicações e Tecnologias Digitais, Solly Malatsi, que reconheceu falhas no processo de validação.
“O Ministério das Comunicações e Tecnologias Digitais não cumpriu o nível de exigência esperado de uma instituição responsável por orientar o ambiente de políticas digitais sul-africanas. A explicação mais plausível é que citações geradas por IA foram incluídas sem verificação adequada. Isto não deveria ter acontecido”, declarou o ministro.
O documento, inicialmente publicado para consulta pública, continha citações académicas e fontes inexistentes. Estas anomalias foram detetadas durante uma análise aprofundada, revelando o uso de conteúdos não verificados. Perante esta situação, as autoridades decidiram retirar o texto, considerando que a sua credibilidade estava comprometida.
Este episódio evidencia um paradoxo: uma política destinada a enquadrar a IA acabou por ser fragilizada por uma utilização inadequada dessa mesma tecnologia. Destaca também os limites das ferramentas de IA generativa, capazes de produzir conteúdos plausíveis, mas por vezes incorretos, na ausência de verificação humana rigorosa.
Para além do incidente, a questão é institucional. As políticas públicas, sobretudo em áreas sensíveis como o digital, devem assentar em bases factuais sólidas. A inclusão de fontes erradas levanta dúvidas sobre os mecanismos internos de controlo e sobre a forma como as administrações públicas estão a integrar ferramentas digitais nos seus processos.
Na África subsaariana, a África do Sul lidera o índice AI Readiness Index do gabinete britânico Oxford Insights, que avalia a preparação dos governos para integrar a IA nos serviços públicos. O país obteve uma pontuação de 53,94 em 100, à frente das Maurícia (52,76) e do Quénia (52,55). A média africana situou-se em 29,12, evidenciando lacunas significativas, nomeadamente na necessidade de reforçar infraestruturas digitais e energéticas, desenvolver competências e estabelecer políticas e regulamentações adequadas para o digital, os dados e a IA.
De forma mais ampla, este episódio pode servir de alerta. Num contexto em que os Estados aceleram a adoção da IA, recorda que o seu uso exige mecanismos rigorosos de controlo, sob pena de comprometer a credibilidade das instituições que procuram justamente regular esta tecnologia.
Adoni Conrad Quenum
A procura por meios de pagamento digitais está a acelerar em África. Os operadores de telecomunicações procuram posicionar-se neste segmento, no âmbito da...
O presidente da República do Congo apresentou esta medida como mais um passo em direção à integração continental e à livre circulação em África. O...
Os países africanos estão a intensificar os seus esforços de transformação digital. A inteligência artificial (IA) ocupa um lugar cada vez mais importante...
O país tem vindo a multiplicar esforços para melhorar a conectividade à Internet, com o objetivo de apoiar a transformação digital. Entre as iniciativas,...
Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.