Desde a pandemia de COVID-19, a revolução tecnológica acelerou-se à escala mundial. Durante muito tempo em atraso, os países africanos procuram agora acompanhar esse ritmo e adotar mais rapidamente as novas tecnologias.
O governo do Uganda está a explorar novas vias para reforçar a sua transformação digital. O ministério responsável pelas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) organizou, na semana passada, discussões setoriais no âmbito da elaboração de uma estratégia nacional dedicada às tecnologias emergentes.
A iniciativa reuniu representantes do governo, empresas, universidades e do setor privado para recolher contributos sobre a utilização de tecnologias avançadas capazes de apoiar o desenvolvimento económico do país. As discussões centraram-se em vários domínios, nomeadamente Inteligência Artificial, Blockchain, Internet das Coisas (IoT), Big Data, Robótica, Computação em Nuvem e Computação Quântica.
“O Uganda encontra-se num momento decisivo do seu percurso de transformação digital. As decisões que tomarmos hoje relativamente às tecnologias emergentes determinarão o funcionamento da nossa economia, das nossas instituições e da nossa sociedade nas próximas décadas”, afirmou Aminah Zawedde, ministra responsável pelas TIC.
Para as autoridades ugandesas, estas tecnologias podem desempenhar um papel fundamental na modernização da economia e da administração pública. No entanto, o país ainda apresenta atraso na sua adoção em larga escala.
De acordo com o relatório Frontier Technologies Readiness Index, publicado em 2025 pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (CNUCED), o Uganda ocupa a 38.ª posição em África e a 155.ª a nível mundial entre os países mais preparados para adotar tecnologias emergentes. A mesma fonte indica que os países africanos mais avançados neste domínio são a África do Sul, Marrocos e Maurícia.
Se este quadro estratégico for implementado no Uganda, poderá representar um primeiro passo para reduzir o atraso tecnológico do país. No entanto, desafios como financiamento, divisão digital, conectividade nas zonas rurais e formação de talentos serão determinantes para o sucesso ou fracasso desta estratégia.
Adoni Conrad Quenum
Khidmaty é o portal digital nacional da Mauritania, que já reúne diversos serviços administrativos. As autoridades continuam a integrar novas funcionalidades para simplificar os procedimentos e melhorar o dia a dia dos cidadãos.
Na quinta-feira, 12 de março, o governo anunciou que o serviço de pedido de alvará de construção foi disponibilizado na plataforma Khidmaty. O serviço está agora acessível nas nove comunas da capital, Nouakchott.
O projeto faz parte da estratégia de modernização da administração pública, visando agilizar os processos e aumentar a eficiência no tratamento dos pedidos. Os cidadãos podem agora submeter seus pedidos de forma totalmente online, sem necessidade de se deslocar entre diferentes repartições.
Os alvarás emitidos por meio do sistema têm plena validade jurídica, e sua autenticidade pode ser verificada em tempo real pelos agentes de fiscalização, reduzindo riscos de fraude ou falsificação.
Segundo o Ministério responsável pelas TIC, o processo segue o princípio do “dossiê completo desde a submissão”, garantindo que o pedido seja tratado sem interrupções por falta de documentos. O cidadão envia a solicitação pelo smartphone e acompanha cada etapa em tempo real. O pagamento só é devido após a validação completa do dossiê pelas autoridades, com tarifas pré-aprovadas pelos conselhos municipais e efetuadas via carteiras digitais nacionais.
Com esta iniciativa, a Mauritânia busca acelerar a digitalização dos serviços públicos e facilitar o acesso dos cidadãos às demandas administrativas. Em 2024, o país registrava uma pontuação de 0,3491 sobre 1 no Índice Global de Administração Online, abaixo da média continental de 0,4247.
Adoni Conrad Quenum
As autoridades do Chad estão apostando no digital para apoiar seu desenvolvimento socioeconômico. Por exemplo, a estratégia nacional “Tchad Connexion 2030” prevê 1,5 bilhão de dólares em investimentos em infraestrutura de telecomunicações, transformação digital e adoção de serviços digitais.
O Senado, câmara alta do Parlamento do Chade, ratificou a ordem presidencial sobre a reforma da Agência Nacional de Segurança da Informação e Certificação Eletrônica (ANSICE). Essa iniciativa ocorre após a aprovação do texto pela Assembleia Nacional, com o objetivo de tornar a instituição mais eficiente diante das ameaças do mundo digital em expansão.
A reforma foi adotada pelos senadores na sexta-feira, 13 de março, após debates em plenário. Segundo comunicado do Secretariado-Geral do Governo (SGG), a nova lei visa reforçar as capacidades de atuação da ANSICE e consolidar o sistema nacional de cibersegurança.
“Esta reforma permitirá, em particular, proteger melhor os sistemas informáticos do Estado e os dados dos cidadãos contra ameaças cibernéticas, em um contexto de crescimento do digital”, destaca o comunicado.
Novidades da reforma
Segundo a Agência de Imprensa e Edição do Chade (ATPE), a reforma amplia significativamente as missões da agência, que agora incluem: cibersegurança, proteção de dados pessoais, segurança de transações eletrônicas, combate à cibercriminalidade e proteção do espaço informacional nacional.
O novo texto confere à agência um papel ampliado na regulação de sistemas de videovigilância e na supervisão do uso de drones. Introduz novas disposições sobre regulação de redes sociais, plataformas digitais e sistemas de inteligência artificial, além da classificação de entidades de importância digital vital e do reforço dos poderes de regulação, investigação e sanção da ANSICE.
Além disso, vários conceitos-chave foram atualizados para fortalecer o quadro jurídico, especialmente relacionados à soberania da informação, plataformas digitais, redes sociais e IA.
A reforma também visa melhorar a organização e as capacidades operacionais da ANSICE, fortalecendo seus recursos técnicos e humanos e promovendo uma melhor coordenação com instituições nacionais e parceiros internacionais especializados em cibersegurança.
Cibersegurança: um desafio crucial
Segundo a ATPE, o ministro da Segurança Pública, Ali Ahmat Akhabache, destacou em plenário que a proteção do espaço digital é um desafio crucial, à medida que a administração pública caminha para a digitalização dos serviços. Para ele, a criação de um quadro institucional sólido aumentará a confiança nas transações eletrônicas e estimulará o desenvolvimento da economia digital no país.
Essa visão está alinhada à da União Internacional de Telecomunicações (UIT). No seu Global Cybersecurity Index 2024, a organização afirmou que o desenvolvimento eficaz das TIC só prospera em um ambiente seguro e confiável.
“Os países devem possuir capacidades técnicas e institucionais para identificar, detectar e mitigar riscos e ameaças cibernéticas, responder a incidentes e se recuperar de ataques”, destacou a UIT.
Além disso, a UIT recomenda que os países promovam a troca de informações, implementem normas e boas práticas de cibersegurança e adotem medidas para garantir a segurança das TIC, em consonância com as missões da ANSICE.
Avanços, mas esforços ainda insuficientes
Dentro desse contexto, o Chade tem multiplicado iniciativas para garantir a segurança do ciberespaço nacional. Por exemplo, o Executivo confiou recentemente ao Techso Group a missão de proteger o data center nacional, incluindo auditoria de segurança e certificação de equipamentos, garantindo conformidade com normas de proteção de infraestrutura crítica.
A cibersegurança também é um foco de parcerias internacionais do Chade no setor digital. A ANSICE aderiu oficialmente ao Global Forum on Cyber Expertise (GFCE) em novembro de 2024 e o país foi um dos primeiros signatários da Convenção da União Africana sobre Cibersegurança e Proteção de Dados Pessoais (Convenção de Malabo), estabelecendo um quadro de colaboração continental.
Em termos jurídicos, desde dezembro de 2022 o Chade vem elaborando sua estratégia nacional de cibersegurança. O Código do Digital, em elaboração desde dezembro de 2025, incorpora normas internacionais sobre cibersegurança e proteção de dados.
No entanto, a UIT classificou o Chade no penúltimo nível (Tier 4) do Global Cybersecurity Index 2024, com desempenho considerado adequado em regulação e cooperação, mas necessitando reforço em medidas técnicas, organizacionais e desenvolvimento de capacidades.
Isaac K. Kassouwi
Diante de desafios crescentes de segurança em seus centros urbanos, a Guinea recorre às tecnologias digitais. As autoridades planejam implantar um sistema integrado de videovigilância e análise inteligente para melhorar a gestão do tráfego e a coordenação das forças de segurança.
O Conselho Nacional de Transição (CNT) validou, na sexta-feira, 13 de março, um acordo de financiamento de 385,3 milhões de yuans (cerca de 56 milhões de dólares) com o Export-Import Bank of China. Este empréstimo concessional, com taxa de juros de 2% e prazo de 20 anos, destina-se ao programa “Guinea Safe City”, baseado em tecnologias digitais e videovigilância, com o objetivo de reforçar a segurança nas principais cidades do país.
O projeto prevê a construção e o equipamento de 324 pontos de videovigilância distribuídos em oito cidades, bem como a criação de oito centros de comando e monitoramento para centralizar e analisar os dados coletados. O sistema também incluirá 900 terminais portáteis para as forças de segurança e 100 terminais móveis em veículos de coordenação, facilitando as intervenções no terreno. Para garantir a transmissão segura dos dados, serão instaladas seis estações-base LTE, fornecendo uma rede sem fio dedicada aos equipamentos do sistema.
Segurança urbana no centro da transformação digital
O projeto “Guinea Safe City” reflete a intenção das autoridades de usar tecnologias digitais para melhorar a gestão da segurança pública, em um contexto de rápida urbanização e pressão crescente sobre as infraestruturas urbanas. As grandes cidades do país, especialmente Conacri, concentram grande parte da atividade econômica, mas enfrentam desafios recorrentes relacionados a criminalidade, tráfego e gestão de multidões em eventos públicos.
Inspirado em programas similares implementados em várias cidades da Ásia e da África, o sistema será baseado em infraestrutura integrada, combinando videovigilância, redes de comunicação seguras e ferramentas de análise inteligente de dados. O objetivo é permitir monitoramento em tempo real das áreas sensíveis e melhorar a coordenação entre os diferentes serviços de segurança.
Além de fortalecer a segurança pública, o projeto pode modernizar a gestão urbana, facilitando o monitoramento do tráfego, aprimorando a coordenação dos serviços de intervenção e fornecendo dados estratégicos para o planejamento e gestão dos espaços urbanos.
Samira Njoya
Através da sua estratégia nacional "New Deal Tecnológico", o Senegal aposta na transformação digital de todos os setores para apoiar os objetivos de desenvolvimento socioeconômico. Isso, porém, expõe o país a um aumento das ciberataques.
No Senegal, a polícia registou 3.794 infrações relacionadas com a cibercriminalidade em 2025. Esta situação reflete a intensificação dos crimes cometidos com o uso de meios de comunicação eletrônicos. Em 2024, 3.902 queixas já haviam sido registradas, de acordo com as autoridades locais.
Os dados foram divulgados na quinta-feira, 12 de março, durante a apresentação do relatório anual da Polícia Nacional. De acordo com as informações divulgadas pela imprensa local, as infrações de cibercriminalidade em 2025 envolvem principalmente fraudes online, violação de dados informáticos e acesso não autorizado a sistemas informáticos.
A Polícia também alertou sobre o aumento dos casos de difamação e insultos em plataformas digitais, um fenômeno crescente com o uso massivo das redes sociais. As investigações realizadas pelas autoridades levaram à prisão de 257 pessoas por infrações relacionadas à cibercriminalidade ao longo de 2025.
Perfil dos infratores
O perfil dos infratores é bastante variado, embora o homem adulto senegalês seja o mais comum. Na realidade, 84% dos detidos são homens, enquanto 16% são mulheres. Quanto à faixa etária, 250 pessoas são adultas, enquanto 7 são menores, o que evidencia a participação, embora minoritária, de jovens nessas atividades ilegais. Em relação à nacionalidade, 89% dos envolvidos são senegaleses, contra 11% de estrangeiros.
Tendência continental
Esses dados se inserem em uma tendência observada em todo o continente africano. Segundo a Interpol, essa evolução é impulsionada pela rápida transformação digital, caracterizada por maior conectividade e pela adoção em massa de tecnologias como banco móvel e comércio online. A organização estima que, entre 2019 e 2025, os incidentes de cibersegurança na África terão causado perdas financeiras superiores a 3 bilhões de dólares.
Por exemplo, uma operação conjunta da Interpol e das forças de segurança de 16 países africanos, incluindo o Senegal, realizada entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, resultou em 651 prisões e a recuperação de mais de 4,3 milhões de dólares. A operação visou as infraestruturas e os responsáveis por fraudes relacionadas a investimentos de alto rendimento, fraudes com dinheiro móvel e pedidos de empréstimos fraudulentos.
Medidas contra a cibercriminalidade
De acordo com o Comissário Baïdy Sène, que apresentou os dados do relatório, "a segurança do espaço digital tornou-se uma questão crucial para a soberania e proteção dos cidadãos". Ele apelou a uma vigilância maior face às novas formas de criminalidade online.
O Diretor Geral da Polícia Nacional, Mame Seydou Ndour, afirmou que a melhoria da qualidade dos serviços prestados aos cidadãos, por meio da digitalização dos processos, é uma das prioridades da instituição.
No âmbito desse esforço, as forças de segurança lançaram, em fevereiro de 2025, a plataforma oficial de denúncia de crimes cibernéticos, com o objetivo de facilitar a denúncia e o acompanhamento dos atos de cibercriminalidade, que estão em crescente ascensão.
Esses atos incluem, entre outros, a disseminação não autorizada de conteúdos, disseminação de conteúdo obsceno, assédio online, difamação, extorsão digital, ciberpedofilia, conteúdos de ódio, intrusão em sistemas informáticos, hackeamento de contas, usurpação de identidade, SIM swap, fraudes sentimentais, falsos investimentos, fraudes com dinheiro móvel, acesso fraudulento a contas de dinheiro móvel, falsos recrutamentos online, pagamentos fraudulentos e falsas vendas online.
Parceria com tecnologia americana
A Polícia senegalesa também iniciou discussões para reforçar a cooperação com uma empresa de tecnologia americana no combate à cibercriminalidade. As conversações focaram especialmente na proteção dos jovens e menores, assim como no fortalecimento das capacidades das autoridades investigativas.
Isaac K. Kassouwi
Líder no setor espacial no continente, a África do Sul agora busca automatizar suas infraestruturas para aumentar a produtividade. Diante do crescente volume de dados, o país está integrando IA (Inteligência Artificial) no coração de seus telescópios, um passo crucial para manter sua competitividade tecnológica global.
O Observatório Astronômico Sul-Africano (SAAO) anunciou, na quinta-feira, 12 de março, uma parceria estratégica com o Hartree Centre do Reino Unido para lançar o programa “Intelligent Observatory”. Esta iniciativa visa integrar inteligência artificial (IA) e computação de alto desempenho nas operações diárias dos telescópios nacionais, transformando instalações que até então eram amplamente manuais em sistemas autônomos e preditivos.
Segundo Stephen Potter, responsável pela astronomia no SAAO, esse projeto reforça a liderança da África do Sul em astronomia inovadora, ao mesmo tempo que cria oportunidades poderosas para estudantes e pesquisadores de toda a África se envolverem em uma ciência de ponta focada na IA.
Telescópios autônomos com o uso da IA
O centro do projeto é a automação da monitorização e do processamento de dados. Com a IA, os telescópios serão agora capazes de autovigiar-se, detectar falhas de hardware ou mudanças climáticas em tempo real e ajustar os instrumentos para corrigir distorções atmosféricas. Esta reatividade será fundamental para capturar fenômenos efémeros, como as explosões de estrelas, que exigem análise instantânea dos dados brutos para serem aproveitados pelos pesquisadores.
Além disso, o programa prevê a implementação de um “assistente digital” baseado em modelos de linguagem (LLM). Esta ferramenta permitirá aos astrônomos acessar imediatamente relatórios técnicos, manuais de manutenção e arquivos científicos, especialmente os do Southern African Large Telescope (SALT). O objetivo é liberar os cientistas das tarefas administrativas e técnicas repetitivas, permitindo-lhes focar exclusivamente na exploração e análise das descobertas.
Um ecossistema científico em plena transformação
Essa iniciativa faz parte de uma estratégia maior para consolidar a posição da África do Sul como um centro de pesquisa astronômica de referência no hemisfério sul. O país é sede do radiotelescópio MeerKAT, integrado ao projeto internacional Square Kilometre Array (SKA), que se destina a se tornar um dos maiores observatórios radioastronômicos do mundo. Essas infraestruturas geram volumes crescentes de dados científicos, aumentando a necessidade de ferramentas avançadas de automação e análise baseadas em inteligência artificial.
Além da astronomia, esta parceria financiada pela cooperação britânica serve como laboratório para outros setores industriais. As tecnologias de manutenção preditiva e sensores inteligentes desenvolvidas para os telescópios podem ser transferidas diretamente para a indústria, energia e transportes. Para a África do Sul, essa colaboração não só fortalece sua liderança científica no continente, mas também oferece aos jovens pesquisadores locais uma experiência de ponta em ciência de dados e inteligência artificial.
Samira Njoya
A inteligência artificial afirma-se cada vez mais como a tecnologia central da atual revolução tecnológica. Nos últimos anos, Estados, instituições e empresas têm multiplicado os investimentos neste domínio.
As autoridades argelinas pretendem acelerar o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial concebidas a partir das realidades locais. Esta ambição foi mencionada pelo ministro da Economia do Conhecimento, das Start-ups e das Microempresas, Noureddine Ouadah, durante uma visita realizada na terça-feira, 10 de março, à cidade de Médéa, no âmbito das iniciativas destinadas a reforçar o ecossistema tecnológico do país.
O objetivo é desenvolver modelos capazes de responder melhor às necessidades específicas da Argélia, seja ao nível das línguas utilizadas, dos dados disponíveis ou das prioridades económicas nacionais. Segundo o ministro, «a IA ocupa atualmente um lugar importante em vários setores, incluindo a economia e a segurança regional, o que exige a formação dos jovens e a sua capacidade de compreender esta tecnologia de forma consciente».
De acordo com as autoridades argelinas, muitos dos modelos de IA dominantes foram concebidos e treinados principalmente com dados provenientes de contextos estrangeiros. Por isso, nem sempre têm em conta as especificidades culturais, linguísticas ou administrativas dos países africanos e árabes. Ao desenvolver os seus próprios modelos, o país pretende criar soluções mais adaptadas às necessidades locais e reduzir a dependência de tecnologias importadas.
Para concretizar esta ambição, o governo pretende mobilizar diversos atores do ecossistema nacional, incluindo universidades, centros de investigação e start-ups. A estratégia aposta particularmente na utilização de dados locais para melhorar a eficácia dos sistemas de IA aplicados aos serviços públicos, à economia digital e a outros setores estratégicos.
Esta orientação faz parte de uma estratégia mais ampla destinada a reforçar a economia do conhecimento e a posicionar a Argélia como um ator emergente no domínio das tecnologias avançadas.
Segundo o índice de preparação para a inteligência artificial do gabinete britânico Oxford Insights, o país registou em 2025 uma pontuação de 42,05 em 100, ocupando a 89.ª posição mundial. A média da região Médio Oriente e Norte de África (MENA) é de 45,51.
Grandes empresas tecnológicas também intensificam os seus investimentos nesta área. Em fevereiro de 2026, a Google anunciou o projeto Wraxal, destinado a integrar 21 línguas africanas na sua IA. Já a Microsoft lançou em novembro de 2025 o projeto Gecko, com um objetivo semelhante.
️ Adoni Conrad Quenum
O Zimbabwe planeia lançar o seu satélite nacional, denominado ZIMSAT-3, com o objetivo de reduzir a exclusão digital e reforçar a conectividade no país. Segundo o documento estratégico, «ZIMSAT-3 apoiará o fortalecimento da conectividade e os esforços de transformação digital, complementará a expansão nacional da banda larga e contribuirá para melhorar o acesso aos serviços digitais em zonas rurais e urbanas».
Enquanto aguarda a construção do seu próprio satélite, o país aposta em parcerias com fornecedores. Em março de 2024, o governo revelou que pretendia colaborar com fornecedores de acesso à Internet por satélite para expandir os serviços e reduzir custos.
A ministra das TIC, Tatenda Mavetera, explicou que esta iniciativa é necessária devido ao isolamento geográfico do país, situação que torna o simples envio de dados já dispendioso. Com o satélite, seria possível reduzir a dependência das infraestruturas terrestres e contornar parcialmente estas limitações. Neste contexto, a Starlink lançou os seus serviços no Zimbabwe em setembro de 2024, três meses após obter as autorizações das autoridades. Desde então, estas têm colaborado com a empresa de Elon Musk em vários projetos de conectividade, incluindo um plano, revelado em janeiro, para equipar as escolas primárias e secundárias com 8 000 kits de Internet Starlink.
Uma solução para a persistente exclusão digital
O satélite tem vindo a ser cada vez mais apontado em África como solução para garantir conectividade universal, especialmente em zonas rurais e remotas, de difícil acesso para os operadores terrestres ou consideradas pouco rentáveis.
Por exemplo, a rede 4G cobria apenas 51,6 % da população zimbabwiana em 2024, segundo dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT). As redes 2G e 3G abrangiam respetivamente 93,9 % e 87,9 % da população, enquanto a 5G apenas 15,9 %.
Quanto à adoção, a plataforma DataReportal indica que o país contava com 16,2 milhões de assinaturas móveis no final de dezembro de 2025, correspondendo a uma taxa de penetração de 95 %. O número de utilizadores de Internet era de 6,54 milhões, ou 38,4 %. Estes valores podem, no entanto, estar sobrestimados, uma vez que os cálculos incluem normalmente cada cartão SIM ou linha, mesmo quando um utilizador possui vários.
Apesar do seu potencial, o satélite assegura sobretudo a cobertura da rede e não garante necessariamente a adoção efetiva dos serviços. Outros fatores são determinantes, como a acessibilidade a dispositivos compatíveis, o custo das ofertas dos operadores e as competências digitais da população.
Além disso, ainda não foi anunciado um calendário para a implementação do projeto do satélite. O país terá primeiro de mobilizar os financiamentos necessários antes de avançar para as fases de conceção e lançamento, um processo que pode levar vários anos.
Isaac K. Kassouwi
Com uma taxa de penetração da Internet de cerca de 23 %, o Níger está entre os países menos conectados do continente. Face a este desafio, o governo pretende reforçar infraestruturas e a governança para fazer do digital um motor de crescimento até 2035.
O governo nigerino continua a elaborar a sua futura Política Nacional de Desenvolvimento do Digital (PNDN 2026-2035). Um atelier de validação deste documento estratégico, bem como do Plano Setorial de Desenvolvimento do Digital (PSDN 2026-2030), abriu na quarta-feira, 11 de março, em Niamey, com o objetivo de recolher contribuições de atores públicos e privados antes da sua adoção.
Segundo o ministro da Comunicação e Novas Tecnologias de Informação, Adji Ali Salatou, esta fase visa aperfeiçoar as orientações da estratégia e assegurar que as ações propostas correspondam às prioridades do país. O objetivo é melhorar a acessibilidade aos serviços digitais e fazer do digital um motor de transformação económica e social até 2035.
A nova estratégia assenta em três eixos principais: melhoria da governança e segurança do setor, desenvolvimento de infraestruturas e serviços digitais, e fortalecimento de competências e inovação. As autoridades ambicionam, entre outros, reforçar a conectividade nas zonas rurais, promover a administração online (e-governo) e apoiar o surgimento de startups locais.
Esta iniciativa surge num contexto em que o desenvolvimento digital do país permanece limitado. Segundo a Autoridade Reguladora das Comunicações Eletrónicas e dos Correios, o Níger contava com cerca de 8,4 milhões de conexões móveis no segundo trimestre de 2025, equivalente a uma penetração de aproximadamente 30 %. No acesso à Internet, o relatório «Digital 2026» da DataReportal estima a penetração em 23,2 % no final de 2025.
No Índice de Desenvolvimento da Administração Eletrónica (EGDI) 2024 da ONU, o Níger ocupa a 187.ª posição mundial entre 193 países, com uma pontuação de 0,2116 em 1, ilustrando os desafios ainda existentes para reforçar a digitalização dos serviços públicos e o ecossistema digital do país.
Samira Njoya
Enquanto a inadequação entre a formação e o mercado de trabalho limita a empregabilidade dos jovens na África subsaariana, a Zâmbia aposta na inteligência artificial para personalizar o ensino e preparar melhor os seus diplomados face às exigências económicas do país.
O governo zambiano assinou um memorando de entendimento (MoU) com a empresa britânica Obrizum Group Ltd para pilotar a integração da inteligência artificial no seu sistema educativo. A informação foi divulgada na segunda-feira, 9 de março, pelo Ministério da Tecnologia e Ciências através de um comunicado oficial e constitui um marco inédito na política educativa do país. O acordo, assinado em Lusaca, visa inicialmente os alunos do ensino secundário, antes de se estender às instituições de formação técnica, profissional e empresarial (TEVET). O início do projeto-piloto está previsto para meados de abril de 2026.
No terreno, o programa irá basear-se em ferramentas de aprendizagem orientadas por IA, capazes de analisar em tempo real as necessidades e capacidades de cada aluno, adaptando o ensino em conformidade. Chibeza Agley, diretor-geral da Obrizum Group, sublinha que a colaboração «vai concentrar-se em soluções de aprendizagem baseadas em IA, concebidas para transformar a experiência educativa de alunos e professores».
O projeto, promete ele, «demonstrará como a aprendizagem tecnológica pode melhorar a eficácia, os resultados escolares e preparar melhor os diplomados para as exigências do mercado de trabalho moderno». Apoiado pela Universidade de Cambridge, o Obrizum Group traz uma credibilidade académica que, segundo o ministro Felix Mutati, «posiciona o projeto para introduzir soluções de aprendizagem competitivas a nível mundial na Zâmbia».
O objetivo vai muito além da tecnologia. Para o ministro Mutati, «a qualidade da educação não deve ser determinada pela localização geográfica». Ou seja, um aluno numa zona rural remota deverá poder aceder aos mesmos recursos pedagógicos que um aluno urbano. Os dados analíticos gerados pela IA permitirão ainda aos professores «conceber experiências de aprendizagem adaptadas às capacidades individuais» de cada aluno, transformando assim o papel do docente num verdadeiro maestro pedagógico.
Esta iniciativa surge num contexto educativo sob pressão. Segundo um estudo recente da UNICEF, a taxa de transição do ensino primário para o secundário na Zâmbia é apenas de 63 %, devido principalmente à falta de vagas nas escolas. Apenas 46,8 % dos alunos do ensino secundário acedem ao ensino superior ou técnico, uma lacuna que penaliza especialmente as raparigas, expostas a casamentos precoces e gravidezes adolescentes.
Além disso, o órgão das Nações Unidas destaca que a qualidade do ensino continua preocupante, com as médias dos alunos do 5.º ano a atingirem apenas 34,97 % em inglês e 31,07 % em matemática. Uma fraqueza que pesa fortemente no mercado de trabalho, num país onde a idade mediana da população é apenas de 18,2 anos, segundo dados de 2024 das Nações Unidas.
Félicien Houindo Lokossou
Com uma penetração de Internet limitada a 15,7%, o Sudão do Sul está entre os países menos conectados do continente. Perante este desafio, o governo pretende agora ligar as escolas e generalizar o uso de ferramentas digitais para modernizar o sistema educativo nacional.
A operadora de telecomunicações MTN Sudão do Sul anunciou, na terça-feira, 10 de março, a assinatura de um protocolo de entendimento com a organização Educare Sudão do Sul e com o Ministério da Educação Geral e Instrução, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento da aprendizagem digital nas escolas do país. Esta iniciativa visa reforçar o acesso às ferramentas tecnológicas no sistema educativo nacional e promover a utilização de recursos pedagógicos online por alunos e professores.
Segundo os termos da parceria, o acordo prevê, nomeadamente:
Para além do equipamento, o projeto ambiciona melhorar a experiência de aprendizagem através do uso de ferramentas tecnológicas modernas. Os parceiros consideram que esta colaboração é essencial para apoiar a transformação do sistema educativo sudanês. Ao facilitar a imersão digital desde o ensino básico, a iniciativa pretende preparar as novas gerações para as realidades de uma economia cada vez mais conectada.
Este programa surge num contexto em que a infraestrutura digital continua bastante limitada a nível nacional. Segundo os dados do relatório “Digital 2025” da DataReportal, a penetração da Internet no Sudão do Sul mantém-se entre as mais baixas do continente, com apenas 15,7% da população ligada no início do ano. Neste enquadramento, a ligação das escolas e a formação dos professores são vistas como alavancas estratégicas para modernizar a educação e reduzir de forma sustentável as desigualdades no acesso ao conhecimento.
Samira Njoya
Quando utilizada corretamente, a tecnologia pode reforçar consideravelmente a eficácia do Estado nas suas funções essenciais. O Quénia percebeu isso e está a acelerar a transformação digital de vários serviços públicos, fazendo da e-governação um instrumento estratégico de desenvolvimento.
O Quénia acaba de alcançar um novo marco na digitalização do controlo rodoviário. A Autoridade Nacional de Transportes e Segurança (NTSA) anunciou na segunda-feira, 9 de março, a entrada em funcionamento de um sistema automatizado de gestão do tráfego rodoviário com coimas instantâneas. Graças a câmaras inteligentes, o sistema deteta infrações rodoviárias e notifica os infratores por SMS. Acabou-se a intervenção humana direta. A autoridade apresenta esta reforma como um meio de reforçar a eficácia e a transparência no controlo rodoviário e na segurança nas estradas.
Na terça-feira, 10 de março, a NTSA publicou, para efeitos informativos, uma lista de 35 infrações rodoviárias com as respetivas coimas imediatas. As penalizações vão desde uma simples advertência por excesso ligeiro de velocidade até sanções de 10.000 xelins quenianos (77,37 USD) para infrações mais graves, como excesso de velocidade, estacionamento que cause obstrução, não instalação de limitadores de velocidade regulamentares em veículos de transporte público e comerciais, ou condução sem certificado de inspeção técnica válido. Outras infrações incluem: desrespeito pelos semáforos, condução em passeios ou passadeiras e não utilização do cinto de segurança. Os infratores têm sete dias para pagar a coima, sob pena de aplicação de juros e bloqueio do acesso aos serviços da NTSA.
Investimentos técnicos
Esta automatização do controlo rodoviário é possível graças a várias inovações introduzidas pelo governo desde 2020. O quadro legal do país prevê agora uma carta de condução em formato de cartão inteligente com chip eletrónico. O chip contém não só os dados de identidade do condutor, mas também impressões digitais, fotografia, assinatura e informações biométricas. Em 2022, foram introduzidas as matrículas de segunda geração, frequentemente chamadas no Quénia de matrículas “digitais” ou seguras, incorporando elementos avançados de segurança, incluindo funções de rastreabilidade digital dos proprietários dos veículos. Em 2024, o governo tornou oficialmente as câmaras de velocidade e de videovigilância um pilar da nova estratégia de segurança rodoviária. Implantadas em fase piloto em 2024, estas câmaras serão reforçadas em 2026 com novas unidades previstas para as seis maiores cidades do país, por solicitação do Presidente William Ruto.
Na prática, a conjugação entre carta de condução biométrica, matrículas seguras e câmaras permite às autoridades identificar rapidamente o veículo infrator, associar a infração a um condutor ou proprietário e alimentar um histórico de condução utilizável pela administração.
Persistem reservas
Contudo, o sistema automatizado de gestão do tráfego com coimas instantâneas já levanta questões. A Associação de Automobilistas do Quénia (Motorists Association of Kenya, MAK) solicitou publicamente esclarecimentos urgentes à NTSA. O grupo considera que o novo sistema deixa várias questões por resolver: qual é o procedimento para contestar a coima? Que salvaguardas existem para evitar que um sistema automatizado se torne simultaneamente investigador, juiz e executor? Quem certifica e verifica regularmente a qualidade das câmaras e equipamentos de deteção? E em que conta pública serão depositadas as coimas arrecadadas? A MAK quer ainda saber qual foi a consulta pública antes da implementação do sistema.
A associação recorda também que a credibilidade de um controlo totalmente digital depende da disponibilidade de documentos de identificação dos veículos. Desde fevereiro de 2026, denuncia um atraso na produção de mais de 70.000 matrículas, questionando a utilização dos fundos já cobrados aos automobilistas para essa produção. Para a MAK, não basta digitalizar o controlo rodoviário e a sanção; toda a cadeia administrativa — matrículas, licenças, rastreabilidade e recursos — deve funcionar sem atrasos nem opacidade.
Ao colocar as estradas sob o olhar das câmaras inteligentes e fazer do SMS o novo auto de infração, o Quénia demonstra uma ambição clara: reduzir infrações, limitar contactos propícios à corrupção e modernizar a segurança rodoviária para diminuir o número de acidentes, que atingiu 5.009 em 2025 contra 4.748 em 2024, segundo o Conselho Nacional de Administração da Justiça (NCAJ).
Muriel EDJO
As autoridades do Chade procuram inspirar-se nas melhores práticas internacionais para apoiar o desenvolvimento do setor digital nacional. O país aproximou-se, nomeadamente, de parceiros como o Azerbaijão, os Emirados Árabes Unidos, a Grécia, o Quénia, a Índia e o Canadá.
O governo chadiano está a explorar uma parceria com a operadora histórica etíope para o desenvolvimento das telecomunicações e da transformação digital. Esta iniciativa insere-se nos esforços das autoridades do Chade para reforçar as infraestruturas digitais do país e acelerar a adoção de serviços digitais.
A parceria foi discutida na semana passada à margem do Mobile World Congress 2026 em Barcelona, em Espanha, durante um encontro entre Frehiwot Tamru, diretora-executiva da Ethio telecom, e Boukar Michel, ministro das Telecomunicações, da Economia Digital e da Digitalização da Administração do Chade. O responsável visitou, com a sua delegação, o stand da operadora pública etíope, onde puderam conhecer as iniciativas de transformação digital da empresa e as suas soluções avançadas que vão além da simples conectividade.
Os potenciais domínios de cooperação discutidos incluem o desenvolvimento de infraestruturas de telecomunicações, a expansão da conectividade de banda larga através de redes 4G e 5G, infraestruturas cloud, serviços financeiros digitais e iniciativas destinadas a aumentar a acessibilidade a dispositivos compatíveis com a Internet.
Frehiwot Tamru reafirmou a vontade da Ethio telecom de partilhar a sua experiência e o seu know-how para acelerar a transformação digital em África. Como próximo passo, propôs o envio de uma delegação técnica ao Chade para avaliar de forma mais detalhada a situação atual das infraestruturas de telecomunicações do país e examinar como a empresa poderá apoiar o programa de digitalização do governo.
Desafios estruturais do digital no Chade
Os desafios enfrentados pelo setor das telecomunicações e do digital no Chade são múltiplos. Um dos principais está relacionado com o facto de o país ser encravado, o que limita o acesso às capacidades internacionais necessárias para a Internet. Atualmente, o Chade dispõe apenas de uma ligação com os Camarões. Esta fragilidade afeta a disponibilidade dos serviços prestados pelos operadores locais. Embora esteja em curso uma estratégia de abertura de novas ligações com países como a Argélia, a Nigéria, o Níger, a Líbia e o Egito, esta ainda não foi concretizada.
Os consumidores chadianos enfrentam igualmente uma deterioração constante da qualidade dos serviços prestados pelos operadores. A Autorité de Régulation des Communications Électroniques et des Postes (ARCEP) realizou entre setembro e outubro de 2025 a 15.ª auditoria de qualidade de serviço (QoS). O estudo revelou várias fragilidades, incluindo equipamentos defeituosos, operações de manutenção inadequadas, problemas de fornecimento de energia e até mesmo locais totalmente fora de serviço em algumas regiões. O vandalismo das infraestruturas é igualmente recorrente.
A cobertura da rede continua limitada, segundo as autoridades. Dados da International Telecommunication Union (UIT) mostram que a rede 2G cobria 86,9% da população chadiana em 2024, contra uma média de 94,1% em África e de 98,1% no mundo. A 3G apresentava uma taxa de cobertura de 84,5%, contra 60% para a 4G. Em termos de adoção, a taxa de penetração da Internet era de 12,6%, enquanto a da telefonia móvel era de 44,3%.
No domínio da transformação digital, o país prevê, por exemplo, investir 1,5 mil milhões de dólares através do programa “Tchad Connexion 2030”. A iniciativa visa expandir a cobertura das redes, ligar a maioria da população e digitalizar todos os serviços públicos, generalizando o acesso à administração eletrónica. Atualmente, o Chade ocupa a 189.ª posição entre 193 países no E-Government Development Index 2024 das United Nations, com uma pontuação de 0,1785 em 1, inferior às médias africana (0,4247) e mundial (0,6382).
Ethio telecom, líder no mercado africano
A Ethio telecom é o maior operador de telecomunicações africano em número de assinantes num único mercado, com 87,1 milhões de clientes no final de dezembro de 2025. Este número inclui 84 milhões de assinantes móveis, cerca de 50 milhões de utilizadores de Internet e 58,6 milhões de utilizadores do seu serviço de dinheiro móvel Telebirr.
Em termos de infraestruturas, a empresa está a acelerar a expansão da cobertura, sobretudo nas zonas rurais, com 10 288 sites de telecomunicações implantados. A 4G cobre atualmente 74% da população e 27,6% do território. A rede inclui também 23 026,7 km de fibra ótica, enquanto a capacidade da Internet Gateway internacional (IGW) atinge 3 Tbps.
Para melhorar a qualidade do serviço, a operadora aposta em geradores e em sites alimentados por energia solar para compensar as falhas da rede elétrica nacional. A empresa afirma dispor de uma capacidade total de produção solar de 30 MW até dezembro de 2025.
A empresa posiciona-se igualmente como parceira da visão nacional Digital Ethiopia 2030, que pretende colocar o digital ao serviço do desenvolvimento socioeconómico do país. Neste âmbito, desenvolveu soluções para várias instituições públicas, incluindo os ministérios da Saúde e dos Transportes, e continua a desenvolver soluções destinadas a apoiar a transformação digital das empresas locais.
“Para além das fronteiras nacionais, esforçamo-nos por acelerar a transição para uma ‘África digital’ e tornar-nos um modelo regional, criando novas oportunidades na economia digital global, prestando serviços transfronteiriços e reforçando a colaboração continental”, declarou a operadora histórica nos seus últimos resultados financeiros.
A empresa já foi também abordada pelos Camarões e pela operadora histórica Camtel, que pretende beneficiar da experiência etíope em vários domínios, incluindo os serviços financeiros móveis. O Ruanda aproximou-se igualmente da Ethio telecom para explorar as suas soluções digitais no setor da educação.
Isaac K. Kassouwi
No Zimbabwe, cerca de 2,6 milhões de pessoas, ou seja, 15,3% da população, utilizavam redes sociais em outubro de 2025. Perante os desafios associados a estas plataformas, as autoridades consideram adotar medidas para enquadrar melhor a sua utilização.
As autoridades zimbabueanas planeiam restringir o acesso de menores de 18 anos às redes sociais, nomeadamente Facebook, TikTok e Instagram, no âmbito de um plano nacional destinado a reforçar a proteção das crianças no ambiente digital. A iniciativa foi anunciada pela ministra das Tecnologias da Informação e da Comunicação, Tatenda Mavetera, no domingo, 8 de março, durante um discurso na cidade de Karoi.
A iniciativa insere-se numa reflexão mais ampla das autoridades sobre os riscos associados ao uso das plataformas online por menores. Segundo o governo, a medida visa, em particular, limitar a exposição das crianças a conteúdos considerados inadequados, bem como combater fenómenos como o ciberbullying, a exploração online ou a dependência das redes sociais.
Embora os detalhes da proposta ainda não tenham sido totalmente definidos, uma restrição deste tipo implicaria provavelmente a implementação de mecanismos de verificação de idade nas plataformas digitais. As empresas que operam redes sociais poderão, assim, ser chamadas a reforçar os seus sistemas de controlo para impedir o acesso de utilizadores menores de idade.
“Estamos atualmente a trabalhar numa lei no domínio social, chamada Política de Proteção das Crianças Online, com o objetivo de proteger os mais jovens. […] Queremos proteger a nova geração proibindo o acesso às redes sociais às crianças que ainda não atingiram a maioridade, ou seja, 18 anos”, declarou a ministra.
O projeto surge num momento em que vários países em todo o mundo procuram enquadrar melhor o uso das redes sociais pelos jovens. As autoridades públicas manifestam preocupação, em particular, com o impacto dos conteúdos online na saúde mental dos adolescentes, bem como com os riscos de exposição a conteúdos violentos ou explícitos.
Recentemente, o Gabão proibiu o acesso às redes sociais “até nova ordem”, em parte por razões semelhantes. Segundo a Alta Autoridade da Comunicação do país, os casos de ciberassédio coordenado, a divulgação não autorizada de dados pessoais e práticas consideradas prejudiciais à ordem pública e à segurança nacional têm-se multiplicado no espaço digital gabonês. Além disso, a moderação de conteúdos ilícitos por parte destas plataformas é considerada insuficiente pelas autoridades.
No entanto, uma eventual proibição suscita debates. Alguns observadores consideram que as redes sociais também podem constituir ferramentas de aprendizagem, informação e expressão para os jovens. Destacam ainda que a aplicação de uma proibição total poderá revelar-se complexa, sobretudo devido às dificuldades relacionadas com a verificação da idade dos utilizadores.
Para já, as autoridades do Zimbabwe ainda não anunciaram um calendário preciso para a adoção de tal medida. O projeto deverá, contudo, alimentar o debate sobre a regulação das plataformas digitais e a proteção dos menores no espaço digital.
“Paralelamente à implementação da política de proteção das crianças online, também propomos programas sobre a forma como as crianças utilizam as redes sociais”, acrescentou Tatenda Mavetera.
Adoni Conrad Quenum
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Marrakech. Maroc