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Equipe Publication

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Adotada pelo Parlamento em julho de 2025, a «Visão Benim 2060 Alafia, um mundo de esplendores» define os grandes projetos a serem conduzidos ao longo de duas gerações para o desenvolvimento do país. Assenta em quatro pilares: a paz, a boa governação, a prosperidade e a projeção cultural internacional.

O Presidente beninense, Patrice Talon (foto), procedeu, na terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, ao lançamento oficial da Visão nacional de desenvolvimento de longo prazo «Benim 2060 Alafia, um mundo de esplendores», um documento que fixa o rumo do país para os próximos 34 anos.

«Esta visão, que passa agora a ser a nossa bússola comum […], não é um simples documento. É um juramento, um compromisso, um rumo. […] Define os grandes projetos a levar a cabo ao longo de duas gerações, para que o nosso desenvolvimento nunca seja deixado ao acaso», declarou o Chefe de Estado.

Trata-se, mais especificamente, de retirar lições do passado, consolidar os ganhos do desenvolvimento, promover uma ampla adesão popular e construir um forte consenso nacional em torno das aspirações de longo prazo. A Visão pretende identificar ruturas potenciais, determinar vias de ação estratégicas e oferecer um quadro estruturante partilhado para alinhar as políticas públicas de curto, médio e longo prazos em torno de uma visão comum.

Pilares estratégicos para um desenvolvimento sustentável e inclusivo

A Visão está estruturada em torno de nove orientações estratégicas, quinze objetivos estratégicos e quatro pilares: a paz, a prosperidade partilhada, a boa governação e a projeção cultural internacional. Apoia-se num crescimento económico sustentado, num aumento do investimento e numa profunda transformação estrutural da economia.

Recorde-se que foi adotada pela Assembleia Nacional a 4 de julho de 2025, assinalando assim o fim da Visão Benim 2025 Alafia e inaugurando uma nova trajetória de desenvolvimento sustentável, inclusivo e estruturado.

Uma dinâmica económica sustentada pelas reformas

Nos últimos anos, o Benim registou uma das taxas de crescimento mais elevadas no seio da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA), com um crescimento de 7,5% em 2024, segundo o Banco Mundial, o nível mais elevado desde 1990, impulsionado pelos setores dos serviços e da indústria. No seu mais recente relatório Global Economic Prospects, a instituição prevê uma taxa de crescimento de 7% em 2026, a mais elevada no seio da União.

Desde 2016, várias reformas foram implementadas pelas autoridades para reforçar a governação económica e melhorar a mobilização das receitas internas, nomeadamente a eliminação das isenções de pagamento dos empregadores sobre os salários do Estado e a introdução de um formulário único de declaração fiscal para os salários e as contribuições para a segurança social. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), estas medidas, combinadas com uma política macroeconómica rigorosa, contribuíram para reforçar a resiliência económica do país e para iniciar uma transformação estrutural da economia.

«Governar não é apenas transformar o presente, é também e sobretudo preparar o futuro. É por isso que temos hoje o dever de consolidar os nossos ganhos e de os inscrever numa trajetória clara e sustentável», sublinhou o Presidente Talon no seu discurso.

Lydie Mobio

 

Lançada em 2017, a central eólica Aysha-II dispõe de uma capacidade de produção anual de 467 GWh. Segundo o governo etíope, permitirá fornecer uma infraestrutura energética fiável e escalável.

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed (foto), inaugurou no sábado, 31 de janeiro de 2026, o projeto eólico Aysha-II, que classificou como um «investimento importante no programa de energias renováveis» do país.

Localizado na região Somali, o projeto Aysha-II visa fornecer a infraestrutura energética necessária ao desenvolvimento de uma economia orientada para a tecnologia. O projeto integra tecnologias modernas, como SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition) e SVG (Static Var Generator), garantindo um fornecimento de eletricidade estável e escalável, essencial para o crescimento industrial.

Além disso, a sua proximidade com países vizinhos posiciona a Etiópia como um polo regional de comércio de energia, promovendo ligações mais estreitas em toda a região do Corno de África. «Este projeto emblemático constitui um pilar da nossa estratégia de segurança energética», declarou o primeiro-ministro.

A iniciativa insere-se no âmbito da transição energética e da diversificação do mix elétrico do país, contribuindo para colmatar o défice de eletricidade que afeta mais de metade da população.

O governo etíope implementou medidas significativas para alargar o acesso à eletricidade, através de investimentos na produção de energia e do lançamento de programas nacionais ambiciosos. A título de exemplo, a entrada em funcionamento da Grande Barragem da Renascença Etíope (GERD), com uma capacidade estimada superior a 5 000 MW, aumentou a capacidade de produção nacional.

O projeto Aysha-II foi lançado em 2017 através de uma parceria entre a empresa chinesa Dongfang e a empresa pública Ethiopian Electric Power Utility. A infraestrutura dispõe de uma capacidade instalada de 120 MW.

Lydie Mobio

 

A parceria abre caminho a um financiamento superior a 14 milhões de dólares e visa apoiar o desenvolvimento deste país da África Ocidental.

Cabo Verde e a China oficializaram dois novos acordos no montante total de 14,4 milhões de dólares, no âmbito do reforço da sua cooperação económica e técnica. O anúncio foi feito pelo governo cabo-verdiano na segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026.

O primeiro, no valor de 100 milhões de yuans (cerca de 14,4 milhões de dólares), é um acordo de cooperação para o desenvolvimento. Dá seguimento a um acordo de cooperação económica e técnica assinado em janeiro de 2025, com uma dotação de 28 milhões de dólares.

O segundo acordo é um protocolo por troca de notas, que abre caminho à reabilitação de três escolas secundárias. Este projeto contará com um financiamento de 600 000 yuans.

Estes instrumentos refletem o compromisso contínuo de ambas as partes em aprofundar a cooperação bilateral, com especial enfoque nos domínios prioritários para o desenvolvimento nacional, nomeadamente a educação e o reforço das infraestruturas públicas”, indica o governo cabo-verdiano.

Cabo Verde apresenta uma trajetória de desenvolvimento positiva, com um crescimento sustentado no período pós-covid-19. De acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o crescimento económico acelerou para 7,3% em 2024, face a 5,4% no ano anterior, impulsionado pelo fortalecimento do turismo e pela recuperação do setor dos serviços.

As prioridades de desenvolvimento do país incluem a educação, à qual são destinados cerca de 6% do PIB, um nível superior às referências internacionais. No entanto, o desemprego jovem continua elevado, situando-se em 23,9%. Paralelamente, as autoridades prosseguem esforços na redução da pobreza, no desenvolvimento das infraestruturas e das indústrias, bem como no reforço do ensino técnico e profissional.

Com a China, este país da África Ocidental mantém relações caracterizadas por financiamentos orientados para o desenvolvimento, projetos agrícolas e cooperação bilateral nos domínios da cultura e da educação.

Lydie Mobio

Face a mercados de trabalho sob pressão e à urgência de adaptar competências às necessidades das empresas, Djibouti e Tunísia iniciam um diálogo estratégico para estreitar a relação entre formação, emprego e empreendedorismo.

Durante a terceira edição da Conferência Mundial sobre o Mercado de Trabalho (GLMC), realizada na semana passada em Riade, Arábia Saudita, o ministro do Trabalho de Djibouti, responsável pela Formalização e Proteção Social, Omar Abdi Saïd, reuniu-se com o seu homólogo tunisino, Riadh Chaoued. Segundo informações divulgadas pelo ÉchoTunisien, as discussões centraram-se nos preparativos de um acordo bilateral que abrangerá a formação profissional, o emprego e o empreendedorismo individual e coletivo.

No final do encontro, ambas as partes concordaram em tomar as medidas necessárias para a conclusão deste acordo, com o objetivo de reforçar a cooperação no desenvolvimento de competências e na inserção profissional. O ministro djiboutiano elogiou a experiência tunisina, considerando que “a Tunísia é um dos países árabes líderes no domínio da formação e aprendizagem profissionais”.

Neste contexto, Djibouti pretende aproveitar a experiência tunisina, nomeadamente em engenharia de formação e formação de formadores, de modo a alinhar melhor a oferta formativa com as necessidades do mercado de trabalho. Por seu lado, o ministro tunisino apresentou os progressos do seu país nos domínios do emprego, da formação profissional e do empreendedorismo, lembrando também o nível de cooperação existente entre os dois Estados.

Esta iniciativa surge no momento em que Djibouti procura reforçar a empregabilidade da sua juventude e modernizar o seu sistema de formação. Em 2025, o país multiplicou os programas de qualificação para jovens entre os 18 e os 35 anos em setores como logística, construção e serviços. A Agência Nacional de Emprego, Formação e Inserção Profissional (ANEFIP) registou assim 895 jovens inseridos no mercado de trabalho, contra 803 em 2024, uma progressão de quase 11 %, apesar de uma taxa de desemprego ainda elevada de 25,9 %, segundo os dados disponíveis.

Por sua vez, a Tunísia continua as suas reformas para melhorar a correspondência entre formação e emprego, com o lançamento do programa CAP Emploi em 2025, apoiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento com 90 milhões de euros. O país dispõe ainda de uma rede estruturada de centros de formação profissional, oferecendo várias especialidades com taxas de inserção superiores a 80 %.

Félicien Houindo Lokossou

Djibouti e Tunísia lançam diálogo estratégico para aproximar formação, emprego e empreendedorismoFace a mercados de trabalho sob pressão e à urgência de adaptar competências às necessidades das empresas, Djibouti e Tunísia iniciam um diálogo estratégico para estreitar a relação entre formação, emprego e empreendedorismo.

Durante a terceira edição da Conferência Mundial sobre o Mercado de Trabalho (GLMC), realizada na semana passada em Riade, Arábia Saudita, o ministro do Trabalho de Djibouti, responsável pela Formalização e Proteção Social, Omar Abdi Saïd, reuniu-se com o seu homólogo tunisino, Riadh Chaoued. Segundo informações divulgadas pelo ÉchoTunisien, as discussões centraram-se nos preparativos de um acordo bilateral que abrangerá a formação profissional, o emprego e o empreendedorismo individual e coletivo.

No final do encontro, ambas as partes concordaram em tomar as medidas necessárias para a conclusão deste acordo, com o objetivo de reforçar a cooperação no desenvolvimento de competências e na inserção profissional. O ministro djiboutiano elogiou a experiência tunisina, considerando que “a Tunísia é um dos países árabes líderes no domínio da formação e aprendizagem profissionais”.

Neste contexto, Djibouti pretende aproveitar a experiência tunisina, nomeadamente em engenharia de formação e formação de formadores, de modo a alinhar melhor a oferta formativa com as necessidades do mercado de trabalho. Por seu lado, o ministro tunisino apresentou os progressos do seu país nos domínios do emprego, da formação profissional e do empreendedorismo, lembrando também o nível de cooperação existente entre os dois Estados.

Esta iniciativa surge no momento em que Djibouti procura reforçar a empregabilidade da sua juventude e modernizar o seu sistema de formação. Em 2025, o país multiplicou os programas de qualificação para jovens entre os 18 e os 35 anos em setores como logística, construção e serviços. A Agência Nacional de Emprego, Formação e Inserção Profissional (ANEFIP) registou assim 895 jovens inseridos no mercado de trabalho, contra 803 em 2024, uma progressão de quase 11 %, apesar de uma taxa de desemprego ainda elevada de 25,9 %, segundo os dados disponíveis.

Por sua vez, a Tunísia continua as suas reformas para melhorar a correspondência entre formação e emprego, com o lançamento do programa CAP Emploi em 2025, apoiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento com 90 milhões de euros. O país dispõe ainda de uma rede estruturada de centros de formação profissional, oferecendo várias especialidades com taxas de inserção superiores a 80 %.

Félicien Houindo Lokossou

No Nigéria, a generalização da inteligência artificial (IA) nas fintechs revela menos uma corrida à inovação e mais uma resposta pragmática à explosão dos riscos. Os atores do setor utilizam-na agora sobretudo para combater fraudes. Contudo, persistem alguns obstáculos.

Cerca de 87,5% das fintechs nigerianas recorrem à inteligência artificial (IA) para detetar fraudes, segundo um inquérito publicado pelo Banco Central da Nigéria (CBN).

Estes dados constam do Fintech Report 2025, publicado na segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, no âmbito da série Policy Insight do Banco Central. O relatório baseia-se num inquérito nacional realizado junto dos atores do setor, num workshop fechado realizado em junho de 2025 e numa mesa-redonda realizada em outubro.

A deteção de fraudes surge como o principal caso de utilização da IA, muito à frente de outras aplicações, como o atendimento ao cliente ou a avaliação de risco de crédito.

De acordo com o relatório, 62,5% das fintechs inquiridas utilizam chatbots alimentados por IA para a relação com clientes, enquanto 37,5% recorrem à IA para scoring de crédito e modelação de riscos. A mesma proporção aplica a IA aos processos de integração e de conhecimento do cliente (KYC). 12,5% das empresas inquiridas afirmam não utilizar IA nesta fase.

A IA é amplamente adotada nas fintechs nigerianas, principalmente para gestão de riscos e eficiência operacional. A fraude constitui um problema central para o setor”, sublinha o relatório, que qualifica este fenómeno como “um grande desafio industrial” durante os diálogos entre reguladores e operadores.

Crescimento rápido sob pressão

Estas conclusões surgem num contexto de forte expansão dos serviços financeiros digitais. No Nigéria, as instituições financeiras processaram cerca de 11 mil milhões de transações de pagamento instantâneo em 2024, mais do que o dobro do volume registado em 2022, colocando o mercado entre os mais ativos do mundo em pagamentos em tempo real.

No entanto, o Banco Central alerta que esta digitalização acelerada amplia a superfície de risco do sistema financeiro. Fraudes, insuficiência de controlos internos em algumas empresas em rápido crescimento e criminalidade financeira transfronteiriça continuam a ser preocupações, apesar do reforço dos mecanismos de combate ao branqueamento de capitais e da recente saída do país da lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI).

Interesse numa IA regulamentada

Apesar do foco na luta contra a fraude, segundo o documento, as fintechs mostram um forte interesse num maior uso da IA, desde que beneficiem de um quadro regulamentar mais claro.

Cerca de 62,5% dos inquiridos manifestaram grande interesse em participar num sandbox regulatório dedicado à IA, enquanto 75% priorizam o uso ético e transparente destas tecnologias em decisões de crédito e gestão de risco.

O relatório estima que, à medida que a IA se tornar uma ferramenta central nos serviços financeiros, as capacidades de supervisão e governação terão de evoluir em paralelo.

Obstáculos persistentes

As fintechs identificam, contudo, vários obstáculos à adoção em larga escala da IA. A falta de talento técnico e a incerteza regulatória são apontadas por 37,5% das empresas como barreiras principais.

Além disso, 50% dos respondentes consideram que o acesso a dados de qualidade e a infraestruturas adequadas é a condição mais crítica para desenvolver a IA, destacando o papel das infraestruturas públicas digitais, como a identidade digital e os quadros de partilha de dados.

Fiacre E. Kakpo

Namíbia: acessibilidade financeira dos smartphones, principal obstáculo à adoção da InternetA acessibilidade financeira dos smartphones é considerada um dos principais obstáculos à adoção da Internet. Segundo dados da DataReportal, cerca de 35% da população não utilizava a Internet no final de 2025.

Na Namíbia, a Autoridade Reguladora das Comunicações (CRAN) propôs isenções fiscais e outros incentivos para apoiar a adoção de telefones compatíveis com 4G. O objetivo declarado é promover uma adoção mais ampla da banda larga por toda a população, apesar de as infraestruturas já estarem amplamente implantadas em algumas regiões do país.

Esta proposta foi revelada por Emilia Nghikembua, diretora-geral da CRAN, no final da semana passada, durante a implementação de uma torre de telecomunicações da operadora pública MTC Namibia na região de Kunene. A sua intervenção surgiu na sequência das preocupações expressas pela operadora relativamente à subutilização das suas torres de rede, um fenómeno atribuído principalmente ao elevado custo dos terminais 4G no mercado namibiano.

A MTC Namibia, principal operadora móvel do país, considera que a disponibilidade das infraestruturas ainda não se traduz numa adoção efetiva dos serviços. Mercia Geises, presidente interina do conselho de administração da operadora, explicou que existem cerca de 74 torres na região de Kunene, todas compatíveis com 4G, mas cujo nível de utilização ronda apenas os 50%. «Mesmo quando implementamos a infraestrutura, a questão permanece: como levar as nossas comunidades a adotar e utilizar esta infraestrutura», afirmou.

Estas propostas surgem num contexto de transição tecnológica acelerada. O governo namibiano anunciou recentemente a intenção de eliminar progressivamente as redes 2G e 3G a partir deste ano, em favor da 4G, 5G e tecnologias satélite. Neste quadro, o executivo prevê também, a prazo, bloquear a importação de telefones 2G e 3G. A população não terá, portanto, outra escolha senão adquirir smartphones compatíveis com 4G ou superior para continuar a aceder aos serviços de telecomunicações, mesmo que estes equipamentos ainda sejam financeiramente inacessíveis para parte das famílias.

A fiscalidade, um obstáculo estrutural à adoção

Segundo a GSMA, a fiscalidade constitui um obstáculo importante à acessibilidade financeira dos terminais. Em alguns países, o IVA e os direitos de importação podem aumentar o preço dos smartphones em mais de 30%, elevando diretamente o custo suportado pelos consumidores e dificultando a inclusão digital.

No seu Mobile Connectivity Index 2025, a organização atribui à Namíbia uma pontuação de 46/100 em termos de acessibilidade dos dispositivos, sendo 100 um mercado onde os equipamentos são plenamente acessíveis.

Os dados do Banco Mundial confirmam a dimensão do desafio. Nos países de rendimento baixo e médio, o custo de um smartphone básico representa, em média, 18% do rendimento mensal de um adulto. Para os 40% das famílias mais pobres da África Subsaariana, esta proporção atinge 73%. Para ser considerado acessível, um smartphone deveria representar entre 15 e 20% do rendimento médio mensal. Embora a oferta de smartphones abaixo de 100 USD tenha melhorado ligeiramente nos últimos anos, continua a ser insuficiente para atender às necessidades de algumas camadas da população.

Isenções fiscais, uma resposta parcial

Convém lembrar que as isenções fiscais mencionadas são, nesta fase, apenas propostas do regulador. A sua adoção dependerá de decisões governamentais futuras, e o seu impacto real nos preços dos smartphones 4G permanece incerto, assim como a sua capacidade de tornar estes aparelhos verdadeiramente acessíveis para a maioria dos namibianos.

Neste contexto, a GSMA recomenda que as operadoras de telecomunicações reforcem as suas parcerias com os fabricantes, nomeadamente para reduzir custos e propor soluções de pagamento faseado, facilitando a aquisição de terminais compatíveis com 4G e 5G.

Por sua vez, os governos são incentivados a implementar isenções fiscais direcionadas para os telefones de entrada. Quanto aos fabricantes, deverão oferecer aparelhos adequados às necessidades dos utilizadores, de forma a apoiar tanto a sua capacidade como a sua vontade de pagar, um fator essencial para a adoção sustentável dos serviços digitais.

Para além do preço dos dispositivos, a organização destaca ainda que a adoção dos serviços 4G depende de outros fatores-chave, como competências digitais, custo e qualidade dos serviços, bem como relevância dos conteúdos disponíveis.

Isaac K. Kassouwi

 

Os preços do ouro registaram um novo recorde histórico, atingindo cerca de 5.590 USD por onça na semana passada. Embora o dinamismo de valorização tenha abrandado desde então, os analistas continuam optimistas quanto ao potencial de alta para 2026.

Após atingir um pico de aproximadamente 5.590 USD por onça, os preços do ouro caíram para 4.642 USD por onça na noite de segunda-feira, 2 de fevereiro, prolongando uma correcção iniciada durante o fim‑de‑semana. Segundo a plataforma Trading Economics, este recuo deve‑se principalmente a realizações de lucros, após os ganhos registados desde o início do ano. Apesar desta queda, o sentimento de mercado permanece globalmente positivo, com vários analistas a antecipar níveis de preço superiores ao pico recentemente atingido.

UBS, JP Morgan e Deutsche Bank na mesma linha

Antes do recuo observado, o banco alemão Deutsche Bank já previa um preço do ouro podendo atingir 6.000 USD por onça em 2026, impulsionado pela forte procura de investidores e bancos centrais. O mesmo optimismo é partilhado pelo banco suíço UBS, que na semana passada elevou o seu objetivo de preço para 6.200 USD por onça até setembro de 2026, face a 5.000 USD anteriormente.

Mais recentemente, o banco norte-americano JP Morgan apontou para uma trajectória ainda mais positiva, estimando um preço de 6.300 USD por onça até ao final de 2026. Segundo o banco, o interesse contínuo de bancos centrais e investidores deverá continuar a alimentar a tendência de valorização do ouro a médio prazo.

Continuamos firmemente convencidos do valor do ouro a médio prazo, graças a uma tendência de diversificação estrutural e contínua que deverá prosseguir num contexto de sobreperformance dos ativos reais em relação aos ativos financeiros”, explicou o JP Morgan, citado pela Reuters.

Factores que sustentam a valorização

É importante recordar que a forte actividade de compra dos bancos centrais foi um dos principais motores do aumento de 67% dos preços do ouro em 2025. Numa nota publicada na quinta-feira, 29 de janeiro, o World Gold Council registou uma procura recorde de 5.002 toneladas ao longo do ano, num contexto de crescentes tensões geopolíticas, levando muitos bancos centrais a reforçar as suas posições em activos de refúgio como o ouro.

Riscos de queda persistem…

Apesar de um consenso globalmente optimista, alguns factores continuam a pesar sobre as perspectivas do ouro. Entre eles destaca-se a incerteza sobre a governação da Reserva Federal dos EUA (Fed), reforçada pela recente nomeação de Kevin Warsh pelo presidente Donald Trump para liderar a instituição. Ex-membro do conselho da Fed, Kevin Warsh é visto pelos mercados como defensor de uma política monetária mais rígida, focada na luta contra a inflação, mesmo que implique manter taxas de juro elevadas por mais tempo.

Warsh sucederia a Jerome Powell, cuja condução da política monetária tem sido alvo de críticas recorrentes da Casa Branca nos últimos meses. Esta evolução aumenta os receios de uma possível interferência política na Fed, um elemento-chave para a estabilidade dos mercados financeiros. Uma política monetária mais restritiva traduz-se normalmente em taxas de juro elevadas, o que tende a penalizar o ouro.

Como activo que não gera rendimento, o ouro torna-se menos atractivo em comparação com obrigações ou outros investimentos com juros mais elevados. O UBS sublinha que tal cenário poderia acentuar os riscos de correcção dos preços, baseando o seu cenário baixista nesta hipótese, com uma estimativa de preço em torno de 4.600 USD por onça.

Em qualquer caso, a diversidade destas projecções ilustra a amplitude das expectativas e das incertezas que cercam a evolução dos preços do ouro em 2026. Trata-se de dinâmicas a acompanhar de perto nas próximas semanas, particularmente em África, onde vários países produtores estão a apostar em reformas fiscais para melhor aproveitar os benefícios do mercado em alta.

Aurel Sèdjro Houenou

Num contexto de forte dependência do gás importado e de crescimento sustentado da procura de eletricidade, a Tunísia continua a alargar o seu portefólio de projetos solares, apoiando-se em investimentos privados para acelerar a sua transição energética.

A Voltalia, empresa internacional de energias renováveis, anunciou na quinta-feira, 29 de janeiro, que foi selecionada pelo Estado tunisino para desenvolver um novo projeto solar de 132 MW, denominado Wadi, na região de Gabès, no sudeste da Tunísia. Este projeto junta-se aos de Sagdoud (maio de 2024) e Menzel Habib (dezembro de 2024). Com Wadi, a capacidade total dos projetos solares da Voltalia a iniciar construção no país atinge cerca de 400 MW.

Localizado nas proximidades do sítio de Menzel Habib, o projeto Wadi deverá beneficiar de sinergias operacionais, nomeadamente através da partilha de custos relacionados com a construção, transporte e manutenção. A construção está prevista para 2027, com entrada em funcionamento esperada em 2028. Segundo a Voltalia, a central produzirá uma quantidade de eletricidade equivalente ao consumo de cerca de 200 000 habitantes e permitirá evitar 120 000 toneladas de CO₂ por ano. Não foram divulgadas informações sobre o custo do projeto nem sobre o modo de financiamento.

«Estamos muito satisfeitos por termos sido selecionados para este novo projeto na Tunísia. Esta etapa reforça não só a nossa presença numa região com elevado potencial solar, mas permite-nos também acompanhar mais de perto as ambições energéticas do país», declarou Robert Klein, diretor-geral da Voltalia.

Este projeto insere-se numa estratégia nacional que visa reduzir a dependência energética da Tunísia. Segundo um artigo do Banco Mundial publicado em janeiro de 2024, o país ainda depende largamente do gás natural importado para produzir eletricidade, com 48% das suas necessidades energéticas importadas em 2022, enquanto a procura elétrica de ponta aumentou cerca de 5% ao ano entre 2010 e 2022. O Banco Mundial estima ainda o potencial solar e eólico tunisino em 320 GW, para uma procura nacional de ponta de cerca de 5 GW.

Esta dinâmica e a vontade de acelerar a diversificação do mix energético são apoiadas por reformas estruturais. Em 11 de novembro de 2025, o Banco Mundial aprovou um financiamento de 430 milhões USD para o programa TEREG, destinado a modernizar o setor elétrico tunisino, reforçar a performance da Société Tunisienne de l’Électricité et du Gaz (STEG) e atrair investimentos privados. Este programa visa, nomeadamente, mobilizar 2,8 mil milhões USD de investimentos privados para adicionar 2,8 GW de capacidade solar e eólica até 2028.

Abdoullah Diop

No Congo, a taxa de acesso à eletricidade passou de 49 % em 2024 para 59 % em 2025, segundo declarações oficiais divulgadas em janeiro de 2026. A estratégia elétrica nacional apresentada pelas autoridades prevê uma diversificação do mix energético, apoiando-se nomeadamente nas energias renováveis.

O governo da República do Congo iniciou estudos técnicos relativos ao projeto hidroelétrico de Kitéké, no rio Loufoulakari, no departamento do Pool, a cerca de 35 km a sudeste de Brazzaville. Trata-se de uma central com uma capacidade instalada prevista de cerca de 510 megawatts (MW), segundo informações reportadas em 29 de janeiro pela ADIAC-Congo.

Os estudos técnicos incidem sobretudo sobre a viabilidade do projeto, a definição das infraestruturas, a escolha dos equipamentos, bem como sobre os estudos de impacto ambiental e social. Visam também detalhar as modalidades de ligação da futura central à rede elétrica nacional.

Esta etapa foi concluída a 28 de janeiro durante um workshop oficial em Brazzaville, com a presença, entre outros, de Émile Ouosso, ministro da Energia e Hidráulica, e de representantes das empresas envolvidas no projeto.

Entre elas, o consórcio Lincoln e China Energy participa na fase de estudos técnicos. Ambas as empresas indicaram a intenção de assegurar, futuramente, a concepção, aquisição de equipamentos, construção, assim como alguns aspetos do financiamento.

Até ao momento, nenhum valor oficial foi divulgado relativamente ao investimento total previsto no projeto. De acordo com o calendário divulgado, o início efetivo da construção está previsto para julho-agosto de 2027, condicionado à conclusão dos estudos.

Durante o Congo Energy & Investment Forum, realizado em Brazzaville em março de 2025, as autoridades congolesas anunciaram a intenção de duplicar a capacidade nacional de produção elétrica para 1.500 MW até 2030, com ênfase no desenvolvimento das energias renováveis.

Foi apresentada uma folha de rota incluindo vários projetos destinados a aumentar a produção elétrica e a melhorar a taxa de acesso à eletricidade, que passou de 49 % em 2024 para 59 % em 2025, segundo declarações de Émile Ouosso divulgadas em janeiro de 2026.

Além disso, no âmbito da reforma do setor elétrico, a República do Congo solicitou a expertise da Société nationale d’électricité do Senegal (Senelec). Segundo a Agência Ecofin, em fevereiro de 2025 foi assinado um acordo que confere ao operador senegalês missões ligadas à distribuição, gestão e manutenção da rede elétrica congolesa por um período de dez anos.

Abdel-Latif Boureima

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