Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin
Equipe Publication

Equipe Publication

Quase concluída após vários anos de atraso, a autoestrada Ngong - Suswa proporciona ao Quénia um novo corredor estratégico para aliviar a congestionada estrada Nairobi - Mai Mahiu. Ela ilustra também a orientação progressiva do Estado para mecanismos de financiamento inovadores, com vista a relançar projetos em atraso.

No Quénia, a autoestrada Ngong - Suswa (70 km) está quase concluída, assinalando a finalização de um projeto lançado em 2018 para uma duração contratual de 42 meses, mas que acabou por sofrer vários anos de atraso, principalmente devido a dificuldades de financiamento.

O eixo, cujo custo ascende a 4 mil milhões de xelins quenianos (cerca de 31 milhões de USD), liga Nairobi à localidade de Ngong, a sudoeste da capital, antes de se ligar a Suswa. Constitui um corredor alternativo estratégico destinado a aliviar a pressão nas movimentadas estradas Nairobi - Mai Mahiu e Narok. O corredor Nairobi - Mai Mahiu é um dos mais saturados do país, sobretudo devido ao intenso tráfego de camiões e passageiros, fonte de congestionamentos e acidentes frequentes.

Segundo as autoridades, a abertura deste eixo deverá reduzir significativamente a congestionamento nesta espinha logística vital para o comércio interno e regional. A infraestrutura deverá também criar novas oportunidades económicas, nomeadamente no comércio, turismo e mobilidade regional. Ngong - Suswa fazia parte dos projetos rodoviários prioritários identificados pelo governo. Para acelerar a sua conclusão, o executivo anunciou a intenção de emitir obrigações soberanas destinadas a liquidar os atrasados devidos às empresas envolvidas nas obras rodoviárias.

Mas, face à fraca arrecadação fiscal e ao crescente peso da dívida pública, Nairobi está agora a orientar-se para uma estratégia que privilegia parcerias público-privadas (PPP) para financiar as suas infraestruturas. O modelo tornou-se central na estruturação dos novos projetos de grande dimensão, à semelhança da duplicação do troço Gilgil–Nakuru–Mau Summit (94 km), segmento estratégico do corredor do Norte, cujas obras foram lançadas na semana passada.

Para reduzir de forma sustentável a sua dependência do endividamento externo e garantir recursos de longo prazo, o governo prevê a criação de um Fundo Nacional de Infraestruturas e de um Fundo Soberano, destinados a atrair mais capitais privados para o financiamento de grandes projetos públicos.

Henoc Dossa

 

O Marrocos é o 3.º maior exportador mundial de tomates, atrás do México e dos Países Baixos. No mercado da União Europeia, o seu principal destino, a fileira marroquina continua a progredir, estabelecendo novos recordes.

O Marrocos arrecadou 1,05 mil milhões de euros (1,2 mil milhões de dólares) graças às suas exportações de tomates para a União Europeia (UE) no final da campanha de comercialização de 2024/2025. Este montante representa um aumento de 7% em relação à campanha anterior, segundo os dados compilados pelo serviço estatístico da UE (Eurostat), e assinala um novo recorde para a fileira marroquina.

Esta melhoria explica-se principalmente por uma recuperação registada ao nível dos volumes adquiridos. Entre outubro de 2024 e setembro de 2025, as expedições marroquinas de tomates para a UE totalizaram 573 730 toneladas, um aumento de 8% em comparação anual. A fileira regressa assim ao crescimento após uma ligeira desaceleração em 2023/2024, quando os volumes de venda para a UE tinham diminuído 2%, fixando-se então em 528 875 toneladas.

No que diz respeito aos mercados de destino, a França continua a ser o principal destino do tomate marroquino na União Europeia. Em 2024/2025, o Hexágono representou 75,45% das compras em volume, ou seja, 432 931 toneladas, seguido pela Espanha (15,57%) e pelos Países Baixos (8%). Para além deste trio, outros destinos como a Irlanda e a Alemanha demonstraram um interesse crescente pelos tomates provenientes do país do Norte de África, registando um aumento anual das suas importações.

De forma geral, Marrocos forneceu 70% do stock total de tomates importados pelos países da UE em 2024/2025, avaliado em 819 426 toneladas. Embora o setor marroquino continue a enfrentar desafios internos, como a seca e a escassez de mão de obra, este desempenho reflete a resiliência dos seus intervenientes no mercado internacional.

Stéphanas Assocle

 

A transformação digital está no centro das prioridades do novo governo senegalês. Para libertar plenamente o seu potencial económico e social, é essencial implementar reformas direcionadas que promovam a inclusão e o acesso universal aos serviços digitais.

O Senegal poderia gerar um valor económico de 1 100 mil milhões de francos CFA (2 mil milhões de dólares), criar cerca de 280 000 empregos e aumentar as receitas públicas até 2030 se o país acelerar as suas reformas em favor de uma inclusão digital alargada. Estas perspetivas, detalhadas no relatório «Driving Digital Transformation of the Economy in Sénégal», da Associação Global de Operadores de Telecomunicações (GSMA), foram apresentadas na sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, em Dacar, durante o Digital Africa Summit.

Pontos fortes sólidos, mas utilização ainda limitada

O estudo destaca que o país já dispõe de importantes ativos, apoiados por uma juventude familiarizada com as ferramentas digitais e por várias estratégias nacionais estruturantes, incluindo Digital Sénégal 2025, o Projeto de Aceleração da Economia Digital (PAENS) e o New Deal Tecnológico 2034. Estas iniciativas permitiram expandir significativamente a cobertura de Internet móvel, que hoje atinge 97 % em 4G e cerca de 39 % em 5G. No entanto, a adoção continua limitada: persiste um hiato de utilização de 54 %, sobretudo devido ao elevado custo dos smartphones de entrada e à fraca literacia digital em vários segmentos da população.

«Ao centrar-se na acessibilidade, nas competências digitais e num ambiente político favorável, o Senegal pode criar oportunidades para cada comunidade – desde agricultores e comerciantes a estudantes, empreendedores e utilizadores de serviços públicos. Estas reformas podem transformar o acesso digital em impacto real e significativo para as pessoas, ao mesmo tempo que reforçam a resiliência económica a longo prazo do Senegal», explica Angela Wamola, responsável pela África na GSMA.

Reformas prioritárias para modernizar o ecossistema das telecomunicações

Embora a conectividade tenha melhorado significativamente, as infraestruturas de telecomunicações ainda precisam de ser reforçadas para sustentar a ambição nacional. A GSMA recomenda, em particular, a adoção de uma nova política de espectro, baseada num roteiro nacional resultado de consulta ao setor, garantindo uma atribuição mais eficiente, transparente e previsível das frequências. A alocação das bandas 5G, a renovação das licenças por períodos mais longos – até 20 anos – e a tarifação das taxas alinhada com os padrões internacionais são apresentadas como alavancas decisivas para atrair mais investimentos e apoiar os objetivos definidos no New Deal Tecnológico.

O relatório sugere também a redução de alguns impostos setoriais, incluindo a Contribuição Especial de Telecomunicações (atualmente 4,5 %) e a Taxa de Utilização das Telecomunicações (5 %), que poderiam ser reduzidas para 3 % cada, libertando novas margens financeiras para os operadores. A implementação de um programa nacional de acesso acessível a smartphones de entrada também figura entre as medidas prioritárias, à semelhança de iniciativas já adotadas noutros países africanos.

Por fim, um quadro regulatório adaptado às tecnologias emergentes é indispensável para apoiar a cobertura nas zonas remotas. A integração de parcerias entre operadores móveis e satélites em órbita baixa (LEO), bem como o desenvolvimento de soluções de conectividade direta aos terminais (Direct-to-Device), permitiria expandir a banda larga nas regiões ainda pouco servidas e reforçar a resiliência da rede.

Se as reformas recomendadas forem implementadas, o Senegal poderá alcançar um marco decisivo na sua transição digital. Até 2030, 2,6 milhões de novos utilizadores poderão estar conectados, elevando a adoção da Internet móvel para 61 %, segundo a GSMA. O impacto será particularmente forte na agricultura, indústria, comércio e serviços públicos, onde a digitalização de processos, a partilha de dados e a automação poderão gerar ganhos de produtividade significativos.

Samira Njoya

 

Esta decisão surge num momento em que o Senegal enfrenta atualmente uma forte pressão sobre as suas finanças públicas.

Os preços da gasolina super e do gasóleo no Senegal estão em baixa desde sábado, 6 de dezembro de 2025, segundo um comunicado do governo publicado na mesma data. Esta medida visa reforçar o poder de compra das famílias, apoiar os operadores económicos e consolidar a transparência na fixação dos preços dos produtos petrolíferos.

O preço da gasolina super passa de 990 para 920 FCFA por litro, enquanto o litro de gasóleo custa agora 680 FCFA, contra 755 FCFA anteriormente. «Os preços fixados constituem tetos. Nesse sentido, os atores da distribuição estão autorizados a praticar tarifas inferiores, no estrito respeito da regulamentação em vigor», sublinha o comunicado.

Este anúncio surge após o primeiro-ministro senegalês, Ousmane Sonko, ter anunciado, em outubro passado, uma redução dos custos da eletricidade e dos combustíveis, numa altura em que o país enfrenta uma forte pressão sobre as finanças públicas e mantém discussões com o FMI para um novo programa de financiamento. A instituição tinha instado o país a reduzir progressivamente os subsídios energéticos, que pesam fortemente no orçamento. Em resposta, o governo indicou a sua intenção de reorientar as despesas para setores produtivos sem agravar a dívida.

Há vários anos que o Senegal implementa diversas medidas destinadas a apoiar o poder de compra dos cidadãos. Entre elas figuram o abastecimento regular de bens essenciais, a redução do custo de alguns produtos básicos, nomeadamente óleo, açúcar e arroz. A isto acrescenta-se a criação de comissões regionais, em 2025, para regular o preço das rendas.

Note-se que, no âmbito da Lei de Finanças Inicial de 2026, o montante atribuído ao Ministério da Energia, do Petróleo e das Minas é superior a 130 mil milhões de FCFA (231 milhões de dólares), representando uma redução de 9% face ao ano anterior.

Embora o preço do litro de gasolina super esteja agora fixado em 920 FCFA, o Senegal mantém-se no topo dos países da UEMOA onde o custo do combustível continua elevado.

Lydie Mobio

 

 

Cidade Velha, anteriormente conhecida como Ribeira Grande, ocupa um lugar singular na história de Cabo Verde e, de forma mais ampla, na história do Atlântico. Fundada em 1462 na ilha de Santiago, tornou-se o primeiro assentamento europeu duradouro nos trópicos. A sua criação marcou o início de uma presença portuguesa estruturada ao largo da costa africana e abriu uma nova fase da expansão marítima num momento em que as explorações ganhavam grande impulso.

1 unnamed

No século XVI, a cidade transformou-se numa escala essencial para os navios que percorriam as rotas atlânticas. A sua posição estratégica — a meio caminho entre a África Ocidental, a Europa e as Américas — fez dela um ponto crucial de abastecimento, comércio e intercâmbio cultural. Esse papel favoreceu uma intensa atividade mercantil, incluindo o tráfico transatlântico de escravos, empreendimento trágico que marcou profundamente a região e contribuiu para o surgimento de sociedades crioulas em todo o Atlântico. Cidade Velha tornou-se, assim, um dos primeiros lugares onde mundos africanos e europeus se encontraram e se misturaram, originando formas culturais novas que ainda hoje influenciam a identidade cabo-verdiana.

2 cap vert ile de santiago cidade velha

A organização urbana, visível nos edifícios e nas ruas, reflete os modelos coloniais iniciais adotados pelos portugueses. Destacam-se estruturas militares como o Forte Real de São Filipe, construído no alto da cidade para protegê-la contra ataques de corsários. A urbe também abrigava edifícios religiosos importantes, como a igreja de Nossa Senhora do Rosário — uma das primeiras erguidas nos trópicos — e a catedral, da qual subsistem ruínas imponentes. O Pelourinho, coluna de pedra erguida na praça central, recorda o período em que a cidade funcionava como centro administrativo e judicial do arquipélago.

3 cidade velha

A partir do século XVII, ataques frequentes de piratas enfraqueceram a prosperidade de Ribeira Grande. As mudanças no comércio transatlântico, seguidas pela transferência da capital para a Praia em 1770, aceleraram o seu declínio. A antiga cidade perdeu gradualmente o seu estatuto, e muitos edifícios caíram em abandono. Contudo, esse lento esvaziamento acabou por preservar grande parte do tecido histórico, que não foi profundamente alterado pelo desenvolvimento posterior.

4 cidade velha 1

Na era contemporânea, esforços de conservação permitiram restaurar vários monumentos e garantir a proteção do sítio. Em 2009, o reconhecimento internacional concretizou-se com a inscrição do centro histórico de Cidade Velha na lista do Património Mundial da UNESCO. Essa distinção sublinha o valor universal de um lugar que oferece um testemunho raro dos primórdios da expansão europeia, das dinâmicas do comércio atlântico e dos processos de mestiçagem cultural.

5 variant

Cidade Velha é mais do que um conjunto de vestígios. Continua a ser um arquivo vivo onde a história de Cabo Verde se inscreve na pedra, na paisagem e na memória coletiva. O seu património narra a experiência colonial, as mobilidades forçadas, os intercâmbios culturais e as transformações sociais que moldaram o Atlântico. Ao percorrer as suas ruas empedradas, ao observar as ruínas e as fortificações, ainda se percebem as marcas dos séculos que forjaram este lugar fundador, hoje um símbolo maior da identidade cabo-verdiana e da sua relação com o mundo.

 

A intervenção do chefe de Estado beninense ocorre numa altura em que persistiam ainda interrogações sobre o desenrolar dos acontecimentos. Conhecido pela sua estabilidade política e pelo enraizamento da sua ordem democrática, o Benim viveu um dia invulgar que suscitou numerosas reacções.

No Benim, o Presidente Patrice Talon apareceu na televisão nacional na noite de 7 de dezembro para confirmar o fracasso da tentativa de golpe de Estado e tranquilizar a população. Numa declaração transmitida no telejornal das 20h, no canal local Benin TV, afirmou que a situação estava “sob controlo” e forneceu esclarecimentos adicionais sobre os acontecimentos vividos pelo país durante o dia.

« Um pequeno grupo de soldados, sob o pretexto de reivindicações falaciosas, iniciou uma motim com o intuito de atacar as instituições da República e desestabilizar a nossa nação, pondo assim em causa a ordem democrática », declarou, considerando que tal empreitada « teria tido como consequência mergulhar o nosso país numa aventura sem futuro e com consequências desastrosas ».

Segundo o chefe de Estado, foram tomadas medidas adequadas para frustrar a manobra e manter a paz em todo o território. « Quero aqui saudar o sentido de dever do nosso exército e dos seus responsáveis, que permaneceram republicanos e leais à nossa pátria. Com eles, fizemos frente, recuperámos posições e chegámos mesmo a eliminar os últimos focos de resistência dos militares », declarou Patrice Talon, acrescentando que a « transgressão não ficará impune ».

O presidente beninense mencionou igualmente a existência de vítimas relacionadas com os acontecimentos. Indicou que alguns militares envolvidos estavam em fuga e que ainda mantinham pessoas detidas. « Dou-lhes a garantia de que enfrentaremos a situação para as encontrar sãs e salvas », assegurou.

Esta intervenção encerra um dia marcado pela difusão, durante a manhã, de uma mensagem na televisão pública anunciando a destituição do chefe de Estado por um grupo trajando uniforme militar. Estes afirmavam que um tenente-coronel chamado Pascal Tigri assumia doravante a liderança de um « comité para a refundação militar ». Com o passar das horas, as autoridades informaram que a tentativa tinha falhado e que o presidente estava em segurança.

Homem de negócios beninense nascido em 1958, Patrice Talon fez fortuna na agricultura antes de entrar na política. Tornou-se presidente do Benim em 2016, em substituição de Thomas Boni Yayi. Ao aproximar-se do final do seu segundo mandato, está prevista para 12 de abril de 2026 uma eleição para designar o seu sucessor.

 

Os Estados Unidos, a RDC e o Ruanda concluíram um acordo que liga segurança e minerais críticos. O quadro formaliza o acesso, reduz as redes informais e constitui um desafio à dominação chinesa. O seu sucesso dependerá da estabilização do leste congolês. Esta dinâmica poderá redefinir duradouramente a região.

Os Estados Unidos, a República Democrática do Congo (RDC) e o Ruanda assinaram em Washington um novo quadro de cooperação que redefine a governação dos minerais estratégicos e os mecanismos de segurança na região dos Grandes Lagos. O acordo, articulado em torno do Regional Economic Integration Framework (REIF/CIER) e de duas parcerias estratégicas bilaterais concluídas entre Washington, Kinshasa e Kigali, estabelece um dispositivo inédito que liga o acesso aos recursos, as reformas institucionais e o compromisso securitário norte-americano.

Este quadro visa formalizar a economia mineira e reduzir a influência dos circuitos informais que, há décadas, dominam a exploração no leste da RDC. Doravante, todo o acesso às zonas mineiras deverá ser negociado diretamente com Kinshasa, a fim de secar os financiamentos que alimentam os grupos armados. As autoridades congolesas veem aí uma forma de reforçar a autoridade do Estado e estabilizar as exportações de cobalto, cobre, tungsténio e outros minerais críticos essenciais às cadeias industriais norte-americanas.

Para os EUA, a dinâmica é clara: «A nossa ambição vai além da busca pela paz: queremos construir, com o Congo e o Ruanda, uma prosperidade duradoura baseada numa cooperação securitária e económica de longo prazo», afirmou o secretário de Estado Marco Rubio, equivalente ao ministro dos Negócios Estrangeiros.

Os novos acordos ultrapassam os tratados de investimento clássicos ao integrarem componentes de governação e cooperação no domínio da defesa. Washington desempenha um papel estruturante no apoio às reformas de segurança da RDC e do Ruanda, enquanto as empresas americanas beneficiam de um ambiente regulamentar mais claro e seguro para os seus investimentos mineiros e logísticos.

O setor privado já está mobilizado: a recente expedição de concentrado de tungsténio da mina ruandesa de Nyakabingo para uma refinaria americana ilustra o tipo de cadeia de valor que os Estados Unidos pretendem multiplicar. Empresas como a KoBold Metals ou a Starlink também se enquadram neste dispositivo, nomeadamente através do desenvolvimento do corredor do Lobito, chamado a tornar-se um eixo importante de exportação para o Atlântico.

No plano geopolítico, o dispositivo cria uma alternativa direta à dominação chinesa sobre o cobalto e o cobre congoleses. Ao introduzir normas rigorosas de rastreabilidade e garantias de segurança, Washington está a construir uma arquitetura capaz de limitar a influência das empresas chinesas. A Arábia Saudita, que ambiciona tornar-se um hub mundial do processamento de minerais através da Manara Minerals, terá de adaptar a sua estratégia. A União Europeia, que privilegia instrumentos regulatórios como a CSDDD, parece menos reativa do que os Estados Unidos. O Japão, já envolvido no corredor do Lobito através da JOGMEC, parece mais bem posicionado para se alinhar.

A grande incerteza permanece a situação securitária no leste da RDC. O quadro assenta na hipótese de que a formalização da economia mineira reduzirá os incentivos à violência. No entanto, os confrontos recentes no Sul-Kivu mostram que a estabilização está longe de ser garantida. O sucesso do dispositivo dependerá da evolução no terreno e da capacidade dos Estados em aplicar os mecanismos acordados.

Idriss Linge, avec Bankable Africa

O governo mauritano aposta nas TIC para estimular o desenvolvimento socioeconómico.

Pretende, por isso, integrar o digital em todos os setores, nomeadamente no setor da saúde.

As autoridades mauritanas aceleram a digitalização do sistema nacional de saúde. Mohamed Mahmoud Ely Mahmoud (na foto, à direita), ministro da Saúde, apresentou na quinta-feira, 5 de dezembro, as prioridades da próxima fase da folha de rota durante uma reunião com o seu homólogo da Transformação Digital, da Inovação e da Modernização da Administração.

As prioridades incidem, nomeadamente, sobre a digitalização das informações epidemiológicas, a criação de uma base de dados nacional de vacinação, bem como a atualização dos dados relativos à gestão das infraestruturas sanitárias, dos equipamentos e dos fornecimentos médicos. Isto permitirá garantir a exatidão das informações, facilitar o planeamento e melhorar a eficácia das intervenções sanitárias.

Na semana passada, foram lançados os projetos digitais da Caixa Nacional de Seguro de Doença (CNAM). No centro das inovações encontra-se a plataforma E-CNAM, que permite a digitalização dos pedidos de autorização prévia, o depósito eletrónico dos documentos médicos e das faturas, bem como o acompanhamento do processo de reembolso. Oferece igualmente a digitalização dos procedimentos de assistência no exterior e da gestão interna da Caixa.

Na mesma semana, realizou-se também a segunda reunião do comité ministerial responsável pela reforma dos hospitais, sob a presidência do Primeiro-Ministro, Moctar Ould Diay. A transformação digital nestas instituições faz parte das principais propostas e eixos técnicos destinados a melhorar o atendimento aos pacientes.

A 29 de outubro, a Mauritânia registou um avanço estratégico com o lançamento da Estratégia Nacional de e-Saúde 2024-2030. Segundo a Agência Belga de Cooperação Internacional (ENABEL), um dos parceiros, esta folha de rota visa transformar o setor da saúde através da integração de soluções digitais para oferecer um acesso equitativo a serviços de saúde de qualidade, alargar a cobertura nas zonas remotas e facilitar as consultas à distância através da telemedicina. Contribui também para a racionalização dos custos e para uma gestão otimizada das importações de medicamentos e do aprovisionamento das instituições de saúde.

Além disso, a Ginger International, um gabinete francês especializado em assistência técnica e expertise em saúde e ambiente a nível internacional, foi mandatado pela União Europeia para implementar um projeto de apoio à digitalização do setor da saúde na Mauritânia. A iniciativa foi lançada no início de novembro.

Um potencial reconhecido face a desafios significativos


Numa nota publicada em julho de 2025, o Afrobarometer indicava que, na Mauritânia, o sistema de saúde enfrenta vários obstáculos estruturais. Entre estes desafios figuram a escassez de infraestruturas, a falta de pessoal médico qualificado, o elevado custo dos cuidados de saúde e as rupturas frequentes de medicamentos ou de material médico. Acrescenta ainda que o país possui apenas cerca de 26 médicos por cada 100 000 habitantes, um rácio muito abaixo da norma recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A estes desafios juntam-se um subfinanciamento crónico do setor e problemas de governação, nomeadamente associados à corrupção.

“Estas insuficiências têm repercussões dramáticas na saúde pública. A mortalidade infantil, embora em ligeiro recuo, continua elevada, com 46,35 mortes por cada 1 000 nados-vivos em 2024 […]. Quanto à mortalidade materna, permanece uma das mais preocupantes do mundo, atingindo 766 mortes por cada 100 000 nados-vivos, ou seja, mais de três vezes a média mundial”, pode ler-se na nota intitulada ‘A saúde é a prioridade dos mauritanos, cuja maioria declara ter faltado a cuidados médicos’.

Segundo o PNUD, a saúde digital pode constituir uma oportunidade para enfrentar estes desafios e desenvolver os sistemas de saúde africanos, tendo em conta, por exemplo, a taxa de penetração da telefonia móvel em África e o uso que dela é feito. A agência das Nações Unidas estima que o digital permitirá expandir a cobertura sanitária universal ao derrubar certas barreiras, como os custos, as dificuldades de acesso ou a falta de qualidade dos cuidados, ao mesmo tempo que alarga a gama de serviços oferecidos, especialmente nas regiões onde as infraestruturas e o pessoal são raros ou inexistentes.

No entanto, estes esforços de transformação digital levantam várias questões, nomeadamente a da robustez e da disponibilidade geral das infraestruturas digitais. Embora a Mauritânia tenha acelerado o desenvolvimento das TIC no país, persistem limitações significativas. Segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), as redes 3G e 4G cobriam apenas 43,9% e 34,7% da população mauritana em 2022, contra 97% para a 2G em 2023. A taxa de penetração da Internet era de 37,4%, contra 79,1% para a telefonia móvel em 2023. Para além das infraestruturas, outros desafios permanecem: a falta de competências digitais, a insuficiência de financiamentos e a necessidade de reforçar a governação do setor. Estas limitações pesam sobre o sucesso da estratégia nacional de e-Saúde e condicionam a capacidade do país para transformar de forma sustentável o seu sistema de saúde.

Isaac K. Kassouwi

Presente na exploração de urânio no Níger durante mais de 50 anos, o grupo francês Orano (ex-Areva) viu os seus ativos no país serem retirados nos últimos dois anos. Uma decisão que desencadeou um braço de ferro judicial com as autoridades nigerinas, cujo desfecho permanece incerto.

As autoridades nigerinas acusam a Orano de ter armazenado 400 barris de materiais radioativos em Madaouela, perto de Arlit, onde o grupo francês explorou minas de urânio durante vários anos. “[A Orano] continua a pôr em risco a saúde das populações nigerinas ao planear crimes em massa caracterizados pelo uso de substâncias radioativas, pela colocação em perigo da vida de terceiros e pela degradação do ambiente”, declarou o Ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Alio Daouda, numa intervenção transmitida terça-feira na televisão nacional.

Embora tenha garantido que todas as medidas estão a ser tomadas para processar a empresa francesa e obter “reparação por todos os prejuízos sofridos”, a Orano reagiu à agência Reuters afirmando não possuir licença de exploração para o local de Madaouela, e não lá ter realizado “qualquer atividade”.

Não é a primeira vez que a Orano é acusada de poluição ambiental no Níger. Em 2021, pouco depois do encerramento da mina de urânio de Akouta (COMINAK), explorada pela empresa durante várias décadas, a sociedade civil de Arlit mostrou preocupação com várias irregularidades no processo de requalificação do local. Receios confirmados pela Comissão de Pesquisa e Informação Independente sobre Radioatividade, uma associação francesa criada após o desastre de Chernobyl. Esta entidade estimou, em vários relatórios publicados nos últimos anos, que a exploração de urânio tem um impacto significativo na qualidade da água.

As novas acusações de Niamey surgem num momento em que as autoridades nigerinas e a Orano já se encontram em conflito há vários meses sobre questões de exploração do minério radioativo. A empresa francesa viu inicialmente o seu licenciamento para explorar o jazigo de Imouraren (ainda não explorado) ser retirado em junho de 2024, antes da nacionalização em junho de 2025 da sua filial Somaïr, que explora a única mina de urânio ainda ativa no Níger.

Estas decisões levaram a Orano a recorrer ao Centro Internacional para a Resolução de Disputas Relativas a Investimentos (CIRDI), para fazer valer os seus direitos. Embora o tribunal arbitral do CIRDI tenha imposto a Niamey medidas cautelares, incluindo a proibição de vender a produção de urânio da Somaïr, as autoridades nigerinas anunciaram esta semana a colocação do stock à venda no mercado internacional.

Por enquanto, ainda não foi indicado quais jurisdições serão acionadas no âmbito do processo anunciado contra a Orano, seja em instâncias internacionais como o CIRDI ou tribunais nigerinos. No entanto, o Ministro Alio Daouda afirmou que o grupo francês já se recusou a “obedecer” a decisões proferidas pelos tribunais locais relativas à remoção de vários milhões de toneladas de resíduos radioativos.

Emiliano Tossou

 

Na sua vontade de reforçar as competências científicas desde o ensino básico, o Gana está a implementar uma ferramenta pedagógica destinada a transformar a educação, privilegiando a manipulação prática e a inovação, em vez de um ensino exclusivamente teórico.

Na quinta-feira, 4 de dezembro, o Presidente John Dramani Mahama lançou oficialmente a STEMBox, um kit concebido para tornar o ensino das ciências interativo e acessível aos alunos do ensino primário e do ciclo intermédio. A cerimónia contou com a presença do Ministro da Educação, Haruna Iddrisu, bem como de vários responsáveis do setor educativo e partes interessadas no projeto.

Segundo o Presidente, a STEMBox oferece aos alunos “ferramentas adequadas à sua idade para compreender conceitos científicos, construir pequenas máquinas, explorar circuitos, energia e movimento, e desenvolver, através da prática, competências em resolução criativa de problemas”. O objetivo é tornar a aprendizagem das ciências concreta, interativa e eficaz, ao mesmo tempo que facilita o acesso às aulas para todos os alunos.

A iniciativa pretende também “estimular a produção local, criar novos empregos e reforçar a posição do Gana como uma nação voltada para a tecnologia”. O Ministro da Educação destacou que esta inovação trará uma modernização profunda e transformará de forma duradoura o ensino e a aprendizagem em todo o país.

Esta abordagem surge num contexto em que o ensino prático no Gana continua limitado por um défice de equipamentos, ausência de laboratórios e uma pedagogia demasiado teórica. Um relatório de 2023 da Africa Education Watch (EduWatch) indica que apenas 15 % das escolas primárias públicas e 13 % dos colégios dispõem de instalações TIC funcionais.

Nas zonas marginalizadas, a situação é ainda mais crítica. Das 1.033 escolas registadas em 2025, apenas 21, ou seja, 2 %, possuíam um laboratório TIC operacional, de acordo com o relatório Review of the Education Sector Medium-Term Development Plan (2022‑2025) publicado pela EduWatch. Mesmo em estabelecimentos melhor equipados, apenas 8 % das 769 escolas estudadas tinham um laboratório funcional. Outra investigação revela que, em várias regiões, todas as escolas auditadas não tinham laboratórios de ciências e quase 90 % careciam de manuais ou materiais pedagógicos básicos.

Félicien Houindo Lokossou

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.