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Equipe Publication

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O Bank Al-Maghrib antecipa uma aceleração da atividade económica em Marrocos, impulsionada por uma recuperação do setor agrícola e pela solidez das atividades não agrícolas. No entanto, alerta para um agravamento do défice da conta corrente devido ao aumento dos preços das matérias-primas.

Segundo as conclusões da reunião do seu conselho, realizada a 17 de março em Rabat, o banco central prevê um crescimento económico de 5,6% em 2026, acima dos 4,8% estimados para o ano anterior.

Esta dinâmica positiva assenta principalmente no desempenho robusto dos setores não agrícolas e na recuperação esperada da produção agrícola, favorecida por condições climáticas mais favoráveis. A instituição estima que a colheita das três principais culturas cerealíferas possa atingir 82 milhões de quintais, o que resultaria num aumento de 14,4% do valor acrescentado agrícola em 2026.

No que diz respeito aos preços, a inflação deverá manter-se moderada em 0,8% em 2026, antes de subir ligeiramente para 1,4% em 2027. Esta evolução explica-se, em parte, pela descida recente dos preços dos combustíveis e pela melhoria da oferta de alguns produtos alimentares. Ainda assim, o crescimento deverá abrandar para 3,5% em 2027.

Relativamente às contas externas, o banco central indica que o aumento previsto dos preços das matérias-primas deverá provocar um agravamento do défice da conta corrente, que passaria de 2,3% do PIB em 2025 para 3,1% em 2026, antes de recuar para 2,5% em 2027. Estas projeções surgem num contexto internacional marcado por fortes incertezas geopolíticas, nomeadamente devido às tensões no Médio Oriente e à Guerra na Ucrânia.

Apesar destas pressões, as perspetivas para as exportações permanecem favoráveis, apoiadas pelo crescimento esperado das vendas nos setores automóvel e dos fosfatos, bem como pela contínua subida das receitas do turismo e das remessas dos marroquinos residentes no estrangeiro.

Por sua vez, as reservas oficiais de divisas deverão continuar a aumentar, atingindo 482 mil milhões de dirhams (cerca de 51,3 mil milhões de dólares), o equivalente a quase seis meses de importações até 2027.

Charlène N’dimon

 

A Costa do Marfim multiplica as iniciativas para apoiar a sua transição digital. Entre as mais recentes destacam-se a formação dos atores do setor educativo em ferramentas digitais e em inteligência artificial (IA), bem como a implementação de serviços públicos online unificados.

Na Costa do Marfim, o Ministério da Transição Digital e da Inovação Tecnológica revelou, na terça-feira, 17 de março, cinco prioridades estratégicas para o ano em curso, por ocasião da abertura do exercício orçamental do ministério.

Estas prioridades incluem a democratização do acesso à Internet, com o objetivo de reduzir a fratura digital e facilitar o acesso dos cidadãos aos serviços digitais. O ministério pretende também otimizar a arrecadação de receitas do Estado através da implementação de soluções de pagamento digital. Prevê ainda reforçar as competências e a inclusão digitais, melhorar a cibersegurança e a confiança no ecossistema digital, bem como apoiar a inovação e a adoção de tecnologias emergentes.

«É essencial que asseguremos coletivamente uma execução ótima das nossas atividades, para alcançar os objetivos definidos no nosso Quadro de Desempenho 2026, contribuindo eficazmente para a transformação digital do nosso país», declarou Djibril Ouattara, ministro da Transição Digital.

Iniciativas concretas para reforçar competências e inovação

A transição digital constitui uma prioridade estratégica para a Costa do Marfim. Entre as iniciativas recentes do governo destacam-se a formação dos profissionais do setor educativo em ferramentas digitais e inteligência artificial, a criação de serviços públicos online integrados e a organização de eventos internacionais dedicados às tecnologias emergentes.

Neste contexto, o governo marfinense, em parceria com a Unesco e a cooperação alemã GIZ, lançou em março a segunda fase do projeto de Desenvolvimento das Competências Digitais dos Quadros e Professores (DCNPEE).

Para o exercício de 2026, o orçamento do Ministério da Transição Digital e da Inovação Tecnológica ascende a 83,2 mil milhões de francos CFA (145,2 milhões de dólares), contra 68,6 mil milhões de francos CFA em 2025.

Charlène N’dimon

 

Quatro anos após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, o mercado dos fertilizantes enfrenta um novo choque com a escalada militar entre o Irão, Israel e os Estados Unidos. Este conflito provocou perturbações no comércio ao nível do estreito de Ormuz. Eis o que é preciso compreender sobre as implicações desta crise para a indústria global dos fertilizantes e para os países africanos.

O estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Mar da Arábia, não é estratégico apenas para o petróleo, do qual assegura cerca de um quarto do transporte marítimo mundial. É também crucial para o mercado de fertilizantes e para a segurança alimentar global.

Segundo um estudo publicado a 10 de março pela CNUCED, cerca de um terço do transporte marítimo mundial de fertilizantes (ou seja, quase 16 milhões de toneladas) passa por este estreito. Este volume inclui 67% de ureia, o fertilizante azotado mais utilizado no mundo, e 20% de fosfato diamónico (DAP), o fertilizante fosfatado mais comum.

Uma nova fonte de tensão nos preços globais

Se os preços do petróleo reagiram fortemente, os dos fertilizantes também foram impulsionados por esta crise. Com a escalada neste corredor estratégico, o banco neerlandês Rabobank indicou, numa nota publicada a 6 de março, que os preços da ureia no Norte de África subiram cerca de 20%, enquanto o preço do gás natural na Europa aumentou aproximadamente 45% nas 48 horas seguintes ao primeiro ataque contra o Irão.

Num contexto em que o gás natural representa mais de 50% do custo de produção dos fertilizantes azotados, a situação atual faz lembrar o cenário de há quatro anos. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022, a subida dos preços da energia — especialmente do gás natural e do carvão — penalizou a produção de amoníaco (NH3), componente essencial dos fertilizantes azotados, levando ao encerramento de fábricas na Europa e à disparada dos preços.

Atualmente, o mercado continua sensível a perturbações. A China mantém restrições às exportações de fertilizantes azotados para garantir o abastecimento interno e reduz as vendas de fosfatos para favorecer a produção de baterias de fosfato de ferro e lítio. A Bielorrússia, grande fornecedora de potássio, continua sob sanções da União Europeia, enquanto a Rússia enfrenta tarifas europeias sobre fertilizantes.

A duração da crise será determinante, mas já há preocupações de que o aumento dos preços da ureia e do amoníaco leve os agricultores a reduzir o uso de fertilizantes, afetando a produção de cereais e a segurança alimentar. Segundo a ONU, cerca de 50% da população mundial depende de produtos agrícolas que utilizam fertilizantes minerais (NPK).

Impactos contrastantes para exportadores africanos

Nem todos os países africanos são afetados da mesma forma. A redução dos fluxos no estreito de Ormuz e a subida dos preços podem reforçar o papel estratégico de produtores do Norte de África, como Marrocos, Argélia e Egito, que abastecem a Europa com fertilizantes fosfatados e azotados.

Segundo a Rabobank, os preços da ureia no Egito subiram rapidamente de cerca de 500 dólares por tonelada para mais de 600 dólares, enquanto na Argélia atingiram cerca de 631 dólares por tonelada, impulsionados pela procura de rotas de abastecimento mais seguras.

Na Nigéria, exportador líquido de ureia, a procura também aumentou. O grupo Dangote registou um crescimento das encomendas devido à escassez global. No entanto, estes ganhos podem ser parcialmente anulados pelo aumento dos custos de insumos importados, como amoníaco, enxofre e gás.

Alguns produtores africanos permanecem vulneráveis, especialmente devido à subida dos preços do enxofre — essencial para fertilizantes fosfatados — e do amoníaco, que aumentaram entre 15% e 28% nos últimos dias. O grupo marroquino OCP, por exemplo, é particularmente exposto às variações do preço do enxofre, do qual importa grandes volumes.

No Egito, perturbações no fornecimento de gás podem limitar a produção de fertilizantes, como já aconteceu em 2025, quando a escassez de combustível levou à suspensão temporária das atividades industriais.

Impacto direto nos países importadores africanos

Os países africanos mais vulneráveis são os que dependem do Golfo para o abastecimento de fertilizantes. Segundo a ONU Comércio, o Sudão é o mais dependente, com 54% das suas importações provenientes da região, seguido pela Tanzânia (31%), Somália (30%), Quénia (26%) e Moçambique (22%).

De forma geral, todo o continente será afetado pelo aumento dos preços e pelas perturbações logísticas. Este cenário constitui um novo teste à resiliência dos sistemas agrícolas africanos.

Durante o choque de 2022, muitos países conseguiram mitigar os impactos através de subsídios, negociações de preços e financiamentos concessionais. Instituições como o Banco Africano de Desenvolvimento implementaram mecanismos de emergência, como o African Emergency Food Production Facility, dotado de 1,5 mil milhões de dólares, para apoiar a aquisição de fertilizantes e outros insumos.

Espoir Olodo

Perante a crescente congestão urbana, as autoridades quenianas estão a acelerar a modernização das infraestruturas rodoviárias em Nairobi. O objetivo é melhorar a fluidez da circulação, ao mesmo tempo que se apoia o desenvolvimento económico da capital.

O governo do Quénia assinou, na terça-feira, 17 de março de 2026, um acordo com a empresa chinesa Stecol Corporation (anteriormente denominada «Sinohydro Tianjin Engineering») para a execução das obras de duplicação da estrada Muthaiga - Kiambu - Ndumberi, com um percurso de 23,5 km. Estruturado segundo o modelo EPC (engenharia, aprovisionamento e construção), o projeto visa, segundo a autoridade nacional de estradas, reduzir os congestionamentos, melhorar a mobilidade e apoiar o crescimento económico ao longo deste eixo rodoviário, que constitui uma via estratégica no leste de Nairobi.

As obras incluem, nomeadamente, a reconfiguração do troço numa estrada de quatro faixas, com novos nós rodoviários e passagens pedonais nas zonas de maior tráfego. Segundo a imprensa local, o financiamento será assegurado por um empréstimo de 38,7 mil milhões de xelins quenianos (cerca de 298,9 milhões de dólares) concedido pelo banco chinês EXIM. A duração prevista para a execução é de 36 meses.

A duplicação desta via insere-se numa estratégia global do governo para modernizar a rede de transportes de Nairobi, uma metrópole com cerca de 5,5 milhões de habitantes e desafios crescentes de mobilidade. O projeto faz parte do plano «Vision 2030» do Quénia, que prevê a construção e reabilitação de cerca de 5.500 km de estradas, incluindo 3.825 km de estradas nacionais principais e 1.675 km de estradas de condado.

Para além das autoestradas e vias rápidas, o plano urbano de Nairobi prevê também a transformação do sistema de transportes num modelo multimodal, integrando o transporte ferroviário. Nesse âmbito, o país solicitou um empréstimo de 500 milhões de dólares ao Banco Mundial para modernizar a rede ferroviária suburbana, que irá complementar o serviço ferroviário da linha de bitola padrão (SGR).

Henoc Dossa

Com uma pontuação de 0,4 em 1 no Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico (EGDI) em 2024, segundo a ONU, a Guiné está a progredir, mas continua a enfrentar uma digitalização fragmentada. A centralização dos serviços públicos surge agora como um fator-chave para melhorar a eficiência administrativa.

O ministro da Função Pública e da Modernização da Administração, Faya François Bourouno (foto, à direita), assinou na segunda-feira, 16 de março, em Bacu, um acordo com o Azerbaijão para a criação de um balcão único de serviços públicos, um dispositivo destinado a simplificar e digitalizar os procedimentos administrativos.

Este futuro balcão único tem como objetivo centralizar o acesso aos serviços administrativos, permitindo aos utilizadores realizar vários procedimentos através de uma única interface. Inspirado no modelo azerbaijano ASAN Service, reconhecido pela sua eficácia, o sistema deverá contribuir para reduzir os prazos de processamento, limitar a burocracia e melhorar a qualidade dos serviços públicos.

Uma digitalização ainda fragmentada dos serviços públicos

Este projeto surge num contexto de aceleração da digitalização dos serviços públicos na Guiné. Nos últimos anos, várias iniciativas foram lançadas, nomeadamente na gestão das finanças públicas, na modernização do registo civil e na desmaterialização de alguns serviços fiscais. No entanto, estes sistemas funcionam muitas vezes de forma isolada, o que limita o seu impacto global na eficiência da ação pública.

A implementação de um balcão único surge, assim, como uma resposta a esta fragmentação, permitindo integrar progressivamente diferentes serviços numa plataforma centralizada. Esta abordagem está alinhada com os padrões internacionais de governação digital, onde a interoperabilidade dos sistemas é um fator essencial de desempenho.

A Guiné apresenta, no entanto, progressos no domínio da administração digital. Segundo o Índice de Desenvolvimento do Governo Eletrónico (EGDI) das Nações Unidas, o país obteve uma pontuação de 0,4 em 1 em 2024, ocupando a 160.ª posição entre 193 países, face a 0,3 e à 162.ª posição em 2022. Esta evolução reflete uma melhoria gradual das capacidades digitais do Estado, embora ainda sejam necessários esforços adicionais para reforçar a integração e a acessibilidade dos serviços.

Samira Njoya

Enquanto o governo federal estrutura a exportação de créditos de carbono com o objetivo de mobilizar até 2,5 mil milhões de dólares em investimentos verdes até 2030, o Nigéria emite os seus primeiros créditos de carbono industriais, nomeadamente para cozinhas limpas.

Pela primeira vez, o país autoriza a exportação de créditos de carbono gerados a partir de cozinhas limpas. A 11 de março, Abuja emitiu uma carta de autorização à empresa BURN, através do National Council on Climate Change (NCCC), permitindo-lhe transferir os seus créditos para o mecanismo internacional de compensação de emissões da aviação (CORSIA).

A autorização cobre 5,2 milhões de créditos gerados a partir da distribuição em larga escala de fogões melhorados. Esta medida permite à empresa nigeriana e aos seus parceiros, incluindo a Key Carbon, vender estas reduções de emissões internacionalmente, no âmbito do Artigo 6.2 do Acordo de Paris.

De acordo com este mecanismo, os países podem cooperar para atingir as suas Contribuições Determinadas a Nível Nacional (CDN) através da transferência de resultados de redução de emissões por meio de Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente (ITMO). Este sistema bilateral permite que governos e entidades privadas realizem transações transfronteiriças de créditos de carbono, criando um ecossistema descentralizado do mercado de carbono e gerando financiamento para atividades contínuas.

Emergência de um ecossistema nacional de mercado de carbono

A autorização concedida à BURN surge num contexto em que a entrada em vigor do Mecanismo de Ajuste de Carbono nas Fronteiras (CBAM) da União Europeia incentiva as indústrias nigerianas a descarbonizar e estimula a criação de créditos e a procura interna.

Em 2025, Abuja lançou a Política de Ativação do Mercado de Carbono Nigeriano (Carbon Market Activation Policy/NCMAP), estabelecendo um roteiro para mobilizar 2,5 mil milhões de dólares até 2030, incluindo a criação e troca de créditos de carbono.

“Os financiamentos climáticos devem servir os interesses da população, e o mercado de carbono na Nigéria foi concebido para garantir a redução de emissões e o desenvolvimento sustentável”, afirmou a Dra. Tenioye Majekodunmi, diretora-geral do NCCC.

Em fevereiro de 2026, o país emitiu os seus primeiros créditos de carbono em escala industrial através do projeto Releaf Earth, gerando 190 toneladas de créditos de carbono equivalentes verificados.

Uma tendência continental

A decisão do Nigéria integra uma tendência já observada no continente africano. No Malawi, em novembro de 2025, créditos de projetos semelhantes foram reconhecidos como elegíveis para CORSIA, enquanto o Ghana, em parceria com a Suíça, já realizou transferências no âmbito do Artigo 6, segundo a Agência Ecofin.

No entanto, estes mecanismos nem sempre são bem recebidos em África. Recentemente, no Quénia, a recusa de autorizar a exportação de créditos de um projeto da Koko Networks ilustrou a intenção das autoridades de manter controlo sobre os volumes transferidos e os rendimentos gerados.

Abdoullah Diop

Numa atualização publicada em outubro de 2025, a Turaco Gold anunciava um aumento dos recursos auríferos do seu projeto marfinense Afema para 4,06 milhões de onças. Um potencial que a empresa pretendia ainda otimizar através da realização de novas perfurações no local.

Na quarta-feira, 18 de março, a Turaco Gold revisou para cima os recursos do projeto Afema, agora estimados em 4,65 milhões de onças de ouro, contra 4,06 milhões anteriormente. Esta progressão marca uma nova etapa na estratégia desta mineradora australiana, que pretende desenvolver, a médio prazo, uma mina de ouro neste ativo.

Detalhadamente, esta nova estimativa integra um depósito adicional, denominado Herman, agora incluído no plano mineiro. Acrescentam-se ainda recursos adicionais identificados nos depósitos existentes de Woulo Woulo, Anuiri e Asupiri. Com este avanço, a Turaco Gold considera-se reforçada na sua estratégia de demonstrar a rentabilidade do projeto, em vista do desenvolvimento de uma futura mina.

Desde a aquisição de Afema há menos de dois anos, a Turaco revelou um recurso JORC de 4,65 Moz, o que evidencia o sucesso excecional das perfurações realizadas em múltiplos alvos […]. A nossa prioridade imediata é agora demonstrar a escala de produção e a rentabilidade do desenvolvimento de Afema através do estudo de pré-viabilidade, cuja finalização está prevista para o segundo trimestre de 2026”, declarou Justin Tremain, CEO da Turaco.

Concretamente, esta base atualizada de recursos servirá para a realização do estudo de pré-viabilidade (PFS), que fornecerá os primeiros indicadores económicos de Afema, incluindo o seu perfil de produção e os custos de desenvolvimento. A empresa pretende ainda apoiar-se, neste contexto, na conversão de parte destes recursos para a categoria de reservas exploráveis, considerada mais fiável para o planeamento de uma mina de ouro.

Paralelamente, os trabalhos de exploração deverão prosseguir no local, com uma nova atualização de recursos já prevista até ao final de 2026. Neste contexto, a Turaco Gold poderá acelerar o progresso de Afema rumo às últimas etapas prévias ao seu desenvolvimento, incluindo a realização de um estudo de viabilidade definitivo (DFS), a obtenção das licenças mineiras e a mobilização dos financiamentos necessários à construção.

Aurel Sèdjro Houenou

O projeto insere-se no âmbito de uma estratégia de desenvolvimento do setor mineiro destinada a diversificar a economia argelina e reduzir a forte dependência dos hidrocarbonetos, que representam mais de 90% das exportações e quase metade das receitas do Estado.

O Primeiro-Ministro argelino, Sifi Ghrieb, deu, na terça-feira, 17 de março, o pontapé de saída para a exploração de uma importante mina de zinco e chumbo, marcando um passo significativo na estratégia nacional de desenvolvimento do setor mineiro.

Localizado na província de Béjaïa, no nordeste do país, o depósito contém 54 milhões de toneladas de minérios brutos, dos quais 34 milhões são diretamente exploráveis. A mina deverá produzir 2 milhões de toneladas de minérios brutos por ano, que serão processados localmente para extrair cerca de 170.000 toneladas de zinco e 30.000 toneladas de chumbo, segundo apresentação da Société Nationale de Recherche et d’Exploitation Minière (Sonarem).

A exploração da mina foi atribuída à Bejaia Zinc and Lead (BZL), uma sociedade mista argelino-australiana composta pela Entreprise Nationale des Produits Miniers Non-Ferreux et des Substances Utiles (ENOF), pelo Office National de Recherche Géologique et Minière (ORGM) e pela companhia mineradora australiana Terramin.

O projeto, que exige investimentos totais de 471 milhões de USD, deverá atender plenamente às necessidades da indústria argelina, gerando ainda um excedente destinado à exportação.

A exploração deste depósito faz parte de uma estratégia que visa transformar o setor mineiro num instrumento estratégico para o desenvolvimento e diversificação da economia nacional. Esta mina constitui o segundo grande projeto integrado a entrar em fase operacional este ano, após o início da exploração do depósito de ferro de Gara Djebilet (sudoeste) em fevereiro passado.

O desenvolvimento da indústria mineira, que atualmente representa apenas cerca de 1% do PIB da Argélia, deverá ajudar o país a reduzir a sua histórica dependência dos hidrocarbonetos. O Parlamento argelino aprovou, em junho de 2025, uma lei permitindo que empresas estrangeiras detenham até 80% das participações em projetos mineiros, com o objetivo de atrair mais investimentos para o setor.

O texto prevê também a simplificação dos procedimentos administrativos, a redução dos prazos para a concessão de autorizações e títulos mineiros, a garantia de transparência na atribuição de concessões e o livre acesso à informação geológica.

Walid Kéfi

Enquanto a matriz energética da Ilha Maurício é dominada em cerca de 80% por combustíveis fósseis, como óleo pesado e carvão, o país procura desenvolver a produção de energia renovável, destacando-se o lançamento de uma fazenda houlomotriz.

A empresa francesa Seaturns anunciou, num comunicado de quarta-feira, 11 de março, o arranque de um projeto houlomotriz pré-comercial em Maurício. Este projeto integra-se no programa National Scheme for Emerging Project Concepts Based on Renewable Energy Technologies (NSEPCRET), coordenado pela Mauritius Renewable Energy Agency (MARENA).

O acordo prevê a instalação de uma primeira fazenda-piloto de 2 MW, ligada à rede nacional através da empresa pública Central Electricity Board (CEB), com possibilidade de expansão até 10 MW. Trata-se do primeiro projeto pré-comercial mundial de uma fazenda houlomotriz conectada a uma rede elétrica, segundo a Seaturns.

Lawrence Sigaud, diretora-geral adjunta responsável pelo desenvolvimento comercial da startup francesa, afirmou que a empresa “interessa-se pela Ilha Maurício há vários anos, devido ao seu significativo recurso houlomotriz e ao facto de ser um território fortemente orientado para a inovação”.

Fase de teste antes do lançamento comercial

O projeto tem como objetivo testar o desempenho industrial e a fiabilidade da tecnologia em condições reais de operação, aproveitando o movimento das ondas geradas pelo vento na superfície do oceano. Está previsto um contrato de compra de eletricidade com a CEB, cujo financiamento ainda não foi divulgado.

A Seaturns desenvolve a iniciativa em parceria com o grupo maurício Taylor Smith, que poderá colaborar na fabricação local de equipamentos e na instalação e manutenção da infraestrutura.

Esta iniciativa insere-se numa tendência emergente no continente africano. Na África do Sul, a Eco Wave Power anunciou em fevereiro a identificação de um potencial de cerca de 8,3 MW de energia houlomotriz no porto de Ngqura, após estudo de viabilidade iniciado em 2025, embora ainda não exista decisão final de investimento. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC/GIEC), o potencial mundial de energia das ondas atinge 29.500 TWh por ano.

Abdoullah Diop

A região de Gabès figura entre as áreas-alvo para o desenvolvimento da energia solar na Tunísia. No início de fevereiro de 2026, a Voltalia anunciou ter sido selecionada pelo Estado tunisino para desenvolver um projeto solar de 132 MW naquela região.

A Tunísia prepara-se para acolher uma central solar fotovoltaica financiada pelo Japão, no âmbito de um mecanismo de cooperação climática. O projeto foi aprovado em fevereiro de 2026 para beneficiar do mecanismo japonês de financiamento de carbono, informou na segunda-feira, 16 de março, a imprensa local tunisina.

A central, com uma capacidade prevista de 130 MW, será desenvolvida na região de Gabès e operada pela Société Tunisienne de l’Électricité et du Gaz (STEG). O financiamento insere-se no âmbito do «Joint Crediting Mechanism» (JCM), um programa do governo japonês destinado a apoiar projetos de baixo carbono a nível internacional. Este mecanismo permite partilhar as reduções de emissões de gases com efeito de estufa entre o Japão e o país anfitrião, recorda o African Manager.

Neste contexto, o Japão concede uma subvenção que pode atingir cerca de 2 mil milhões de ienes, cerca de 37 milhões de dinares tunisinos (aproximadamente 13,5 milhões de dólares), para apoiar a implementação do projeto. Esta contribuição visa cobrir parte dos custos de investimento associados à construção da central.

Além disso, o projeto será implementado pela empresa japonesa Marubeni, em parceria com uma empresa francesa cuja identidade ainda não foi divulgada. Nenhuma data precisa de entrada em operação foi anunciada até ao momento. Este desenvolvimento enquadra-se nas iniciativas destinadas a expandir a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis na Tunísia.

Segundo dados oficiais, a Tunísia ambiciona aumentar a contribuição das energias renováveis para 35% do mix elétrico até 2030. Atualmente, representam cerca de 3,8% da produção elétrica do país, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE) publicados em 2023. O mix elétrico continua largamente dominado pelo gás natural, que assegura a maior parte da produção.

Abdel-Latif Boureima

 

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